terça-feira, 15 de maio de 2012

6ª semana da Páscoa


6º Domingo de Páscoa  ANO B


Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Na liturgia recordamos e bendizemos o grande amor de Deus para conosco. Amor que se manifestou de tantas maneiras e em tantos momentos na histór ia de nossa salvação, sobretudo na vida, morte e ressurreição de Jesus. A união vital e fecunda entre a videira e os ramos é união de amor que se expande do Pai ao Filho, do Filho aos discípulos e dos discípulos a todas as pessoas. É preciso sempre recordar o mandamento do amor: "Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros." Somos chamados a contemplar o amor de Deus, manifestado na pessoa, nos gestos e nas palavras de Jesus, e dia a dia tornado presente na vida dos homens por ação dos discípulos de Jesus, que hoje somos todos nós. Recordamos o dia das mães e rezamos por todas elas. Neste período pascal, as leituras nos convidam a refletir e mergulhar no amor de Deus com todo o nosso ser, pois como diz São João, Deus é amor e quem ama permanece em Deus. Assim nos preparamos para celebrar o Pentecostes, o derramamento mais visível do amor de Deus sobre a Igreja, transformando-a em anunciadora corajosa do Reino. 
VI SEMANA DA PÁSCOA
Antífona da entrada: Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia! (Is 48,20)

Primeira Leitura (Atos 10,25-26.34-35.44-48)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
10 25 Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu a recebê-lo e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo. 
26 Pedro, porém, o ergueu, dizendo: "Levanta-te! Também eu sou um homem!" 
34 Então Pedro tomou a palavra e disse: "Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, 
35 mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo". 
44 Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. 
45 Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; 
46 pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. 
47 Então Pedro tomou a palavra: "Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós?" 
48 E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias. 

Salmo responsorial 97/98
O Senhor fez conhecer a salvação 
e revelou sua justiça às nações.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, 
porque ele fez prodígios! 
Sua mão e o seu braço forte e santo 
alcançaram-lhe a vitória.
O Senhor fez conhecer a salvação 
e, às nações, sua justiça; 
recordou o seu amor sempre fiel 
pela casa de Israel.
Os confins do universo contemplaram 
a salvação do nosso Deus. 
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, 
alegrai-vos e exultai!
Segunda Leitura (1 João 4,7-10)
Leitura da primeira carta de São João.
4 7 Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 
8 Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 
9 Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. 
10 Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. 

Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Quem me ama realmente guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,23).

EVANGELHO (João 15,9-17)

15 9 Disse Jesus: "Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. 
11 Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 
12 Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 
13 Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 
14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 
15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 
16 Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. 
17 O que vos mando é que vos ameis uns aos outros". 
Santo do Dia: Nossa Senhora de Fátima
No dia 5 de maio de 1917, o mundo ainda vivia os horrores da Primeira Guerra Mundial, então o papa Bento XV convidou todos os católicos a se unirem em uma corrente de orações para obter a paz mundial com a intercessão da Virgem Maria. Oito dias depois ela respondeu à humanidade através das aparições em Fátima, Portugal.
Foram três humildes pastores, filhos de famílias pobres, simples e profundamente católicas, os mensageiros escolhidos por Nossa Senhora. Lúcia, a mais velha, tinha dez anos, e os primos, Francisco e Jacinta, nove e sete anos respectivamente. Os três eram analfabetos.
Contam as crianças que brincavam enquanto as ovelhas pastavam. Ao meio-dia, rezaram o terço. Porém rezaram à moda deles, de forma rápida, para poder voltar a brincar. Em vez de recitar as orações completas, apenas diziam o nome delas: "ave-maria, santa-maria" etc. Ao voltar para as brincadeiras, depararam com a Virgem Maria pairando acima de uma árvore não muito alta. Assustados, Jacinta e Francisco apenas ouvem Nossa Senhora conversando com Lúcia. Ela pede que os pequenos rezem o terço inteirinho e que venham àquele mesmo local todo dia 13 de cada mês, desaparecendo em seguida. O encontro acontece pelos sete meses seguintes.
As crianças mudam radicalmente. Passam a rezar e a fazer sacrifícios diários. Relatam aos pais e autoridades religiosas o que se passou. Logo, uma multidão começa a acompanhar o encontro das crianças com Nossa Senhora.
As mensagens trazidas por ela pediam ao povo orações, penitências, conversão e fé. A pressão das autoridades sobre os meninos era intensa, pois somente eles viam a Virgem Maria e depois contavam as mensagens recebidas, até mesmo previsões para o futuro, as quais foram reveladas nos anos seguintes e, a última, o chamado "terceiro segredo de Fátima", no final do segundo milênio, provocando o surgimento de especulações e histórias fantásticas sobre seu conteúdo. Agora divulgado ao mundo, soube-se que previa o atentado contra o papa João Paulo II, ocorrido em 1981.
Na época, muitos duvidavam das visões das crianças. As aparições só começaram a ser reconhecidas oficialmente pela Igreja na última delas, em 13 de outubro, quando sinais extraordinários e impressionantes foram vistos por todos no céu, principalmente no disco solar. Poucos anos depois, os irmãos Francisco e Jacinta morreram. A mais velha tornou-se religiosa de clausura, tomando o nome de Lúcia de Jesus, e permaneceu sem contato com o mundo por muitos anos.
O local das aparições de Maria foi transformado num santuário para Nossa Senhora de Fátima. Em 1946, na presença do cardeal representante da Santa Sé e entre uma multidão de católicos, houve a coroação da estátua da Santíssima Virgem de Fátima. Em 13 de maio de 1967, por ocasião do aniversário dos cinqüenta anos das aparições de Fátima, o papa Paulo VI foi ao santuário para celebrar a santa missa a mais de um milhão de peregrinos que o aguardavam, entre eles irmã Lúcia de Jesus, a pastora sobrevivente, que viu e conversou com Maria, a Mãe de Deus.
Esta mensagem de Fátima foi um apelo à conversão, alertando a humanidade para não travar a luta entre o bem e o mal deixando Deus de lado, pois não conseguirá chegar à felicidade, pois, ao contrário, acabará destruindo-se a si mesma. Na sua solicitude materna, a Santíssima Virgem foi a Fátima pedir aos homens para não ofender mais a Deus Nosso Pai, que já está muito ofendido. Foi a dor de mãe que a fez falar, pois o que estava em jogo era a sorte de seus filhos. Por isso ela sempre dizia aos pastorzinhos: "Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".
FORMAÇÃO LITÚRGICA
Liturgia da Palavra - Deus nos fala
Deus nos reúne como assembleia, para dialogar conosco e nos comunicar seus segredos, a Boa-Notícia que nos faz viver livres, fraternos e felizes. Sua Palavra não é um conjunto de vocábulos ou uma sequência de textos escritos e lidos. Ela é sempre acontecimento, ação concreta a favor da vida, da libertação, da salvação de seu povo. Na Liturgia, esta Palavra é celebrada, é festejada e constitui uma ação simbólico-ritual central, um só ato de culto com o rito eucarístico. Como Deus nos fala no rito da palavra da celebração eucarística? Ele nos fala, primeiramente, nos acontecimentos, onde se realiza a páscoa-vida e que, agradecidos, trazemos para celebrar, reconhecendo neles a ação amorosa de Deus. O Senhor nos fala, também, pelas Sagradas Escrituras, nos dois testamentos, com textos escolhidos, proclamados e meditados como palavra viva e atual. Como afirma o documento do Concílio Vaticano II sobre a liturgia: "É Cristo quem fala" (SC 7). E sua fala é ação libertadora que nos ajuda a compreender os fatos da realidade, a corrigir os rumos, nos anima e dá força para prosseguirmos na caminhada, testemunhando e realizando a páscoa na história. Por isso, o leitor/a afirma após as leituras: "Palavra do Senhor" e depois do evangelho: "Palavra da Salvação", ou seja, acontecimento que nos salva, nos faz passar da morte para a vida! Palavra, canto, silêncio e gestos constituem as ações simbólicas do rito da Palavra que tem a proclamação do evangelho como ponto alto. A primeira leitura é um texto, em geral, do primeiro testamento e sempre escolhido em relação ao evangelho daquele domingo. O salmo, que vem a seguir, é escolhido como eco, como resposta à primeira leitura. Trechos significativos das cartas apostólicas, do segundo testamento, são oferecidos na segunda leitura. O canto de aclamação é um verso baseado ou tirado do próprio evangelho. De domingo a domingo, vamos sendo alimentados pelo Senhor, com o Pão da Palavra, que nos revela seu mistério, que nos comunica sua força e nos transforma em suas testemunhas. Movida pela Palavra de Deus proclamada, ouvida, entendida e acolhida no íntimo de cada pessoa, a comunidade faz ecoar, livre e corajosa sua adesão, na profissão de fé. Pelas preces, une-se a Cristo, suplicando ao Pai pelas suas necessidades e pelas "urgências" do mundo.
TEXTOS BÍBLICOS PARA A SEMANA:

2ª Br - At 1,15-17.20; Sl 112; Jo 15,9-17
3ª Br - At 16,22-34; Sl 137; Jo 16,5-11
4ª Br - At 17,15-22-18,1; Sl 148; Jo 16,12-15
5ª Br - At 18,1-8; Sl 97; Jo 16,16-20
6ª Br - At 18,9-18; Sl 46; Jo 16,20-23a
Sb Br - At 18,23-28; Sl 46; Jo 16,23b-28
Dom. da Ascensão do Senhor: At 1,1-11; Sl 46 (47),2-3.6-7.8-9 (R/.6); Ef 1,17-23; Mc 16,15-20 Ou 2ª leitura facultativa: Ef 4,1-13

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "PERMANECEI EM MIM..."

