segunda-feira, 16 de julho de 2012

Liturgia 15ª semana comum Ano Par


Liturgia da Segunda Feira 16.07.2012
NOSSA SENHORA DO CARMO 
(BRANCO, GLÓRIA, PREFÁCIO DE MARIA – OFÍCIO DA FESTA)
Antífona da entrada: Salve, ó santa mãe de Deus, vós destes à luz o rei, que governa o céu e a terra pelos séculos eternos..
Leitura (Zacarias 2,14-17)
Leitura da profecia de Zacarias.
2 14 "Solta gritos de alegria, regozija-te, filha de Sião. Eis que venho residir no meio de ti - oráculo do Senhor. 
15 Naquele dia se achegarão muitas nações ao Senhor, e se tornarão o meu povo: habitarei no meio de ti, e saberás que fui enviado a ti pelo Senhor dos exércitos. 
16 O Senhor possuirá Judá como seu domínio, e Jerusalém será de novo (sua cidade) escolhida. 
17 Toda criatura esteja em silêncio diante do Senhor: ei-lo que surge de sua santa morada".
Salmo responsorial Lc 1
O Poderoso fez por mim maravilhas 
e santo é o seu nome.
A minha alma engrandece ao Senhor 
e se alegrou o meu espírito em Deus, meu salvador.
Pois ele viu a pequenez de sua serva, 
desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita. 
O Poderoso fez por mim maravilhas 
e santo é o seu nome!
Seu amor, de geração em geração, 
chega a todos os que o respeitam. 
Demonstrou o poder de seu braço, 
dispersou os orgulhosos.
Derrubou os poderosos de seus tronos 
e os humildes exaltou. 
De bens saciou os famintos 
e despediu, sem nada, os ricos.
Acolheu Israel, seu servidor, 
fiel ao seu amor, 
como havia prometido aos nossos pais, 
em favor de Abraão e de seus filhos para sempre.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus! (Lc 11,28)

Evangelho (Mateus 12,46-50)
12 46 Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar. 
47 Disse-lhe alguém: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te". 
48 Jesus respondeu-lhe: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" 
49 E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 
50 Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. “Por que achavam que Jesus era Louco...”
Neste evangelho, os parentes de Jesus, sua Mãe e seus irmãos, nos diz o texto, foram à sua procura, pois queriam levá-lo de volta à casa. Havia um consenso de que ele estivesse louco, falando e fazendo coisas sem o saber.
Jesus era uma ameaça constante á estrutura do templo, pois quebrava todas as regras e normas religiosas excludentes, curava as pessoas de todas as suas enfermidades, e a pessoa nãom precisava oferecer sacrifício algum pela sua cura. Como a Medicina não estava avançada e as doenças ou enfermidades psicsomáticas eram muitas, a clientela do templo era bem numerosa e as ofertas tinham que ser feitas, nem que fossem rolinhas e pombinhos, para os mais pobres, todos eram tarifados. Era uma forma de se obter a “pureza” institucionalizada. Quem ganhava com isso? A casta sacerdotal, que era em sua maioria Latifundiários proprietários doa animais, vendidos  aos cambistas, que os revendiam por um alto preço nas portas do templo, e os sacerdotes ganhavam duas vezes, na venda para o atravessador e depois na oferta, onde uma boa parte lhes pertencia, segundo a lei.
Ora, se eu sou beneficiado com um negócio assim, altamente lucrativo, qualquer pessoa que interferir nesse sistema, tirando a clientela, eu vou fazer de tudo para tirá-lo de circulação, daí taxaram de Jesus de Louco, e com certeza pressionaram seus familiares sobre os riscos que ele estava correndo, por mexer em um Vespeiro, quando tornava menos lucrativo o negócio dos poderosos.
Agora fica fácil compreender a reação de Jesus diante da comunidade, quando alguém o comunica que sua mãe e seus irmãos estavam fora e queriam falar-lhe. Os que se deixam levar pelas orientações dos poderosos desse mundo, não pertencem à Cristo, não são, portanto, sua Mãe e seus irmãos, uma vez que, não é sistema religioso que garante a salvação, mas trata-se de um Dom oferecido a todos os homens através de Jesus Cristo.
A partir de agora Jesus estabelece laços fortes na união dos Homens com Deus, quem  ouvir a sua Palavra e seguir seus ensinamentos, procurando fazer a Vontade de Deus, que quer a Vida para todos, este sim tem com ele intimidade, está com ele em sintonia, esse sim pode ser chamado de “sua Família” sua Mãe e seus irmãos. Não dá para pertencer a Cristo, mas viver segundo a vontade do mundo, ditada por um sistema que se omite diante de injustiças e desigualdades, e que decreta a morte do mais pobre. Quem concorda ou se omite diante dessa estrutura social injusta, não pode e nem deve apresentar-se como cristão...
É bom também deixar claro que, “A Mãe de Jesus” aqui citada, pode ser ou não Maria de Nazaré, pois Mãe era um termo aplicado a uma Matriarca de várias famílias, que seria a Bisavó ou Tataravó.  Então há aqui duas vertentes, primeiro, Maria de Nazaré não era uma supermulher que sabia tudo sobre o Filho, então que ninguém se escandalize se historicamente fosse ela de fato, ali junto com os parentes de Jesus, pois, que mãe não se preocuparia se viessem lhe dizer que as atividades do seu filho o estão pondo em perigo? Segundo, é pouco provável que se tratasse de Maria a Mãe de Jesus, e nesse caso, Maria está do lado de dentro, isso é, ela faz parte da comunidade nova, fundada por Jesus, e que tem uma relação diferente com Deus, aliás, ela é a primeira cristã, a primeira discípula, pela Fidelidade á Vontade Divina...
2. A verdadeira família de Jesus
A mãe e a família são o destaque nesta narrativa, com representações simbólicas. Seu sentido é didático, visando à conversão. 
A família é a célula básica da sociedade. Uma família conservadora, por exemplo, é o suporte de uma sociedade opressora e excludente. Jesus substituiu a sinagoga pela casa. Agora propõe a substituição de um conceito hermético de família para um conceito aberto e solidário. Jesus substitui os laços tradicionais familiares pelos laços do amor verdadeiro, que vão muito além dos interesses particulares da família.
A verdadeira família, na perspectiva do Reino de Deus, é aquela constituída por pessoas que, fazendo a vontade do Pai, tornam-se discípulos de Jesus. Na medida em que a família se comprometa com o fazer a vontade do Pai, ela se abre para a partilha, a solidariedade e a acolhida aos mais excluídos, sem preconceitos e com amor.
As palavras de Jesus, com sua novidade, abalavam os fundamentos da antiga tradição, particularmente a de Israel. Maria, acompanhando seu filho, guardava em seu coração tudo que observava e ouvia, e ia amadurecendo sua compreensão a respeito da revelação de Jesus.
Oração
Pai, reforça os laços que me ligam aos meus irmãos e irmãs de fé, de forma a testemunhar que formamos uma grande família, cujo pai és tu.
3. Nossa Senhora do Carmo
No dia 16 de julho, celebra-se na Igreja Católica, a memória de Nossa Senhora do Carmo, um título da Virgem Maria que remonta ao século XIII, quando, no monte Carmelo, Palestina, começou a formar-se um grupo de eremitas. Estes, querendo imitar o exemplo do profeta Elias, reuniram-se ao redor de uma fonte chamada "fonte de Elias", e iniciaram um estilo de vida que, mais tarde, se estenderia ao mundo todo. Devido ao lugar onde nasceu, este grupo de ex-cruzados e eremitas foi chamado de "carmelitas".
A história nos assegura que os eremitas construíram também uma pequena capela dedicada à Nossa Senhora que, mais tarde, e pela mesma circunstância de lugar, seria chamada de "Nossa Senhora do Carmo" ou " Nossa Senhora do Carmelo". Os carmelitas viram-se obrigados a emigrar para a Europa, para continuar a própria vida religiosa e lutar por seu espaço entre as várias ordens mendicantes. O título de Nossa Senhora do Carmo está unido ao "símbolo do escapulário".
A presença de Maria com o nome de Nossa Senhora do Carmo foi se espalhando por toda a Europa, e esta devoção foi levada para a América Latina, na primeira hora da evangelização. É difícil encontrar uma diocese latino-americana que não tenha, pelo menos, uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo. Não somente são igrejas matrizes ou catedrais dedicadas a Maria, sob o título de Nossa Senhora do Carmo, mas também lugarejos, capelas, oratórios etc. Isso prova como esta devoção saiu dos âmbitos restritos dos conventos carmelitanos e se tornou propriedade do povo e da Igreja Universal, como diz o Papa João Paulo II, em sua carta dirigida aos Superiores Gerais do "Carmelo da Antiga Observância e do Carmelo Descalço".
Esta devoção, enraizada no coração do povo, está sendo resgatada, e os devotos de Nossa Senhora do Carmo aumentam cada vez mais.
Liturgia da Terça-Feira
Leitura (Isaías 7,1-9)
Leitura do livro do profeta Isaías.
7 1 No tempo de Acaz, filho de Joatão, filho de Ozias, rei de Judá, Rasin, rei de Arão, foi com Pecá, filho de Romelia, rei de Israel, contra Jerusalém para lhe dar combate; mas não pôde apoderar-se dela. 
2 Quando se soube, na casa de Davi, que (o exército da) Síria estava acampado em Efraim, o coração do rei e o de seu povo ficaram perturbados como as árvores das florestas agitadas pelos ventos. 
3 Então disse o Senhor a Isaías: "Vai ter com Acaz, com Sear-Jasub, teu filho, na extremidade do aqueduto do reservatório superior, no caminho do campo do pisoeiro. 
4 E dize-lhe: ´Tem ânimo, não temas, não vacile o teu coração diante desses dois pedaços de tições fumegantes. (Diante do furor de Rasin, da Síria, e do filho de Romelia). 
5 Visto que a Síria decidiu tua perdição, com Efraim e o filho de Romelia, dizendo: 
6 Vamos contra Judá, nós o bateremos, e nos apoderaremos dele, e proclamaremos rei o filho de Tabeel. 
7 Eis o que disse o Senhor Javé: Isso não acontecerá, essas coisas não se realizarão, 
8 porque a capital da Síria é Damasco, e a cabeça de Damasco é Rasin. (Dentro de sessenta e cinco anos Efraim desaparecerá do rol dos povos.) 
9 E a capital de Efraim é Samaria, e a cabeça de Samaria é o filho de Romelia. Se não o crerdes, não subsistireis´". 
Salmo responsorial 47/48
O Senhor estabelece sua cidade para sempre.
Grande é o Senhor e muito digno de louvores 
na cidade onde ele mora; 
seu monte santo, esta colina encantadora 
é a alegria do universo.
Monte Sião, no extremo norte situado, 
és a mansão do grande rei! 
Deus revelou-se, em suas fostes cidadelas, 
um refúgio poderoso.
Pois eis que os reis da terra se aliaram 
e todos juntos avançaram; 
mal a viram, de pavor estremeceram, 
debandaram perturbados.
Como as dores da mulher sofrendo parto, 
uma angústia os invadiu; 
semelhante ao vento leste impetuoso, 
que despedaça as naus de Társis.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Oxalá ouvísseis hoje a sua voz. Não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8)

