Liturgia



O que é Liturgia?

Liturgia não é apenas uma encenação da vida, paixão, morte e ressurreição de um tal de Jesus de Nazaré. Liturgia não é cerimônia, nem folclore muito menos patrimônio cultural da sociedade.
Sempre iniciamos as nossas celebrações com o sinal-da-cruz, pois na Liturgia o Pai realiza o "mistério de sua vontade" entregando seu Filho bem-amado e seu Espírito para a salvação do mundo e para a glória de seu nome.
No Egito, na antiguidade, Deus passou no meio do povo e libertou-o. Há dois mil anos, Deus se fez homem em Jesus Cristo que pregou definitivamente consigo na cruz todos nossos pecados e nos libertou da morte.
Deus passa no meio de nós pela liturgia. Páscoa significa passagem. Liturgia é Páscoa!
A palavra "liturgia" significa originalmente "obra pública", "serviço da parte do povo e em favor do povo". Na tradição cristã, ele quer significar que o povo de Deus torna parte na "obra de Deus". Pela Liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra de nossa redenção.

A liturgia: obra da Santíssima Trindade

"Na liturgia da Igreja, Deus Pai é bendito e adorado como a fonte de todas as bênçãos da criação e da salvação, com as quais nos abençoou em seu Filho, para dar-nos o Espírito da adoção filial."
"A obra de Cristo na liturgia é sacramental porque seu mistério de salvação se torna presente nela mediante o poder de seu Espírito Santo; porque seu corpo, que é a Igreja, é como que o sacramento (sinal e instrumento) no qual o Espírito Santo dispensa o mistério da salvação; porque por meio de suas ações litúrgicas a Igreja peregrina já participa, por antecipação, da liturgia celeste."
"A missão do Espírito Santo na liturgia da Igreja é preparar a assembléia para encontrar-se com Cristo; recordar e manifestar Cristo à fé da assembléia; tornar presente e atualizar a obra salvífica de Cristo por seu poder transformador e fazer frutificar o dom da comunhão na Igreja."
A Missa é uma reunião da grande família de Deus, que agradece e louva ao Senhor, pede perdão por seus pecados e se alimenta com o corpo de Jesus, que nos revigora e dá forças ao Espírito para levarmos avante a nossa missão de católicos.
A Missa é dividida em partes: Entrada, Saudação, Ato Penitencial, Glória, Leituras, Homília, Oração dos fiéis, Ofertório, Oração Eucarística, Pai Nosso, Oração pela Igreja, Saudação da Paz, Cordeiro de Deus, Comunhão, Ação de Graças e Despedida.


Esquema do Ano Litúrgico
O Ano Litúrgico é o tempo que marca as datas dos acontecimentos da História da Salvação. Não é como o ano civil, que começa em 1º de Janeiro e termina em 31 de dezembro, mas começa no 1º domingo do Advento (preparação para o Natal) e termina no último sábado do tempo comum, que é na véspera do 1º domingo do Advento.
CICLO DO NATAL
ADVENTO
Início:  4 domingos antes do Natal
Término:  24 de dezembro à tarde
Espiritualidade:  Esperança e purificação da vida
Ensinamento:  Anúncio da vinda do Messias
Cor:  Roxa
NATAL
Início:  25 de dezembro
Término:  Na festa do Batismo de Jesus
Espiritualidade:  Fé, alegria e acolhimento
Ensinamento:  O filho de Deus se fez Homem
Cor:  Branca
* Advento: Inicia-se o ano litúrgico. Compõe-se de 4 semanas. Começa 4 domingos antes do Natal e termina no dia 24 de dezembro. Não é um tempo de festas, mas de alegria moderada e preparação para receber Jesus.
* Natal: 25 de dezembro. É comemorado com alegria, pois é a festa do Nascimento do Salvador.
* Epifania: E celebrada no domingo seguinte ao natal e dura 3 semanas. É uma festa que lembra a manifestação de Jesus como Filho de Deus. No ciclo de Natal também são celebradas as festas da Apresentação do Senhor no dia 02 de fevereiro, da Sagrada Família, de Santa Maria Mãe de Deus e do Batismo de Jesus.
TEMPO COMUM
1ª PARTE
Início:  2ª feira após o Batismo de Jesus
Término:  Véspera da Quarta-feira das Cinzas
Espiritualidade:  Esperança e escuta da Palavra
Ensinamento:  Anúncio do Reino de Deus
Cor:  Verde
·        1ª parte: Começa após o batismo de Jesus e acaba na terça antes da quarta-feira de Cinzas.



CICLO DA PÁSCOA
QUARESMA
Início:  Quarta-Feira das Cinzas
Término:  Quarta-feira da Semana Santa
Espiritualidade:  Penitência e conversão
Ensinamento:  A misericórdia de Deus
Cor:  Roxa
PÁSCOA
Início:  Quinta-feira Santa (Tríduo Pascal)
Término:  No Pentecostes
Espiritualidade:  Alegria em Cristo Ressuscitado
Ensinamento
:  Ressurreição e vida eterna
Cor:  Branca
* Quaresma: Começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da semana santa. Tempo forte de conversão e penitência, jejum, esmola e oração. É um tempo de 5 semanas em que nos preparamos para a Páscoa. Não se diz "Aleluia", nem se colocam flores na igreja, não devem ser usados muitos instrumentos e não se canta o Hino de Louvor. É um tempo de sacrifício e penitências, não de louvor.
* Páscoa: Começa com a ceia do Senhor na quinta-feira santa. Neste dia é celebrada a Instituição da Eucaristia e do sacerdote. Na sexta-feira celebra-se a paixão e morte de Jesus. É o único dia do ano que não tem missa. Acontece apenas uma Celebração da Palavra. No sábado acontece a solene Vigília Pascal. Forma-se então o Tríduo Pascal que prepara o ponto máximo da páscoa: o Domingo da Ressurreição. A Festa da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição. Ela se estende até a Festa de Pentecostes.
* Pentecostes: É celebrado 50 dias após a Páscoa. Jesus ressuscitado volta ao Pai e nos envia o Paráclito.
TEMPO COMUM
2ª PARTE
Início:  Segunda-feira após o Pentecostes
Término:  Véspera do 1º Domingo do Advento
Espiritualidade:  Vivência do Reino de Deus
Ensinamento:  Os Cristãos são o sinal do Reino
Cor:  Verde

* 2ª pArtE: Começa na segunda após Pentecostes e vai até o sábado anterior ao 1º Domingo do advento.
Ao todo são 34 semanas. É um período sem grandes acontecimentos. É um tempo que nos mostra que Deus se fez presente nas coisas mais simples. É um tempo de esperança e acolhimento da Palavra de Deus.
"O Tempo comum não é tempo vazio. É tempo de a Igreja continuar a obra de Cristo nas lutas e nos trabalhos pelo Reino." (CNBB - Documento 43, 132)

Posições do Corpo
A religião assume o homem todo, como ele é: corpo e alma.
A Graça não destrói a natureza humana, mas a completa e aperfeiçoa.
Por isso, rezamos com o corpo também, dizendo palavras e fazendo gestos.
A Missa é o louvor visível do Povo de Deus. Vejamos o significado dos gestos:

SENTADO: É uma posição cômoda que favorece a catequese, boa para a gente ouvir as Leituras, a homilia e meditar. É a atitude de quem fica à vontade e ouve com satisfação, sem pressa de sair.
EM PÉ: É uma posição de quem ouve com atenção e respeito, tendo muita consideração pela pessoa que fala. Indica prontidão e disposição do "orante". A Bíblia diz: "Quando vos puserdes em pé para orar, (...)" (Mc 11,25). Falando dos bem-aventurados, João vê uma multidão, de vestes brancas, "de pé, diante do Cordeiro", que é Jesus (Ap 7,9).
AJOELHADO: Posição comum diante do Santíssimo Sacramento e durante a consagração do pão e do vinho. Significa adoração a Deus. São Paulo diz: "Ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra" (Fl 2,10). Rezar de joelhos é mais comum nas orações individuais. "Pedro, tendo mandado sair todos, pôs-se de joelhos para orar" (At 9,40)
GENUFLEXÃO: É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na igreja e dela saímos, se ali existe o sacrário. Também fazemos genuflexão diante do crucifixo na Sexta-Feira Santa, em sinal de adoração. (Não é adoração à Cruz, mas a Jesus que nela foi pregado).
INCLINAÇÃO: Inclinar-se diante de alguém é sinal de grande respeito. É também adoração, diante do Santíssimo Sacramento. Os fiéis podem inclinar a cabeça para receber a bênção solene.
MÃOS LEVANTADAS: É atitude dos "orantes". Significa súplica e entrega a Deus. É o gesto aconselhado por Paulo a Timóteo: "Quero, pois, que os homens orem em qualquer lugar, levantando ao céu as mãos puras, sem ira e sem contendas" (1 Tm, 2,8)
MÃOS JUNTAS: Significa recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida. É atitude de profunda piedade.
PROSTRAÇÃO: Gesto muito antigo, bem a gosto dos orientais. Estes se prostravam com o rosto na terra para orar. Assim fez Jesus no Horto das Oliveiras. Hoje essa atitude é própria de quem  se consagra a Deus, como na ordenação sacerdotal. Significa morrer para o mundo e nascer para Deus com uma vida nova e uma nova missão.
SILÊNCIO: O silêncio tem seu valor na oração. Ajuda o aprofundamento nos mistérios da fé. "O Senhor fala no silêncio do coração". É oportuno fazer silêncio depois das Leituras, da homilia e da Comunhão, para interiorizar o que o Senhor disse. Meditar é também uma forma de participar. Uma Missa que não tivesse nenhum momento de silêncio, seria como chuva forte e rápida que não penetra na terra.
Cores Litúrgicas
As diferentes cores das vestes litúrgicas visam manifestar externamente o caráter dos mistérios celebrados, e também a consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do ano litúrgico. No princípio havia uma certa preferência pelo branco. Não existiam ainda as chamadas "cores litúrgicas". Estas cores foram fixadas em Roma no século XII. Em pouco tempo os cristãos do mundo interiro aderiram a este costume.

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Branco
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   Usado na Páscoa, no Natal, nas Festas do Senhor, nas Festas de Nossa Senhora e dos Santos, exceto dos mártires. Simboliza alegria, ressurreição, vitória, pureza e alegria.
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Vermelho
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   Lembra o fogo do Espírito Santo. Por isso é a cor de Pentecostes. Lembra também o sangue. É a cor dos mártires e da sexta-feira da Paixão.
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Verde
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   Se usa nos domingos do Tempo Comum e nos dias da semana. Está ligado ao crescimento, à esperança.
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Roxo
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   Usado no Advento e na Quaresma. É símbolo da penitência e da serenidade. Também pode ser usado nas missas dos defuntos e na confissão.
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Preto
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   É sinal de tristeza e luto. Hoje é pouco usado na liturgia.
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Rosa
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   O rosa pode ser usado no 3º domingo do Advento (Gaudete) e 4º domingo da Quaresma (Laetare).