Às vezes quando me deparo com o evangelho de São João, apelo para o meu imaginário grupo de debates onde o Maneco, membro de uma comunidade das mais simples, replica, logo após a conclusão “Êta que esse tal de João gosta de complicar, porque não vai direto ao assunto?” Já o Ernesto, que é encarregado em uma empresa, gosta de ver o jeito de Jesus falar com os discípulos nesse evangelho, “Esse Jesus é dos meus, lá na fábrica é assim que eu digo para a minha turma “Se quiser ser meu amigo, faça o que eu mando”. Confesso que tomei um susto, não tinha reparado que o versículo 14 é exatamente assim “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando”.
Esta não é uma frase solta no meio do texto, mas há sempre o perigo de se fazer uma leitura fundamentalista da Palavra de Deus, pois o meu irmão de grupo gosta de ser mandão na comunidade, porque é essa a sua rotina na empresa, e assim ele se identifica com Jesus, que nessa frase parece mesmo ser “mandão” e autoritário, bem do tipo, se não for pra fazer do meu jeito, então não quero. Entretanto o ensinamento é outro... Foi quando Dona Maria, que trabalha de doméstica há muito tempo, fez uma observação interessante, que eu nem havia pensado. “O senhor me desculpe, pode ser que vou falar bobagem, porque não tenho estudo de teologia, mal fiz o antigo ginásio, mas parece que Jesus diz aí, que ele nos trata como amigos e não como servos, mas o gozado é que ele mesmo falou em um outro evangelho, que veio para servir e não para ser servido, quem serve é servo”.
Dona Maria não quer nem saber se o jeito de João escrever seu evangelho é diferente dos sinóticos, mas parece que “matou em cima” a questão intrigante. Na relação de trabalho, quem serve é quem é mandado, na comunidade enquanto igreja, quem serve é aquele que ama. Diante dessa observação feita ao grupo, levantou-se o “Mota” pessoa que na paróquia é o responsável em buscar as hóstias e partículas no Mosteiro das irmãs. “Óia gente, andei contando por curiosidade e vi que só nesse evangelho, João escreveu nove vezes o verbo amar, acho que isso quer dizer alguma coisa” Parece que o Mota “mordeu a isca” -- pensei com meus botões - Quem experimentou tão intensamente e de maneira profunda, o amor de Deus manifestado em Jesus de Nazaré, não vai mais falar de outra coisa na vida, que não seja desse amor, não é atoa que o evangelho o chama de “Aquele discípulo que Jesus amava”, não porque o Senhor o amava mais que aos outros, mas porque ele, o discípulo, compreendeu que Jesus é o Amor do Pai manifestado entre os homens, não só compreendeu, mas experimentou, e esta manifestação não é exclusiva para alguém, mas a todos os homens.
Roseli, uma jovem que também integra o nosso grupo, e que anda nas nuvens porque está namorando um catequista da comunidade, fez um comentário belíssimo “Então a gente pode dizer que Jesus é o amor ESCANCARADO de Deus para os homens!”. Escancarado é aquilo que não se tem como esconder, não dá para disfarçar, como os olhos brilhantes da Roseli, quando está perto do namorado. Quem se sente amado por alguém, não tem como disfarçar a alegria, o bem que a outra pessoa lhe faz, só de estar perto, e aqui dá para entender a expressão “Eu vos digo isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja plena”.
A descoberta de que Deus nos ama tanto, e de maneira apaixonada em Jesus, faz a gente se tocar, a vida ganha um novo sentido, um novo horizonte se descortina, pois há uma palavra chave em João, que nos permite sonhar esse sonho realizável, que é ser feliz plenamente.
Permanecei em mim. Permanecei no meu amor. Quem ama quer o outro sempre junto, e aqui, o poder de Deus torna-se frágil diante da liberdade humana, Deus não pode nos manter junto dele, sem o nosso consentimento, sem a nossa vontade! Cá entre nós, sei que é isso que acontece com a Roseli, que se encantou com o moço da catequese, eles até estão namorando, mas a verdade é que ele, embora muito sério, não está muito afim da coitada, mas para não magoá-la, mantém o namoro, e o pior é que um dia, uma amiga confidenciou à Roseli essa verdade, e para espanto da outra, a Roseli disse simplesmente “Não tem problema, eu só quero amá-lo, não precisa que ele me ame”.
Pronto, chegamos a um ponto culminante da nossa reflexão, Deus quer e sempre quis, e sempre vai querer nos amar, mesmo que não seja correspondido, o seu amor Ágape é o amor oblativo, é o verdadeiro e único amor, enquanto que o nosso jeito de amar é ainda tão pequeno, não passa do amor Filia. Afinal, quem é que conseguiria retribuir a altura, todo esse amor e ternura, que Jesus Cristo tem por cada um de nós? Esta é uma dívida impagável...
Entretanto há algo que podemos fazer, que está ao nosso alcance, e que faz com que Deus se sinta correspondido em seu amor... “Amais-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. O “ASSIM COMO...” não é uma exigência que o nosso amor seja perfeito como o dele, mas se refere a gratuidade e incondicionalidade, se amarmos desse jeito as pessoas, já está de muito bom tamanho.
Amar assim é ir além da "FILIA", é meio caminho andado para o AMOR ágape. Permanecer em Cristo e no seu amor, é viver de tal forma a comunhão com ele, que o nosso jeito de ser, de viver e de amar, acaba refletindo para o próximo, o próprio Cristo. E assim, em nosso amor tão frágil, as pessoas descobrirão a fonte do verdadeiro amor, que é Jesus Cristo, foi isso que aconteceu com João, e que revolucionou a sua vida, ele olhou para Jesus, e descobriu nele o Amor de Deus, por isso deu com a boca no trombone e saiu falando aos quatro cantos, QUE O NOSSO DEUS É AMOR! ( VI Domingo da Páscoa – João 15, 9-17).

2. Permanecer no amor

Cada frase de João é densa de conteúdo. Seu evangelho, a cada passo, abre janelas para uma contemplação da revelação de Deus na encarnação de seu Filho, Jesus. João apresenta-nos as palavras de Jesus, desabrochadas e vividas na vida de suas comunidades.
A partir da imagem na qual os galhos devem permanecer unidos à videira, Jesus convidara os discípulos a permanecerem nele a fim de que dessem muito fruto. Agora os discípulos são estimulados a permanecerem no seu amor. Compreendemos que o amor de Jesus por nós é o mesmo amor do Pai por ele, em uma plenitude transbordante. A fonte do amor é o amor entre o Pai e o Filho, que é o amor apropriado ao Espírito Santo. Permanecer no amor de Jesus é inserir-se nesta comunhão de amor e vida entre o Pai e o Filho. Partindo de uma adesão pessoal, o permanecer no amor de Jesus significa inserir-se na comunidade de discípulos e irradiar-se, envolvendo a outros, ampliando a comunidade de amor e prolongando-a no tempo.
Eram tradicionais, na religião de Israel, os mandamentos de Moisés, elaborados no decorrer da história de Israel e do judaísmo. Os mandamentos de Jesus estão contidos nas bem-aventuranças registradas nos evangelhos de Mateus e Lucas, as quais ultrapassam aqueles mandamentos antigos. E, agora, Jesus revela o mandamento maior: "Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei" (cf. Jo 13,34).
O atributo de "poder" aplicado a Deus no Primeiro Testamento é associado a características tais como disputa, inimigo, guerra, destruição e morte, com o título "Deus dos exércitos". O Deus de Amor, revelado por Jesus, não comporta nenhuma destas características. É o Deus da misericórdia e da compaixão, que entra em comunhão de vida plena com seus filhos, homens e mulheres, em Jesus. E os discípulos são chamados a dar frutos que permanecem para sempre, rompendo quaisquer barreiras de exclusivismos e exclusões, favorecendo o desabrochar da vida e instaurando a paz.
Na primeira leitura vemos como o Espírito Santo de Amor desconheceu as fronteiras do judaísmo e infundiu-se nos corações dos pagãos na Samaria. Pedro dá testemunho de que o Deus de Amor não faz discriminação entre as pessoas, revelando-se a todos os povos e nações: "Ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença".
A Primeira Carta de João (segunda leitura) é um exuberante hino ao amor. Nos seus cinco capítulos ele usa cinquenta e duas vezes as palavras amar ou amor. "Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele" (1Jo 4,16). Esta é a realidade de Deus, revelada por Jesus aos discípulos e às multidões, em sua vida e em seus atos. Se Deus é todo poderoso na criação do universo, ele é todo Amor em sua relação com seus filhos, homens e mulheres, em todos os tempos e em todos os povos.
Oração
Senhor Jesus, agradecido(a) por ter sido escolhido(a) e enviado(a) por ti, prometo entregar-me totalmente à missão que me confiaste.
3. FONTE DE AMOR

O Evangelho de João abre janelas para a contemplação do mistério da encarnação do Verbo, através das palavras de Jesus, desabrochadas e vividas em suas comunidades. Somos estimulados a permanecer no amor de Jesus. Compreendemos que o amor dele por nós é o mesmo amor do Pai por ele. A fonte do amor é o amor entre o Pai e o Filho. É o amor apropriado ao Espírito Santo.
Permanecer no amor de Jesus é entrar em comunhão com esta dinâmica de amor e vida entre o Pai e o Filho, inserindo-se na comunidade de discípulos. É irradiar envolvendo a outros, ampliando a comunidade de amor e prolongando-a no tempo.
Jesus permanece no amor do Pai, e isto significa que ele observa e cumpre o que o Pai mandou. Não se trata de uma obediência cega, de um inferior a um superior, mas de uma união amorosa de vontades. O amor vivido em nossas comunidades é fruto da nossa permanência em Jesus. Este amor, que é o amor de Jesus, é transbordante. As comunidades, em sua missão, comunicam este amor ao mundo, gerando vida e alegria.
Na primeira leitura, vemos como o Espírito Santo de amor desconheceu as fronteiras do judaísmo e infundiu-se no coração dos pagãos na Samaria. Pedro, pioneiro apóstolo dos gentios, dá testemunho de que o Deus de amor não faz discriminação entre as pessoas. "Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença."
A Primeira Carta de João (segunda leitura) é um exuberante hino ao amor. Nos seus cinco capítulos, ele usa cinqüenta e duas vezes as palavras amar ou amor. Deus é amor. Esta é a realidade de Deus, revelada por Jesus aos discípulos e às multidões, em sua vida e em seus atos.
Se Deus é todo-poderoso na criação do universo, ele é todo amor em sua relação com seus filhos, homens e mulheres, em todos os tempos e em todos os povos.
Liturgia da Segunda Feira 

Antífona da entrada: Não fostes vós que mês escolhestes. Fui eu que vos escolhi e vos enviei para produzirdes fruto e o vosso fruto permaneça, aleluia! (Jo 15,16)

Leitura (Atos 1,15-17.20-26)
Leitura dos Atos dos apóstolos.
1 15 Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: 
16 "Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. 
17 Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério. 
20 Pois está escrito no livro dos Salmos: 'Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo'. 
21 Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, 
22 a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição". 
23 Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias. 
24 E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste 
25 para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar. 
26 Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos. 

Salmo responsorial 112/113
O Senhor fez o indigente assentar-se com os nobres.
Louvai, louvai, ó servos do Senhor, 
louvai, louvai o nome do Senhor! 
Bendito seja o nome do Senhor, 
agora e por toda a eternidade!
Do nascer do sol até o seu ocaso, 
louvado seja o nome do Senhor! 
O Senhor está acima das nações, 
sua glória vai além dos altos céus.
Quem pode comparar-se ao nosso Deus, 
ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono 
e se inclina para olhar o céu e a terra?
Levanta da poeira o indigente 
e do lixo ele retira o pobrezinho, 
para faze-lo assentar-se com os nobres, 
assentar-se com os nobres do seu povo.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Eu vos designei para que vades e deis frutos e o vosso fruto permaneça (Jo 15,16).

Evangelho (João 15,9-17)

15 9 Disse Jesus: "Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. 
11 Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 
12 Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 
13 Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 
14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 
15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 
16 Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. 
17 O que vos mando é que vos ameis uns aos outros". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "Matias, indicado pela Igreja, escolhido por Jesus..."