Evangelho (Mateus 11,20-24)
11 20 Jesus começou a censurar as cidades, onde tinha feito grande número de seus milagres, por terem recusado arrepender-se: 
21 "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e a cinza. 
22 Por isso vos digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós! 
23 E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia. 
24 Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti!" 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. “Ter Fé ou viver a Fé, eis a questão”
Este é um evangelho que cai como uma luva para todos nós, cristãos da pós-modernidade. Recentemente a grande mídia deu grande destaque ao fato do IBGE ter divulgado suas estatísticas onde um percentual grande de católicos deixou a nossa Igreja, migrando para igrejas evangélicas, principalmente as da pós-modernidade, com sua tentadora linha neo pentecostalista, que oferece a Religião do descompromisso, onde o membro nãomprecisa fazer nada de concreto a não ser, pagar o dízimo, o resto Deus faz, é só pagar a taxa de contribuição que o milagre vem, principalmente o “Econômico” que transforma da noite para o dia endividados em empresários muito bem sucedidos. O homem da pós modernidade busca exatamente esse tipo de religião e a nossa Igreja Católica não têm esse perfil. Resta uma pergunta: será que todos esses que deixaram a nossa igreja, como alardeia o IBGE, eram cristãos comprometidos com o evangelho e viviam a sua Fé? Há que se duvidar... E muito!
É este o tema do evangelho de hoje, pois em Corazim, Betsaida e Cafarnaum, haviam muitas pessoas que se diziam “Cristãos Fervorosos”, desses que afirmavam categoricamente que TINHAM Fé, como hoje encontramos milhares de pessoas que garantem ter Fé, até mesmo em Jesus Cristo, aqui não se trata de TER mas de VIVER a Fé, o que são coisas completamente diferentes.  Quem vive verdadeiramente a sua Fé, jamais abandona a igreja ou a troca por outra denominação cristã, simplesmente porque, com os olhos da Fé saber ver nela os Sinais que Jesus continua a realizar, principalmente nos Sacramentos, que têm poder e eficácia para transformar a vida dos que o acolhem com Fé madura, comprometida com o evangelho.
O Conhecimento desta verdade aumenta e muito a nossa responsabilidade como cristãos, membros da nossa Igreja, pois muitas vezes, nos orgulhamos de ser católicos da gema, de nascença, entretanto apenas temos Fé, mas não a vivemos de modo maduro e responsável, comprometidos com o evangelho e seus valores revolucionários para o mundo de hoje. Nas outras igrejas cristãs também há sinais que Jesus se manifesta, mas eles não são tão contundentes como os nossos Sete Sacramentos, contudo, se não os valorizarmos enquanto sinais do Senhor em nossa vida, nossos irmãos de outras denominações, poderão se salvar se levarem a sério os Sinais que o Senhor realiza em suas comunidades... TER Fé, ou VIVER a Fé? Cada um examine-se a si mesmo...
2. Apelo à conversão
Mateus narra estas imprecações de Jesus seguindo o estilo apocalíptico. É o mesmo estilo tradicional das imprecações proféticas sobre os inimigos de Israel, particularmente citando Tiro e Sidônia, recriminadas pelo profeta Isaías (Is 23,1-18). Corazim, de difícil identificação hoje, situar-se-ia a três quilômetros a noroeste de Cafarnaum. Betsaida, que é a cidade de Pedro, André e Filipe (Jo 1,44), situa-se a cerca de dez quilômetros a nordeste de Cafarnaum, próxima à desembocadura do rio Jordão no lago ("mar") da Galileia. Cafarnaum, à margem do lago, era a cidade que se tornou o centro de irradiação da missão de Jesus. Ela será julgada com mais rigor do que Sodoma, símbolo da corrupção na tradição de Israel.
Estas cidades representam o centro de poder econômico, político e religioso. As censuras, que são também um apelo à conversão, decorrem da sua rejeição à mensagem de Jesus que esteve tão próximo delas. Por outro lado, são os pobres e humildes que acolhem Jesus.
Oração
Pai, que eu seja movido à conversão e à penitência pelo testemunho de Jesus, o qual me atrai para ti.
3. IMPENITÊNCIA CENSURADA
Como os antigos profetas, Jesus lançou terríveis invectivas contras Corozaim, Betsaida e Cafarnaum, cidades que se recusaram a acolher sua pregação e converter-se de seus pecados. A impenitência destas cidades era injustificável. Afinal, a pregação de Jesus tinha sido suficientemente clara, revelando as exigências de Deus para aquele povo pecador. E mais, suas palavras haviam sido confirmadas por meio de numerosos milagres. Portanto, só lhes restava dar ouvidos às palavras de Jesus, e se converterem.
As palavras incisivas do Mestre são justificáveis. Sua passagem pela vida das pessoas corresponde a um apelo escatológico, último, dirigido pelo Pai. Rejeitá-lo significa fechar-se à oferta da salvação provinda de Deus. Acolhê-lo é sinal de abertura para o Pai e para a vida eterna propiciada por ele.
Seria admirável se Jesus, vendo alguém colocar-se no caminho da condenação, nada fizesse para demovê-lo desta atitude insensata. Ao falar duro, estava tentando chamar as cidades impenitentes ao bom senso. Bastava ver o que aconteceu com Sodoma e Gomorra, para se darem conta do futuro que teriam pela frente. Insistir na impenitência correspondia a caminhar para o mesmo destino delas.
Oração
Espírito de penitência, que eu saiba acolher o apelo de Jesus, e me disponha a mudar de vida, segundo as exigências do Reino.
Liturgia da Quarta-Feira
XV SEMANA DO TEMPO COMUM 
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória (Sl 16,15).
Leitura (Isaías 10,5-7.13-16)
Leitura do livro do profeta Isaías.
10 5 "Ai da Assíria, vara de minha cólera e bastão que maneja o meu furor. 
6 Eu o enviei contra uma nação ímpia, e o lancei contra o povo, o objeto de minha cólera, para que o entregasse à pilhagem e lhe levasse os despojos, e o calcasse aos pés como a lama das ruas. 
7 Mas ele não entendeu dessa maneira, e este não foi o seu pensamento. Ele só pensa em destruir, em exterminar nações em massa. 
13 Foi pela força de minha mão que eu agi, e pela minha destreza, porque sou hábil. Dilatei as fronteiras, saqueei os tesouros e lancei por terra aqueles que estavam no trono. 
14 Minha mão tomou como um ninho a riqueza dos povos. Assim como se recolhem os ovos abandonados, eu reuni a terra inteira. Ninguém moveu a asa, nem abriu o bico, nem piou. 
15 Acaso o machado se vangloria à custa do lenhador? Ou a serra se levanta contra o serrador? Como se a vara fizesse agitar aquele que a maneja, como se o bastão fizesse mover o braço! 
16 Por isso o Senhor Deus dos exércitos fará enfraquecer seus robustos guerreiros, e debaixo de sua glória acender-se-á um fogo como o de um incêndio". 
Salmo responsorial 93/94
O Senhor não rejeita o seu povo.
Eis que oprimem, Senhor, vosso povo 
e humilham a vossa herança; 
estrangeiro e viúva trucidam, 
e assassinam o pobre e o órfão!
Eles dizem: "O Senhor não nos vê 
e o Deus de Jacó não percebe!" 
Entendei, ó estultos do povo; 
insensatos, quando é que vereis?
O que fez o ouvido não ouve? 
Quem os olhos formou não verá? 
Quem educa as nações não castiga? 
Quem os homens ensina não sabe?
O Senhor não rejeita o seu povo 
e não pode esquecer sua herança: 
voltarão a juízo as sentenças; 
quem é reto andará na justiça.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25)