Objetos Litúrgicos









ALFAIAS: Designam todos os objetos utilizados no culto, como por exemplo, os paramentos litúrgicos.
ALIANÇA: Anel utilizado pelos noivos para significar seu compromisso de amor selado no matrimônio.
ANDOR: Suporte de madeira, enfeitado com flores. Utilizados para levar os santos nas procissões.
ASPERGES: Utilizado para aspergir o povo com água-benta. Também conhecido pelos nomes de aspergil ou aspersório.
BACIA: Usada como jarro para as purificações litúrgicas.
BÁCULO: Bastão utilizado pelos bispos. Significa que ele está em lugar do Cristo Pastor.
BATISTÉRIO: O mesmo que pia batismal. É onde acontecem os batizados.
BURSA: Bolsa quadrangular para colocar o corporal.
CALDEIRINHA: Vasilha de água-benta.
CAMPAINHA: Sininhos tocados pelo acólito no momento da consagração.
CASTIÇAIS: Suportes para as velas.
CADEIRA DO CELEBRANTE: Cadeira no centro do presbitério que manifesta a função de presidir o culto.
CÍRIO PASCAL: Uma vela grande onde se pode ler ALFA e ÔMEGA (Cristo: começo e fim) e o ano em curso. tem grãos de incenso que representam as cinco chagas de Cristo. Usado na Vigília Pascal, durante o Tempo Pascal, e durante o ano nos batizados. Simboliza o Cristo, luz do mundo.
COLHERINHA: Usada para colocar a gota de água no vinho e para colocar o incenso no turíbulo.
CONOPEU: Cortina colocada na frente do sacrário.
CREDÊNCIA: Mesinha ao lado do altar, utilizada para colocar os objetos do culto.
CRUZ PROCESSIONAL: Cruz com um cabo maior utilizada nas procissões.
CRUZ PEITORAL: Crucifixo dos bispos.
ESCULTURAS: Exitem nas Igrejas desde os primeiros séculos. Sua única finalidade litúrgica é ajudar a mergulhar nos mistérios da vida de Cristo. O mesmo se pode dizer com relação às pinturas.
GENUFLEXÓRIO: Faz parte dos bancos da Igreja. Sua única finalidade é ajudar o povo na hora de ajoelhar-se.
HÓSTIA: Pão Eucarístico. A palavra significa "vítima que será" sacrificada.
HÓSTIA GRANDE: É utilizada pelo celebrante. É maior apenas por uma questão de prática. Para que todos possam vê-la na hora da elevação, após a consagração.
JARRO: Usado durante a purificação.
LAMPARINA: É a lâmpada do Santíssimo.
LAVATÓRIO: Pia da Sacristia. Nela há toalha e sabonete para que o sacerdote possa lavar as mãos antes e depois da celebração.
LIVROS LITÚRGICOS: Todos os livros que auxiliam na liturgia: lecionário, missal, rituais, pontifical, gradual, antifonal.
LUNETA: Objeto em forma de meia-lua utilizado para fixar a hóstia grande dentro do ostensório.
MATRACA: Instrumento do madeira que produz um barulho surdo. Substitui os sinos durante a semana santa.
PISCINA: antigo nome da pia da sacristia.
PÍXIDE: O mesmo que ÂMBULA.
PRATINHO: Recipiente que sustenta as galhetas.
PURIFICATÓRIO: O mesmo que sanguinho.
RELICÁRIO: Onde são guardados as relíquias dos santos.
SACRÁRIO: Caixa onde é guardada a Eucaristia após a celebração. Também é conhecida como TABERNÁCULO.
SANTA RESERVA: Eucaristia guardada no SACRÁRIO.
TABERNÁCULO: O mesmo que SACRÁRIO.
VÉU DO CÁLICE: Pano utilizado para cobrir o cálice.
VÉU DO CIBÓRIO: Capinha de seda branca que cobre a âmbula. É sinal de respeito para com a Eucaristia.


Vestes Litúrgicas
Na Igreja, que é o corpo de Cristo, nem todos os membros desempenham a mesma função.
Esta diversidade de ministérios se manifesta exteriormente no exercício do culto sagrado pela
diversidade das vestes litúrgicas, que por isso devem ser um sinal da função de cada ministro.
Convém que as vestes litúrgicas contribuam para a beleza da ação sagrada.



BATINA: Durante muito tempo foi a roupa oficial dos sacerdotes.
SOBREPELIZ: Veste branca usada sobre a batina, para substituir a alva (usada em procissões e na celebração de alguns sacramentos, como a confissão).
MITRA: Uma espécie de chapéu alto e pontudo usado pelos bispos (símbolo do poder espiritual).
DALMÁTICA: É uma roupa que o diácono usa sobre a alva e a estola. É a veste litúrgica superior do diácono.
CAPA PLUVIAL, DE ASPERGES OU MAGNA: Usada pelo sacerdote sobre os ombros durante as procissões, no casamento, batismo e bênção do Santíssimo.
VÉU DE OMBROS ou VÉU UMERAL: Usado pelo sacerdote ou diácono na bênção do Santíssimo e nas procissões para levar o ostensório.
CÍNGULO: Cordão utilizado na cintura.
CAPINHA: Utilizada pelas senhoras que exercem o ministério extraordinário da comunhão.
SOLIDÉU: Um pequeno barrete em forma de calota, usada pelos bispos sobre a cabeça.


ESPAÇO CELEBRATIVO

§        ALTAR - Mesa fixa, podendo também ser móvel, destinada à celebração eucarística. É o espaço mais importante da Igreja. Lugar onde se renova o sacrifício redentor de Cristo.
§      AMBÃO - Chama-se também Mesa da Palavra. É a estante de onde se proclama a palavra de Deus. Não deve ser confundida com a estante do comentador e do animador do canto. Esta não deve ter o mesmo destaque do ambão.
§      CREDÊNCIA - Pequena mesa onde se colocam os objetos litúrgicos, que serão utilizados na celebração. Geralmente, fica próxima do altar.
§      PRESBITÉRIO - espaço ao redor do altar, geralmente um pouco mais elevado, onde se realizam os principais ritos sagrados.
§      NAVE DA IGREJA - Espaço do templo reservado aos fiéis.
§      SACRÁRIO - Chama-se também Tabernáculo. É uma pequena urna onde são guardadas as partículas consagradas e o Santíssimo Sacramento. Recomenda-se que fique num lugar apropriado, com dignidade, geralmente numa capela lateral.
§      PÚLPITO - Lugar nas igrejas antigas de onde o presidente fazia a pregação. Hoje, praticamente não é mais usado.
§      BATISTÉRIO – lugar reservado para a celebração do batismo. Em substituição ao verdadeiro batistério, usa-se a pia batismal.
§      SACRISTIA – sala anexa à igreja onde se guardam as vestes dos ministros e os objetos destinados às celebrações; é também o lugar onde os ministros se paramentam.

MINISTÉRIOS LITÚRGICOS

01 -  FUNÇÃO E PAPEL DO POVO NA CELEBRAÇÃO

    Na celebração da missa os fiéis constituem o povo santo, o povo adquirido e o sacerdócio régio, para dar graças a Deus e oferecer o sacrifício perfeito, não apenas pelas mãos do sacerdote, mas também juntamente com ele, e aprender a oferecer a si próprio. Esforcem-se, pois, para manifestar isto através de um profundo senso religioso e da caridade para com os irmãos e irmãs que participam da mesma celebração. Formem um único corpo, seja ouvindo a Palavra de Deus, seja tomando parte nas orações e no canto, ou sobre tudo na oblação comum do sacrifício e a comum participação da mesa do Senhor. Tal unidade se manifesta muito bem quando todas os fiéis realizam em comum os mesmos gestos e assumem as mesma atitudes externas
.
02 - COMENTARISTA = dirige aos fiéis explicações visando introduzi-los na celebração e dispô-los para entendê-la melhor. Convêm que as exortações do comentarista sejam cuidadosamente preparadas, sóbrios e claras. Ao desempenhar seu cargo, fica de pé em lugar adequado, voltando para os fiéis, mas é menos conveniente que suba ao ambão.
- acolher os fiéis às portas da igreja e que os levam aos seus lugares e organizam as suas procissões.
- os que faz as coletas na igreja.

03 - LEITOR = há os instituídos e os não instituídos.
- é instituído para proferir as leituras da Sagrada Escrituras, exceto o Evangelho. Pode igualmente propor as intenções para a oração dos fiéis, faltando o salmista, recitar o salmo.
- o leitor possui, na celebração eucarística, uma função própria, que ele mesmo deve desempenhar, ainda que estejam ministros de ordem superior.
- para que os fiéis, ao ouvirem as leitura divinas, concebam no coração um suave e vivo afeto pelas Sagradas Escrituras, é necessário que os leitores, mesmo que não tenham sido instituídos para essa função, sejam realmente capazes de desempenha-las e se preparem cuidadosamente.

04 - SALMISTA = proclamar o salmo colocado entre as leituras. Para bem exercer a sua função é necessário que saiba salmodiar e tenha boa pronúncia e dicção.

05 - CANTORES E TOCADORES = cabe-lhe executar devidamente as partes que lhe são próprias, conforme os diversos gêneros de cantos e promover a ativa participação dos fiéis no canto. Dirigir os diversos cantos, com a devida participação do povo.

06 - COROINHAS = auxiliam no serviço do altar e ao sacerdote na celebração

07 - MINISTRO EXTRAORDINÁRIO DA COMUNHÃO EUCARISTÍCA = distribui a comunhão ao féis, auxiliam no serviço do altar e ao sacerdote. Colocam no altar as partículas consagrada e recolhe as mesma e são zeladores dos vasos sagrados e tecidos litúrgico entre outros símbolos. Na ausência do sacerdote é quem o substitui fazendo a celebração da palavra. Administra o viático.

08 - CERIMONIÁRIO = a fim de que as ações sagradas sejam devidamente organizadas e exercidas com decoro, ordem e piedade pelos ministros.

09 - ACÓLITOS = compete-lhe principalmente preparar o altar e os vasos sagrados, bem como distribuir aos fiéis a Eucaristia, da qual é ministro extraordinário.  

10 - DIÁCONO = anunciar o Evangelho, pregar as vezes, recitar para os fiéis as intenções da oração universal, servir o sacerdote, distribuir a comunhão aos fiéis, sobre tudo a espécie de vinho, por vezes indicar a toda a assembléia os gestos e posições do corpo que deve adotar. 
11 - PE.
12 - BISPO
13 - PAPA
OBS: se na missa com o povo houver apenas um ministro, ele poderá exercer diversas funções.


Música e Canto Litúrgico

                                                                                              Ir. Miria T. Kolling

I – Introdução – Sobre a Música Sacra e Litúrgica:

     O que diz Santo Agostinho, da sua experiência: a) Conversão, na Bas
í
lica de Milão: “Quantas lágrimas verti, quão violenta emoção experimentada, Senhor, ao ouvir em vossa Igreja os hinos e cânticos que o louvam. Ao mesmo tempo em que aqueles sons penetravam em meus ouvidos, vossa verdade se derretia em meu coração, excitando os movimentos de piedade, enquanto corriam minhas lágrimas.”... b) Diz ele aos seus fiéis: “Vós sois a trombeta e o saltério, a cítara, o tímpano, o coro, as cordas e o órgão”, salientando a importância da voz, o instrumento mais importante para o louvor de Deus.
São também de Santo Agostinho as afirmações: “Se queres saber o que cremos, vem ouvir o que cantamos.” Ainda: “Cantar é próprio de quem ama.” E “Quem canta bem, reza duas vezes.”
E é ainda do grande doutor e bispo de Hipona a bendita afirmação: “Poucas coisas são tão próprias para excitar a piedade nas almas e inflamá-las com o fogo do amor divino como o canto.”
   São Basílio:A melodia torna o texto desejável e agradável, como o mel que se acrescenta a um medicamento para dar-lhe bom sabor. A melodia terá de possibilitar que cantemos e louvemos a Deus com gosto e com júbilo, com alegria e simplicidade de coração.” 
    E São João Crisóstomo afirma que  “Os salmos encerram toda a ciência.”
    Santo Ambrósio, cantor e compositor de hinos religiosos:“Canta-se o salmo e até mesmo os corações de pedra se abrandam. Vemos os pecadores mais obstinados chorarem, e os recalcitrantes dobram-se.”
E ainda: ”Na verdade, não vejo o que os fiéis podiam fazer de melhor, de mais útil, de mais santo, do que cantar”, quando reunidos para celebrar o Senhor como igreja.
   Martinho Lutero: “A música é um dom lindo e precioso de Deus... digna de estar junto à Teologia”...
 “A música é a coisa mais divina, depois da teologia.”
  