Este evangelho é o mesmo de ontem, que foi o 6º Domingo da Páscoa, isso porque é  festa de São Matias, que pertencia ao grupo dos 70 discípulos e que conforme relato do Ato dos Apóstolos, foi escolhido pela comunidade dos discípulos para ser apóstolo e testemunha da ressurreição do Senhor.
Nos relatos de Atos a respeito da escolha de Matias, o fato de se ter tirado a sorte entre ele e um certo José, chamado Barsabás, pode parecer estranho, afinal era um jogo de azar para decidir algo tão sério e sagrado: fazer parte do grupo dos doze. Claro que hoje não se tira a sorte para ver quem vai ser Padre, Diácono ou religioso, ou para exercer os ministérios dos Leigos. Ocorre que para o povo judeu era algo comum Deus se servir do acaso para manifestar a sua vontade e por isso, em certas decisões na comunidade, se usavam gravetos, pedrinhas marcadas como a Urime e Tumim.
Na verdade em Atos, no episódio da escolha de Matias, é a última vez que se usa dessa prática para se saber a vontade de Deus, pois a partir daí, o Espírito Santo foi derramado na Igreja e no coração de todos os que crêem, então o Espírito manifesta claramente a vontade Divina e ninguém precisa mais tirar a sorte para saber o que Deus quer. Mas pior do que isso são os cristãos do nosso tempo, que menosprezando a ação do Espírito Santo, quando estão diante de uma encruzilhada da vida, consultam horóscopo, cartomante, cartas de tarô, Búzios e outras besteiras mais que inventaram. Fique bem claro que Deus não aprova e não usa desses recursos para revelar a sua santa vontade...
Mas o evangelho fala algo que também nos faz pensar, "Não fostes vós que me escolhestes, mas eu é que vos escolhi...". Na pastoral vocacional esse chamado de Deus, esse apelo  que Deus faz através de sua graça, é o ponto inicial de qualquer vocação...". É a resposta que damos a alguém que nos procura porque sente o desejo de ir para o seminário, ou de ser Diácono, ou até mesmo de exercer algum ministério leigo na comunidade. É preciso que Deus chame!
E como é que Deus vai chamar, como vamos saber que é Ele mesmo que está nos chamando ? Como saber distinguir aquilo que é a nossa vontade humana e a vontade de Deus? Aqui é que entra a autoridade da Igreja, que conduzida pelo Espírito Santo nos ajuda a discernir. Quando Samuel foi chamado por três vezes, foi o Sacerdote Eli que o ajudou a discernir que o Senhor o chamava, com Matias foi a mesma coisa, a comunidade entrou  em clima de oração para saber qual era a vontade de Deus. Qualquer vocação e qualquer chamado apresenta três aspectos que a tornam autêntica. Primeiro, que o vocacionado tenha no coração não só o desejo, mas a disponibilidade para servir a Deus, foi o que Eli recomendou a Samuel "Fala Senhor, que o teu Servo escuta...", segundo, a comunidade têm necessidade daquele serviço ou ministério, e aí podemos evocar a visão de Ezequiel, Deus preocupado dizendo com seus botões "A quem enviarei para esse serviço?", e em terceiro, que haja um convite ou um chamado que ajude o vocacionado a discernir....
Enfim, São Matias fez toda essa trajetória, com humildade, paciência e confiança, não caiu no desânimo quando não foi selecionado para o apostolado junto com os doze que Jesus escolhera, também não torceu para que alguém do grupo "pisasse na bola" para ele ter a sua chance, e quando Jesus morreu, mais ainda que Matias acreditou e jamais enterrou o seu sonho, que agora se realiza, sendo que ele apenas vai ser ratificado pelo grupo, como uma testemunha fiel de Jesus, desde o seu Batismo por João, até a ressurreição.
A perseverança no amor é a palavra chave em qualquer vocação, por isso é o tema central desse evangelho de João, uma das primeiras testemunhas de Jesus, tocado por este amor que entra pelo coração mas que se clareia na razão, tornando-se a prática cristã essencial nas nossas comunidades.
2. Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei

O evangelho de João nos envolve na atmosfera do amor de Deus. O amor de Jesus e do Pai é comunicado a nós também! Somos carinhosamente impelidos a observar os mandamentos de Jesus, a guardar a sua palavra, ter fé e praticar o que ele viveu, seguir seu exemplo de serviço. Jesus os resume neste seu "novo" (Jo 13,34) mandamento: "Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei". É uma novidade na história do mundo e das religiões. É tarefa humanamente impossível, pois se trata do amor divino! Mas a tarefa se torna viável uma vez que o próprio Jesus nos comunica este amor ao nos escolher e nos designar para darmos frutos que permaneçam. Este amor é solidário e comunicativo, na comunidade e na missão, tornando-se fecundo pela oração.
Oração
Pai, completa a alegria que o Espírito Santo faz brotar em mim, pois estou disposto a permanecer unido a ti e a teu Filho, e a ser fiel aos teus mandamentos, apesar das adversidades.
3. AMAR COMO JESUS AMOU

Em continuidade às suas palavras, a partir da metáfora dos ramos que permanecem unidos à videira, Jesus insiste na permanência dos discípulos com ele. O vínculo da permanência é o amor. O amor une e comunica. O amor entre Jesus e o Pai se comunica aos discípulos e, neles, é também um amor transbordante. O mandamento do Pai é a comunicação do amor. Pelo dom de si aos outros, permanece-se em Jesus e se tem a certeza de ser amado por Deus. O amor que comunica funda a comunidade e irradia-se na missão de transformar este mundo em um mundo novo possível. A alegria é um dos frutos do amor. E Jesus, cheio de amor, é alegre. E seu desejo é que a alegria dos discípulos tenha a qualidade da sua própria alegria e seja completa.
Liturgia da Terça-Feira 

VI SEMANA DA PÁSCOA *

Antífona da entrada: Alegremo-nos, exultemos e demos glória a Deus, porque o Senhor todo-poderoso tomou posse do seu reino, aleluia! (Ap 19,7.6)

Leitura (Atos 16,22-34)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
16 22 O povo insurgiu-se contra eles. Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas. 
23 Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança. 
24 Este, conforme a ordem recebida, meteu-os na prisão inferior e prendeu-lhes os pés ao cepo. 
25 Pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus, e os prisioneiros os escutavam. 
26 Subitamente, sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Abriram-se logo todas as portas e soltaram-se as algemas de todos. 
27 Acordou o carcereiro e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou da espada e queria matar-se. 
28 Mas Paulo bradou em alta voz: "Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui". 
29 Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trêmulo aos pés de Paulo e Silas. 
30 Depois os conduziu para fora e perguntou-lhes: "Senhores, que devo fazer para me salvar?" 
31 Disseram-lhe: "Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família". 
32 Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa. 
33 Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família. 
34 Em seguida, ele os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua casa por haver crido em Deus. 

Salmo responsorial 137/138
Ó Senhor, me estendeis o vosso braço e me ajudais.
Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, 
porque ouvistes as palavras dos meus lábios1 
Perante os vossos anjos vou cantar-vos 
e ante o vosso templo vou prostrar-me.
Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, 
porque fizestes muito mais que prometestes; 
naquele dia em que gritei, vós me escutastes 
e aumentastes o vigor da minha alma.
Estendereis o vosso braço em meu auxílio 
e havereis de me salvar com vossa destra. 
Completai em mim a obra começada; 
ó Senhor, vossa bondade é para sempre! 
eu vos peço: não deixeis inacabada 
esta obra que fizeram vossas mãos.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Eu hei de enviar-vos o Espírito da verdade; ele vos conduzirá a toda a verdade (Jo 16,7.13).

Evangelho (João 16,5-11)

16 5 Disse Jesus: "Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: 'Para onde vais?' 
6 Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração. 
7 Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. 
8 E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo. 
9 Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. 
10 Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; 
11 ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "O Espírito que desmascara as Forças do Mal..."

Os que se opunham radicalmente a Jesus Cristo, estavam confiantes de que tinham acabado com ele definitivamente e agora os seus seguidores se dispersariam e aos poucos ninguém iria mais se lembrar do tal Jesus de Nazaré. Mas o Poder de Deus é infinitamente maior do que esse pensamento mesquinho do ser humano, quando pensavam que tudo estava acabado, inclusive os discípulos, que ao ouvirem Jesus falar em partida, deixam-se dominar por uma grande tristeza, eis que Jesus faz uma promessa....
Vai enviar o Espírito Paráclito, um Juiz que irá dar o veredicto final sobre Jesus, apontando-o como grande vencedor sobre todas as forças do mal, confirmando seus ensinamentos e obras, atestando que Ele está bem vivo, Glorioso á direita do Pai, e ao mesmo tempo em Espírito caminhando com a sua Igreja.
Entretanto, esse veredicto e esse julgamento teve apenas início, porque se perpetua na Igreja nos cristãos de todos os tempos que são fiéis á Jesus e exatamente no anúncio e nas obras dos discípulos, o Espírito vai confirmando o Bem supremo que é Jesus de Nazaré, e ao mesmo tempo desmascarando e fazendo ruir por terra os planos dos que optaram pelo mal.
Por isso esse Espírito é também chamado de Consolador, mas não uma consolação que faz os discípulos de Jesus se conformarem com a derrota, ao contrário, é uma consolação santa que os impele para a frente, a caminhar e a resistir na luta contra o mal.  A comunidade apostólica por primeiro, e depois as primeiras comunidades, experimentaram, perceberam e sentiram essa ação do Espírito Santo, que inaugurou o Kairós, tempo que vive a Igreja até a parusia,  quando vier a Plenitude do Reino.
Logicamente que a história é encíclica e hoje como ontem, há os que se opõe radicalmente á Jesus, recusam a sua divindade, rejeitam o Jesus do Evangelho e aderem a um Jesus do Consumismo que não passa de uma grotesca caricatura do nosso Deus. Jesus voltou ao Pai, vencedor da missão que lhe foras confiada, agora caberá á sua Igreja, assistida, orientada e conduzida pelo seu Espírito, percorrer os mesmos caminhos que ele percorreu, na mesma Fidelidade que o levou a nos amar até o fim, entregando á própria vida. 
Não há o que temer e os discípulos de hoje podem dizer sem medo "O Espírito do Senhor está sobre nós..."
2. A nova forma de presença de Jesus

Tendo já anunciado o envio do Espírito (Jo 15,26), Jesus esclarece seus discípulos com mais detalhes. João é o único evangelista a referir-se ao Espírito com um termo (paráklêtos) que tem um amplo sentido, englobando as várias traduções adotadas (Defensor, Consolador, Advogado, etc.).
Jesus fala em sua partida, o que causa tristeza nos corações dos discípulos. Sentir-se-ão sós, em um mundo de conflitos. A partida de Jesus é o fecho de sua vida que foi plenitude de dom de amor aos discípulos e ao mundo. O amadurecimento da compreensão da vida de Jesus exige tempo. Na ausência de Jesus é o Espírito de Verdade e de Amor que os iluminará neste amadurecimento e os fortalecerá na perseverança no seguimento de Jesus. Pelo Espírito, os discípulos encontram a nova forma de presença de Jesus.
O Espírito fará os discípulos verem que os valores oferecidos pelo mundo levam ao pecado da rejeição a Jesus. Verão também que o anúncio da justiça feito por Jesus foi coroado com sua ida para o Pai, e que a estrutura opressora do mundo e seu chefe estão condenados.
Oração
Pai, concede-me o Espírito que me dá forças para enfrentar e vencer o mundo, e manter-me fiel a teu Filho Jesus.
3. O PARÁCLITO

João é o único evangelista a referir-se ao Espírito Santo como o Paráclito (Parakletos), também traduzido por Defensor, Consolador, Advogado. Tendo já mencionado várias vezes o dom do Espírito Santo, agora Jesus retoma o anúncio de sua partida, detendo-se mais na missão do Espírito que será enviado. É bom que Jesus vá, porque o Defensor, o Espírito Santo, enviado aos discípulos unidos em comunidade, dará continuidade histórica ao ministério de Jesus, restaurador da vida. Agora, os próprios discípulos, unidos ao Espírito, são os protagonistas da missão libertadora e vivificante. O Espírito, que já estava presente em Jesus, é colocado em destaque a partir da ocultação do Jesus visível e sensível. O Espírito é uma presença tão forte entre nós como era a presença de Jesus no momento histórico de seu ministério. O Espírito Santo atualiza a presença dele na comunidade dos discípulos. A ação do Espírito é reconhecida, pela fé, em todo ato de amor que remove a injustiça, promove a vida e constrói a comunhão e a paz.
Liturgia da Quarta-Feira 

VI SEMANA DA PÁSCOA

Antífona da entrada: Senhor, eu vos louvarei entre os povos, anunciarei vosso nome aos meus irmãos, aleluia! (Sl 17,50;21,23)

Leitura (Atos 17,15.22-18,1)
Leitura dos Atos dos apóstolos.
17 15 Os que conduziam Paulo levaram-no até Atenas. De lá voltaram e transmitiram para Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível. 
22 Paulo, em pé no meio do Areópago, disse: "Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos. 
23 Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: 'A um Deus desconhecido'. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio! 
24 O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas. 
25 Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. 
26 Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. 
27 Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. 
28 Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça... 
29 Se, pois, somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra lavrada por arte e gênio dos homens. 
30 Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, convida agora a todos os homens de todos os lugares a se arrependerem. 
31 Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-lo ressuscitado dentre os mortos". 
32 Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: "A respeito disso te ouviremos outra vez". 
33 Assim saiu Paulo do meio deles. 
34 Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros. 
18 1 Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto. 