Evangelho (Mateus 11, 25-27)
11 25 Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: "Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. 
26 Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado. 
27 Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1.  “GRANDES E PEQUENOS”
Confesso que sempre entendi errado esse evangelho, principalmente na hora  se responder: quem são os Sábios e entendidos, e quem são os pequeninos, diante de Deus. É preciso por os “pingos nos is”, para que a reflexão nos ajude a ser mais santos mediante a Palavra.
Sábios e entendidos, neste evangelho, não se referem simplesmente à intelectualidade da pessoa, nem aos conhecimentos adquiridos com os estudos de caráter científico ou teológicos, foi o próprio Deus que dotou o homem com o dom da inteligência e não seria Ele a menosprezar tão precioso dom, que impulsiona o homem a evoluir cada vez mais. A questão aqui é outra...
O conhecimento humano adquirido poderia em tese, levar o homem a uma experiência com o Criador de tudo, mas o que acontece, principalmente com o homem da pós-modernidade, é que, quanto mais ele sabe e consegue avançar na tecnologia, nas ciências, na medicina e outras áreas científicas, mais ele se torna arrogante, prepotente e autossuficiente, julgando-se maior do que Aquele que o dotou de inteligência. Então esse homem  “Sábio” olha com maus olhos a religião, vê a Igreja como um estorvo nos avanços da pós modernidade, classifica como retrógrado e arcaico todo ensinamento cristão, e ainda muitas vezes rotula de ignorantes aos que buscam viver na Fé, em suma, olham as outras pessoas de cima para baixo, como seres inferiores, porque não evoluíram. Este homem “sábio”, em uma linguagem bem chula, acaba cuspindo no prato em que comeu, negando sua origem Divina e a sua condição de Criatura elevada à condição de Filho de Deus com a obra da Salvação.
E quem são os pequenos? Exatamente esse mesmo homem, dotado de inteligência, que evoluiu no conhecimento e nas ciências humanas, e ao mesmo tempo abriu-se para Deus, contemplando Aquele que é Onipotente, Onipresente e Onisciente, e mais ainda, sentindo que Deus manifesta todo seu poder exatamente no amor, que busca e reconhece o homem como seu Filho, dando a ele a própria vida em seu Filho Jesus Cristo, no grandioso mistério da encarnação onde o Onisciente se rebaixa ao mesmo patamar das suas criaturas, que nada sabem, e inicia com elas um longo aprendizado, através da revelação aonde Deus vai se apresentando gradativamente, respeitando as nossas limitações.
E então, este homem grandioso, enriquecido pelo conhecimento humano, e repleto na Fé, pela sabedoria que vem do alto, dotado de ricos e numerosos carismas Divinos, se sente motivado e inclinado a imitar a Deus, de quem é Filho, não em essência, mas por adoção, e se faz pequeno, inclinando diante dos seus irmãos e irmãs, na comunidade ou em família, para simplesmente servir. Eis a finalidade de todo conhecimento humano, eis o fim primeiro de toda ciência e tecnologia:  servir, ajudar, promover a pessoa humana. Foi isso que Deus fez, um pequenino que se curva, que se inclina diante do homem, para  servi-lo (Lava Pés).
Estes são os pequeninos benditos, os Bem-Aventurados que herdarão o céu, porque se tornaram tão íntimos de Deus que já vivem com ele em comunhão, ainda que em suas limitações. Jesus se alegra e bendiz ao Pai, que ele revelou aos homens, fazendo-se pequeno, e sendo agora revelado nos Grandes Homens, que o imitando, também se fazem pequenos, somente e exatamente para SERVIR...
2. União de Jesus e o Pai
Esta breve oração de louvor do evangelho de Mateus é também encontrada em Lucas, com as mesmas palavras no texto grego (cf. 4 dez.). Ela exprime a intimidade e o conhecimento entre Jesus e Deus Pai. Esta união entre Jesus e o Pai, e o mútuo conhecimento, que em Mateus só aparece aqui, é característica do evangelho de João, sendo encontrada nas seguintes passagens: dirigir-se diretamente ao Pai, em oração de louvor (Jo 11,41b-42); tudo entregue pelo Pai e a revelação do Filho (Jo 17,6), o conhecimento entre o Filho e o Pai (Jo 17,25-26).
O louvor é a expressão da alegria. O Pai é invocado como Senhor do céu e da terra. Jesus dá testemunho do Pai diante de todos. A vontade do Pai é que todos o acolhessem. Contudo, surge uma separação entre os "sábios e entendidos" e os "pequeninos". Os sábios e entendidos são os autossuficientes que se instalam no poder religioso ou econômico. Estes estão bem instalados em seus privilégios e não querem mudanças. Os pequeninos são os pobres bem-aventurados, privados e carentes, em busca do socorro de Deus e ansiosos pela mudança do sistema de opressão.
Completando a oração, Jesus afirma a sua união de conhecimento com o Pai. Em Deus, conhecimento e amor são inseparáveis e são a fonte da sua revelação ao mundo como sendo aquele que a todos quer acolher em sua vida divina e eterna.
Oração
Pai, que a arrogância dos sábios e doutos jamais contamine meu coração. E, fazendo-me pequenino, que eu esteja em condições de acolher a tua revelação.
3. LOUVANDO O PAI
A oração de Jesus resulta de uma experiência vivida no seu ministério. Enquanto os líderes religiosos do povo resistiam em aceitá-lo e converter-se ao Reino, o povo simples e inculto mostrava-se receptivo diante de sua mensagem, deixando-se tocar por ela. O fracasso junto aos sábios e doutores era, pois, compensado pelo êxito junto aos pequeninos.
Refletindo sobre este episódio, Jesus detecta a ação do Pai no coração de quem é tido como incapaz de penetrar nas profundezas do saber teológico. Evidentemente, o saber revelado pelo Pai aos pequeninos não é de caráter intelectual. Pouca serventia teria para eles um saber que leva ao orgulho e à arrogância. Eles carecem de um saber existencial, que lhes toque o fundo do coração, predispondo-os para assimilar a sabedoria do Reino. Esta, sim, pode trazer salvação, por gerar solidariedade, partilha, reconciliação, vida em comunhão.
A sabedoria revelada por Deus leva os pequeninos a se reconhecerem todos como irmãs e irmãos, convocados pelo Pai para viverem o amor. Quem adquire este tipo de sabedoria, coloca-se no caminho da salvação, o caminho de Deus.
Quanto aos sábios, a auto-suficiência impede-os de entrar numa dinâmica de amor-comunhão, por recusarem a se colocar no mesmo nível dos demais. Instruídos por si mesmos, estão fadados a cultivar uma sabedoria puramente humana, ineficaz em termos de salvação
Oração
Espírito de revelação, liberta meu coração da arrogância que me impede de captar a revelação transformadora do Pai aos pequeninos.
Liturgia da Quinta-Feira
XV SEMANA DO TEMPO COMUM
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória (Sl 16,15).
Leitura (Isaías 26,7-9.12.16-19)
Leitura do livro do profeta Isaías.
7 O caminho do justo é reto; vós aplanais a senda do justo. 
8 Seguindo a vereda de vossos juízos, Senhor, nós vos esperamos; por vosso nome e vossa memória nossa alma aspira. 
9 Minha alma vos deseja durante a noite e meu espírito vos procura desde a manhã. Quando vossos juízos se exercem sobre a terra, os habitantes do mundo aprendem a justiça. 
12 Senhor, proporcionai-nos a paz! Pois vós nos tendes tratado segundo o nosso procedimento. 
16 Senhor, na tribulação, nós vos buscamos, e clamamos a vós na angústia em que vosso castigo nos abate. 
17 Como uma mulher grávida, prestes a dar à luz, se retorce e grita em suas dores, assim estamos diante de vós, Senhor: 
18 nós concebemos e sofremos para dar à luz (o vento), sem poder dar a salvação à nossa terra; não nasceram novos habitantes no mundo. 
19 Que os vossos mortos revivam! Que seus cadáveres ressuscitem! Que despertem e cantem aqueles que jazem sepultos, porque vosso orvalho é um orvalho de luz e a terra restituirá o dia às sombras. 
Salmo responsorial 101/102
O Senhor olhou a terra do alto céu.
Vós, Senhor, permaneceis eternamente, 
de geração em geração sereis lembrado! 
Levantai-vos, tende pena de Sião, 
já é tempo de mostrar misericórdia! 
Pois vossos servos têm amor aos seus escombros 
e sentem compaixão de sua ruína.
As nações respeitarão o vosso nome, 
e os reis de toda a terra, a vossa glória; 
quando o Senhor reconstruir Jerusalém 
e aparecer com gloriosa majestade, 
ele ouvirá a oração dos oprimidos 
e não desprezará a sua prece.
Para as futuras gerações se escreva isto, 
e um povo novo a ser criado louve a Deus. 
ele inclinou-se de seu templo nas alturas, 
e o Senhor olhou a terra do alto céu, 
para os gemidos dos cativos escutar 
e da morte libertar os condenados.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor (Mt 11,28).

EVANGELHO (Mateus 11,28-30)
11 28 Disse Jesus: "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. 29 Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. 
30 Porque meu jugo é suave e meu peso é leve." 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. “A Leveza do Amor...”
O evangelho de hoje é um convite muito sério para refletir sobre tudo o que fazemos e principalmente nossos trabalhos pastorais. Jesus fala de um fardo pesado que nos cansa e traz grande fadiga, naquele tempo era a observância das leis de Moisés, que os Fariseus haviam multiplicado e como Guardiães da Lei, se davam ao direito de cobrar e exigir de toda a assembleia de maneira minuciosa, todos aqueles preceitos.
De igual modo hoje há em nossa igreja o perigo de um ativismo exagerado onde perdemos a noção daquilo que é essencial, que é sempre ter em vista o “Por que” fazemos. Os sintomas de fardo pesado sempre aparecem: são as brigas pelo poder, as discussões, desentendimentos, falta de compreensão e de paciência no relacionamento entre as pessoas de uma equipe, pastoral ou movimento.
Uma das equipes de serviço que mais evidencia esse Jugo Pesado é a equipe de eventos, espelho e reflexo do restante da comunidade. Se nessa equipe faltar: alegria, solidariedade, companheirismo, misericórdia, compreensão, pode saber que o restante das lideranças também está contaminado.
O que Jesus nos pede é para que o busquemos para sentirmos alívio em nosso fardo, e daí aquilo que é uma obrigação, e que vou arrastando entre gemidos, queixas e lamúrias, se torna leve, suave, alegre. Qual o segredo de Jesus? Exatamente o FAZER com e por AMOR. Jesus colocou um jugo diferente dos Fariseus: o Amor que se doa, que serve a todos, e que se entrega. Ele o tomou por primeiro ao carregar a cruz, sem praguejar, sem queixar-se, sem lamuriar-se e sem decepcionar-se com os homens que o condenaram.
Na comunidade há os que exigem e sempre reclamam, há os que querem dominar mas há outros que se entregam, se doam, sempre com alegria, tornando aquela ação prazerosa. Estes são os que fazem por amor, os que buscaram a Jesus e transformaram o peso insuportável das obrigações cristãs, na leveza do Amor que a todos ama e serve, exatamente como Jesus.
Na Comunidade nada façamos por mera obrigação, mas por amor, e chega de nos valorizarmos a todo o momento, afirmando ou pensando que, sem nós o trabalho não será feito. Que o nosso amor cristão se traduza unicamente em serviço, sempre feito na leveza do Amor, que gera em nós esta incontida e santa alegria no Senhor.
2. A ternura de Jesus
Estas palavras de Jesus são um dos mais belos, suaves e persuasivos convites ao seu seguimento. Elas são dirigidas a todas as pessoas em todos os tempos. Elas revelam seu coração compassivo e acolhedor a todos, comunicando vida e alegria. Os pequeninos, cansados e carregados de fardos são o povo oprimido e explorado pela tirania e ambição econômica do Templo e do império romano, e hoje pelo império estadunidense com seus aliados e comparsas.
"Vinde a mim, todos vós..." é um amplo chamado ao seguimento de Jesus, assim como foram chamados os primeiros discípulos. A adesão ao chamado é dada por todos aqueles que transformam seus corações na mansidão e na humildade. O jugo suave de Jesus é a renúncia à realização pessoal segundo os padrões de sucesso deste mundo, e a adesão às bem-aventuranças proclamadas no Sermão da Montanha, tais como a pobreza, a mansidão, a misericórdia, a paz e a fome e sede de justiça.
Este homem, manso e humilde de coração, é o próprio Deus conosco. É Deus que se faz homem e assim eleva a humanidade à condição divina, inserida na eternidade do amor de Deus. Este Jesus, manso e humilde de coração, é o Jesus do encontro, vem a nós e vamos a ele, no dia a dia. É o Jesus presente em nossa vida familiar, em nossa vida no mundo do trabalho, em nossa vida comunitária e na missão, comunicando alegria, conforto e paz a todos.
Oração
Pai, dá-me um coração manso e humildade, a exemplo de teu Filho Jesus, cujo testemunho de vida deve inspirar toda a minha ação.
3. O REPOUSO PROMETIDO
O Mestre Jesus propôs-se a romper um certo esquema religioso de sua época, no qual as pessoas viviam assoberbadas em cumprir uma enorme quantidade de minuciosas prescrições religiosas, não tendo tempo para as coisas essenciais. Evidentemente, quem penava, carregando pesados fardos, era o povo simples, ao passo que fariseus e doutores da Lei adaptavam as exigências legais às suas comodidades.
O jugo suave e o fardo leve anunciados por Jesus não consistiam na abolição pura e simples das exigências religiosas, mas sim, na sua substituição por uma outra pauta de ação: seguir o Mestre no caminho do amor compassivo e misericordioso ao próximo. Nada de preocupação com coisas secundárias, nem neurotização para cumprir, nos mínimos detalhes, as coisas prescritas. A libertação disto tudo aconteceria, ao se buscar viver o amor misericordioso como exigência fundamental, no processo de comunhão com Deus.
Por isso, existe uma profunda diferença entre os discípulos dos mestres da Lei e os discípulos de Jesus. Os primeiros penam, sob o pesado fardo das exigências da Lei. Os segundos fazem a experiência da paz e do repouso, ao se submeterem somente à lei do amor. Os primeiros são orientados por espíritos arrogantes e prepotentes. Os segundos experimentam a mansidão e a humildade de Jesus.
"Vinde a mim" é o apelo de Jesus a quem é escravizado pela religião.
Oração
Espírito de paz e de repouso, liberta-me do pesado jugo do legalismo, e faze-me abraçar o jugo suave e leve, que me leva a ser misericordioso para com o meu próximo.
Liturgia da Sexta-Feira
XV SEMANA DO TEMPO COMUM *
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória (Sl 16,15).
Leitura (Isaías 38,1-6.21-22.7-8)
Leitura do livro do profeta Isaías.
38 1 Naquele tempo, Ezequias esteve doente, quase à morte. O profeta Isaías, filho de Amós, veio ter com ele e lhe disse: "Eis o que disse o Senhor: põe em ordem a tua casa porque vais morrer, não te restabelecerás". 
2 Então Ezequias voltou-se para a parede e se pôs a orar ao Senhor; 
3 "Senhor", disse ele, "lembrai-vos de que tenho andado diante de vós com lealdade, de todo o coração, segundo a vossa vontade". E chorava abundantemente. 
4 Depois a palavra do Senhor foi dirigida a Isaías nestes termos: 
5 "Vai dizer a Ezequias: eis o que diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: 'Ouvi tua oração e vi tuas lágrimas, prolongarei tua vida por quinze anos, 
6 livrar-te-ei, a ti e a esta cidade, das mãos do rei da Assíria. Protegerei esta cidade'". 
21 Isaías disse então: "Que tragam um cataplasma de figos para aplicar sobre a úlcera, e Ezequias sarará". 
22 Ezequias disse: "Que sinal me garantirá que eu tornarei ao templo do Senhor?" 
7 "E eis o sinal, da parte do Senhor, para convencer-te de que cumprirá a promessa: 
8 farei a sombra recuar os dez graus que o sol já lhe fez descer no relógio solar de Acaz". E o sol voltou dez graus para trás. 
Salmo responsorial Is 38
Vós livrastes minha vida do sepulcro, 
a fim de eu não deixar de existir.
Eu dizia: "É necessário que eu me vá 
no apogeu de minha vida e de meus dias; 
para a mansão dos mortos descerei, 
sem viver o que me resta dos meus anos"
Eu dizia: "Não verei o Senhor Deus 
sobre a terra dos viventes nunca mais; 
nunca mais verei um homem neste mundo!"
Minha morada foi à força arrebatada, 
desarmada como a tenda de um pastor. 
Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida, 
mas agora foi cortada a sua trama.
Ó Senhor, meu coração em vós espera; 
por vós há de viver o meu espírito, 
Curai-me e conservai a minha vida.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27)