Beethoven:
  “A Música é o  pressentimento das coisas celestiais... é uma revelação mais alta que a sabedoria e a filosofia.”
  
Santo  Tomás de Aquino:
“Onde a palavra termina, ali começa o canto.
  
São Jerônimo,
comentando o salmo 136 “Como cantar os cânticos de Sião em terra estrangeira? nos diz: “Quando estamos servindo ao pecado e aos vícios e estamos desterrados em terra estrangeira, não podemos cantar a Deus.
  
E Orígenes completa: “O homem velho que se
corrompe seguindo os desejos da carne, não pode cantar o cântico novo”.  O Concílio Vaticano II: “A renovação da música litúrgica não é mera questão de técnica e artística; requer a renovação do homem que canta, expressando as coisas do espírito. Cantam realmente o Cântico novo só aqueles que “se despem do homem velho e vestem o novo.” (cf Ef4, 24).
  
Gelineau:
A música e o canto são sacramentos do Verbo Encarnado!


A Música desperta no homem esta inquietude pelo Infinito, este desejo da Beleza, do Amor, esta ânsia pela Plenitude, e torna-se assim um sinal de Deus e o caminho mais curto para o encontro com Ele.”(Grande Sinal,  Ed. Vozes – A música como caminho de espiritualidade, 1985, pág. 730)

II – Partindo de Jesus Cristo, músico, salmista e cantor do Pai, ele o Kyrios, o Senhor.
a)      O Ambiente musical de Jesus – nasce num ambiente que expressa sua fé através do canto: desde o seu nascimento, o Glória cantado pelos anjos... a subida a Jerusalém com os pais , cantando os salmos de subida (120 a 134): Eu me alegrei, fiquei feliz...Na Infância, o Magnificat, Benedictus, Nunc dimitis... A volta do filho pródigo é celebrada com  canto,  dança e festa...  Na entrada de Jesus em Jerusalém, é recebido com cantos, vivas, aclamações...
“Chegada a plenitude dos tempos ,” Jesus apareceu como a expressão e o canto de Deus, o canto do novo salmo, o melhor intérprete do seu povo.
Santo Agostinho: Quando o leitor sobe ao púlpito, é Cristo quem nos fala. Cristo tampouco permanece silencioso em vocês, quando cantam... não é porventura o próprio Cristo quem canta em sua voz?...
b)      Jesus Cristo, o salmista do Pai.
-         Os Salmos- composições líricas , foram feitas para serem cantados,  e são o livro de cantos do povo de Israel, parte importante do culto sinagogal. Jesus, como bom judeu, freqüenta o templo, participa da liturgia.  Cantou com a voz, o coração e a vida os cantos, hinos e salmos... – Lc 4, 16 – Como de costume, ele vai à sinagoga no dia de sábado, e lê o profeta Isaías... Cita os salmos, por exemplo o Sl 133 (132) “Como é bom e agradável viverem os irmãos  unidos! Os salmos do Hallel (= cantar hinos de alegria e louvor” , conjunto dos salmos 113 ao 118, são cantados nas grandes solenidades, como a Páscoa... “Depois de terem cantado salmos”, ele e seus discípulos “foram para o monte das Oliveiras”...
-         Em Jesus, músico, integram-se todos os valores. Ele dirige a orquestra do mundo,  desde o nascente até o poente... Ele, o músico, a nossa música... e a ele se dirige nossa música. Nós, humanidade, somos como partitura de Deus... cada qual, uma nota... às vezes dissonantes pelo pecado, mas convocados a  ser notas harmônicas, acordes  harmoniosos, por uma vida  autêntica e fiel a Deus.
-         A tradição viu nos salmos ao mesmo tempo  a voz de Cristo rezando ao Pai e a voz da Igreja voltada para o seu Senhor. Santo Agostinho: “Os salmos são a voz do Cristo total: a cabeça e o corpo.”
-         Jesus Cristo, regente da orquestra do mundo...  Ele dá sentido pleno  à sinfonia de Deus, a interpreta e dirige, Ele a Palavra que se fez Carne, se fez Música... Nele integram-se todos os valores. É ele o animador e diretor da sinfonia cósmica que “ressoa desde o Oriente até o ocaso...” Cada um de nós, uma nota na grande sinfonia da vida... Deus, o “Cantus Firmus”. Na Missa do início do pontificado de Bento XVI, a 24 de abril de 2005, alguém comentava (TV Canção Nova): “O cantor mudou, mas a música é a mesma”, diríamos, continua... Porque JC é o Cantor do Pai, o divino regente, que une as vozes e corações em torno de si, atraindo-nos ao Pai, a quem se dirige o nosso louvor...Ele é o músico e a própria música!...

-        
“Jesus Cristo, assumindo a natureza humana, trouxe para este exílio terrestre aquele hino que é cantado por todo o sempre nas habitações celestes. Ele associa a Si toda a comunidade dos homens e une-a consigo na celebração deste divino cântico de louvor.” (SC83) Cristo, tendo cumprido sua obra redentora, enviou-nos o Espírito Prometido. Desde o dia de  Pentecostes, o cântico novo continua a vibrar nas cordas da harpa dedilhada pelo Espírito Santo  na liturgia da Igreja,como um harmonioso e incessante diálogo entre o Esposo e a Esposa. Este cântico é ainda a imagem e o anúncio do louvor celeste, do cântico novo que o Apocalipse deixa entrever (Ap 5,9). Aquele, sim, será o cântico novo por excelência, liberto dos limites materiais.(Grande Sinal Editora Vozes, dezembro 1985, no artigo A Música como expressão da espiritualidade,  de José Weber, pág. 733.)

III – O canto e a música na Liturgia
Introdução:
No sentido cristão, a celebração é a festa pela obra salvífica de Cristo, atualizando a História da Salvação(sentido teológico), manifestação visível da salvação e da Igreja (sentido litúrgico). (Pe. Lucio Floro: A Liturgia é a curtição da salvação que o Pai nos deu em Jesus Cristo).
A celebração tem um corpo (conjunto de sinais) e um espírito (motivo e estilo). Tem atos (os momentos da celebração), mas também tem fatores (os ingredientes de iluminação, ventilação, acolhida, personalização, etc). Ela possui um dinamismo interno e um ritmo: no conjunto (início, ápice e encerramento), em cada parte (entre assembléia, presidente, ministros; entre palavra, canto e silêncio); nos modos de participação e nas atitudes, na oração comum (convite, oração pessoal, oração comunitária e oração presidencial).
Esse dinamismo, com a estrutura da celebração tem um  encadeamento lógico, que  se realiza em torno de 4 pólos:  os momentos sucessivos da celebração: a convocação  em torno do Ressuscitado (assembléia); o diálogo salvífico (proclamação da Palavra e resposta do povo); os sinais com que a Aliança se renova e sela (memorial da História da Salvação); por último, a dimensão do testemunho, missão e serviço (dissolução da assembléia).- Do livro “Manual de Liturgia II” – CELAM,  Editora Paulus, pág. 61-63.
1)      FundamentosFunção e papel do canto litúrgico: por que cantar?
A música é “parte essencial, necessária, integrante da liturgia (SC 112) – expressão da fé e da vida cristã de cada assembléia. Em ordem de importância e, após a comunhão sacramental, é o elemento que melhor colabora para a verdadeira participação pedida pelo Concílio.”:
-          Expressa melhor
e mais profundamente
a oração - Pelo canto, a oração se expressa com mais suavidade Mais que as outras artes, é aquela que expressa a essência, o próprio ser e o mistério celebrado.
-         Mais claramente se manifestam o mistério da liturgia
e da Igreja, Corpo Místico de Cristo,
sua índole hierárquica e comunitária, uma vez que a liturgia é ação de toda a igreja.
-         Favorece
 e expressa
a unidade - Mais profundamente se atinge a unidade dos corações, pela unidade das vozes, vencendo o isolamento, criando sintonia e  harmonia, acima de diferenças, idade, cultura e idiomas... Cantar em comum produz união, torna os membros coesos entre si. (Canto do Hino Nacional: todo um ideal, um povo, assembléia). Portanto, o canto faz a comunidade. (Gelineau: uma comunidade que canta é mais unida que uma que não canta.)
-         Enriquece e soleniza a celebração, gerando festa: “Nada mais festivo e mais grato nas celebrações sagradas do que uma assembléia que, em seu todo, expressa sua fé e sua piedade por meio do canto.” (MS 16).
O canto soleniza um rito
,tornando a celebração mais plena, mais intensa, mais clara, possibilita sua melhor realização, sendo gesto vocal que realiza o rito.
-         Exerce uma “função ministerial”, não apenas como humilde serva da liturgia, mas uma nobilíssima serva, como “ministra da liturgia”. Isso “implica em duas condições: a) subordinar sua própria identidade a uma função, b)  e por outro, sua ação se transforma em verdadeira atividade sagrada, celebrante e santificadora. Pela primeira, a música não atua na liturgia como único critério de sua autonomia estética, porém, longe de perdê-la, sua própria identidade artística e seu ofício exercem um autêntico ministério.”
-          Eleva as almas mais facilmente, pelo esplendor das coisas santas até as realidades supraterrenas
, sobrenaturais.
Sua solenidade não se dá tanto pela polifonia, por um coral, mas pela participação de todos. A celebração em comum, e cantada, é a festa.”  (Nossas festas em família que o digam!...)
-         Prefigura a Jerusalém celeste - Enfim, toda a celebração mais claramente prefigura aquela efetuada na celestial Jerusalém. (Quem não experimentou um pouco do céu na morte do nosso querido  João Paulo II?... Como que pequena fresta da janela da casa do Pai se abriu... e foi um antegozo da  liturgia celeste).
O livro do Apocalipse: canto novo dos resgatados diante do Cordeiro, quando Ele se manifestar em sua gl
ória. Nossa liturgia terrestre deve prefigurar ado céu...
-         Ajuda a sair de nós mesmos,  do nosso individualismo e comodismo, para viver o comunitário, indo ao encontro do outro. Deixamos o eu para assumir o nós!

-        
É símbolo da polifonia da vida, onde somos tão diferentes, como as notas de uma sinfonia, mas regidos por Deus, nosso  cantus firmus, formamos a bela e harmoniosa sinfonia da vida, pela fé e o amor celebrados na liturgia.
-         Gelineau cita três serviços da Música Litúrgica:
. ser instrumento de oração e celebração
. viabilizar a festa
. fazer entender o inaudito (música não cheia de si mesma, mas portadora de  silêncio e adoração).