Salmo responsorial 148
Da vossa glória estão cheios o céu e a terra.
Louvai o Senhor Deus nos altos céus, 
louvai-o no excelso firmamento! 
Louvai-o, anjos seus, todos louvai-o, 
louvai-o, legiões celestiais!
Reis da terra, povos todos, bendizei-o, 
e vós, príncipes e todos os juízes; 
e vós, jovens, e vós moças e rapazes, 
anciãos e criancinhas, bendizei-o!
Louvem o nome do Senhor, louvem-no todos, 
porque somente o seu nome é excelso! 
A majestade e esplendor de sua glória 
ultrapassam em grandeza o céu e a terra.
Ele exaltou seu povo eleito em poderio, 
ele é o motivo de louvor para os seus santos. 
é um hino para os filhos de Israel, 
este povo que ele ama e lhe pertence.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Rogarei ao meu Pai e ele há de enviar-vos um outro paráclito, que há de permanecer eternamente convosco (Jo 14,16).

Evangelho (João 16,12-15)

16 12 Assim falou Jesus: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. 
13 Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. 
14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará. 
15 Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará". 

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "O Espírito que atualiza o ANÚNCIO..."

Já imaginaram um site de notícias que só é atualizado de vez em quando ou nunca é atualizado? O segredo para se fazer sucesso é diariamente ter o site atualizado, o internauta entra uma vez, e ao perceber que as notícias são "velhas" nunca mais acessam. Algo parecido ocorre com a Palavra de Deus que Jesus nos trouxe, Ele é o Verbo Encarnado, como afirma São João, entretanto, Jesus de Nazaré viveu em um contexto histórico, religioso, político e social lá do Oriente Médio, diferente da Pós-modernidade de 2012, com o mundo globalizado.
Os problemas que enfrentou, os desafios que teve de encarar, foram diferentes dos que hoje os cristãos do mundo inteiro enfrentam e além do mais, o Cristianismo naqueles primeiros tempos estava fechado em uma religião, e trazia uma identidade da tradição de Israel. Há muitos cristãos sonhadores que hoje se perguntam "O que será que Jesus faria em meu lugar nos dias de hoje, que ensinamentos daria, que orientações faria aos discípulos, que atitudes iria tomar..."
O evangelho de hoje responde direitinho essa questão, se o Jesus Histórico não está em nosso meio, o seu Espírito Santo, enviado pelo Pai está presente em sua Igreja e na vida dos que crêem. Não se trata de um Espírito Mágico, monopólio de uma Religião ou Igreja, aprisionado em uma doutrina, e que de vez em quando faz revelações surpreendentes. Nem é preciso entrar em transe, para atingir o alfa como pensam alguns orientais.
A missão do Espírito é atualizar o Anúncio de Jesus com uma ação evangelizadora eficaz, que tenha força de tocar no coração das pessoas. Trata-se do mesmo Cristo, do mesmo evangelho, da mesma Verdade e da mesma Revelação, porém atualizada para os dias de hoje, pois nosso Deus não é igual aqueles Velhos Resmungões que fica choramingando pelos cantos, dizendo que no seu tempo as coisas eram melhores...
O Espírito renovador, santificador e restaurador, inspira os cristãos a como agir nos dias de hoje. Na comunidade apostólica o Espírito Santo recordou tudo o que Jesus ensinou, hoje ele nos recorda e vai mais longe: define uma autêntica prática cristã, para se fazer o anúncio e dar o testemunho, que é tão eficaz como o testemunho das primeiras comunidades. Porque muitas vezes imaginamos que o fervor cristão vai diminuindo com o passar do tempo, mas é o contrário, o Espírito Santo garante essa ebulição por todo o sempre. E assim, aos cristãos de cada tempo o Espírito se manifesta e atualiza a Santa Palavra anunciada, tornando-se sempre nova e restauradora, não permitindo que se torne uma Velharia do passado, mas algo muito atual, seja qual for o tempo em que se vive...

2. Espírito Santo guiará os discípulos em toda a verdade

Durante a última ceia, nas palavras de Jesus aos seus discípulos pode-se perceber como eles sempre tiveram dificuldades de compreendê-lo em seus propósitos e em seu anúncio. Os cerca de três anos de convívio durante o ministério de Jesus não chegou a remover-lhes as expectativas messiânicas tradicionais. A prática libertadora e vivificante de Jesus deixava-os perplexos. Mesmo depois da crucifixão de Jesus, os discípulos foram lentos em perceber a continuidade de sua presença entre eles. Jesus mencionou o envio do Espírito Santo, que guiará os discípulos em toda a verdade. É o Espírito que já estava presente em Jesus, mas que fica em destaque a partir da ocultação do Jesus visível e sensível. Há uma perfeita comunhão entre Jesus, o Pai e o Espírito, sendo o ensinamento deste a continuidade do ensinamento de Jesus. É o Espírito que ajudará os discípulos a compreenderem o projeto de Deus para mundo.
O Espírito Santo é revelador de toda a verdade, em todos os tempos, em todos os povos. É a revelação da presença de Jesus, hoje, entre os discípulos reunidos em comunidades que se empenham na construção do mundo novo, no qual é abolida a violência e vive-se a paz.
Oração
Pai, que o Espírito me ensine toda a verdade e me revele às coisas que hão de vir, para que eu possa enveredar, com toda segurança, pelo caminho que é Jesus.

3. O ANÚNCIO DO ESPÍRITO

Neste seu discurso de revelação, na última ceia, Jesus destaca a ação iluminadora do Espírito Santo. Tanto o Evangelho de João como os sinóticos, Marcos, Mateus e Lucas, registram a dificuldade dos discípulos em entender toda a profundidade do anúncio de Jesus. Depois da sua crucifixão, foram lentos também em perceber a ressurreição e a continuidade da presença de Jesus entre eles. Será o Espírito da Verdade, enviado por Jesus e pelo Pai, que os ajudará a compreender toda a verdade. O Espírito anunciará o que é do Pai e do Filho. Os discípulos, confirmados por este anúncio, serão testemunhas de Jesus e o glorificarão. É o anúncio da Verdade que continua a ser revelada ao longo dos séculos, em todas as gerações. Erros históricos vão sendo revistos e as influências das ideologias do poder, sobre a fé, estão sendo esvaziadas. As mentiras dos poderosos deste mundo são denunciadas e as esperanças dos povos pela vida e pela paz, fortalecidas. Ao longo dos séculos, o Espírito ilumina e revigora os bem-aventurados, pobres, mansos, pacíficos, misericordiosos, espoliados, comprometidos, que lutam pela justiça na construção do Céu e terra louvem mundo novo.
Liturgia da Quinta-Feira 

VI SEMANA DA PÁSCOA 

Antífona da entrada: Ó Deus, quando saístes à frente do vosso povo, abrindo-lhe o caminho e habitando entre eles, a terra estremeceu, fundiram-se os céus, aleluia! (Sl 67,8s.20)

Leitura (Atos 18,1-8)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
18 1 Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto. 
2 Encontrou ali um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, e sua mulher Priscila. Eles pouco antes haviam chegado da Itália, por Cláudio ter decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo uniu-se a eles. 
3 Como exercessem o mesmo ofício, morava e trabalhava com eles. (Eram fabricantes de tendas.) 
4 Todos os sábados ele falava na sinagoga e procurava convencer os judeus e os gregos. 
5 Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à pregação da palavra, dando aos judeus testemunho de que Jesus era o Messias. 
6 Mas como esses contradissessem e o injuriassem, ele, sacudindo as vestes, disse-lhes: "O vosso sangue caia sobre a vossa cabeça! Tenho as mãos inocentes. Desde agora vou para o meio dos gentios". 
7 Saindo dali, entrou em casa de um prosélito, chamado Tício Justo, cuja casa era contígua à sinagoga. 
8 Entretanto Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com todos os da sua casa. Sabendo disso, muitos dos coríntios, ouvintes de Paulo, acreditaram e foram batizados. 

Salmo responsorial 97/98
O Senhor fez conhecer seu poder salvador 
perante as nações.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, 
porque ele fez prodígios! 
Sua mão e o seu braço forte e santo 
alcançaram-lhe a vitória.
O Senhor fez conhecer a salvação 
e, às nações, sua justiça; 
recordou o seu amor sempre fiel 
pela casa de Israel.
Os confins do universo contemplaram 
a salvação do nosso Deus. 
Aclamai o Senhor Deus, ó terá inteira, 
alegrai-vos e exultai!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Eu não vos deixarei órfãos: eu irei, mas voltarei, e o vosso coração muito há de se alegrar (Jo 14,18).

EVANGELHO (João 16,16-20)

16 16 Jesus disse: "Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai". 
17 Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: "Que é isso que ele nos diz: 'Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver?' E que significa também: 'Eu vou para o Pai?'" 
18 Diziam então: "Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer". 
19 Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: "Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: 'Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver'. 
20 Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria". 


COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "Tristezas e alegrias, Luzes e sombras..."

A vida de todo discípulo de Jesus não é diferente das demais pessoas, ela é cheia de altos e baixos, "Um dia chove, outro dia faz sol", como cantou o poeta Chico Buarque de Holanda, um dia resplandece como uma manhã belíssima, mas logo mais a tarde vêm as nuvens negras com raios e relâmpagos. Na Vida de Fé esse dualismo também está presente, e Jesus está dizendo aos discípulos que será sempre assim: um pouco de tempo e me vereis, mais um pouco e não me vereis, e outro pouco e tornareis a me ver...
A gente queria só luz, alegria, entusiasmo, sucesso, em nossa vida de Fé, na vida em comunidade, mas não é assim, desde o começo Jesus deixou bem claro. Os discípulos não entenderam e nós também não. Então Jesus, que conhece o homem profundamente, todos os pensamentos e sentimentos humanos, vai dizer que ao final, toda a angústia e tristeza dos discípulos vai se transformar em alegria eterna.
Há no mundo uma falsa alegria, que hoje poderíamos dizer, provocada pelo consumismo, pelo sucesso, prestígio e poder, na verdade as alegrias terrenas são legítimas mas não podem substituir na vida dos discípulos aquela que é a Verdadeira alegria e que um dia se tornará plena. A suposta "ausência" de Jesus, a partir da sua Ascensão, é preenchida totalmente pelo Espírito que acompanha a Igreja neste tempo do Kairós até a Parusia.
Em suma, Ver ou não ver Jesus, sentir sua presença em nossa vida ou não, é uma contingência humana por conta das nossas limitações, Deus está sempre presente na ação Trinitária em cuja vida de comunhão somos envolvidos, mas que não nos arrebata desse Vale de Lágrimas, onde é preciso caminhar e Crer, alimentando em nós essa esperança, de que o Senhor caminha conosco, falando e agindo, como fez um dia junto aos seus discípulos.