EVANGELHO (Mateus 12,1-8)
Naquele tempo, 12 1 atravessava Jesus os campos de trigo num dia de sábado. Seus discípulos, tendo fome, começaram a arrancar as espigas para comê-las. 
2 Vendo isto, os fariseus disseram-lhe: "Eis que teus discípulos fazem o que é proibido no dia de sábado". 
3 Jesus respondeu-lhes: "Não lestes o que fez Davi num dia em que teve fome, ele e seus companheiros, 
4 como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição? Ora, nem a ele nem àqueles que o acompanhavam era permitido comer esses pães reservados só aos sacerdotes. 
5 Não lestes na lei que, nos dias de sábado, os sacerdotes transgridem no templo o descanso do sábado e não se tornam culpados? 
6 Ora, eu vos declaro que aqui está quem é maior que o templo. 
7 Se compreendêsseis o sentido destas palavras: 'Quero a misericórdia e não o sacrifício'... não condenaríeis os inocentes. 
8 Porque o Filho do Homem é senhor também do sábado". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1.“Os policiais da comunidade...”
A exemplo dos moralistas de plantão, os Fariseus eram naquele tempo, aquilo que poderia ser chamado hoje de “policiais da comunidade”, só de olho no que os outros fazem para poder acusa-los perante a autoridade. Claro que a Policia Militar faz esse trabalho, e os bons policiais o fazem com todo zelo, e se perceber uma atitude suspeita de alguém, imediatamente irá abordá-lo, pois faz parte do seu trabalho.
Os moralistas também agem dessa forma, seguem á risca a lei e julgam-se no direito de fiscalizar as demais pessoas, para que também o façam e não admitem que alguém venha a violar algum preceito da lei. Pessoas assim tornam-se insuportáveis para os outros, porque são como uma engrenagem sem lubrificante, são secas, rigorosas, até que um dia a “casa cai”, quando os outros descobrem que esse grupo só enganava, porque lhes faltava o essencial: o amor e a misericórdia na relação com os demais.
Esse grupo de Fariseus parece que tiravam o dia para “fiscalizar” as pessoas suspeitas, principalmente Jesus e seus discípulos e neste evangelho, em um dia de sábado o flagram colhendo espigas para comerem, pois no meio da caminhada sentiram fome. Querendo mostrar a Jesus o Santo caminho da Lei de Moisés (quanta pretensão) acusam os discípulos de estarem fazendo algo que é proibido em dia de sábado: trabalhar!
Jesus toma então alguém importante da História de Israel, o grande Rei Davi, de cuja estirpe viria o Messias, e mostra-lhes que o próprio Davi infligiu aquela lei, quando junto com seus companheiros entrou no templo e comeu dos pães sagrados, exclusivos dos sacerdotes. O ensinamento de Jesus é exatamente esse: que acima de qualquer lei está a Lei do Amor e da preservação da Vida, e toda lei autêntica deve ter ao centro a Vida do Homem. Jesus não revoga a Lei de Moisés, mas lembra de o que está no centro dela, e que os Fariseus há muito tinham esquecido. Não se coloque nenhuma Lei ou norma acima do amor e da misericórdia para com as pessoas.
Os membros dos nossos Conselhos Pastorais, bem como os Coordenadores e Cooperadores, devem estar atentos e muito abertos à Palavra de Deus, para que não se corrompam com o velho Farisaísmo, que tanto Jesus condenou.
2. Deus quer misericórdia
Jesus, agindo com liberdade em relação à Lei de Moisés, suscitava a repressão dos chefes religiosos de Israel. Entre rabinos e doutores da lei discutia-se sobre qual seria a principal observância da Lei.
A opinião majoritária inclinava-se para o repouso sabático. Ao sábado vinculava-se o culto nas sinagogas, espalhadas na diáspora, garantindo-se, assim, a frequência ao culto àqueles que estavam longe de Jerusalém, impossibilitados da assídua frequência ao Templo.
A observância do sábado decorria de um texto tardio do livro do Êxodo que afirmava: "Todo aquele que trabalhar neste dia será punido com a morte" (Ex 31,15; 35,2). É a expressão do sagrado acima e contra a vida.
O Templo e as observâncias legais estão superados por Jesus. A vontade de Deus é a prática da misericórdia que consolida o amor, promove a vida e gera a paz.
Oração
Senhor Jesus, livra-me de todo rigor no trato com os demais e dá-me um coração que coloque a misericórdia acima de tudo.
3. O IMPERATIVO DA VIDA
Jesus foi firme ao rebater as críticas dos fariseus quando viram os discípulos colhendo espigas de trigo e comendo-as, em dia de sábado. Para os fariseus, este fato configurava-se como um aberto desrespeito à Lei. E, pior ainda, praticado com a anuência do Mestre Jesus. Algo de errado estava acontecendo: alguém, pensando ensinar em nome de Deus, mostrava-se incapaz de respeitar uma Lei dada pelo mesmo Deus. Daí podia-se concluir, sem perigo de errar, que Jesus não vinha da parte de Deus.
Entretanto, este desrespeito à Lei de Deus era só aparente. Jesus estava em perfeita comunhão com Deus ao concordar que, quem estivesse com fome, podia encontrar um meio de saciá-la, mesmo atropelando uma Lei religiosa. O imperativo da vida estava perfeitamente de acordo com a vontade de Deus. Errado seria obrigar os discípulos do Mestre a desfalecer pelo caminho, embora tivessem alimento à mão, só porque a colheita estava no rol das atividades proibidas em dia de sábado.
O gesto de Jesus teve um antecedente no Antigo Testamento, na pessoa de Davi. Fugindo da perseguição de Saul, chegara faminto a um santuário, cujo sacerdote, na falta de outro pão, ofereceu ao fugitivo o pão consagrado, que só aos sacerdotes era permitido comer. Gesto sensato, pois o pão consagrado destinava-se a garantir a vida de um ser humano. Portanto, a atitude do sacerdote foi plenamente agradável a Deus. O mesmo aconteceu com Jesus!
Oração
Espírito de flexibilidade, que eu não seja contaminado pela subserviência à Lei, sabendo que, para Deus, o imperativo da vida é mais importante.
Liturgia do Sábado
XV SEMANA DO TEMPO COMUM *
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória (Sl 16,15).
Leitura (Miquéias 2,1-5)
Leitura da profecia de Miqueias.
2 1 Ai dos maquinadores de iniqüidade, dos que tramam o mal nos seus leitos, e o executam logo ao amanhecer do dia, porque têm o poder na mão! 
2 Cobiçam as terras e apoderam-se delas, cobiçam as casas e roubam-nas; fazem violência ao homem e à sua família, ao dono e à sua herança. 
3 "Por isso", eis o que diz o Senhor: "medito um mal contra essa raça, do qual não livrareis o vosso pescoço. Não andareis mais com a cabeça erguida, porque será um tempo de calamidades; 
4 naquele dia compor-se-ão canções a vosso respeito, e cantar-se-á uma elegia: ´Estamos perdidos, dir-se-á; fizeram passar a outros parte de meu povo. Como ma arrebataram? Nossas terras foram divididas entre os rebeldes´. 
5 Por isso não haverá ninguém que estenda o cordel para ti sobre uma parte na assembléia do Senhor". 
Salmo responsorial 9B/10
O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.
Ó Senhor, por que ficais assim tão longe 
e, no tempo da aflição, vos escondeis, 
enquanto o pecador se ensoberbece, 
o pobre sofre e cai no laço do malvado?
O ímpio se gloria em seus excessos, 
blasfema o avarento e vos despreza; 
em seu orgulho ele diz: "Não há castigo! 
Deus não existe!" É isso mesmo que ele pensa.
Só há maldade e violência em sua boca, 
em sua língua, só mentira e falsidade. 
Arma emboscadas nas saídas das aldeias, 
mata inocentes em lugares escondidos.
Vós, porém, vedes a dor e o sofrimento, 
vós olhais e tomais tudo em vossas mãos! 
A vós o pobre se abandona confiante, 
sois dos órfãos vigilante protetor.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Em Cristo, Deus reconciliou consigo mesmo a humanidade; e a nós ele entregou esta reconciliação (2Cor 5,19).