                   

2) Características da música litúrgica – critérios  principais:
-         Santidade – sua finalidade última: glorificação de Deus e  santificação dos fiéis... “A MS será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica” (SC 112) – do sacro ao santo, ao litúrgico... Do conteúdo genérico, geral, religioso, à música com finalidade exclusivamente litúrgica, a serviço do Mistério, da Palavra, do rito, música para a liturgia. Assim, a santidade da música vem de sua “sacramentalidade”, na dimensão do visível e sensível, quando o gênio, a arte, a técnica e a execução musical revelam de forma humana o Mistério Divino celebrado – JESUS CRISTO  “ é a Imagem que se vê, a Palavra que se escuta, o Pão que se consome no interior do tecido eclesial”, na Igreja,  quando celebramos o mistério da fé. O Concílio: “Cristo está sempre presente na sua Igreja, e de modo especial, nas ações litúrgicas. Por isso, cada ação da Igreja, unida a Cristo, é ação santa. Na liturgia, a música não se canta nem se venera a si mesma, mas se torna epifania –glória do mistério celebrado: “Deus canta o seu Verbo e concede-o; o artista  encarna o Verbo e canta-o”. (L´Osservatore Romano, 17 de janeiro 2004  “Música Santa para a Liturgia”).
-         correção e singeleza das formas:/ beleza  expressiva da oração - o texto da SC diz que a Igreja  “aprova e admite no culto todas as formas  de verdadeira arte, dotadas das devidas qualidades” : sentido da oração,  da dignidade e da beleza. “Os cantos e as músicas devem corresponder às legítimas exigências de adaptação e inculturação”, evitando a leviandade e a superficialidade. João Paulo II nos diz da “Necessidade de purificar o culto de dispersões de estilos, das formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco condizentes com a grandeza do ato que se celebra.”
Quanto ao texto: sem academismos nem vulgaridades! Nem sofisticação da linguagem nem expressões regionalistas inadequadas a um repertório comum. Inspiração bíblica: Sagrada Escritura e a própria Liturgia - fontes bíblicas e litúrgicas,  levando em conta a vida e realidade do povo. O texto deve  focalizar a função ministerial, a festa, o tempo litúrgico... estar mais na linha do louvor gratuito, ação de graças, súplica e perdão, numa linguagem dialogal e orante, e não moralizante ou catequética. Leve em conta a dimensão comunitária e social.
A Igreja oriental possui  hinos litúrgicos  riquíssimos. A  Igreja ocidental, romana adotou o  latim, língua concisa, difícil de traduzir... Após o Vaticano  II, convocados  a compor cantos para a liturgia, as composições muitas vezes, tiveram uma débil sustentação tanto teológica, como doutrinária e espiritual, além de pouca qualidade musical. A música deve ajudar a penetrar no mistério, num crescendo...(Exemplos – Vigília Pascal, recolhida... de repente um aleluia em ritmo de twist, desconcentrando... Comunhão – canto de adoração à Eucaristia... O canto de entrada “Mãezinha do céu” em plena festa de Pentecostes!...)
Quanto à melodia: (linguagem privilegiada, que fala à alma, toca o mais íntimo... arte do tempo e do som, a mais abstrata, por isso a mais espiritual  e  divina das artes), deve ser simples mas bela -  a  simplicidade não se opõe à qualidade. Necessidade de assessoria técnica – características rítmicas e harmônicas;  conteúdo de melodia e texto correspondam aos diversos momentos da ação litúrgica. Deve ser nobre e ao mesmo tempo despojada do mundano, pois sua função é sublinhar, revelar o sentido das palavras, “favorecendo melhor interiorização do mistério que se celebra, realçar o texto, provocar o louvor, a súplica, o perdão, a interiorização, a aclamação, a entrega, a comunhão...A música  é um dos caminhos mais curtos para o encontro entre Deus e o homem...” A Música é “serva humilde” (conforme Bach e Pio X), mas “serva extremamente nobre” da liturgia, no dizer do Papa Pio XI em sua Constituição Apostólica Divini Cultus (1928): “O canto e a música são a “encarnação” da Palavra revelada, do diálogo salvífico... uma experiência or
a
nte feita pela Igreja que celebra o mistério pascal de Jesus Cristo.”  Deve favorecer o canto do povo.
-         Entre os gêneros preferidos, está o Canto Gregoriano, mas  também os outros gêneros de música sacra, sobretudo a polifonia e o canto popular religioso. Quanto a este, diz a SC: “O canto popular, de fato, constitui um vínculo de unidade, uma expressão alegre da comunidade orante, promove a proclamação de uma única fé e dá às grandes assembléias litúrgicas uma incomparável e recolhida solenidade.”
Admirável a afirmação: “Graças à palavra, a música pode nomear a Deus de Jesus Cristo; graças à música, a voz humana pode pronunciar o inefável.! (Universa Laus, citada por Antonio Alcalde). Portanto, os três grandes tesouros da música sacra são: o canto gregoriano,  a polifonia sacra e  o canto popular religioso.
Relação entre música e Palavra – a Palavra tem uma função central. Nosso culto único e definitivo é Jesus Cristo; Ele é a Palavra definitiva. E essa palavra com que o Filho ( e nós, nele, com ele, por ele), responde em obediência ao Pai, faz com que a Liturgia tenha essa estrutura dialogal: Palavra entregue, proclamada, que responde como oferenda espiritual..... Palavra plena, palavra-música, que “sai do coração e chega até o coração” (Beethoven).

Como deve ser a música litúrgica:
-         fácil e simples (não vulgar nem simplória)
-         melódica e não estridente (não pegajosa)
-         diatônica e de estilo silábico (cada sílaba corresponda à sua nota musical)
-         clareza de tom e modo
-         evoque um mundo de mistério e transcendência
-         esteja a serviço da palavra, cantando-a com clareza; aderência!
-         Penetre e vivifique a palavra, meditando e aprofundando o texto.
O silêncio sagrado – função musical do silêncio: pausa reflexiva, de concentração, de eloqüência do interior (ato penitencial, oração, após leituras, relato da  Paixão, após a Comunhão...) x barulho, agitação, ruído...Só sabe cantar quem sabe silenciar para ouvir Deus. É um silêncio fecundo...
-         As exigências da própria liturgia: “O canto da liturgia é Palavra que se faz canto, canto que nasce do coração em que o Verbo se encarna por obra do Espírito Santo”. Deve exprimir a solenidade da celebração e a unanimidade da assembléia, tendo como finalidade a glória de Deus e a santificação dos fiéis.
Frei Alberto Beckäuser, citando o Cardeal Daneels, em artigo, diz: “A Liturgia não nos pertence... ela é de Deus,  dom oferecido à humanidade por  Cristo e em Cristo. Não somos nós que a fazemos, ela é que nos faz. Não a possuímos, é ela que nos possui... devemos  deixar-nos conduzir por ela. Quem celebra e faz memória é a Igreja, que celebra a Sagrada Liturgia de JC, seu serviço de salvação da humanidade, que ele realizou por sua Encarnação, Paixão-Morte, Ressurreição e Ascensão aos céus... Celebramos através dos gestos, sinais, símbolos ( pessoas concretas,  a Palavra, elementos da natureza, objetos,  gestos e posturas do corpo, o tempo da Liturgia e a Liturgia no tempo, a linguagem do silêncio, da arte do tempo que é a música, o canto... Todos os sinais, símbolos, ritos –  são formas de viver a comunhão com Deus, de fazer a experiência com o Senhor.(Mistério é o próprio Deus. Comunhão de vida e de amor que nos é comunicado.)
-         A participação da comunidade – tomar parte, ser participante... A assembléia toda, como povo profético, sacerdotal e real, tem direito e dever de participar da Sagrada Liturgia – participação consciente (formação litúrgica) ativa (escuta e silêncio -  escuta da Palavra,  e palavras, gestos, canto... os 5 sentidos participam)  e plena  ( de corpo e alma, ser inteiro...) de maneira frutuosa  (frutos de vida, amor, conversão)... A assembléia tem a PRIMAZIA!
-         Resumindo – as características da música sacra/ litúrgica (João Paulo II, no seu Quirógrafo, retomando Pio X): “A ML deve, de fato, responder aos seus requisitos específicos: a plena adesão aos textos que apresenta, a consonância com o tempo e o momento litúrgico para o qual é destinada, a adequada correspondência aos gestos que o rito propõe. Os vários momentos litúrgicos exigem, de fato, uma expressão musical própria, sempre apta a fazer emergir a natureza própria de um determinado rito, ora proclamando as maravilhas de Deus, ora manifestando sentimentos de louvor, de súplica ou ainda de melancolia pela experiência de dor humana, uma experiência, porém, que a fé abre à perspectiva da esperança cristã.” (n. 5)

3. Relação entre música e rito -  Três tipos de canto na Celebração, em grau de importância:
a)      Missa em Canto – Cantos do presidente da Celebração e dos ministros em diálogo do Ordinário com a assembléia: saudação inicial do presidente, oração do dia, introdução  ao Evangelho- diálogo, oração sobre as oferendas, prefácio, as diversas aclamações na Oração Eucarística,Oração do Senhor (Pai Nosso) – introdução e prolongamento (embolismo), oração e saudação da paz, oração após a comunhão, as fórmulas de despedida.
b)      Os cantos que constituem o rito:- As Partes do Comum da Missa, chamadas Partes Fixas, os Cantos do Ordinário, cantados  em comum, pelo presidente, os ministros e toda a assembléia: Senhor, tende piedade de nós- Kyrie, Glória, Salmo responsorial,  Creio (Símbolo dos apóstolos),  Preces, Santo, aclamação memorial, doxologia final.
c)      Os cantos que acompanham o rito – As partes próprias de cada Missa: (o próprio da Missa) canto de abertura, aspersão do povo, aclamação ao Evangelho, resposta da oração universal dos fiéis, canto das oferendas, fração do pão (Cordeiro de Deus) e canto da comunhão. Ainda: Canto da paz,  após a comunhão e louvor final, facultativos.

Observações:
1)      Os cantos que constituem o rito são mais importantes que os que acompanham o rito. Vantagem: não precisar de papel, e sim cantados “de cor”, favorecendo a comunicação.
2)      Não devem ser substituídos por paráfrases, outros cantos...
3)      Melodias respeitem os diversos gêneros e formas: diálogos, proclamação de leituras,  salmodias, antífonas,  hinos e cânticos, aclamações (Aleluia, Santo, Amém, intraduzíveis...) Outras formas: balada, lied, coral, spirituals, nossas canções...
4)      Equilíbrio entre as partes cantadas, usando a criatividade, dependendo da festa ou solenidade, da assembléia, das possibilidades...
5)      Repertório adequado à comunidade – sensibilidade, bom senso, escolha criteriosa.
6)      Na escolha dos cantos, não fazer opção pelo novo, mas pelo melhor...”Busquemos o melhor, e o melhor será o novo”.Santo Agostinho nos diz que “É melhor cantar um canto velho com um coração novo do que cantar um canto novo com um coração velho.” 
7)      Equilíbrio entre cantar tudo e entre cantar nada. Os mais importantes: Santo, Amém (Doxologia – Aclamações) e o Salmo.
8)      Cantar A liturgia, não NA liturgia, um canto qualquer, dispersivo... mas o rito, a Palavra, a festa, o mistério celebrado.