2. A promessa do Espírito é Verdade e Amor

Uma das características do evangelho de João é o uso da repetição didática de palavras ou frases. A afirmação sobre o ver e o não ver Jesus é repetida três vezes, e a dificuldade de entendimento dos discípulos fica patente.
Jesus já mencionara a sua partida, causando receios e tristeza nos discípulos que já vinham experimentando as ameaças do poder religioso do Templo e das sinagogas. Jesus os confortara com a promessa do Espírito que é Verdade e Amor. Agora esclarece que ele próprio voltará a estar presente entre os discípulos. Dentro de pouco tempo os discípulos não mais verão (theôreite - visão sensível) Jesus. Com mais um pouco de tempo eles o perceberão (opsesthe) em sua presença que foge aos sentidos.
De início os discípulos se entristecem com a morte de cruz e a ausência de Jesus. Mas logo se alegrarão com a presença do Espírito e do próprio Jesus, percebendo que a todos é concedido o dom da vida eterna, o que renova a face da terra, gerando um mundo novo.
Oração
Pai, que o meu testemunho de vida cristã seja tal, que as pessoas possam "ver" Jesus nas minhas palavras e nos meus gestos de amor ao próximo.

3. PERMANECER EM JESUS

Em seqüência ao anúncio de sua partida, Jesus confirma a continuidade de sua presença entre os discípulos com o sugestivo jogo de palavras sobre o pouco tempo que resta para não mais vê-lo e mais um pouco em que será visto de novo. A dinâmica do dom da vida eterna, em João, segue a seguinte trajetória: a Palavra, o Filho, que estava em Deus se faz carne e habita entre nós; é glorificado em sua missão vivificante e libertadora, comunicando a vida eterna, como enviado do Pai; e volta ao Pai. Ao contrário dos sinóticos, João não fala de uma outra "volta" de Jesus ao mundo, mas sim no "permanecer nele". Serão os discípulos que o verão de novo, agora glorificado pelo Pai. O verão dentro de um pouco mais de tempo, ao permanecerem nele, e ele e o Pai nos discípulos. O permanecer em Jesus, unidos em comunidade e fazendo a vontade do Pai, significa, já, a alegria de participar da glória de Jesus, em comunhão de vida eterna com o Pai.
Liturgia da Sexta-Feira 

VI SEMANA DA PÁSCOA *

Antífona da entrada: Vós nos resgatastes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações e fizestes de nós um reino e sacerdotes para o nosso Deus, aleluia! (Ap 5,9s)

Leitura (Atos 18,9-18)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
18 9 Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: "Não temas! Fala e não te cales. 
10 Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade". 
11 Paulo deteve-se ali um ano e seis meses, ensinando a eles a palavra de Deus. 
12 Sendo Galião procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo e levaram-no ao tribunal e disseram: 
13 Este homem persuade os ouvintes a (adotar) um culto contrário à lei. 
14 Paulo ia falar, mas Galião disse aos judeus: "Se fosse, na realidade, uma injustiça ou verdadeiro crime, seria razoável que vos atendesse. 
15 Mas se são questões de doutrina, de nomes e da vossa lei, isso é lá convosco. Não quero ser juiz dessas coisas".
16 E mandou-o sair do tribunal. 
17 Então todos pegaram em Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancaram diante do tribunal, sem que Galião fizesse caso algum disso. 
18 Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto. 

Salmo responsorial 46/47
O Senhor é o grande rei de toda a terra.
Povos todos do universo, batei palmas, 
gritai a Deus aclamações de alegria! 
Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, 
o soberano que domina toda a terra.
Os povos sujeitou ao nosso jugo 
e colocou muitas nações aos nossos pés. 
Foi ele que escolheu a nossa herança, 
a glória de Jacó, seu bem-amado.
Por entre aclamações Deus se elevou, 
o Senhor subiu ao toque da trombeta. 
Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, 
salmodiai, ao som da harpa, ao nosso rei!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Era preciso que Cristo sofresse e ressuscitasse dos mortos para entrar em sua glória (Lc 24,46.26).

EVANGELHO (João 16,20-23)

16 20 Disse Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria. 
21 Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo. 
22 Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria. 
23 Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará". 

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. " VAI PASSAR ...."

"Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear...."
Grandes poetas como o nosso Chico Buarque de Holanda, sempre cantaram a esperança nos momentos difíceis e turbulentos da nossa história. Nesse evangelho de João os discípulos estão ás vésperas da tragédia que irá se abater sobre eles e Jesus os consola, afirmando poeticamente e teologicamente que "Toda aquela tristeza vai passar..."
"Haveis de estar tristes mas toda a vossa tristeza há de se transformar em alegria..." A paixão e a morte de Jesus é necessária, mas não se trata de uma dor do desespero, mas de uma dor toda feita de esperança exatamente como a dor do parto que depois se transforma em risos de alegria.
De fato, os discípulos de Jesus passaram por um período tenebroso, da sua ascensão ao Céu até o dia em que o Espírito os confirmou como Igreja dando-lhes a certeza esperança de que Jesus estava vivo e continuava a caminhar com eles.
Dia desses um irmão da comunidade desabafou de um jeito triste que há muitas coisas erradas na nossa Igreja e que ele tem medo de pensar no que tudo isso vai dar, pois as vezes a Igreja parece tomar decisões contrárias ao evangelho e aos ensinamentos de Jesus, quando não se abre, para sair de si mesma e ir ao encontro das pessoas para fazer o anúncio querigmático, uma igreja que muitas vezes parece estar tão longe dos que sofrem, dos que são injustiçados, dos marginalizados e excluídos...
Exatamente aí, onde tudo parece estar errado, o Espírito de Jesus está agindo, e o coração do autêntico discípulo consegue perceber a sua presença e se enche de alegria. Aos discípulos Jesus falava dos novos tempos que estavam por vir, com a expansão do cristianismo no mundo inteiro, muito além de Jerusalém, onde estava a Igreja Mãe.
Para nós esse evangelho também nos encoraja, a superarmos todas as dificuldades, momentos cruciais marcados por angústias e incertezas, divisões e outras amarguras no meio do povo de Deus, contudo, como a cantiga do poeta, essa Palavra nos consola o coração ferido; TUDO VAI PASSAR... A VOSSA ANGÚSTIA E TRISTEZA SE TRANSFORMARÁ EM ALEGRIA...
2. Promessa de Jesus de permanecer entre os discípulos.

Jesus conclui sua fala de despedida, com a promessa de sua permanência entre os discípulos.
O mundo, com seu chefe, alegrar-se-á com a morte de Jesus, pensando ter assim garantido o seu poder. Os discípulos chorarão e lamentarão os sofrimentos e a morte de Jesus e a sua ausência. Porém, a tristeza é passageira. Com o dom do Espírito e a nova manifestação de Jesus, a alegria voltará para ficar para sempre.
Em conclusão, Jesus usa a comparação da mulher que dá à luz uma criança. A imagem do sofrimento do parto que antecipa o surgimento da vida é usada com frequência no Antigo Testamento. No Novo Testamento, Paulo fará uso desta imagem, ele próprio sofrendo as dores do parto até que Cristo seja formado em seus discípulos (Gl 4,19). Também a própria criação sofre como que em um parto, aguardando a sua libertação (Rm 8,22). A alegria é a alegria da vida, a alegria de viver. Esta alegria se torna estável e permanente quando, mesmo nos sofrimentos, tendo Jesus, se percebe que, no amor, a vida é eterna e a morte não tem poder sobre ela.
Oração
Espírito de felicidade, que a certeza da ressurreição me ajude a suportar as dores e os sofrimentos, sem desfalecer.
3. A NOVA PRESENÇA DE JESUS

Nesta seqüência da fala de Jesus sobre sua ida ao Pai, permanecendo, contudo, junto dos discípulos, o tema é a alegria que supera a tristeza. O ministério de Jesus é inaugurado na alegria, em Caná da Galiléia. Alegria das bodas, com o vinho de Jesus. Agora, com sua partida, não cessará esta alegria, mesmo que passem por momentos de tristeza. As mulheres que têm a experiência de dar à luz uma criança conhecem a supremacia da alegria sobre a tristeza passageira. Enganado, o mundo, submetido aos chefes do poder que matam para se manter, alegrar-se-á com a aparente ausência de Jesus. Porém, os discípulos e todos os que forem libertos deste poder alegrar-se-ão com a nova presença de Jesus entre eles. E ninguém lhes poderá tirar sua alegria. É a vida que supera a morte e é assumida na eternidade. "Aquele dia" é o dia da glória do Pai pelo pleno cumprimento da missão de Jesus. É o dia do dom do Espírito, que revelará aos discípulos a permanência de Jesus entre eles, após sua morte de cruz. Então, o próprio Espírito instruirá os discípulos e os unirá, pelo amor, nas comunidades e no anúncio de Jesus ao mundo.
Liturgia do Sábado 

VI SEMANA DA PÁSCOA 

Antífona da entrada: Povo resgatado por Deus, proclamai suas maravilhas: ele vos chamou das trevas à sua luz admirável, aleluia! (1Pd 2,9)

Leitura (Atos 18,23-28)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
18 23 Paulo se demorou aí apenas por algum tempo, partiu de novo e atravessou sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. 
24 Entrementes, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloqüente e muito versado nas Escrituras, chegou a Éfeso. 
25 Era instruído no caminho do Senhor, falava com fervor de espírito e ensinava com precisão a respeito de Jesus, embora conhecesse somente o batismo de João. 
26 Começou, pois, a falar na sinagoga com desassombro. Como Priscila e Áquila o ouvissem, levaram-no consigo, e expuseram-lhe mais profundamente o caminho do Senhor. 
27 Como ele quisesse ir à Acaia, os irmãos animaram-no e escreveram aos discípulos que o recebessem bem. A sua presença (em Corinto) foi, pela graça de Deus, de muito proveito para os que haviam crido, 
28 pois com grande veemência refutava publicamente os judeus, provando, pelas Escrituras, que Jesus era o Messias. 

Salmo responsorial 46/47
O Senhor é o grande rei de toda a terra.
Povos todos do universo, batei palmas, 
gritai a Deus aclamações de alegria! 
Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, 
o soberano que domina toda a terra.
Porque Deus é o grande rei de toda a terra, 
ao som da harpa acompanhai os seus louvores! 
Deus reina sobre todas as nações, 
está sentado no seu trono glorioso.
Os chefes das nações se reuniram 
com o povo do Deus santo de Abraão, 
pois só Deus é realmente o Altíssimo, 
e os poderosos desta terra lhe pertencem!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Saí do Pai e vim ao mundo, eu deixo o mundo e vou ao Pai (Jo 16,28).

Evangelho (João 16,23-28)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16 23 "Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará. 
24 Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita. 
25 Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas vos falarei abertamente a respeito do Pai. 
26 Naquele dia pedireis em meu nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós. 
27 Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus. 
28 Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "Rezar em nome de Jesus..."

Muitas vezes em nossas relações sociais, somos recomendados a uma pessoa importante por um amigo "Pode falar com ele em meu nome...". E somos tratados bem, e até com certa intimidade pela pessoa importante, em consideração ao amigo que nos recomendou.
A mesma coisa acontece na nossa relação para com Deus, sem vê-lo e sem ouvi-lo diretamente, o homem o conheceu através de Jesus Cristo, e Deus que era alguém tão longe, tornou-se nosso íntimo amigo e companheiro de caminhada, pois Jesus resgatou aquela comunhão de vida entre Deus e o primeiro casal Adão e Eva, com quem andava ao entardecer pelo paraíso, conversando como velhos amigos.
Em nossas orações á Deus, é preciso pedir em nome de Jesus. É claro que nesse caso, não fomos apenas recomendados, mas fomos salvos e libertos., Jesus nos credenciou de novo a entrarmos em comunhão com o Pai. A oração só pode ser em seu nome, porque o Ser humano, só com os seus recursos, jamais iria conseguir se reaproximar de Deus. E quando falamos ao Pai em nome de Jesus, o Pai imediatamente nos reconhece, porque quem conheceu Jesus e o experimentou em sua via, conheceu o Pai e o experimentou.
Ainda tomando o exemplo com que iniciamos a reflexão, muitas vezes a pessoa importante até nos atende por causa do nosso amigo, mas não vai além disso, faz-nos o favor pedido e depois saímos de sua presença, muitas vezes essa pessoa importante vai comentar com alguém "Só o atendi porque Fulano recomendou....". Não é o caso aqui do nosso evangelho, onde quando falamos com Deus em nome de Jesus, o Pai nos acolhe com imenso amor, nos cerca de toda sua ternura e bondade, e nos acolhe como seus por causa do seu Filho.
Enfim, Deus não é aquele que simplesmente "engole o sapo", em consideração ao Filho, mas é aquele que nos chama de Filho amado e nos abre a sua Vida para entrarmos em comunhão para sempre. A razão é muito simples: ao lado do Pai está Aquele que tornou-se Sumo Sacerdote e nosso Intercessor para Sempre. Ao acolher nossas orações, em nome de Jesus, o Pai olha com carinho e amor para o Filho ao seu lado e este, com um leve sorriso assente com um aceno.
2. Pedir em nome de Jesus é pedir em comunhão com ele.