Evangelho (Mateus 12,14-21)
12 14 Os fariseus saíram dali e deliberaram sobre os meios de matar Jesus. 
15 Jesus soube disso e afastou-se daquele lugar. Uma grande multidão o seguiu, e ele curou todos os seus doentes.
16 Proibia-lhes formalmente falar disso, 
17 para que se cumprisse o anunciado pelo profeta Isaías: 
18 "Eis o meu servo a quem escolhi, meu bem-amado em quem minha alma pôs toda sua a afeição. Farei repousar sobre ele o meu Espírito e ele anunciará a justiça aos pagãos. 
19 Ele não disputará, não elevará sua voz; ninguém ouvirá sua voz nas praças públicas. 
20 Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar a justiça. 
21 Em seu nome as nações pagãs porão sua esperança". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. ”Um Messias desconcertante...”
O Messianismo de Jesus, sua maneira de agir, desconcerta a todos. Os Fariseus estão convencidos de que ele não é o Messias e estão decididos a buscarem os meios para matá-lo, pois representa um perigo ás tradições de Israel.
O evangelho de hoje faz a clássica apresentação do Ungido segundo o Profeta Isaias, onde Jesus é o Servo de Deus, o Bem amado e querido do Pai, Aquele sobre quem repousa o Espírito e que anunciará a Justiça. Alguém que não irá entrar no “jogo” do poder que infestava até mesmo a religião, não elevará a voz, como fazem os que querem mandar e dominar, não fará ouvir sua voz nas praças.
Mas é o versículo final que traz algo inédito: Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar a Justiça...
Este perfil do Messias desconcertou até o Precursor João Batista, que havia anunciado, com um discurso muito rigoroso “O machado já está posto á raiz, e toda árvore que não produzir bons frutos, será cortada e lançada ao fogo”.  Enfim, anunciara um Messias implacável, vingador, com quem os maus, impuros e pecadores iriam se ver... E Jesus toca nos leprosos, cura os enfermos, abre os olhos aos cegos, e faz cois ainda pior, tem amizade com pecadores públicos, com Mulheres da Vida, como Madalena, e janta na casa deles. Por isso João mandou discípulos sondarem se Jesus era mesmo o Messias esperado... Até ele ficou com dúvidas.
O cristianismo autêntico nos dias de hoje continua a ser desconcertante, porque o Jesus da Pós Modernidade, que os espertalhões criaram, em nada se parece com Ungido de Deus, o Cristo Jesus Nosso Senhor, aquele que transforma a miséria humana em esperança, porque cura, ressuscita e liberta os que morreram pelo pecado.
2. Prática libertadora de Jesus
Em Jesus, Filho de Deus e filho de Maria, a humanidade é resgatada em sua dignidade e liberdade, no amor. Jesus, ao longo de seu ministério, manifestou seu amor vivificante, empenhando-se na libertação dos oprimidos pelo império romano e pelo poder religioso sediado no Templo de Jerusalém, com filiais nas sinagogas. Os evangelhos narram como os chefes religiosos de Israel, sentindo-se ameaçados em seu poder, empenham-se em condenar Jesus decidindo matá-lo.
Jesus, dedicando-se à formação dos discípulos, que continuarão sua missão, procura, no momento, evitar a própria morte. Porém, continua em contato com as multidões, com sua prática libertadora. Mateus, que escreve para uma comunidade de cristãos oriundos do judaísmo, associa Jesus ao messiânico Servo de Deus, descrito pelo profeta Isaías (II): "Eis o meu servo, que escolhi..." (Is 42,1-4).
Jesus é manso e humilde de coração e rejeita toda violência. Contudo, com absoluta firmeza, empenha-se em resgatar a dignidade humana, em seus direitos e em sua liberdade, denunciando toda opressão e comunicando vida e amor ao mundo.
Oração
Pai, meu único desejo é estar em comunhão contigo, para que, como Jesus, eu saiba discernir, em cada circunstância, a melhor maneira de agir.
3. O PREDILETO DE DEUS
Um texto do profeta Isaías, referente a um personagem anônimo chamado de "servo de Deus", serve de base para identificar o Messias Jesus e sua ação misericordiosa em favor da humanidade sofredora. A profecia de Isaías realizara-se quando Jesus "curava a todos" os que o seguiam, como servidor do Pai, mostrando-se misericordioso com os doentes e sofredores.
O profeta apresenta o servo como escolhido de Deus, o seu predileto. Deus sente agrado pelo modo simples e humilde de agir de seu servidor. Este está todo repleto do Espírito divino, que lhe dá forças para levar adiante sua missão. Não é irascível, nem violento. Convence por seu modo discreto de falar. Por cultivar a esperança, não se desespera enquanto pode perceber a mais ínfima possibilidade de conversão por parte de seus interlocutores. Em termos simbólicos, se a cana está rachada, não a quebra; se resta ainda uma pequena chama fumegante, não a apaga. Está absolutamente certo de que, um dia, a justiça triunfará. E todos os povos depositarão nele a sua esperança.
O servo anônimo do Antigo Testamento encontrava em Jesus uma perfeita manifestação histórica. O modelo de vida assumido por ele, ao longo de seu ministério, correspondeu àquele do servo. Em tudo o que fazia, visava, única e exclusivamente, agradar o Pai, por saber-se seu Filho predileto. Contudo, recusava as aclamações populares, mostrando-se, pelo contrário, compassivo e misericordioso com os marginalizados.
Oração
Espírito que leva a agradar a Deus, dá-me um coração de servidor, que se coloca a serviço da justiça e se mostra misericordioso com os sofredores.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Liturgia da 14ª semana comum Ano Par


Liturgia da 14ª semana comum Ano Par
Liturgia da Segunda Feira
Antífona da entrada: A estrada dos justos é como a luz, cresce do amanhecer até o pleno dia (Pr 4,18).
Leitura (Oseias 2,16-18.21-22)
Leitura da profecia de Oseias.
2 16 "Por isso a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração. 
17 Dar-lhe-ei as suas vinhas e o vale de Acor, como porta de esperança. Aí ela se tornará como no tempo de sua juventude, como nos dias em que subiu da terra do Egito. 
18 Naquele dia - diz o Senhor - tu me chamarás: 'Meu marido', e não mais: 'Meu Baal'. 
21 Desposar-te-ei para sempre, desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com benevolência e ternura. 
22 Desposar-te-ei com fidelidade, e conhecerás o Senhor".
Salmo responsorial 144/145
Misericórdia e piedade é o Senhor.
Todos os dias haverei de bendizer-vos, 
hei de louvar o vosso nome para sempre. 
Grande é o Senhor e muito digno de louvores, 
e ninguém pode medir sua grandeza.
Uma idade conta à outra vossas obras 
e publica os vossos feitos poderosos; 
proclamam todos o esplendor de vossa glória 
e divulgam vossas obras portentosas!
Narram todos vossas obras poderosas, 
e de vossa imensidade todos falam. 
eles recordam vosso amor tão grandioso 
e exaltam, ó Senhor, vossa justiça.
Misericórdia e piedade é o Senhor, 
ele é amor, é paciência, é compaixão. 
O Senhor é muito bom para com todos, 
sua ternura abraça toda criatura.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar, pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10).

Evangelho (Mateus 9,18-26)
18 Jesus ainda falava, quando se apresentou um chefe da sinagoga. Prostrou-se diante dele e lhe disse:   "Senhor, minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe as mãos e ela viverá". 
19 Jesus levantou-se e o foi seguindo com seus discípulos. 
20 Ora, uma mulher atormentada por um fluxo de sangue, havia doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe a orla do manto. 
21 Dizia consigo: "Se eu somente tocar na sua vestimenta, serei curada". 
22 Jesus virou-se, viu-a e disse-lhe: "Tem confiança, minha filha, tua fé te salvou". E a mulher ficou curada instantaneamente. 
23 Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus os tocadores de flauta e uma multidão alvoroçada. Disse-lhes: 
24 "Retirai-vos, porque a menina não está morta; ela dorme". Eles, porém, zombavam dele. 
25 Tendo saído a multidão, ele entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se. 
26 Esta notícia espalhou-se por toda a região. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "Tua fé te salvou"
Um homem, importante chefe da sinagoga, pede a Jesus por sua filha morta. Uma mulher, excluída pelo sistema por sofrer de hemorragias, já há doze anos, toca na veste de Jesus. Ela era impura, mas no toque em Jesus o que prevalece não é esta impureza, mas a pureza de Jesus que se comunica à mulher. Jesus, priorizando a mulher, a chama de "filha" e declara sua libertação pela fé. A filha de Jairo, Jesus chama de "menina". Entre zombarias dos que estavam diante da casa, Jesus entra, pega a menina pela mão e ela se levanta.
Podemos perceber na narrativa uma orientação para o fortalecimento da fé em uma primitiva comunidade de cristãos convertidos dentre os dirigentes religiosos e dentre os excluídos pelo sistema. "Tua fé te salvou." É a fé que leva ao abandono a Jesus, confiando e sendo fiel no cumprimento de suas palavras.
Oração
Pai, que minha resposta imediata aos apelos de meus semelhantes manifeste a veracidade do que proclamo por meio de palavras.
2. A FÉ SALVADORA
Tanto a cura da mulher, vítima de uma persistente hemorragia, quanto a ressurreição da filha de uma pessoa importante acontecem no âmbito da fé. Observando os fatos com um olhar superficial, parece que a mulher e o chefe judeu tinham uma visão mágica do poder taumatúrgico do Mestre. Tem-se a impressão de que o chefe pensava que a ressurreição de sua filha pudesse depender da imposição das mãos de Jesus, ou seja, que a menina retornaria à vida mediante um gesto mágico, e que, por sua vez, a mulher acreditasse poder ser curada por meio de um simples toque no manto dele.
Sabemos que no coração da mulher havia algo mais que uma esperança mágica. Havia muita fé! E isto o deduzimos da declaração de Jesus: "Tua fé te salvou". O que vale também para o homem, cuja filha tinha morrido. Apenas uma visão mágica do poder taumatúrgico do Mestre seria insuficiente para movê-lo a beneficiar alguém.
A fé consiste em abandonar-se totalmente nas mãos de Jesus, pondo nele toda a confiança. Portanto, acontece num contexto de relações interpessoais, e não apenas entre uma pessoa e um objeto, como se passa no mundo da magia. E mais, a fé interpela a pessoa a fazer espaço, em sua vida, para acolher Jesus, deixando-se transformar por ele. Por conseguinte, para ser salvífica, a fé deve ser existencial e abrir o fiel para o amor.
Oração 
Espírito de abandono nas mãos do Senhor, leva-me a colocar nele toda a minha confiança, de forma a abrir meu coração para uma fé portadora de salvação.
Liturgia da Terça-Feira
XIV SEMANA DO TEMPO COMUM *
(VERDE – OFÍCIO DO DIA DA I SEMANA)
Antífona da entrada: Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Vosso louvor se estenda, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos (Sl 47,10s).
Leitura (Oseias 8,4-7.11-13)
Leitura da profecia de Oseias.
8 4 "Constituíram reis sem minha aprovação, e chefes sem meu conhecimento. Fizeram para si ídolos de sua prata e de seu ouro, para a sua própria perdição. 
5 Rejeito teu bezerro (de ouro), ó Samaria! Minha cólera inflamou-se contra eles. Até quando não poderão eles purificar-se? 
6 Porque (esse bezerro) é obra de Israel, foi um artista que o fez; ele não é um deus, será, pois, despedaçado o bezerro de Samaria. 
7 Visto que semearam ventos, colherão tempestades; não terão sequer uma espiga, e o grão não dará farinha; e, mesmo que a desse, seria comida pelos estrangeiros. 
11 Efraim multiplicou os altares, e seus altares só lhe serviram para pecar. 
12 Mesmo que eu lhe escreva todos os preceitos de minha lei, ele a estimará como uma lei estrageira. 
13 Oferecem vítimas em sacrifício e comem-lhes as carnes, mas o Senhor não se compraz nelas. Doravante ele se lembrará da iniqüidade deles, e punirá os seus pecados: voltarão para o Egito". 
Salmo responsorial 113B/115
Confia, Israel, no Senhor!
É nos céus que está o nosso Deus, 
Ele faz tudo aquilo que quer. 
São os deuses pagãos ouro e prata, 
Todos eles são obras humanas.
Te boca e não podem falar, 
Têm olhos e não podem ver; 
Têm nariz e não podem cheirar, 
Tendo ouvidos, não podem ouvir.
Têm mãos e não podem pegar, 
Têm pés e não podem andar. 
Como eles serão seus autores, 
Que os fabricam e neles confiam.
Confia, Israel, no Senhor. 
Ele é teu auxílio e escudo! 
Confia, Aarão, no Senhor. 
Ele é teu auxílio e escudo!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Eu sou o bom pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim fala o Senhor (Jo 10,14).