4. Função ministerial da música e do canto:
a)      Canto processional de Entrada (acompanha o rito, o movimento, a procissão) conforme Santo Agostinho: “Canta e caminha!” Finalidade: constituir e congregar a assembléia, introduzindo-a no mistério a ser celebrado – tempo litúrgico, sonorizar o caráter festivo da celebração, fomentar a união dos fiéis, dar o tom da celebração. O Missal Romano diz: “... seja adequado à ação sagrada ou à índole do dia ou do tempo litúrgico”, elevando seus pensamentos à contemplação do mistério litúrgico. Pode ser usada a antífona com seu salmo (Gradual Romano) ou outro canto, executado pelo povo ou alternando grupo coral e povo. Características: ser de grande amplidão, alegre e vibrante, de preferência em tom maior, ritmo binário (hino ou canto estrófico: refrão e estrofes), de preferência a uma só voz, para facilitar o canto do povo. Santo Agostinho descreve o início da missa da Páscoa de 426, em sua catedral de Hipona: “Dirigimo-nos para onde estava o povo; a igreja estava superlotada, nela ressoavam os gritos de alegria: Graças a Deus, Deus seja louvado! Ninguém se mantinha calado... Saudei o povo: as aclamações recomeçaram, com ardor multiplicado. Por fim fez-se silêncio, e foi lida a passagem das divinas escrituras relacionadas com a festa.”  (do livro De Civitate Dei)
b)      O rito penitencial – Senhor, tende piedade ou Kyrie eleison -  é uma aclamação suplicante endereçada a Cristo, o Senhor, louvando-O e à sua misericórdia. Pertence aos cantos rituais, constituindo o próprio rito da celebração (Ordinário da Missa) Não é o Ato Penitencial, mas sim uma doxologia ou proclamação da bondade e misericórdia de Deus, cantado após o Ato Penitencial e a absolvição, a não ser que já tenha participado do mesmo, através das várias fórmulas apresentadas pelo Missal Romano, como variante deste.  Historicamente o Kyrie eleison  parece provir da Oração dos fiéis, com caráter de ladainha. Após o Concílio Vaticano II: “É um canto mediante o qual os fiéis aclamam o Senhor e imploram sua misericórdia.” Quando São Dâmaso mudou a missa do grego para o latim, deixou o Kyrie imutável, em grego, e assim atravessou os séculos. Seria completamente alheio a seu caráter substituir o Senhor por um hino, estrófico ou não. (Kyrios foi o nome mais comum dado a Cristo Ressuscitado pelos primeiros cristãos). Farão parte dele o povo e os cantores. Importa não acentuar demais o aspecto penitencial na Celebração Eucarística, evitando também paráfrases e outros cantos penitenciais.
c)      Glória – Diz a Introdução do Missal Romano: “O Glória é um hino antiqüíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro, portanto de caráter doxológico (louvor, glorificação).É cantado de forma direta  pela assembléia dos fiéis ou pelo povo em alternância com os cantores, ou ainda só pelo coro.” ( n.53) É uma das peças mais antigas da Missa, incorporada pela igreja  romana no século II, por ocasião do Natal. Sua nota dominante: o júbilo, louvor confiante e alegre... Como hino que é, deve ser cantado. Pode ser dividido em três partes: a) o canto dos anjos, na noite de Natal; b) os louvores a Deus Pai; c) os louvores seguidos de súplicas e aclamações a Cristo, o Cordeiro, o Kyrios , o Senhor. Canto em prosa , conforme Missal Romano, há várias melodias. Metrificado pela CNBB, outras tantas. Evitar os “Glorinhas”, trinitários, que abreviam o conteúdo rico do mesmo. Não deve ser substituído por outro canto de louvor, pois faz parte dos cantos rituais, é o próprio rito. Santo Agostinho nos dá as características do Hino, que são três:É um canto com louvor a Deus, que pois, deve constar do seguinte: do canto, do louvor e de que seja dirigido a Deus.”
d)      Salmo Responsorial – O costume de se cantar o salmo após a leitura remonta aos primeiros séculos do cristianismo, prática herdada do culto da  sinagoga judaica. Santo Agostinho fala do valor do salmo cantado durante a liturgia da palavra, como uma “leitura cantada”. Faz parte integrante da Liturgia da Palavra, como resposta orante da comunidade à proposta e às maravilhas proclamadas por Deus  na primeira leitura,  e deve ser cantado de forma dialogal, o texto de preferência extraído do Lecionário, que é a nossa Bíblia litúrgica.  Importância da função do salmista, ao mesmo tempo ouvinte e ministro da Palavra; ele  proclama o salmo no ambão – mesa da Palavra. O salmo é a proclamação da Palavra cantada, por isso requer-se o mínimo de preparo técnico e vocal , litúrgico e musical do salmista. Devido à sua importância, não deve ser omitido nem substituído por “canto de meditação”. É um canto  ritual interlecional,  cantado entre as leituras..
e)      Aclamação ao Evangelho, o “Aleluia” - adaptação portuguesa do Halelû Yah = Louvai Javé. Portanto, convite ao louvor jubiloso, através do qual a assembléia  dos fiéis acolhe o Senhor que vai falar no Evangelho; como um “viva” pascal ao Verbo de Deus, que nos dirige palavras de vida eterna.  É uma solene e jubilosa profissão de fé cantada, aclamando Jesus Cristo. Portanto, sendo aclamação,  é um grito com que exteriorizamos nossos mais profundos sentimentos e  experiências de vida, projetando-nos para fora de nós, algo que espontâneo brota do interior e se faz  exclamação, grito de júbilo. Por isso, deve ser breve, denso e sonoro. Também por isso mesmo, só pode ser cantado, não se lê, não se diz, só se   canta... O ideal: Aleluia (todo o povo)  + versículo do dia ( solista ou coral)  É aclamação-júbilo. (As aclamações são importantíssimas para a participação do povo). Na Quaresma é substituído por outra aclamação, mas também vibrante e sonora. É cantado por todos, de pé, podendo acompanhar a procissão com o Evangeliário, do altar para o ambão, hoje já tão em uso nas nossas liturgias. (Aclamar = aplaudir, aprovar entusiasticamente... Nossas Missas com o Papa...) Pode-se repetir a aclamação como resposta ao Senhor que nos falou, no final do Evangelho.
f)       Credo – A profissão de fé é menos apta para ser cantada por toda a assembléia, mas a Instrução Geral do Missal Romano prevê: “O símbolo deve ser cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo aos domingos e solenidades; pode-se também dizer em celebrações especiais  de caráter mais solene. Quando cantado, é entoado pelo sacerdote ou se for oportuno, pelo cantor ou pelo grupo de cantores; é cantado por todo o povo junto, ou pelo povo alternando com o grupo de cantores.” Foi introduzido lentamente na liturgia da Missa. Chegou a Roma pelo século X, embora na Espanha já fosse aceito no  século III . A partir do canto polifônico, se tornou uma peça musical brilhante. Os documentos dizem que não existe obrigação de cantá-lo, pois não é hino nem aclamação, mas sim profissão de fé. Se for cantado, “procure-se fazê-lo como de costume, todos juntos ou alternadamente”. Existe a possibilidade de cantar a fórmula mais breve, denominada “símbolo apostólico”, mas não pode ser substituído por canto religioso. É possível utilizar traduções adequadas nas missas com crianças. “Tem como finalidade exprimir o assentimento do povo como resposta à Palavra de Deus escutada nas leituras e na homilia e, ao mesmo tempo, recordar-lhe a regra de fé, antes de começar a celebração da Eucaristia.” É a afirmação da unidade da fé, não só através das diferentes comunidades, mas através dos tempos.
g)      A oração universal, Preces  - A restauração da Oração Universal foi dos melhores êxitos da reforma litúrgica. Afirma o Ordo da Missa: “Na oração universal ou oração dos fiéis,  o povo reza por todos, exercendo deste modo o seu múnus sacerdotal.”.A ordem é a seguinte: a) pelas necessidades da Igreja; b) pelas autoridades civis e pela salvação do mundo; c) por aqueles que sofrem dificuldades; d) pela comunidade local.  É uma herança da tradição judaica, que gostava de acrescentar às bênçãos orações de súplicas, e desde o início do cristianismo foram aceitas e multiplicadas... Pode ser considerado como parte do Ordinário da Missa. Nem sempre as Preces vão ser cantadas, mas o seu canto lhes dará uma solenidade e intensidade especiais. Podem ser cantadas de vários modos, com diversas fórmulas propostas e respostas pelo Missal Romano, salientando o refrão cantado por toda a assembléia. A introdução, as preces e a conclusão são recitadas.
h)     Canto das oferendas - ( Liturgia Eucarística) – Preparação dos dons. É canto que acompanha a apresentação dos dons do pão e do vinho, facultativo e tem verdadeiro sentido quando houver a procissão das oferendas para o altar.  Diz a Instrução do Missal: “O canto das oferendas acompanha a procissão das oferendas e se prolonga pelo menos até que os dons tenham sido colocados sobre o altar.” Portanto, não deve se prolongar, uma vez que acompanha o rito da procissão com os dons. Não é um canto para oferecer o sacrifício: a única oferta é Jesus Cristo e nós, “por Ele, com Ele e nEle”, em sacrifício vivo e santo; é,  sim, canto para apresentar os dons e preparar a mesa do altar, após a liturgia da Palavra... Por isso, evitar os “cantos de ofertório”. Momento com muitas possibilidades, dependendo da solenidade ou da festa: um hino a Jesus Cristo, ao Espírito Santo, a Maria ou outro; um solo de órgão ou outro instrumental,  um dueto vocal, o coro,  além de responder cantando  à oração de bênção: “Bendito sejais,  Senhor Deus do Universo...” (Os momentos da preparação dos dons: a apresentação do pão, a apresentação do vinho, a mistura da água e do vinho, as outras oferendas – nossa partilha fraterna, e a oração sobre as oferendas. A apresentação dos dons  é o pórtico de entrada da oferenda eucarística).

i)      
Sanctus, a aclamação do universo (A Oração Eucarística – Introdução: antífona, Cânon, oração eucarística)Tem sua origem no Oriente, século II. O texto bíblico: um manto de retalhos, uma compilação de textos bíblicos– As duas primeiras aclamações, tiradas de Isaías,de sua visão dos anjos prostrados diante do altar... “Toda a terra está cheia de sua glória”Hosana.do hebraico Hosiah-na= dá a salvação,do salmo 118,25 Senhor, dai-nosa salvação!”Nas alturas = Deus que habita os altos céus... Bendito o que vem: Sl 118,26, que a tradição transformou numa aclamação messiânica: Bendito O que vem em nome do Senhor!”, festejando e aclamando o Senhor, quando de sua entrada em Jerusalém. (Mt 21, 9). Portanto, o clima bíblico do Santo é de celebração gloriosa: teofania (manifestação de Deus), deve produzir expressão exuberante de alegria,aclamação jubilosa, unânime e solene com que se conclui o prefácio (que inicia a oração eucarística, e devia ser cantado).O santo, como o salmo e o Amém doxológico, é o principaldos cantos do Ordinário da missa. É a primeira aclamação da assembléia na prece eucarística, e como hino-aclamação, deve ser profundamente festivo e jubiloso, evocando a aclamação entusiastado povo no dia de Ramos, a parusia gloriosa no fim dos tempos, ambiente de festa em que céu e terra se unem, reunindo num louvor cósmico e universal, os santos do céu e a Igreja da terra.Segundo o Apocalipse, o Sanctus é a aclamação da liturgia celeste.A assembléia deveria ficar à vontade e alegre, ao cantar esse louvor solene, sentindo-se intérprete fundamental desta aclamação, a primeira e mais importante a ser cantada pela comunidade.A melhor forma de cantaro Santo é a forma direta.Não deve ser substituído por “versões tão livres que não correspondam à doxologia bíblica.”

j)       
Aclamação MemorialEsta aclamação, tal como a conhecemos hoje, foi inserida após o Vaticano II.  Logo após a narrativa da Instituição, o presidente canta ou diz: “Eis o Mistério da fé!” e todos aclamam,de pé, comopovo  ressuscitado em Cristo: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte...” ou “Toda vez que se come deste pão...” ou ainda “Salvador do mundo...” , proclamando sua fé em tom aclamativo, fazendo memória do mistério pascal de Cristo – sua vida e mensagem salvadora, sua paixão e morte, ressurreição e ascensão ao céu, enquanto aguarda a sua vinda gloriosa.Tem, portanto, um caráter pascal, diferente daquele cunho dramático-devocional, que perdurou por séculos em nossa liturgia, com relação à narrativa  da instituição, antes do Concílio Vaticano II. Não pode ser substituída por cantos de adoração ou benditos...Segundo Antonio Alcalde, em seu livro “Canto e Música litúrgica”, qualquer das três aclamações é válida. Mas recomenda: Advento e Natal “Anunciamos, Senhor...”; Quaresma e Páscoa Salvador do mundo... “; Tempo Comum-“Toda vez que se come...”, mas a primeira é a mais usada nos domingos.(Também chamada de Anamnese, do grego= lembrança, comemoração).

k)     
Aclamação à doxologia final - O grande Amém - Ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Conclui a Oração Eucarística: Ao “Por Cristo, com Cristo, em Cristo...”, recitado ou cantado pelo presidente, enquanto eleva ao Pai  com bastante expressividade o pão e o vinho transformados em Corpo e Sangue do Senhor, portanto  em Eucaristia e ação de graças, a assembléia deve  aderir e prorromper  com o “Amém”, muito vibrante e solene, repetido várias vezes, cantandoportanto,  e podendo-seaplaudir. Este amém nos lembra nossa dignidade de povo sacerdotal, participando com ele da prece eucarística.Lembra-nos Santo Agostinho: “Seu amém é sua assinatura, éseu consentimento, é seu compromisso.” E São Jerônimo recorda-nos que esse Amém  “ressoava como um trovão”nas basílicas romanas.É o movimento do universo rumo à eternidade de Deus, aquilo que o gesto da doxologia quer significar. “Toda a criação nasce do coração do Pai, como fruto do Seu amor. Toda a criação alcança a sua existência por Cristo, primogênito de toda criatura” (Col 1, 15).Toda a criação é habitada pelo Espírito que a enche do Seu amor.”(Lembra Pe. Busch os pedaços da vida que vamos oferecendo,o amém davida inteira entregue... AMEM! ALELUIA1) Nosso Papa João Paulo II-sua última palavra: Amém! SEMPRE  devia ser CANTADO, pois é de fundamental importância. Há várias fórmulas no Missal.