A oração do Pai-Nosso, nos evangelhos de Mateus e Lucas, é simplesmente dirigida ao Pai. O evangelho de João completa o sentido da oração. Trata-se de pedir ao Pai em nome de Jesus. Pedir em nome de Jesus é pedir em comunhão com ele. Jesus não é um intercessor separado, que permanece à parte, mas intercede em comunhão conosco. O intercessor já é o próprio Deus, presente e atencioso às nossas necessidades. O impulso da oração brota do nosso convívio com Jesus e da inspiração do Espírito Santo.
Jesus falará claramente aos discípulos através do Espírito Santo que enviará conjuntamente com o Pai. A oração de Jesus pelos seus funda a comunidade e a consolida com o dom do Espírito Santo. Com a iniciativa do pedir, o discípulo integra-se no projeto de Deus em renovar todas as coisas, inserido em comunidades solidárias que testemunham o amor que jorra para a vida eterna.
A presença de Jesus junto ao Pai, como realidade da humanidade divinizada, se constitui em vínculo de comunhão eterna entre Deus e esta humanidade.
Oração
Pai, dá-me um coração que saiba reconhecer e agradecer tudo quanto teu Filho fez para salvar a humanidade pecadora. E que seja ele o meu eterno intercessor junto de ti.

3. PEDIR AO PAI EM NOME DE JESUS

A oração comporta o contemplar e o louvar a Deus, o pedir e a ação de graças. Ação de graças são os atos de amor ao próximo, praticados graciosamente. Pedir em nome de Jesus significa pedir em união de vontade com ele. Pedir tudo o que é necessário para a realização da vontade do Pai. O convite ao pedir, dirigido aos discípulos, dá-lhes responsabilidade e integra-os no dinamismo da missão. Com a iniciativa do pedir, o discípulo integra-se no plano libertador e vivificante de Deus. E com a certeza do atendimento de seu pedido pelo Pai, fortalece sua esperança e perseverança na luta, em completa alegria. Jesus falará com clareza, aos discípulos, através do Espírito da Verdade, que enviará. Completa-se a sua missão: ele saiu do Pai, veio ao mundo e, agora, deixa o mundo e vai para o Pai. Quem está em união com Jesus e, nele, com o Pai, participa de uma só vontade. O seu pedir é a realização da vontade do Pai. Em união com Jesus, vive-se o amor na comunidade, a oração e a missão de servir os pobres em suas necessidades e seus direitos.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

5ª semana da Páscoa


5º Domingo de Páscoa  ANO B
Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Somos convidados a refletir sobre a nossa união a Cristo; e que só unidos a Cristo temos acesso à vida verdadeira. Utilizando a comparação da videira e dos ramos, reforçamos a proposta da comunidade unida a Cristo, fecunda no amor e comunhão. O critério para saber se há comunhão entre os ramos, que são os cristãos, e Cristo, é a presença dos frutos. Assim, é necessário permanecer unido a Cristo para receber a seiva e dar frutos. Hoje, damos graças pelo batismo, que nos inseriu em Cristo como ramos na videira, pela palavra que nos purifica e pelo sofrimento que poda todo o mal. O vinho, fruto da videira, é sinal expressivo dessas realidades, e sacramento da nova aliança no sangue de Jesus. Portanto, permaneçamos no amor de Cristo. Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos cânticos jubilosos ao Senhor!.
Antífona da entrada: Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas; e revelou sua justiça diante das nações, aleluia! (Sl 97,1s)
Primeira Leitura (Atos 9,26-31)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
9 26 Chegando a Jerusalém, tentava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo. 
27 Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o nome de Jesus. 
28 Daí por diante permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o nome do Senhor. 
29 Falava também e discutia com os helenistas. Mas estes procuravam matá-lo. 
30 Os irmãos, informados disso, acompanharam-no até Cesaréia e dali o fizeram partir para Tarso. 
31 A Igreja gozava então de paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Estabelecia-se ela caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo a fazia crescer em número. 

Salmo responsorial 21/22
Senhor, sois meu louvor em meio à grande assembléia!
sois meu louvor em meio à grande assembléia; 
cumpro meus votos ante aqueles que vos temem! 
Vossos pobres vão comer e saciar-se, 
e os que procuram o Senhor o louvarão. 
"Seus corações tenham a vida para sempre!"
Lembrem-se disso os confins de toda a terra, 
para que voltem ao Senhor e se convertam, 
e se prostrem, adorando, diante dele 
todos os povos e as famílias das nações. 
Somente a ele adorarão os poderosos, 
e os que voltam para o pó o louvarão.
Para ele há de viver a minha alma, 
toda a minha descendência há de servi-lo; 
às futuras gerações anunciará 
o poder e a justiça do Senhor; 
ao povo novo que há de vir, ela dirá: 
"Eis a obra que o Senhor realizou!"
Segunda Leitura (1 João 3,18-24)
Leitura da primeira carta de são João.
3 18 Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade. 
19 Nisto é que conheceremos se somos da verdade, e tranqüilizaremos a nossa consciência diante de Deus, 
20 caso nossa consciência nos censure, pois Deus é maior do que nossa consciência e conhece todas as coisas. 
21 Caríssimos, se a nossa consciência nada nos censura, temos confiança diante de Deus, 
22 e tudo o que lhe pedirmos, receberemos dele porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável a seus olhos. 
23 Eis o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos mandou. 
24 Quem observa os seus mandamentos permanece em (Deus) e (Deus) nele. É nisto que reconhecemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu. 

Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor; quem em mim permanece; esse dá muito fruto (Jo 15,4s).

EVANGELHO (João 15,1-8)
15 1 Disse Jesus: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; 
2 e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. 
3 Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. 
4 Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. 
5 Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 
6 Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. 
7 Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. 
8 Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos". 
FORMAÇÃO LITÚRGICA
Liturgia da Palavra
A finalidade da Liturgia da Palavra é reavivar o diálogo da aliança entre Deus e seu povo, receber uma orientação para nossa vida, estreitar os laços de amor e fidelidade. Neste diálogo, nossa atitude é de escuta atenta e amorosa para que Deus possa nos falar dentro da realidade bem concreta de nossa vida. E também de resposta, de acolhimento sincero, de adesão consciente, de decisão convicta, de conversão, para que a Palavra possa dar frutos em nossa vida. O Senhor nos fala e nós entramos em diálogo com Ele. Respondemos de diversas formas: ouvindo atentamente, acolhendo no coração, salmodiando, aclamando, atualizando, professando a fé e apresentando nossas preces para vivê-la na celebração e no dia-a-dia, em nossas lidas e lutas. Para que tudo isso aconteça é preciso destacar a importância dos ministérios dos leitores/as, do/a salmista, de quem proclama o evangelho e faz a homilia. É importante valorizar a mesa da palavra, que foi reintroduzida pelo Concílio Vaticano II, para proclamar as leituras, o evangelho, cantar o salmo, fazer a homilia e as preces dos fiéis. Deus fala através das ações corporais dos ministros/as: gestos, tom de voz, postura e atitudes diante da mesa da Palavra, do livro, de sua maneira de olhar e se dirigir à assembleia. A humildade, a convicção e o compromisso, como ouvinte da Palavra, possibilitam uma eficaz comunicação de Deus com seu povo reunido. Além de cuidar que as ações sejam bem feitas em termos de comunicação, é preciso que elas sejam de verdade, ações simbólico-sacramentais, capazes de expressar e realizar o que significam, ou seja: a palavra do Senhor viva e transformadora para a comunidade reunida em seu Nome. Assim, toda a Li turgia da Palavra torna-se um diálogo amoroso e comprometedor entre Deus e seu povo, animado pelo Espírito Santo. E, o Verbo de Deus, Palavra viva do Pai, o próprio Cristo, se torna CARNE em nós para continuarmos sua ação salvadora, entregando nossa vida para a transformação do mundo.
TEXTOS BÍBLICOS PARA A SEMANA:

2ª Br - At 14,5-18; Sl 113; Jo 14,21-26
3ª Br - At 14,19-28; Sl 144; Jo 14,27-31a
4ª Br - At 15,1-6; Sl 121; Jo 15,1-8
5ª Br - At 15,7-21; Sl Sl 95; Jo 15,9-11
6ª Br - At 15,22-31; Sl 56; Jo 15,12-17
Sb Br - At 16,1-10; Sl 99; Jo 15,18-21