Evangelho (Mateus 9,32-38)
9 32 Logo que se foram, apresentaram a Jesus um mudo, possuído do demônio. 
33 O demônio foi expulso, o mudo falou e a multidão exclamava com admiração: "Jamais se viu algo semelhante em Israel". 
34 Os fariseus, porém, diziam: "É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios". 
35 Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade. 
36 Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor. 
37 Disse, então, aos seus discípulos: "A messe é grande, mas os operários são poucos". 
38 Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. A Boa-Nova de Jesus
Com esta cura do possesso mudo, que segue a cura dos dois cegos, Mateus encerra a seção de dez milagres que preparam as orientações missionárias, que se seguirão. Uma das características dos evangelhos são estas narrativas de milagres e curas. Elas remetem a Jesus como aquele que, cheio de compaixão pelo povo cansado e abatido, se empenha em sua libertação e vivificação.
O povo admira-se com Jesus: "Nunca se viu coisa igual em Israel". Por outro lado, os líderes religiosos, que mantêm o povo na exclusão, procuram difamar Jesus, com receio de sua popularidade. Estes são os falsos pastores que enganam as ovelhas.
A Boa-Nova de Jesus é a libertação dos excluídos oprimidos e o dom da vida plena para todos.
A proclamação final tem o caráter de uma campanha missionária. Orar a Deus para que cresça o número daqueles que se empenham na evangelização. proclamando a vida e o amor.
Oração
Pai, faze-me compassivo diante do sofrimento de tantos irmãos e irmãs, movendo-me a ser, efetivamente, solidário com eles.
2. UM FATO ADMIRÁVEL
A ação taumatúrgica de Jesus deixava as multidões estupefatas. Na opinião delas, jamais havia acontecido algo semelhante em Israel. Esta sensibilidade diante dos milagres de Jesus predispunha as pessoas a acolhê-lo na fé, e a aceitar tornar-se discípulo dele.
Onde se situava a admirabilidade dos milagres de Jesus? Quais eram suas peculiaridades? Ele agia com um poder vindo diretamente de Deus. Não pretendia chamar a atenção sobre si mesmo. Curava os doentes e expulsava os demônios por força de sua palavra cheia de autoridade, sem recorrer a gestos ou palavras mágicas. Seus milagres não eram feitos para agradar ou captar a benevolência de ninguém.
Tudo se passava no âmbito de uma fé profunda. Evitava qualquer tipo de exibicionismo de poder, que transformaria seus milagres em verdadeiros shows. Os milagres de Jesus correspondiam às esperanças messiânicas, que atribuíam ao Messias o poder de realizar prodígios reveladores de sua identidade. Por fim, correspondiam, também, aos anseios humanos de vida, saúde e libertação.
Mesmo assim, os milagres não chegavam a convencer a quem estivesse fechado para Jesus. É por isso que os fariseus não hesitavam em atribui-los a um poder recebido do príncipe dos demônios.
Oração
Espírito de admiração, ao contemplar os milagres de Jesus, tenha eu sensibilidade para descobrir neles o poder divino atuando em favor da humanidade carente de vida.
Liturgia da Quarta-Feira
 (BRANCO, PREFÁCIO COMUM OU DOS SANTOS – OFÍCIO DA MEMÓRIA)
Antífona da entrada: Senhor, porção de minha herança e minha taça, tendes em mãos o meu destino; coube-me por sorte a boa parte; sim, é bela a herança que me cabe! (Sl 15,5s).
Leitura (Oseias 10,1-3.7-8.12)
Leitura da profecia de Oseias.
10 1 Israel era uma vinha frondosa, que dava muitos frutos. Porém, quanto mais frutos, mais multiplicava seus altares; quanto mais prosperou a terra, mais ricas estelas construiu. 
2 Hipócrita é o seu coração: vai receber o devido castigo; ele mesmo vai derrubar seus altares e quebrar suas estelas. 
3 E dizem, com efeito: "Não temos rei, porque não tememos o Senhor; e que nos fará o nosso rei?" 
7 Samaria está aniquilada, seu rei é como espuma à tona da água. 
8 Serão destruídos os lugares altos de Bet-Aven, o pecado de Israel. Espinhos e abrolhos crescerão nos seus altares; dirão então às montanhas: "Cobri-nos!" E às colinas: "Caí sobre nós!" 
12 Semeai na justiça, e colhereis bondade em proporção. Lavrai novas terras! É tempo de buscar o Senhor, até que venha espalhar a justiça sobre vós. 
Salmo responsorial 104/105
Buscai constantemente a face do Senhor!
Cantai, entoai salmos para ele, 
Publicai todas as suas maravilhas! 
Gloriai-vos em seu nome que é santo, 
Exulte o coração que busca a Deus!
Procurai o Senhor Deus e seu poder, 
Buscai constantemente a sua face! 
Lembrai as maravilhas que ele fez, 
Seus prodígios e as palavras de seus lábios!
Descendentes de Abraão, seu servidor, 
E filhos de Jacó, seu escolhido, 
Ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, 
Vigora suas leis em toda a terra.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Eu sou o bom pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim fala o Senhor (Jo 10,14).

Evangelho (Mateus 10,1-7)
10 1 Jesus reuniu seus doze discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade. 
2 Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. 
3 Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. 
4 Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. 
5 Estes são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado as seguintes instruções: Não ireis ao meio dos gentios nem entrareis em Samaria; 
6 ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel. 
7 Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo. 

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Envio dos discípulos
De maneira sucinta, Mateus narra o envio dos doze discípulos, que, em seguida, ele menciona como "doze apóstolos". A lista dos "doze" provavelmente seria o nome daqueles que assumiram a liderança da comunidade de Jerusalém. Os "doze" formariam o novo Israel, em substituição aos doze filhos de Jacó com as doze tribos de Israel.
Contudo, a experiência do tribalismo desapareceu com a monarquia, particularmente com a monarquia de Davi e seus descendentes em Judá e Jerusalém. Com o desaparecimento de Israel, ao norte, Judá, e o judaísmo posterior, assumiu o nome de Israel.
Aos "doze" é dado o poder de libertar os oprimidos pelos espíritos impuros e pelas doenças características das precárias condições do povo excluído e humilhado.
O envio exclusivo às ovelhas perdidas de Israel, excluindo os pagãos, é típico de Mateus. Ele prioriza o   envio a Israel para contemplar sua comunidade constituída por cristãos oriundos do judaísmo.
Oração
Pai, tu me escolheste para ser companheiro de missão de teu Filho Jesus. Que eu seja capaz de percorrer, com fidelidade, o mesmo caminho trilhado por ele.
2. O NOVO ISRAEL
O número doze, relativo aos primeiros apóstolos, não é casual. Ele se reveste de uma rica simbologia, cara ao mundo judaico, por evocar as antigas doze tribos de Israel, e chamar a atenção para o novo Israel que estava para nascer.
Os doze apóstolos seriam o germe do Israel escatológico, sem qualquer limite de raça, povo, língua, cultura ou nação. Deixando de lado a Lei mosaica, doravante este novo povo pautaria sua vida pelos valores do Reino dos Céus, explicitados no Sermão da Montanha.
O novo Israel nasceu sob o signo do serviço à vida. Ao ser chamado, foi-lhe dada como tarefa: expulsar os espíritos impuros e curar toda sorte de doença e enfermidade. Por conseguinte, deveria eliminar tudo quanto põe em risco a vida, ou a debilita, de forma que a humanidade seja reabilitada.
Essa nova humanidade era constituída por pessoas com os caracteres mais diversos. Quanta diferença entre Pedro e Judas Iscariotes, entre Felipe e Tomé! Mesmo assim foram convocados para formar uma comunidade solidária e fraterna, em torno do Mestre, pronta a entregar-se ao serviço da evangelização da humanidade.
Jesus sabia muito bem o que queria, quando constituiu seu grupo de auxiliares diretos.
Oração
Espírito que recria, dá forças à Igreja para que assuma seu papel de servidora da vida, de re-humanizadora da humanidade e formadora de um povo novo e solidário.
Liturgia da Quinta-Feira
XIV SEMANA DO TEMPO COMUM 
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Vosso louvor se estenda, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos (Sl 47,10s).
Leitura (Oseias 11,1-4.8-9)
Leitura da profecia de Oseias.
11 1 "Israel era ainda criança, e já eu o amava, e do Egito chamei meu filho. 
2 Mas, quanto mais os chamei, mais se afastaram; ofereceram sacrifícios aos Baal e queimaram ofertas aos ídolos. 
3 Eu, entretanto, ensinava Efraim a andar, tomava-o nos meus braços, mas não compreenderam que eu cuidava deles. 
4 Segurava-os com laços humanos, com laços de amor; fui para eles como o que tira da boca uma rédea, e lhes dei alimento. 
8 Como poderia eu abandonar-te, ó Efraim, ou trair-te, ó Israel? Como poderia eu tratar-te como Adama, ou tornar-te como Seboim? Meu coração se revolve dentro de mim, eu me comovo de dó e compaixão. 
9 Não darei curso ao ardor de minha cólera, já não destruirei Efraim, porque sou Deus e não um homem, sou o Santo no meio de ti, e não gosto de destruir". 
Salmo responsorial 79/80
Sobre nós iluminai a vossa face 
E, então, seremos salvos, ó Senhor!
Ó pastor de Israel, prestai ouvidos. 
Vós, que sobre os querubins vos assentais, 
Despertai vosso poder, ó nosso Deus, 
E vinde logo nos trazer a salvação!
Voltai-vos para nós, Deus do universo! 
Olhai dos altos céus e observai. 
Visitai a vossa vinha e protegei-a! 
Foi a vossa mão direita que a plantou; 
Protegei-a, e ao rebento que firmastes!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o reino de Deus está chegando! (Mc 1,15).