l)      
Pai Nosso: aoração dos filhos – Chegou até nós por dupla tradição:Mateus 6, 9-11 e Lucas 11,2-4. São sete petições, das quais as três primeiras “celestes” – Deus, sua Vontade e seu Reino,   e as quatro seguintes “terrestres”, pois dizem respeito a nós, humanos. O próprio Jesus nô-la ensinou, dirigindo-se a Deus como Abba, Pai!”. Provavelmente foi introduzido na Missa com Santo Ambrósio, pelo século IV.  A celebração eucarística é em si mesma louvor dos filhos ao seu Pai do céu.Pode-se cantar o Pai Nosso, numa melodia simples, em forma de cantilena, ou gregoriano. Sendo um texto bíblico, não deve ser substituído por paráfrases ou outros textos. O Pai Nosso na Missa não é conclusivo, e sim nos introduz ao rito da comunhão. Por isso não se diz Amém no final.

m)   
Embolismo-“Livrai-nos de todo o mal, Senhor!” – A palavra vem do grego(embolisma – peça aplicada a um vestido, a um desenvolvimento literário, a partir de um determinado texto). Assim, O Pai Nosso termina commas livrai-nos do mal.” E o embolismo prossegue, acrescentando-lhe Livrai-nos de todo o mal, Senhor...”,  o que parece remontar ao tempo de São Gregório, pelo século VI.  Pergunta-se: seria necessário completar a palavra de Jesus?... Não basta o Pai Nosso?... E continua: “enquanto esperamos a vinda de Jesus Cristo, nosso Salvador... enquanto aguardamos a jubilosa esperança e a vinda gloriosa do nosso Salvador, Jesus Cristo.O embolismo termina pela doxologia  “Vosso é o reino e o poder e a glória para sempre, que não faz parte do Pai Nosso de Mateus, mas foi inserida pelo século II, muito usada nas igrejas do Oriente, assim como pelos protestantes e anglicanos. O novo Missal,Romano integrando-a na nossa liturgia, une-se à tradição das outras Igrejas cristãs.

n)     
O rito da PazO Missal explica: Os fiéis imploram a paz e a unidade para toda a Igreja e para toda a família humana; e saúdam-se uns aos outros, em sinal de mútua caridade.(56) Consta de três elementos: a oração pela paz, a saudação, à qual a assembléia responde “O amor de Cristo nos uniu”  e o gesto da paz, que é facultativo. Não faz parte da tradição litúrgica entoar-se um canto durante a saudação. Mas este sinal de fraternidade foi muito bem acolhido pelo povo, tornando-se um dos elementos de maior participação de toda a assembléia. Se há um canto durante a saudação da paz, queseja curtoe leve,enão tenha  um conteúdo de fraternidade e amizade apenas, mas um anúncio de que Jesus traz a verdadeira paz.  “Ele é nossa paz.”(Ef 2, 34).Portanto, deve referir-se a Cristo, à paz do Ressuscitado. Não deve ofuscar nem invadir o canto que acompanha o rito da fração do pão, o “Cordeiro de Deus”.A questão está na seleção dos cantos apropriados para este momento...Cuidado para não abusar dos cantos de paz, deixando-os para os dias mais solenes, festas especiais, optando de preferência por cantar o Cordeiro de Deus, ao realizar a fração do pão.

o)     
Cordeiro de Deus- Foi introduzido na Missa pelo Papa Sérgio,no século VIII, inspirando-se nas palavras de João Batista, ao saudar Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo...”, e com acentos de glória e louvor tirados do Apocalipse, onde o Cordeiro aparece com toda a sua majestade pascal. De início, um canto litânico, a invocação era repetida enquanto durasse o rito que ela acompanhava. No século XI as invocações foram limitadas a três, sendo que a última conclui com o “Dai-nos a paz!” O Missal Romano acrescenta: Pode repetir-se o número de vezes que for preciso, enquantodurar a fração do pão.”(n.63) Compete ao povo/ animador do canto/ coral e não ao sacerdote,  entoar este canto,  acompanhando o partir do pão para a comunhão,preparando-se a assembléia para participar do banquete pascal do Cordeiro imolado e glorioso, ele nossa paz.

p)     
O Canto  processional da ComunhãoAcompanha o rito da Comunhão, sendo o canto mais antigo da missa, aparecendo já em Roma no século IV. Inicialmente se entoava o Salmo 34 (33) “Provai e vede como o Senhor é bom. Feliz de quem nele espera, nada lhe falta, será feliz.”(Foi minha primeira composição, em 1969, e está gravada num simples compacto, que guardo como relíquia.  Vale a pena registrar...) São Jerônimo nos fala deste canto, que com o tempo,  foi cantado após a comunhão, o chamado postcommunio. Diz a Introdução Geral ao Missal Romano: “Enquanto o sacerdote e os fiéis recebem o Sacramento, tem lugar o canto da comunhão, canto que deve expressar, pela união das vozes, a união espiritual daqueles que comungam, demonstrar ao mesmo tempo a alegria do coração e tornar mais fraternal a procissão dos que vão avançando para receber o Corpo de Cristo. Ocanto tem início quando o sacerdote comunga, prolongando-se enquanto os fiéis comungam até o momento que pareça oportuno. Um canto adequado à comunhão deverá corresponder ao sinal que está sendo realizado:  a refeição fraternal do Corpo e do Sangue de Cristo, na fraternidade e alegria da participação do banquete eucarístico. Uma assembléia que caminha cantando em busca do dom gratuito e generoso do Pai que se senta à mesa com seus filhos e a todos alimenta com o Seu Filho Jesus,  é símbolo de uma Igreja a caminho, alegre e festiva. Agora e aqui na terra, todos “convidados para a Ceia do Senhor; e um dia, jubilosos convidados para as Bodas do Cordeiro, o Cristo glorioso, no céu... Portanto, não são apropriados os antigos cantos de adoração ao Santíssimo Sacramento, nem cantos subjetivos e intimistas, de mensagem genérica.Na medida do possível, esteja em consonância com o evangelho proclamado: a Palavra se faz Eucaristia! É normal que os cantos de comunhão tenham, de alguma forma, a participação de toda a comunidade.A respeito do grupo dos cantores, que é sempre uma questão com muitas dúvidas,diz o Missal Romano:“O grupo dos cantores , segundo a disposição de cada igreja, deve ser colocado de tal forma que se manifeste claramente sua natureza, isto é, que faz parte da assembléia dos fiéis, onde desempenha um papel particular; que a execução de sua função se torne mais fácil; e possa cada um de seus membros facilmente obter uma participação plena na Missa, ou seja, participação sacramental. (n.312)Não há necessidade de multiplicar cantos durante o rito da comunhão: silêncio, alternância entre canto e instrumento, algum solo, repetição do refrão, convém mais,  refletindo a unidade do mistério celebrado e da assembléia como um todo.

q)     
O canto após a ComunhãoOMissal Romano lembra a possibilidade de entoar um salmo, hino, refrão orante:Terminada a distribuição da Comunhão, se for oportuno, o sacerdote e os fiéis oram por algum tempo em silêncio, recolhimento, interiorização.Se desejar, toda a assembléia pode entoar ainda um salmo ou outro canto de louvor ou hino. (n.83)É um canto facultativo,não necessário, e às vezes nem desejável, quando já houve um canto de comunhão, com participação do povo, que se prolongou por algum tempo. (Estudo 79 da CNBB), não cabendo neste momento Oração pelas vocações, Ave-Marias, homenagens...(Homenagens e avisos são feitos após a Oração, antes da bênção final). Tem-se estimulado ultimamenteem nossas igrejas o refrão bíblico, que pode ser entoado por um solista, ou grupo de canto, envolvendo aos poucos toda a assembléia, num clima orante, brotado do silêncio. Equilíbrio, bom senso, sensibilidadesão sempre o melhor caminho  para dosar canto e silêncio, levando a assembléia ao encontro com Deus.

r)      
Louvor FinalNão está previsto o chamado “canto final”,não faz parte da estrutura da missa,após a bênção e despedida do sacerdote,uma vez que com o “Ide em paz”, a assembléia está dispensada. Na saída do povo,o mais conveniente seria um órgão ou   música instrumental, como acontece nas igrejas da Europa., ou uma bela intervenção do coro/grupo de canto...Mas nosso povo de certa forma o incorporou ao seu repertório litúrgico,de modo que pode-se entoar  um canto devocional – a Maria, ao santo padroeiro, ou outro, em vista da missão,  de caráter mais livre.


5. O ministério da música e do canto

  
O canto não deve ser considerado como mero ornamento  que se acrescenta à oração, como algo extrínseco, mas antes como algo que emana do profundo do espírito daquele  que trabalha e louva a Deus, e mostra de maneira plena e perfeita a índole comunitáriado culto cristão. (IGLH 270).O ministério do canto é exercido por todos os membros da assembléia , de acordo com suas diferentes funções litúrgicas. Há cantos que cabem a toda a assembléia, outros que cabem ao ministro, ao coro, ao grupo de canto, ao salmista, sendo que a função do animadorou dirigente do canto é muito especial.

a)     
A assembléia, comunidade celebrante -“Nada mais festivo  e mais grato nas celebrações sagradas do que uma assembléia  que, em seu conjunto, exprime sua fé e sua piedade por meio do canto.”(MS 16)A assembléia é o ministro principal da música e do canto. Todos  - ministros, cantores e povo formam uma grande comunidade, sinal da assembléia  universal e definitiva  em que “toda criatura , do céu e da terra,  cantará  “Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, louvor, honra e glória pelos séculos dos séculos.” (Ap5, 13). B. Huijbers, em seu “L`art du peuple célebrantO canto comum é um termômetro que marca o grau de participação de uma assembléia... Não se trata aqui de uma obrigação, mas sobretudo de uma graça. Cantar com os outros pressupõe que a pessoa se entregue e revele algo íntimo... A celebração  assume sua verdadeira imagem quando todos começam a cantar juntos.A renovação litúrgica do Vaticano II tem sua principal razão de ser na participação do povo de Deusno mistério de Deus que se realiza na liturgia. O povo tem o direito e o dever a esta participação.” (SC 14) Todos os serviços e ministérios nascem da comunidade e a ela se destinam., para sua melhor participação e crescimento espiritual e a “edificação do  Corpo de Cristo.”Portanto, a assembléia tem a primazia na participação pelo canto!

b)     
O coral e o seu ministério na comunidade A Ordenação Geral do Missal Romano diz que “Entre os fiéis, o coro e os cantores exercem um ofício litúrgico próprio, tendo sempre em vista favorecer a participação ativa dos fiéis no canto.” O coro desempenhaum verdadeiro ministério, em benefício da própria comunidade, sobretudo:1) pela valorização da liturgia cantada (MS 5); 2) pela observância do sentido e da natureza própria de cada rito e canto (MS 6); 3) pela necessidade de variação nas formas de celebração e de participação (MS 10); 4) pelo auxílio que presta à participação do povo (MS 19 ).