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1.      "NOSSA QUERIDA VIDEIRA!"
Há muita gente que, por mera falta de conhecimento, interpreta de maneira equivocada esse evangelho de São João, onde Jesus se apresenta como a Videira. Talvez porque seja mais fácil entender que se trata de algo pessoal: falando da minha espiritualidade, minha intimidade com o Cristo, minha permanências nele, através das minhas orações e da minha sacramentalidade, pois só assim irei produzir os “meus frutos”. Não há dúvidas de que o texto traz um apelo à conversão pessoal, possível a partir da permanência, isso é, em comunhão com Jesus Cristo mediante a graça santificante, mas o evangelho também apresenta indícios de uma relação bem mais ampla e complexa, basta ver a conclusão lógica: Fora da videira, além de não produzir nenhum fruto, também iremos morrer e ser destruídos para sempre, nas chamas do fogo eterno.
Se entendermos a expressão Joanina ao pé da letra, esse fogo se apresenta como um castigo, e nesse caso, permanecer com Cristo seria uma obrigação e não uma opção pessoal por esta vida, totalmente nova que ele nos oferece. A estrutura de um vegetal é algo muito complexo: raiz, tronco, ramos, folhas, flores e frutos. A esse respeito, lembrei-me de uma história muito interessante, que ilustra bem a reflexão.
Ao passar o final de semana na chácara da família, o menino disse ao pai, que queria fazer um discurso de agradecimento a uma árvore, pelo fruto adocicado que acabara de saborear, mas que queria saber, por onde começar “A quem agradeço primeiro, a raiz, ao tronco ou ao galho, onde apanhei o fruto?” O pai sorrindo, explicou que o fruto saboroso foi produzido pela árvore toda em seu conjunto, e não apenas por uma de suas partes. É João também, o autor da célebre afirmação de que, “Quem diz que ama a Deus que não vê, mas não ama o irmão que vê, é mentiroso, pois a verdade não está nele”.
Então o evangelho da Videira fica bem mais claro para todos nós, sem essa comunhão com Cristo e com os irmãos da comunidade, não iremos produzir frutos, ou os frutos não serão de boa qualidade. É na Igreja comunidade, que vivemos e celebramos essa comunhão. Permanecer, não significa um encontro casual ou acidental, nem tão pouco quer dizer fechar-se dentro do seu grupo, da sua equipe, pastoral ou movimento, quando temos essa atitude, de só se sentir bem no “meu grupo”, o horizonte se apequena, porque se trata de uma fuga das relações complexas e assim, eu acabo-me “escondendo” no meu grupo, ali não serei questionado, não precisarei buscar mais nada, pois terei enfim encontrado a sonhada paz, a comunidade perfeita.
Um ramo assim está fadado a secar, irá perder a vitalidade e acabará caindo ou sendo arrancado por algum vento impetuoso que sopra contrário, pois não é função do tronco conduzir a seiva a um ramo em particular, mas a todos os ramos. Fechar-se no grupo significa uma tentativa infrutífera de monopolizar a seiva da graça de Deus, só para nós, com exclusividade. Há igrejas cristãs que pensam assim, há grupos cristãos que também pensam desta forma, alimentando a ilusão de que o cristianismo fechado em um grupo é uma maravilha, uma bênção e uma grande graça. Quanto engano!
O evangelho desse domingo, escrito por São João, desmonta toda essa “fantasia colorida”. A ameaça de ruptura e destruição no fogo, não é para os que não pertencem á Videira, mas sim para os de dentro, que insistem em caminharem sozinhos, sem uma inserção na vida comunitária. São Paulo usa a mesma linguagem da videira, quando vislumbra a Igreja como um Corpo, onde nós somos os membros e Cristo é a Cabeça, o pé não tem nenhuma importância em si mesmo, se não considerarmos sua relação com o corpo, um membro separado do corpo, não serve para nada, não tem função alguma, ele só se torna valioso e importante, quando unido permanentemente com o corpo todo.
Nossa caminhada enquanto igreja, não pode ser alimentada por essas fantasias e mentiras inebriantes, pois elas não resistirão ao Fogo da Verdade Divina.
2. A comunidade que dá frutos de amor
João, no seu evangelho, apresenta mais uma autoproclamação de Jesus na qual diz ser, ele próprio, a videira verdadeira. No Primeiro Testamento a divindade se revelara a Moisés com o nome: "Eu Sou". As autoproclamações de divindades já eram encontradas nas tradições religiosas da cultura egípcia. No evangelho de João são inúmeras as autoproclamações de Jesus: eu sou... o pão da vida, o pão descido do céu, a luz do mundo, a porta das ovelhas, o bom pastor, a ressurreição, o caminho, a verdade e a vida, e, agora, a videira. Enquanto o deus de Moisés permanecia um deus invisível e nas alturas, agindo a distância, as autoproclamações do evangelho de João revelam Jesus como sendo Deus intimamente presente no mundo, convivendo com as pessoas, relacionando-se de maneira simples e comum com homens, mulheres e crianças.
Com esta última autoproclamação, Jesus acentua a íntima relação que existe entre seus discípulos e ele. A imagem usada é a da videira, cujo cultivo era comum nas civilizações antigas em vista da produção do vinho. A poda dos ramos nos quais não brotaram frutos, a fim de fortalecerem os ramos carregados, era uma prática comum no seu cultivo. A simbologia da videira é muito usada no Antigo Testamento, representando o povo de Israel. Jesus lhe dá um novo sentido. Todos, sem discriminações de raça, religião ou condição social, em todos os tempos, são seus ramos. É a perspectiva universalista do dom do amor divino e da vida eterna. Aos ramos cabe dar os frutos. Os ramos sem frutos serão separados da videira. Podemos perceber estes ramos sem frutos em Atos dos Apóstolos (primeira leitura), naqueles judeus de língua grega que rejeitavam a pregação de Paulo e procuravam matá-lo. O ramo que dá fruto é limpo para que dê mais frutos ainda. O ramo unido à videira é o discípulo que permanece em Jesus e Jesus, nele. É o ramo que é tornado limpo pela acolhida e prática da palavra de Jesus.
A íntima inserção dos ramos ao tronco da videira é uma sugestiva imagem da permanência dos discípulos em Jesus. O verbo "permanecer" aparece oito vezes no texto. O permanecer em Jesus significa permanecer em comunhão de amor com o próximo e com Deus, já participando da vida eterna. Na Primeira Carta de João (segunda leitura) é destacado que, quem vive o mandamento de amor, permanece em Deus e Deus permanece nele, o que significa a participação em sua vida divina e eterna.
A comunidade unida, em comunhão com Jesus e praticando sua palavra, tem como fundamento de sua oração pedir que seja feita a vontade do Pai. E o Pai é glorificado pela comunidade que dá frutos de amor, no empenho em remover a injustiça do mundo e promover a vida para todos.
Oração
Senhor Jesus, que minha união contigo leve-me a produzir, sempre mais, os frutos de amor e de justiça esperados por ti.
3. A VIDEIRA, OS RAMOS E OS FRUTOS
No Primeiro Testamento, o deus de Moisés se revelara como "Eu Sou". As autoproclamações de divindades já eram encontradas no Egito. No Evangelho de João são inúmeras as autoproclamações de Jesus: Eu sou... o pão da vida, o pão descido do céu, a luz do mundo, a porta das ovelhas, o bom pastor, a ressurreição, o caminho, a verdade e a vida, a videira, entre outras.
Com elas, Jesus revela- se como o Deus intimamente presente no mundo, na vida das pessoas, relacionando-se de maneira simples e comum com homens, mulheres e crianças.
Jesus se autoproclama como a videira verdadeira. A videira, na tradição do Antigo Testamento, representa o povo de Israel. Jesus lhe dá um novo sentido, no qual todos, sem discriminações de raça, religião ou condição social, em todos os tempos, são seus ramos. É a perspectiva universalista do dom do amor divino e da vida eterna.
Aos ramos cabe dar os frutos. Os ramos sem frutos serão separados da videira. O ramo unido à videira é o discípulo que permanece em Jesus, e Jesus nele. Os ramos unidos à videira são a comunidade unida a Jesus, que ora ao Pai e é ouvida.
A Primeira Carta de João (segunda leitura) desenvolve o tema da permanência em Jesus. Quem ama com ações e de verdade permanece em Deus. E é permanecendo em Jesus que os discípulos produzirão os frutos que são do agrado do Pai. E a seiva do amor que une Jesus e os discípulos cria laços entre as pessoas, leva à fraternidade, à solidariedade e comunica a vida. Na primeira leitura, vemos como a conversão de Saulo levou-o, logo de início, a uma pregação corajosa. Em continuidade, sua missão frutificou em inúmeras comunidades de fé.
Liturgia da Segunda Feira
V SEMANA DA PÁSCOA
Antífona da entrada: Ressuscitou o bom pastor, que de a vida por suas ovelhas e quis morrer pelo rebanho, aleluia!
Leitura (Atos 14,5-18)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
14 5 Mas como se tivesse levantado um motim dos gentios e dos judeus, com os seus chefes, para os ultrajar e apedrejar, 
6 ao saberem disso, fugiram para as cidades da Licaônia, Listra e Derbe e suas circunvizinhanças. 
7 Ali pregaram o Evangelho. 
8 Em Listra vivia um homem aleijado das pernas, coxo de nascença, que nunca tinha andado. 
9 Sentado, ele ouvia Paulo pregar. Este, fixando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado, 
10 disse em alta voz: "Levanta-te direito sobre os teus pés!" Ele deu um salto e pôs-se a andar. 
11 Vendo a multidão o que Paulo fizera, levantou a voz, gritando em língua licaônica: "Deuses em figura de homens baixaram a nós!" 
12 Chamavam a Barnabé Zeus e a Paulo Hermes, porque era este quem dirigia a palavra. 
13 Um sacerdote de Zeus Propóleos trouxe para as portas touros ornados de grinaldas, querendo, de acordo com todo o povo, sacrificar-lhos. 
14 Mas os apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram as suas vestes e saltaram no meio da multidão:
15 "Homens, clamavam eles, por que fazeis isso? Também nós somos homens, da mesma condição que vós, e pregamos justamente para que vos convertais das coisas vãs ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles há. 
16 Ele permitiu nos tempos passados que todas as nações seguissem os seus caminhos. 
17 Contudo, nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios: dando-vos do céu as chuvas e os tempos férteis, concedendo abundante alimento e enchendo os vossos corações de alegria". 
18 Apesar dessas palavras, não foi sem dificuldade que contiveram a multidão de sacrificar a eles. 

Salmo responsorial 113B/115
Não a nós, ó Senhor, não a nós, 
ao vosso nome, porém, seja a glória.
Não a nós, ó Senhor, não a nós, 
ao vosso nome, porém, seja a glória, 
porque sois todo amor e verdade! 
Por que há de dizer os pagãos: 
"Onde está o seu Deus, onde está?"
É nos céus que está o nosso Deus, 
ele faz tudo aquilo que quer. 
São os deuses pagãos ouro e prata, 
todos eles são obras humanas.
Abençoados sejais do Senhor, 
do Senhor que criou céu e terra! 
Os céus são os céus do Senhor, 
mas a terra ele deu para os homens.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
O Espírito Santo, o paráclito, haverá de lembrar-vos de tudo o que tenho falado, aleluia (Jo 14,26).