EVANGELHO (Mateus 10,7-15)
10 7 Disse Jesus: "Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo. 
8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai! 
9 Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, 
10 nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento.
11 Nas cidades ou aldeias onde entrardes, informai-vos se há alguém ali digno de vos receber; ficai ali até a vossa partida. 
12 Entrando numa casa, saudai-a: 'Paz a esta casa'. 
13 Se aquela casa for digna, descerá sobre ela vossa paz; se, porém, não o for, vosso voto de paz retornará a vós. 
14 Se não vos receberem e não ouvirem vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi até mesmo o pó de vossos pés. 
15 Em verdade vos digo: no dia do juízo haverá mais indulgência com Sodoma e Gomorra que com aquela cidade". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1.O Reino de Deus está próximo
A orientação de Jesus, aos apóstolos enviados em missão, é a proclamação e a libertação. A proclamação é a de João Batista (Mt 3,2), já retomada por Jesus no início de seu ministério na Galileia (Mt 4,17), assumida plenamente pelo Espírito. É a chegada do Reino da justiça.
Na prática da justiça alcança-se a libertação de toda opressão e exclusão que causam a proliferação de doenças e presença dos demônios das ideologias entre as multidões. A supressão destas leva à restauração da vida. As curas, os ressuscitamentos, as purificações e as expulsões dos demônios significam o "levantar-se" e integrar-se no convívio social.
A missão consiste em uma presença no mundo para a libertação e a salvação total dos homens e mulheres. É o anúncio, acompanhado de gestos concretos de promoção da vida plena.
Oração
Pai, faze de mim um instrumento para a construção da paz desejada por Jesus. Paz que se constrói na comunicação dos bens divinos a cada pessoa humana.
2. IDE E PROCLAMAI
Uma das tarefas dos apóstolos consistia em proclamar, aos quatro ventos, o anúncio da chegada do Reino. Finalmente realizavam-se as esperanças do povo.
E essa proclamação deveria ser feita com palavras, quanto com ações. Aliás, as ações próprias do Reino seriam a melhor prova da presença desta novidade, na história de Israel. Os gestos de curar doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expulsar os demônios provavam cabalmente a irrupção do Reino na história. Significavam que a vida humana fora recuperada no seu frescor original; fora libertada de todo tipo de escravidão; que o ser humano fora salvo da marginalização, tendo adquirido plenos direitos sociais e religiosos. Sobretudo, indicavam que finalmente Deus tinha a primazia sobre vida humana, livrando-a do poder da morte.
A gratuidade no ministério também seria um excelente testemunho de serviço ao Reino. Quem recebeu de graça, deve dar de graça, para fazer frente à tentação de acumular e querer impor-se pela riqueza. A falta de gratuidade pode levar o discípulo a tornar-se escravo do dinheiro, a ponto de esquecer-se da primazia de Deus e de seu Reino. Isto seria um contratestemunho.
Oração
Espírito que restaura a vida, faze de mim um arauto do Reino, colocando-me todo a serviço da libertação do meu próximo.
Liturgia da Sexta-Feira
XIV SEMANA DO TEMPO COMUM *
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Vosso louvor se estenda, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos (Sl 47,10s).
Leitura (Oseias 14, 2-10)
Leitura da profecia de Oseias.
Assim fala o Senhor: 14 2 "Muni-vos de palavras (de súplicas) e voltai ao Senhor. Dizei-lhe: 'Perdoai todos os nossos pecados, acolhei-nos favoravelmente. Queremos oferecer em sacrifício a homenagem de nossos lábios. 
3 O assírio não nos salvará, não mais montaremos nossos cavalos, e não mais teremos como Deus obra alguma de nossas mãos, porque só junto de vós encontra o órfão compaixão'. 
4 Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei de todo o coração, (porque minha cólera apartou-se deles). 
5 Serei para Israel como o orvalho; ele florescerá como o lírio, e lançará raízes como o álamo. 
6 Seus galhos estender-se-ão ao longe, sua opulência igualará à da oliveira e seu perfume será como o odor do Líbano. 
7 (Os de Efraim) virão sentar-se à sua sombra. Cultivarão o trigo. Crescerão com a vinha. E serão famosos como o vinho do Líbano. 
8 Que terá ainda Efraim de comum com os ídolos? Eu mesmo, que o afligi, torná-lo-ei feliz. Eu sou como o cipreste sempre verde: graças a mim é que produzes fruto. 
9 Quem é sábio atenda a estas coisas! Que o homem inteligente reflita nelas, porque os caminhos do Senhor são retos. Os justos andam por eles, mas os pecadores neles tropeçam". 
Salmo responsorial 50/51
Minha boca anunciará vosso louvor!
Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! 
Na imensidão de vosso amor, purificai-me! 
Lavai-me todo inteiro do pecado 
e apagai completamente a minha culpa!
Mas vós amais os corações que são sinceros, 
Na intimidade me ensinais sabedoria. 
Aspergi-me e serei puro do pecado, 
E mais branco do que a neve ficarei.
Criai em mim um coração que seja puro, 
Dai-me de novo um espírito decidido. 
Ó Senhor, não me afasteis de vossa face 
Nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
Dai-me de novo a alegria de ser salvo 
E confirmai-me com espírito generoso! 
Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, 
e minha boca anunciará vosso louvor!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Quando o paráclito vier, o Espírito da verdade, ele vos conduzirá a toda a verdade, lembrar-vos-á de tudo o que eu tenho falado (Jo 16,13; 14,26).

EVANGELHO (Mateus 10,16-23)
10 16 Disse Jesus: "Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas. 
17 Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. 
18 Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos. 
19 Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. 
20 Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós. 
21 O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão. 
22 Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo. 
23 Se vos perseguirem numa cidade, fugi para uma outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que volte o Filho do Homem". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1.O seguimento de Jesus inclui tribulações
Enviando os discípulos em missão, Jesus fala sobre provações por que passarão. O compromisso com Jesus é fonte de alegria, o que não exclui as atribulações que advirão, no que serão assistidos pelo Espírito do Pai.
Na proclamação das bem-aventuranças, na abertura do Sermão da Montanha, Jesus já anunciara a bem-aventurança dos que são injuriados e perseguidos por causa da justiça.
O contexto do missionário será como ovelhas no meio de lobos. A descrição dos conflitos a serem enfrentados é feita no estilo escatológico-apocalíptico, no qual o fim dos tempos é caracterizado por drama violento e generalizado. O texto de Mateus reflete, em parte, as perseguições sofridas pelos cristãos na época em que escreve.
As perseguições e mortes realmente aconteceram, não só com o próprio Jesus, mas com inúmeros cristãos, vítimas tanto do judaísmo como do império romano, e se prolongam ao longo do tempo, até hoje, sob formas diversificadas. 

Oração
Pai, reveste-me com a força do teu Espírito a fim de que eu tenha força suficiente para perseverar, até o fim, no cumprimento da missão recebida de Jesus.
2. PRUDÊNCIA E SIMPLICIDADE
Ao recomendar prudência e simplicidade aos seus apóstolos, Jesus colocava-os diante da dureza da missão. Seria injusto enganá-los, e fazê-los correr o risco de se decepcionarem, ao se darem conta das conseqüências da tarefa recebida. Eles deviam ser realistas, sem nutrir falsas esperanças a respeito do futuro.
A virtude da prudência ser-lhes-ia necessária para enfrentarem a malícia e a violência dos adversários. Ao serem entregues aos tribunais, castigados nas sinagogas, levados diante de reis e governadores, odiados e perseguidos, não deveriam ser ingênuos, nem se intimidar, perdendo a chance de dar testemunho diante deles. A prudência, portanto, iria requerer outras virtudes: coragem, intrepidez, confiança, perseverança etc.
A simplicidade faria o discípulo desmascarar a arrogância inútil de seus carrascos, como também daqueles que se julgavam senhores da vida e da morte dos demais, acreditando-se detentores de um poder ilimitado. A simplicidade também se desdobraria em outras virtudes: transparência, mansidão, paz, consciência serena, convicção de estar agindo de maneira correta etc.
Sendo prudente e simples, o discípulo dá mostras de que o Reino produziu frutos em seu coração.
Oração
Espírito de prudência e simplicidade, dá-me as virtudes necessárias que me capacitem para testemunhar o Reino, mormente nos momentos difíceis, sem me deixar intimidar.
Liturgia do Sábado
XIV SEMANA DO TEMPO COMUM *
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Vosso louvor se estenda, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos (Sl 47,10s).
Leitura (Isaías 6,1-8)
Leitura do livro do profeta Isaías.
6 1 No ano da morte do rei Ozias, eu vi o Senhor sentado num trono muito elevado; as franjas de seu manto enchiam o templo. 
2 Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas; com um par (de asas) velavam a face; com outro cobriam os pés; e, com o terceiro, voavam. 
3 Suas vozes se revezavam e diziam: "Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória!" 
4 A este brado as portas estremeceram em seus gonzos e a casa, encheu-se de fumo. 
5 "Ai de mim", gritava eu. "Estou perdido porque sou um homem de lábios impuros, e habito com um povo (também) de lábios impuros e, entretanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!" 
6 Porém, um dos serafins voou em minha direção; trazia na mão uma brasa viva, que tinha tomado do altar com uma tenaz. 
7 Aplicou-a na minha boca e disse: "Tendo esta brasa tocado teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta, apagada".
8 Ouvi então a voz do Senhor que dizia: "Quem enviarei eu? E quem irá por nós?" "Eis-me aqui", disse eu, "enviai-me". 
Salmo responsorial 92/93
Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.
Deus é rei e se vestiu de majestade, 
Revestiu-se de poder e de esplendor!
Vós firmastes o universo inabalável, 
Vós firmastes vosso trono desde a origem, 
Desde sempre, ó Senhor, vós existis!
Verdadeiros são os vossos testemunhos, 
Refulge a santidade em vossa casa, 
Pelos séculos dos séculos, Senhor!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Felizes sereis vós se fordes ultrajados por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus (1Pd 4,14).

Evangelho (Mateus 10,24-33)
24 Disse Jesus: "O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão. 
25 Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão. Se chamaram de Beelzebul ao pai de família, quanto mais o farão às pessoas de sua casa! 
26 Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber. 
27 O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados. 
28 Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena. 
29 Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. 
30 Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. 
31 Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós. 
32 Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. 
33 Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus". 