c)     
O animador do canto e seu ministério na comunidade Providencie-se haja ao menos um ou outro CANTOR, devidamente formado, o qual deve então propor ao povo ao menos as melodias mais simples, paraque este participe, e deverá oportunamente dirigir e apoiar os fiéis. Convém que haja tal cantor também nas igrejas dotadas de coral.(MS  21). É importante haver um bom ensaiador-animador, pois dele depende em grande parte a boa participação cantada do povo. Alguém que tenha verdadeira capacidade de comunicação, que exteriorize sua liderança, que faça vibrar toda a assembléia com seu próprio entusiasmo; alguém afinado, cuja voz possa chegar a todos , movendo-os com seu dinamismo e convicção. O bom animador/dirigente/guiadeve preocupar-se com seu volume e tom de voz, sua vocalização, sua expressão corporal  (expressão do rosto, gestos e posição), seu lugar no interior da assembléia, o uso do microfone. Não bastam a boa vontade e a fé para uma boa interpretação do canto como animador – animar não como numa festa ou show, mas o momento da celebração exige outro tipo de animação. Cesário Gabarain nos dá algumas orientações: Deve ficar num lugar visível, mas ao mesmo tempo discreto. Bem visível para que possa transmitir devoção, segurança e confiança. Discreto para nunca se transformar no centro da celebração...”

d)     
Instrumentistas  e seu ministério na comunidade -  “Os instrumentistas podem ser de grande utilidade na liturgia, quer acompanhando o canto, quer sem ele.” (MS  25), à medida que prestam serviço à Palavra cantada, ao rito e à comunidade em oração. O instrumento, como a voz humana, não deve em si ser classificado como sacro ou profano. Vai depender do uso que dele fazemos, do contexto em que tocamos, da integração do mesmo na Celebração, nos diversos ritos e momentos celebrativos.Os documentos da Igreja abrem espaço para a inculturação: “Para admitir e usar instrumentos na liturgia, deve levar-se em conta o gênero, a tradição e a cultura de cada povo.” (MS 63) Algumas funções: sustentar o canto, facilitar a participação  e criar a unidade da assembléia, com a advertência de que o som dos instrumentos jamais cubra as vozes, de modo que os textos e a mensagem sejam claramente ouvidos e compreendidos. Quanto aos instrumentistas, o documento sobre a Música Sacra adverte também: “... não somente sejam virtuoses no instrumento que tocam, mas tenham entranhado conhecimento do espírito da liturgia  e dele estejam penetrados.”  Assim, além da qualificação técnica, espera-se que tenham formação litúrgico-musical básica, e vivência litúrgica, para que possam melhor exercer sua função, servindo à liturgia,  e não se servindo dela para promoção pessoal. Três coisas importantes para isso: unidade entre o gesto corporal, o sentido teológico e a atitude espiritual. Portanto,  “tocar um instrumento exige atitude espiritual, envolvimento na ação litúrgica, por sua atenção e participação ativa e consciente.” (Estudo 79 da CNBB). Todos os instrumentos são acolhidos e bem-vindos na Celebração. O órgão  ocupa   certamente o primeiro lugar, pois é o instrumento básico na liturgia ocidental, citado em todos os documentos da igreja. Mas não é o único, e nem sempre foi assim... Gino Stefani, em seu livro “A aclamação de todo um povo”, nos fala dos instrumentos que têm principalmente um papel, uma função de “sinal”, de “som-sinal”, isto é, aqueles que não atraem a atenção sobre si, com o objetivo de espetáculo, mas que apontam para outra realidade, com  função ritual, indicando o gesto, a ação, dando-lhe assim a importância que merece. Entre eles: os sinos (tubulares, hoje usados na orquestra) e o gongo.  A seguir, os metais – trombetas, trombones...(anunciar um canto de entrada, aclamar a Palavra, a multidão...), pela tradição bíblica e religiosa; os de percussão, como o tambor, por sua função universal , além de tímpanos e tamborins, como sinal, reforço aclamatório, apoio rítmico, sempre com determinado objetivo, música, gesto ou momento celebrativo. Na liturgia judaica, já os encontramos presentes, divididos em três categorias: corda, sopro e percussão. Os de corda eram os mais apreciados e apropriados para acompanhar os hinos e salmos: cítara, harpa, alaúde, saltério e lira. Os de sopro: flauta, corneta e trombeta, de grande importância, sobretudo pela sua analogia com o Espírito Santo, Sopro de Deus, evocando, pois, a própria voz do Senhor: “O sopro de Deus ressoa imponente nas trombetas...nos orifícios da flauta...” Em terceiro lugar, os de percussão: tamborim, tambor, pandeiro, triângulo, campainha, sineta. E  entre nós são muito aceitos: o atabaque, que tem caráter convocativo e para criar clima de oração. O importante é não “desconcertar” ninguém (= não colocar pessoa alguma fora do concerto), ou seja excluir alguém da celebração, porque a linguagem musical nos perturba, não nos permite rezar,  nos é estranha, não conseguimos nos exprimir com ela na liturgia... Entre os nossos instrumentos mais usados destacam-se: as cordas – violão, viola, cavaquinho; percussão – tambores e equivalentes,  com tradição bíblica e histórica (ibérica, indígena, africana);  entre os de sopro, as flautas, pela analogia com o órgão e pela tradição bíblica e folclórica;  o acordeão, de grande familiaridade nos meios populares. Equilíbrio e bom senso,  atenção, espírito litúrgico e sensibilidade, para  usar de forma adequada os instrumentos, sempre em função da Palavra cantada, do tempo litúrgico, do momento celebrativo, em vista da participação do povo, sendo que a importância do instrumento lhe vem  pelo seu caráter simbólico, evocando a voz  e ação do próprio Deus.  Preferir os instrumentos naturais e acústicos aos eletrônicos, que às vezes fazem muito barulho e pouca música, não favorecendo ou até dificultando a oração da assembléia!

CONCLUSÃO:

“A celebração não é, pois, um conjunto de palavras e gestos unidos de maneira externa e artificial, nem uma sucessão de elementos diversos, todos no mesmo plano. Na verdade, é um grande movimento que se desenvolve, se amplia, chega a um ponto culminante e se encerra, como uma grande sinfonia, ou como a História da Salvação. Os elementos que a compõem se organizam e se concatenam para constituir um grande ritmo, animado por um alento respiratório , por uma vitalidade interna e por uma lógica intrínseca.
            
Na celebração... os fiéis  constituem a nação sagrada, o povo que Deus obteve para si, e o sacerdócio real, que agradece a Deus, oferece, não só por meio do sacerdote, mas juntamente com ele... e aprende a oferecer-se a si mesmo... Atuem, pois, como um único corpo, tanto ao escutar a Palavra de Deus como ao participar das orações e dos cantos, e, especialmente, ao oferecer comunitariamente o Sacrifício e ao participarem todos juntos da mesa do Senhor.Essa unidade manifesta-se claramente na uniformidade de gestos e posturas dos fiéis. Portanto, os fiéis não devem rejeitar servir ao povo de Deus com prazer, quando lhes é pedido que desempenhem na celebração determinado ministério.” (OGMR 62, citado por Francisco Escobar, no Manual de Liturgia II – Paulus, à pág. 64).

E Lucien Deiss:


“Feliz a comunidade que tem a  alegria como a rubrica principal da sua liturgia.
Que quando celebra a Palavra, se encontra com o rosto de Cristo ressuscitado em cada página da Bíblia! Que ao partilhar o pão e o vinho da Eucaristia,  partilha,  ao mesmo tempo, o amor entre irmãos e irmãs! Que, para presidir a sua celebração tem um sacerdote, não para dominá-la, mas para servi-la, como irmão!

A missa é o coração da comunidade cristã. A beleza de cada missa
é a beleza de Cristo na nossa vida!” (A Missa da comunidade cristã, Lucien Deiss Editorial Perpétuo Socorro, Porto, Portugal, pág. 126).

Os símbolos litúrgicos, gestos, música, palavras, ritos... são realidades abertas, nunca compreendidos e captados plena, adequada e definitivamente... Ao contrário, exortam a ir sempre mais longe e mais profundamente; eles orientam para um ilimitado universo de significações. Põem em comunhão com mistérios insondáveis, porque são divinos; os mistérios de Cristo Pascal, até a iluminação do último dia, no qual já não haverá nem rito nem símbolo, porque nos será dada a graça de ver face a face Aquele que eles evocam e a Quem nos fazem  encontrar na obscuridade e na fragilidade da fé.” ( Manual de Liturgia II – CELAM, Paulus, pág. 106).


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                                       Bibliografia:

-         Documentos  sobre a Música Litúrgica – Paulus
-         Reunidos em nome de Cristo – Instrução Geral sobre o Missal Romano, Edições Paulinas.
-         Manual de Liturgia II – A celebração do mistério pascal: fundamento teológico e elemento constitutivo – Paulus.
-         Canto e Música Litúrgica  - Reflexões e Sugestões, de Antonio Alcalde – Paulinas
-         O Canto Novo da Nação do Divino, de Frei Joaquim Fonseca, Paulinas.
-         Cantando a Missa e o Ofício Divino, de Frei Joaquim Fonseca, Paulus
-         Cantar a Liturgia, de Frei Alberto Beckäuser – Editora Vozes
-         Novas Mudanças na Missa, de Frei Alberto Beckäuser – Editora Vozes
-         A Igreja celebra Jesus Cristo, de Pablo Argárate – Paulinas
-         A Aclamação de todo um povo, de Gino Stefani – Editora Vozes
-         A Missa da comunidade cristã, de Lucien Deiss, Editorial Perpétuo Socorro, Porto – Portugal.
-         Para viver a LITURGIA, de Jean Lebon – Edições Loyola.
-         Grande Sinal , dezembro 1985, no artigo “A música como expressão de espiritualidade”, de José Weber  – Editora Vozes.
-         “Música santa para a liturgia”, artigo do Lósservatore Romano, 17 de janeiro 2004.

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  Pesquisa feita por Ir. Míria T. Kolling para o Café-Debate, promovido pela Paulus da      Livraria da Sé,  no dia 7 de maio, das 9 às 12 horas, no salão da Catedral da Sé. 

                                                                                                                  São Paulo, maio de 2005.


SANTA MISSA
A missa, ou celebração da Eucaristia, não é a oração de um só homem, pois já não basta rezar só em casa; a igreja sempre foi e continua sendo a casa de Deus e o lugar de oração em comunidade. Jesus frequentava o Templo em Jerusalém com Maria, José e os Apóstolos. Jesus já dizia: "se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, o que seja, conseguirão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, ai estou eu no meio deles" (Mt 18, 19-20).
É bom que cada fiel católico entenda bem cada parte da missa a fim de que a Santa Eucaristia não se constitua em um mero rito mecânico, onde as pessoas só "copiam" o que as outras fazem (gestos, sinal da cruz, genuflexão, etc.) sem entender exatamente o que está acontecendo. A missa é igual para toda a Assembléia, mas a maneira de cada um participar pode ser diferente, pois depende da fé que as pessoas têm e também do grau de formação na religião. Às vezes vamos fazendo muitas coisas sem saber por quê. Para participar da missa com fé e alegria, além da sua formação catequética básica, o fiel deve conhecer todas as etapas da liturgia da missa, pois ninguém ama o que não conhece.
O objetivo deste curso de formação é de apresentar alguns fundamentos básicos da liturgia da missa a fim de que o fiel católico do santuário tire todo o proveito espiritual que a Santa Eucaristia oferece para todos nós, há quase dois milênios a fio. O fiel católico deve ser, sobretudo, um fiel bem informado; se não nos salvarmos a culpa é nossa, já dizia São João Crisóstomo!.

PARTES DA MISSA

A missa é composta pelas seguintes etapas:
Ritos iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Eucarística e Ritos Finais.

ABERTURA DA CELEBRAÇÃO
Observando-se a Liturgia da Missa vemos que ela inicia-se com o canto e a procissão de entrada. A seguir, o sacerdote dialoga com a comunidade, acolhendo-a em nome de Deus. Segue-se o ato penitencial, as aclamações e súplicas e a oração conclusiva.
Estes ritos têm por finalidade: reunir os fiéis, possibilitando-lhes uma comunhão, dispô-los a ouvir com proveito a Palavra de Deus e a celebrar frutuosamente a Eucaristia.
O Canto De Entrada e "Sinal da Cruz"
O canto está a serviço do louvor de Deus e de nossa santificação. Quem canta, reza duas vezes. Não é apenas para embelezar a Missa, mas para nos ajudar a rezar. O canto de entrada deverá estar em plena sintonia com o momento litúrgico que se celebra. Ele tem a função de favorecer a união dos fiéis; criar um clima festivo; introduzir o povo no mistério ou festa celebrados; acompanhar a procissão de entrada do celebrante e ministros.
Durante o Canto de Entrada, o celebrante que preside a Missa, acompanhado dos Ministros ou Acólitos, dirige-se para o altar. Faz uma inclinação profunda e depois beija o altar. O beijo tem um endereço: não é propriamente para o mármore ou a madeira do altar, mas para o Cristo, que é o centro de nossa piedade. A procissão de entrada deve ser solene, passando pelo meio do povo, especialmente nos dias festivos. Neste momento o Presidente faz o sinal da cruz e toda a Assembléia o acompanha, dizendo ao final, Amém. A expressão "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", tem um sentido bíblico: não quer dizer apenas o "nome", como para nós, ocidentais. "Nome", em sentido bíblico, quer dizer a própria pessoa. Isto significa dizer que iniciamos a Missa colocando a nossa vida e toda a ação nas mãos da Santíssima Trindade.

O diálogo do Celebrante com o povo

Estabelece uma comunicação inicial, criando a comunhão. Pela saudação, o celebrante significa à Assembléia a presença do Senhor no meio do seu povo. A resposta é o reconhecimento desta presença. O diálogo simboliza o mistério da Igreja reunida e vem atualizar o encontro de Cristo com o seu povo.

Ato Penitencial

Os fiéis, unidos pelos cantos e diálogos, conscientes de sua reunião em Cristo e de sua presença na assembléia confessam que são pecadores se reconciliam entre si e com Deus.

Canto do Glória

É o hino pelo qual a Igreja louva, agradece e suplica ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. O canto do Glória é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro, é cantado pela Assembléia dos fiéis ou pelo povo que o alterna com o grupo de cantores ou pelo próprio grupo de cantores. Se não for cantado, dever ser recitado por todos, juntos ou alternadamente. O Canto do Glória é cantado ou recitado aos domingos, exceto no tempo do Advento e da Quaresma, nas solenidades e festas e ainda em celebrações especiais mais solenes

Oração do dia (coleta)
O celebrante, em nome de toda a Igreja reunida, se dirige a Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Há sempre uma oração do dia para cada momento litúrgico. A oração da coleta exprime a índole da celebração e dirige, pelas palavras do celebrante, uma súplica a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Aqui todos os fiéis oram, em silêncio, por algum tempo. No fim da oração a Assembléia aclama com um Amém. Em seguida todos sentam-se para ouvir com atenção a Liturgia da Palavra.

LITURGIA DA PALAVRA

A Liturgia da Palavra é composta por leituras: Antigo Testamento, Novo Testamento e Evangelho. Cânticos Interlecionais: Salmo responsorial ou canto de meditação e Aclamação ao Evangelho.
Através das leituras, Deus fala a seu povo. Como por tradição, o ofício de proferir as leituras não é função presidencial, mas ministerial, convém que via de regra o diácono, ou na falta dele outro sacerdote, leia o Evangelho; o leitor faça as demais leituras.
Através dos cânticos, a Assembléia responde a Deus. O salmo responsorial ou gradual é tirado do Lecionário, pois cada um de seus textos se acha diretamente ligado à respectiva leitura; assim a acolhida dos salmos depende das leituras.
O cântico de aclamação ao Evangelho é feito através do "Aleluia" ou outro canto de acordo com o tempo litúrgico, preparado pela Equipe de Liturgia. O "Aleluia" é cantado em todos os tempos, exceto na Quaresma

Homilia

A Homilia é a explicação da Palavra do Senhor. Convém que seja uma explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de outro texto do Ordinário ou próprio da Missa do dia, levando em conta tanto o mistério celebrado, como as necessidades particulares dos ouvintes.

Profissão de Fé

A Profissão de Fé é a adesão da comunidade à Palavra do Senhor. Ela tem por objetivo levar o povo a dar seu assentimento e resposta à palavra de Deus ouvida nas leituras e na homilia, bem como recordar-lhe a regra da fé antes de iniciar a celebração da Eucaristia. Quando cantado, deve sê-lo por todo o povo, seja por inteiro, seja alternadamente.

Oração Universal (Prece dos Fiéis).

A Oração Universal ou Prece dos Fiéis é a súplica comunitária pelas necessidades da Igreja universal, do mundo e Igreja local. Ela encerra a Liturgia da Palavra. Os fiéis fazem essas orações confiando em Jesus, que disse: "Pedi e recebereis, buscai e encontrareis, batei e a porte se abrirá. Porque todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e a quem bate se abrirá" (Mt 7, 7-8). É bom que se faça preces curtas e bem objetivas, colocando-se em mente que não se trata de uma pequena homilia particular, com textos longos e verdades próprias.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal, que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz, quando o sacerdote, representante do Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória.
É composta pelas seguintes partes: Preparação dos dons, Oração Eucarística, Ritos da Comunhão.

Preparação dos dons ou das ofertas

Na Preparação sobre as oferendas, levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos. Em primeiro lugar prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal, o purificatório, o Missal Romano e o cálice, a não ser que se prepare na credência (mesa junto ao altar, onde se colocam as galhetas e outros acessórios da missa). A seguir trazem-se as oferendas. É louvável que os fiéis apresentem o pão e o vinho que o sacerdote ou o diácono recebem em lugar conveniente e depõem sobre o altar, proferindo as fórmulas estabelecidas. Também são recebidos o dinheiro ou outros donativos oferecidos pelos fiéis para os pobres ou para a Igreja, ou recolhidos no recinto dela; serão, no entanto, colocados em lugar conveniente, fora da mesa eucarística. Em seguida o celebrante lava as mãos, exprimindo por esse rito o seu desejo de purificação interior.

Oração Eucarística

Na Oração Eucarística rendem-se graças a Deus por toda a obra salvífica e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de Cristo. Pela fração do mesmo pão manifesta-se a unidade dos fiéis e pela comunhão os fiéis recebem o Corpo e o Sangue do Senhor como os Apóstolos o receberam das mãos do próprio Cristo.
É o ponto central da ação litúrgica. Por ela os fiéis se unem a Cristo para proclamar as maravilhas de Deus e oferecer o verdadeiro sacrifício: oferecem o Cristo, pelo sacerdote; e unidos a Cristo, oferecem a sim mesmos ao Pai.
Inicia-se pelo prefácio do celebrante, que é sempre oração de ação de graças pela obra da salvação e de glorificação ao Pai. O prefácio é variável e há um ou mais para cada tempo da Liturgia, conforme o Missal Romano. O prefácio é um hino de "abertura" que nos introduz no Mistério Eucarístico. Por isso, o presidente convida a Assembléia para elevar os corações a Deus, dizendo: "Corações ao alto!". É um hino que proclama a santidade de Deus e dá graças ao Senhor.
O "Santo" é tirado do profeta Isaías (6,3), o qual teve a seguinte visão: Serafins, no Templo, aclamavam em alta voz: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos! Toda a terra está cheia de sua glória!" A repetição, dizendo três vezes "Santo", é um reforço de expressão para significar o máximo de santidade. É como se dissesse que Deus é "Santíssimo".
O Missal Romano apresenta cinco Orações Eucarísticas básicas que contemplam os seguintes aspectos:
a) A narrativa da Instituição revive a última ceia na qual Cristo instituiu o sacramento de sua paixão e ressurreição
b) A Igreja rememora o oferecimento do próprio Cristo ao Pai, recordando sua paixão, ressurreição e ascensão ao céu. É o verdadeiro ofertório da missa (todas as Orações Eucarísticas);
c) As intercessões são a prece pela qual se manifesta que a celebração eucarística é feita em união com toda a Igreja, a da terra e a do céu, pelos vivos e mortos (todas as Orações Eucarísticas);
d) A doxologia (forma de louvor à glória de Deus) final é a expressão da glorificação de Deus, uno e trino, que a comunidade ratifica (todas as Orações Eucarísticas);
O Missal Romano apresenta ainda Orações Eucarísticas para diversas circunstâncias com Missas com crianças (I, II e III), sobre reconciliação (I, pág. 866 e II, pág. 871) entre outras.

Ritos da Comunhão

Visam preparar os fiéis para receberem o corpo e o sangue do Senhor como alimento espiritual.
Na Oração do Senhor, o Pai-Nosso, os fiéis vivenciam os seguintes aspectos: Todos sentem com filhos do mesmo Pai que está nos céus; Pedem o pão de cada dia e a vinda do reino de Deus; Imploram o perdão e perdoam seus irmãos.
A seguir a Assembléia pede paz e unidade para a Igreja. Saúdam-se todos, fraternalmente, no amor do Senhor. No abraço da paz todos, segundo o costume do lugar, manifestam uns aos outros a paz e a caridade.
Ao término todos voltam a fazer silêncio para que haja um clima de comunhão associado às orações do momento. Aqui o celebrante parte o pão e coloca um pedaço no cálice, rezando em silêncio: "Esta união do corpo e do sangue de Jesus, o Cristo e Senhor nosso, que vamos receber, nos serva para a vida eterna!" Enquanto isso a Assembléia canta ou recita o "Cordeiro de Deus"
Agora temos a comunhão propriamente dita, sendo o momento da participação mais perfeita: comunhão com Cristo após a comunhão com os irmãos. O sacerdote diz em voz alta: "Felizes os convidados para a ceia do Senhor! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". Agora ele acrescenta, com o povo: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo". Em seguida ele reza em silêncio: "Que o corpo de Cristo me guarde para a vida eterna". Ele comunga o corpo de Cristo e depois reza em silêncio: "Que o sangue de Cristo me guarde para a vida eterna." Nesse momento ele comunga o sangue de Cristo. A seguir, o celebrante e/ou diácono(s) e ministros da eucaristia toma o cibório e diz a cada um dos que vão comungar: "O corpo de Cristo". O que vai comungar responde: "Amém!".
Ao final, enquanto faz a purificação o celebrante reza em silêncio: "Fazei, Senhor, que conservemos num coração puro o que nossa boca recebeu. E que esta dádiva temporal se transforme para nós em remédio eterno." É aconselhável guardar um momento de silêncio ou recitar algum salmo ou cântico de louvor.
Enquanto o celebrante comunga o corpo de Cristo, inicia-se o canto da comunhão

RITO FINAL

Conhecido como o Rito da Bênção, é o desfecho da Santa Eucaristia. Após os comunicados e avisos importantes a serem apresentados à comunidade é uma boa prática que a Equipe de Liturgia indique à Assembléia o compromisso da semana, baseada na liturgia que acaba de ser desenvolvida.
Ao dar a bênção, o celebrante traça uma cruz sobre a Assembléia, O celebrante pode também abençoar com outras palavras, de acordo com as circunstâncias. Cada fiel deve se colocar pessoalmente sob aquela bênção, como seu nome e sua vida. Não saia da igreja antes da bênção final. A missa termina com a bênção e em seguida vem o canto final, que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado da Missa. E desejável também que a Assembléia só saia da igreja após a retirada do celebrante, acólitos e ministros. Exercite também o espírito de comunidade, conversando mais com seus irmãos. Ao chegar em casa, dê um abraço em todas as pessoas da sua família, saudando com "A Paz e Cristo"; mostre que você está em estado de graça, pois acaba de vir da Santa Eucaristia, que representa um encontro com o Senhor e com os irmãos em Cristo.








    

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