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1.Anunciar e denunciar sem temor
Mateus reúne, aqui, outro bloco de ditos de Jesus, compondo o discurso apostólico para fortalecimento e estímulo das comunidades. Os discípulos terão as mesmas provações de Jesus, sob as ameaças e perseguições dos poderosos. Contudo, devem anunciar e denunciar, sem nenhum temor, pois o Pai os tem em conta mais do que tudo.
Não se trata de disputar o poder com o opressor, mas sim de nunca deixar de proclamar a mensagem libertadora dos oprimidos, sem ódio e sem medo da própria morte.
Declarar-se por Jesus diante dos homens é viver o amor, a justiça e a fraternidade, em união com Ele e, por Ele, com o Pai.
Oração
Pai, que a perseguição malvada dos que pretendem levar-me a ser infiel à missão recebida de Jesus jamais me impeça de seguir adiante, com coragem.
2. O MESTRE E O DISCÍPULO
Na perspectiva de Jesus, o ideal do discípulo é ser como o mestre. Em outras palavras, é no mestre que o discípulo deve se espelhar.
Se consideramos as instruções recebidas pelos discípulos, constatamos que Jesus propõe-lhes como projeto de vida, os mesmos princípios que pautaram a sua ação missionária. Como ele, os discípulos teriam a missão de ir pelo mundo anunciar o Evangelho, e realizar os sinais indicativos da presença do Reino. Deveriam abrir mão de qualquer recompensa e viver a gratuidade e a pobreza.
Deveriam estar preparados para a rejeição, a perseguição, o martírio. Contudo, não deveriam se preocupar, pois estariam sob a proteção do Espírito do Pai. Este lhes inspiraria a respeito do testemunho a ser dado. Por sua vez, o Pai irá preparar-lhes uma recompensa condigna, por terem vivido o discipulado com fidelidade.
Tudo isto já tinha sido experienciado por Jesus, desde o início de seu ministério. Portanto, sua proposta aos discípulos é um projeto existencial, não uma imposição. Ele a pôs em prática, antes de transformá-la em pauta de ação para os seus seguidores. No exercício de sua missão, os discípulos encontram em Jesus um modelo consumado de vivência missionária.
Só quem estiver disposto a partilhar a mesma sorte do Mestre, estará em condições de se tornar seu seguidor.
Oração
Espírito de conformidade com Jesus, disponha-me a partilhar a missão do Mestre, fazendo-me como ele, fiel até o fim, ao projeto do Pai.
Liturgia do Domingo
15.07.2012
15º Domingo do Tempo Comum — ANO B
(VERDE, GLÓRIA, CREIO – III SEMANA DO SALTÉRIO)
__ "Evangelizar: uma exigência para o mensageiro" __
Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: O Pai nos chama e nos confia uma missão a ser desempenhada ao estilo de Jesus, que veio para curar, consolar, libertar, destruindo tudo o que oprime e escraviza e abrindo possibilidades de vida feliz e abundante. Participando da celebração, Ele nos consagra como enviados, entregando-nos seu Espí- rito, e nos fortalece para que nunca percamos o entusiasmo e a alegria em nossa missão. Somos convidados a indagar-nos: como nos posicionamos diante do chamamento que Deus nos faz? Nosso compromisso é a resposta.
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Celebramos neste domingo o envio dos discípulos por Cristo para anunciar o Reino de amor, expulsar os demônios e curar os doentes. Essa missão hoje é colocada em nossas mãos, que vivemos num mundo em dificuldade de crer e amar, sendo, por isso mesmo, refém do mal e das enfermidades. Por isso preparamo-nos para celebrar, a partir de 11 de outubro, o Ano da Fé, instituído pelo Papa Bento XVI. Assim a Igreja pode renovar o movimento dos discípulos de Jesus, que acataram o mandamento do Amor e levaram-no ao mundo inteiro. Procuremos atuar em nossa Igreja de São Paulo com o mesmo ardor que marcou a evangelização da primeira hora.
Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos alegres cânticos ao Senhor!
XV DOMINGO DO TEMPO COMUM
Antífona da entrada: Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória (Sl 16,15).
Primeira Leitura (Amós 7,12-15)
Leitura da Profecia de Amós.
7 12 Amasias disse a Amós: "Vai-te daqui, vidente, vai para a terra de Judá e ganha lá o teu pão, profetizando. 
13 Mas não continues a profetizar em Betel, porque aqui é o santuário do rei, uma residência real". 
14 Amós respondeu a Amasias: "Eu não sou profeta nem filho de profeta. Sou pastor e cultivador de sicômoros. 
15 O Senhor tomou-me de detrás do meu rebanho e disse-me: ´Vai e profetiza contra o meu povo de Israel´". 
Salmo responsorial 84/85
Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade 
e a vossa salvação nos concedei!
Quero ouvir o que o Senhor irá falar: 
é a paz que ele vai anunciar. 
Está perto a salvação dos que o temem, 
e a glória habitará em nossa terra.
A verdade e o amor se encontrarão, 
a justiça e a paz se abraçarão; 
da terra brotará a fidelidade, 
e a justiça olhará dos altos céus.
O Senhor nos dará tudo o que é bom, 
e a nossa terra nos dará suas colheitas; 
a justiça andará na sua frente 
e salvação há de seguir os passos seus.
Segunda Leitura (Efésios 1,3-14 ou 3-10)
Leitura da carta de São Paulo aos Efésios.
1 3 Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, 
4 e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. 
5 No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, 
6 para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem-amado. 
7 Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça 
8 que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência. 
9 Ele nos manifestou o misterioso desígnio de sua vontade, que em sua benevolência formara desde sempre, 
10 para realizá-lo na plenitude dos tempos - desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra. 
11 Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio daquele que tudo realiza por um ato deliberado de sua vontade, 
12 para servirmos à celebração de sua glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo. 
13 Nele também vós, depois de terdes ouvido a palavra da verdade, o Evangelho de vossa salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, 
14 que é o penhor da nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da sua glória. 
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o Espírito; conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou como herança (Ef 1,17s).

EVANGELHO (Marcos 6,7-13)
6 7 Então, Jesus chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos. 
8 Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto; 
9 como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas. 
10 E disse-lhes: "Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali. 
11 Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele". 
12 Eles partiram e pregaram a penitência. 
13 Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam. 
FORMAÇÃO LITÚRGICA
Apresentação dos dons
A apresentação dos dons, também conhecida por muitos como "ofertório", dá início na Missa ao momento da liturgia eucarística. Após ter sido convenientemente nutrida com as lições da Sagrada Escritura e com a explicação que a seguiu, e ter-se dirigido ao Senhor na Oração dos Fiéis, a comunidade cristã prepara-se agora para ser alimentada com o Corpo e o Sangue de Cristo. Antes, porém, precisa arrumar a mesa eucarística, receber e dispor sobre ela os dons e, em seguida, dar graças sobre o pão e o vinho, partir o pão e distribuí-lo aos participantes. O Concílio Vaticano II, devendo reorganizar o rito de apresentação dos dons segundo o espírito da primitiva Igreja, esforçou-se por deixar claro que só no momento da prece eucarística se dá a verdadeira oferta eclesial. Conservou-se, assim, a procissão dos fiéis, que levam dons em direção do altar, e inseriu uma oração utilizada no mundo hebraico para a bênção do pão e do vinho: "Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão (vinho) que recebemos de vossa bondade, fruto da terra (da videira) e do trabalho humano, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar pão da vida (vinho da salvação)". Tal oração, bela e expressiva, recitada quando o presidente apresenta a Deus as oferendas, mostra que estas, fruto da terra e da fadiga humana, se orientam na Eucaristia a um destino salvífico. Geralmente falamos que este momento se chama ofertório, no entanto, é mais correto denominá-lo de "apresentação dos dons".
Deus recebe o dízimo que oferecemos a Ele?
Sim, Deus recebe o dízimo através da comunidade. Tudo pertence a Ele. Ele é o dono; nós, os usuários. Ele não precisa de nada para Ele, mas precisa para a Sua comunidade (Igreja). Todo dízimo oferecido à comunidade é dízimo oferecido a Deus, que os agentes da Pastoral do Dízimo o utilizam para amenizar o sofrimento dos irmãos e irmãs mais carentes da comunidade. Faça a doação do seu dízimo e participe também das atividades da pastoral ajudando os mais necessitados.
TEXTOS BÍBLICOS PARA A SEMANA:

2ª Br - Zc 2,14-17; (Sl) Lc 1,46-55; Mt 12,46-50
3ª Vd - Is 7,1-9; Sl 47(48); Mt 11,20-24
4ª Vd - Is 10,5-7.13-16; Sl 93(94); Mt 11,25-27
5ª Vd - Is 26,7-9.12.16-19; Sl 101(102); Mt 11,28-30
6ª Vd - Is 38,1-6.21-22.7-8; Cânt.: Is 38,10-16; Mt 12,1-8
Sb Vd - Mq 2,1-5; Sl 9b(10); Mt 12,14-21
16ºDTC: Jr 23,1-6; Sl 22 (23),1-3a.3b-4.5.6 (R/.1.6a); Ef 2,13-18; Mc 6,30-34 (Urgência da missão)
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1.A missão exige despojamento
A narrativa do envio dos Doze encontra-se nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), com algumas variantes peculiares a cada evangelista. Marcos já registrara que Jesus constituíra os Doze para que ficassem com ele, para enviá-los a pregar (Mc 3,14).
Depois de um tempo de convívio, conhecimento e experiência comum de vida, Jesus, agora, os envia integrando-os em sua própria missão. Marcos destaca que os discípulos foram enviados dois a dois. O chamado dos discípulos, no início do ministério de Jesus, também fora de dois em dois. Na missão prevalece a dimensão da parceria, do diálogo e da solidariedade, na corresponsabilidade, sem disputas de liderança.
Marcos não mostra um maior interesse quanto ao desenvolvimento e sucesso da missão a que os Doze foram enviados, dedicando a isto apenas alguns versículos (6,12s.30). Ele consagra seu texto às instruções de Jesus. O seu interesse maior é destacar a metodologia a ser assumida, que serve de paradigma para as comunidades em continuidade à missão de Jesus e de seus discípulos.
O despojamento proposto é essencial à missão. A pobreza deve ser assumida, não como ostentação de virtude, mas como abandono real nas mãos de Deus, confiantes na bondade e na hospitalidade daqueles que encontrarem pelo caminho. O que for necessário para a caminhada deve ser levado pelos discípulos, por exemplo, as sandálias e o cajado (em Mateus eles estão proibidos, e Lucas os omite). A casa é a base da missão. Aquelas em que os discípulos forem recebidos podem ser novos centros de missão, formando uma rede missionária.
A proclamação à conversão é ousada e contundente, como testemunhou o profeta Amós, denunciando uma religião a serviço do poder, tendo seu santuário como dependência do palácio real (primeira leitura). No mesmo estilo foi erigido o Templo de Jerusalém, como anexo do palácio de Salomão, no qual eram acumuladas imensas riquezas. Jesus, no seu tempo, o denunciará como sendo covil de ladrões.
Na carta aos Efésios (segunda leitura), que na tradição cristã havia sido atribuída a Paulo, é destacada a redenção operada por Cristo, na perspectiva sacrifical característica das comunidades primitivas vinculadas a Jerusalém. Porém, na perspectiva da simplicidade da encarnação, já se tem a revelação do imenso amor de Deus, Pai e Mãe. Pela vida de Jesus de Nazaré, Filho de Deus e filho de Maria, em seus anos de convívio amoroso com seus discípulos e as multidões, Deus revelou a sua escolha a todos os homens e mulheres para participarem de sua Vida divina e eterna, na prática do amor, seguindo o caminho de Jesus.
Oração
Pai, ajuda-me a superar toda tentação de acomodar-me, pois, como apóstolo do teu Reino, tenho de estar, continuamente, a caminho.
2. EVANGELIZAR É PRECISO!
Os evangelistas mencionam, com freqüência, o ensino de Jesus. No Evangelho de Marcos, este ensino não é tanto com palavras, mas sim com o próprio testemunho de vida de Jesus. Com seu "ensino", Jesus prepara os discípulos (Mc 6,6). Em seguida, envia-os. Testemunho e envio estão intimamente ligados. E, após o envio, os discípulos "saíram para proclamar".
Contudo, a proclamação é acompanhada de gestos concretos de libertação. Marcos destaca o poder sobre os espíritos impuros. É o espírito da sinagoga que dominava um homem, tendo sido este libertado por Jesus (Mc 1,23).
Jesus, progressivamente, inclui os discípulos no seu ministério. O despojamento deles não tem o caráter de um ascetismo heróico. Significa o testemunho da confiança na bondade humana. É um ousado testemunho que, certamente, toca os corações. A segurança vem da confiança no amor, e não no poder da riqueza.
O testemunho de Jesus não é o de austeridade pela austeridade, mas sim o do desprendimento e da confiança em Deus e no próximo: os discípulos devem se entregar, com confiança, aos cuidados daqueles que encontrarem no caminho. Confiam na acolhida e na capacidade de partilha de cada um. Este ato de entrega e confiança liberta nas pessoas seu potencial de acolhida, solidariedade e amor.
O missionário, de maneira profética, denuncia a opressão e a violência dos poderosos, como o profeta   Amós (primeira leitura), e anuncia a projeto de Deus de nos adotar como filhos, nos comunicando sua vida através da encarnação de seu Filho, Jesus (segunda leitura).
A ação missionária, restaurando nas pessoas sua dignidade e capacidade de amar, as liberta da opressão, dando-lhes sentido à vida.