Evangelho (João 14,21-26)
14 21 Disse Jesus: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele". 
22 Pergunta-lhe Judas, não o Iscariotes: "Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?" 
23 Respondeu-lhe Jesus: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada. 
24 Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou. 
25 Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. 
26 Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "O tempo da Igreja é Regido pelo Espírito..."
Neste evangelho a gente observa uma palavra importante GUARDAR, que se repete por três vezes,  nos exortando a guardar a Palavra, como compromisso assumido por quem ama a Deus que se manifestou em Jesus.
Os discípulos tinham dificuldade de entender essas coisas, como poderiam eles guardar todas as palavras de Jesus? Nos dias de hoje podemos fazer arquivo de som e imagem de modo tranquilo, mas naquele tempo não havia essa tecnologia. De mais a mais Jesus não está falando apenas de gravar a sua Palavra, mas sim de guarda-la dentro do coração, nas entranhas do Ser Humano, perpassando a razão e o coração que é a porta da Fé.
No final do evangelho Jesus anuncia o tempo novo que está chegando, quando o Espírito Santo irá reger a Igreja, recordando a cada discípulo todo o ensinamento e todas as palavras de Jesus. Essa ação Divina no Espírito Santo é fácil de ser constatada, decorridos mais de dois milênios de História, a Sagrada Escritura chegou até nós intacta e no Novo Testamento encontramos a experiência das primeiras comunidades, todas surgidas a partir de um único evangelho, de um único testemunho apostólico e passando por tempos e situações diferentes, inclusive períodos nebulosos na história da Igreja, chegou até nós incólume, apesar dos pecados da Igreja e de escândalos que abalaram o mundo, ninguém conseguiu mudar uma vírgula ou uma letra dos evangelhos e dos escritos do Novo Testamento.
Claro que o Espírito Santo não faz isso de forma mágica, mas agindo no coração e na razão daqueles que generosamente, através da Fé se abrem a essa ação. As revelações do Espírito Santo não são novas e inéditas, elas apenas recordam e atualizam tudo o que Jesus ensinou, e a grande novidade: o Espírito Santo mostra-nos o melhor método para evangelizar nos dias de hoje, o que não podemos ser é uma Igreja fechada em si mesma, tentando evangelizar com fórmulas antigas que não mais convencem... Nesse sentido, o Concílio Vaticano II nos alertou sobre a necessidade de uma abertura ao mundo, não para assimilar os seus valores nefastos, mas para transformá-lo, precisamos conhecer cada vez mais e melhor o contexto em que a evangelização vai ser feita.
Logicamente que enquanto membros da Igreja, Batizados e com a missão de sermos discípulos e missionários do Senhor, não precisamos nos preocupar com O QUE FAZER, pois isso nós já sabemos: Ide evangelizar em todas as Nações. Mas COMO EVANGELIZAR nos dias de hoje, aí está o nosso desafio, que exige sempre  uma abertura maior ao Espírito Santo que vai nos apontando o caminho, mostrando novos métodos para se fazer com que a Graça Santificante e Operante de Deus, alcance o coração das pessoas.
Esse é portanto o tempo da Igreja, regido pelo Espírito Santo, mas que exatamente como nas primeiras comunidades, Jesus precisa do homem, para dar continuidade á essa Missão  neste terceiro milênio da História. A Revelação tem sempre em sua essência a Verdade que todo homem precisa saber: Deus nos ama em Jesus Cristo e deseja e quer que cada ser humano atinja a Plenitude dessa Vida Eterna que em seu amado Filho Ele nos antecipou...
2. O Espírito Santo mantém viva a Palavra de Jesus
Continua o diálogo de Jesus com os discípulos, na última ceia, em um clima de paz, confiança, carinho e amor.
Os mandamentos de Jesus podem ser encontrados nas bem-aventuranças. Não são mandamentos impostos, mas um convite à experiência do amor que une as pessoas entre si e com Deus. Resumem-se no novo mandamento, que é a identificação entre o amor de Jesus e o amor dos discípulos: "Amai-vos uns aos outros como vos amei" (Jo 13,34; 15,12).
Aqueles que estão no mundo e optam pelo amor de Jesus, serão morada de Deus. Quem não ama, permanece subjugado pelos poderosos do mundo. O Defensor, Espírito Santo, enviado do Pai, é o próprio Amor que habita em Jesus. Ele mantém viva entre nós a palavra de Jesus, que é a Palavra do Pai que comunica a vida eterna. O Espírito de Amor nos move ao compromisso com a transformação do mundo. Surge assim um mundo novo recriado pelo amor que gera a alegria, a felicidade e a paz, sem fim, para todos.
Oração
Pai, desperta em mim o desejo e a disposição de amar Jesus e de pôr em prática as palavras dele. Assim, estarei seguro de ser amado por ti e de viver em comunhão contigo.
3. O dom da vida eterna
João, no seu Evangelho, nos revela o dom da vida eterna em Jesus. A comunhão de amor com ele é comunhão com o próximo e com o Pai, na eternidade. E nesta comunhão, o discípulo conta com a presença do Espírito Santo, que é a luz de seus passos. João, pela repetição, realça a equivalência entre o amor a Jesus e o cumprimento de seus mandamentos. E o mandamento de Jesus é amar como ele amou. Antes, Jesus afirmara que iria ao Pai para preparar uma morada para os discípulos. Agora, fica esclarecido que esta morada não é em outro lugar distante, no céu, mas no próprio discípulo que guarda sua palavra. Segue nova afirmação da união com o Pai: a sua palavra é a palavra do Pai. A habitação divina nos discípulos completa-se com o envio do Defensor (Parakletos), o Espírito Santo. Sua missão é revelar a presença de Jesus nas comunidades, iluminar suas palavras e fortalecer a fé dos discípulos.
Liturgia da Terça-Feira
V SEMANA DA PÁSCOA
Antífona da entrada: Louvai o nosso Deus, todos vós que o temeis, pequenos e grandes; pois manifestou-se a salvação, a vitória e o poder de seu Cristo, aleluia! (Ap 19,5;12-10)
Leitura (Atos 14,19-28)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
14 19 Sobrevieram, porém, alguns judeus de Antioquia e de Icônio que persuadiram a multidão. Apedrejaram Paulo e, dando-o por morto, arrastaram-no para fora da cidade. 
20 Os discípulos o rodearam. Ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe. 
21 Depois de ter pregado o Evangelho à cidade de Derbe, onde ganharam muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia (da Pisídia). 
22 Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações. 
23 Em cada igreja instituíram anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham confiado. 
24 Atravessaram a Pisídia e chegaram a Panfília. 
25 Depois de ter anunciado a palavra do Senhor em Perge, desceram a Atália. 
26 Dali navegaram para Antioquia (da Síria), de onde tinham partido, encomendados à graça de Deus para a obra que estavam a completar. 
27 Ali chegados, reuniram a igreja e contaram quão grandes coisas Deus fizera com eles, e como abrira a porta da fé aos gentios. 
28 Demoraram-se com os discípulos longo tempo. 
Salmo responsorial 144/145
Ó Senhor, vossos amigos anunciem 
vosso reino glorioso.
Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, 
e os vossos santos, com louvores, vos bendigam! 
Narrem a glória e o esplendor do vosso reino 
e saibam proclamar vosso poder!
Para espalhar vossos prodígios entre os homens 
e o fulgor de vosso reino esplendoroso. 
O vosso reino é um reino para sempre, 
vosso poder, de geração em geração.
Que a minha boca cante a glória do Senhor 
e que bendiga todo ser seu nome santo, 
desde agora, para sempre e pelos séculos.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Era preciso que Cristo sofresse e ressuscitasse dos mortos para entrar em sua glória, aleluia! (Lc 24,46.26)

Evangelho (João 14,27-31)
14 27 Disse Jesus: "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize! 
28 Ouvistes que eu vos disse: 'Vou e volto a vós'. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu. 
29 E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que creiais quando acontecerem. 
30 Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo; mas ele não tem nada em mim. 
31 O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "A Paz do Mundo..."
Sempre que leio essa afirmativa de Jesus, no evangelho de João "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como mundo a dá..." me questiono sobre a Paz que o mundo nos oferece... Paz que tem o sinônimo de sossego, ausência de problemas, tranquilidade, despreocupação. Para o mundo, ficar em paz é não ter nenhuma contrariedade ou aborrecimento, portanto, é poder fazer tudo o que se quer, é não ter que ficar esperando, é não depender de ninguém nem de nada, é ter autonomia, é poder quebrar certas normas ou regras, usufruir de exceções, ter regalias e mordomias. É difícil falar de Paz do mundo, sem pensar no poder econômico, em uma riqueza e um patrimônio egocêntrico. Que outra Paz o mundo pode nos oferecer que não seja esta?
Há uma outra paz que inventaram por aí, e que até colocaram nela um rótulo cristão, mas é tão fútil como a Paz do mundo: as vezes a chamam de Paz interior, é a religião que arrebata o homem para o céu, ainda em vida, o alienando de toda e qualquer realidade que o cerca, caindo naquele dualismo sinistro de que, o mundo é mal e cruel, só Deus é bom, resta esperar que Deus supere o mal e restitua esse paraíso que o nosso pecado perdeu. Essa paz , nós poderíamos chamar de "A Paz dos desiludidos..." E olhe que são muitos que pensam dessa forma, a gente tendo Fé, lá de vez em quando Deus revela o seu poder em Jesus e nos traz algum benefício. Um Deus que nos livra de todas as angústias humanas, bem diferente do Deus Pai de Jesus, que foi condenado e morreu em uma cruz.
A Paz de Jesus é a Graça Santificante e Operante que Ele nos comunica a partir do nosso Batismo e que nos possibilita viver com Ele em eterna comunhão, ter a Vida de Deus em nós e permitir que a nossa Vida também esteja Nele. É bom termos consciência de que essa situação de sermos agraciados a partir da Fé, não nos torna imunes as angústias, tribulações e sofrimentos inerentes ao ser humano, como muitos pensam..."Encontrei Jesus e meus problemas acabaram (quando na verdade, apenas começaram...) "
Que atitudes ou que testemunho deve dar um discípulo de Jesus, que vive na Fé pela Graça de Deus? Nada mais além do que o amor e a fidelidade ao Pai, como Jesus resume toda a sua postura no final do evangelho. Amar e ser Fiel a Deus, quando se navega em águas mansas e calmas, não é assim tão difícil, contudo, que ninguém se iluda, pois olhando para Jesus vamos ver que esse itinerário da Fé passa necessariamente pelas tribulações. É nesse sentido que Jesus quer tirar dos seus discípulos a insegurança e o medo diante dos desafios, e por isso os tranquiliza se fazendo presente, agora na plenitude do Espírito que orienta e conduz á sua Igreja, que somos todos nós...
2. A paz de Jesus vai ao mais profundo do ser
Após anunciar sua volta à casa do Pai, Jesus, agora, dá a sua paz aos discípulos. A palavra "paz" tem nuances diferentes, conforme a língua. No hebraico (shalom) tem o sentido de uma transação comercial concluída com sucesso, em uma situação de abundância em que nada falta.
O termo grego (eirênê) vai no sentido da ordem estabelecida. Jesus não dá sua paz à maneira do mundo. Seu desejo de paz não é uma saudação formal nem um desejo de riqueza ou de acomodação em um mundo de injustiças, seja como privilegiado, seja como espoliado.
A paz de Jesus vai ao mais profundo do ser. Ela é fruto da libertação do oprimido e do explorado. Ela é a expressão de uma vida fraterna, em que cada um se sente respeitado e valorizado na simplicidade de seu ser. A paz de Jesus perturba a paz do mundo dos poderosos e acomodados.
Dada a paz, Jesus exorta à alegria pelo encontro com o Pai. Jesus fez tudo o que o Pai mandou, e o chefe deste mundo nada pode contra ele. A violência e a morte praticadas pelos poderosos nada podem contra a paz da comunhão com Deus, fonte de vida eterna. 

Oração
Senhor Jesus, conduze-me pelos caminhos da tua paz, que é fruto do amor e da justiça, expressões da comunhão fraterna.
3. A Paz Libertadora
Nestes últimos momentos de despedida, Jesus comunica sua paz aos discípulos. A paz do mundo é falsa e enganosa, coexistindo com a perturbação e o medo. É a paz de Jesus que os remove. A paz do mundo é a ausência de discordâncias, questionamentos ou conflitos, vigorando a submissão geral à ordem imposta pelo poder. Era esta também a paz na concepção do messianismo davídico da tradição de Israel. Era assim no Império Romano e assim é hoje no império de mercado globalizado sob a hegemonia estadunidense. Para os pequenos e oprimidos, esta paz torna-se acomodação ao sistema opressor diante da insegurança e do medo. A paz de Jesus é decorrente da prática da justiça. É a paz que ele proporcionou aos discípulos e às multidões com sua prática libertadora, fraterna, solidária, restauradora da vida e da dignidade de homens e mulheres. É a paz alcançada ao se abrir mão da vida oferecida pelos ideais de sucesso deste mundo. É a paz de reencontrar a vida na união de vontade com o Pai amoroso. É o empenho, em mutirão, na construção de um mundo novo unido pelo amor que gera a vida eterna.
Liturgia da Quarta-Feira
V SEMANA DA PÁSCOA
Antífona da entrada: Que o vosso louvor transborde de minha boca; meus lábios exultarão, cantando de alegria, aleluia! (Sl 70,8.23)
Leitura (Atos 15,1-6)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
15 1 Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: "Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos". 
2 Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém. 
3 Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria. 
4 Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles. 
5 Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. 
6 Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão. 
Salmo responsorial 121/122
Que alegria quando ouvi que me disseram: 
"Vamos à casa do Senhor!"
Que alegria quando ouvi que me disseram: 
"Vamos à casa do Senhor!" 
E agora nossos pés já se detêm, 
Jerusalém, em tuas portas.
Jerusalém, cidade bem edificada 
num conjunto harmonioso; 
para lá sobem as tribos de Israel, 
as tribos do Senhor.
Para louvar, segundo a lei de Israel, 
o nome do Senhor. 
A sede da justiça lá está 
e o trono de Davi.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Ficai em mim e eu em vós ficarei, diz Jesus; 
quem em mim permanece há de dar muito fruto (Jo 15,4s).

Evangelho (João 15,1-8)
15 1 Disse Jesus: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; 
2 e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. 
3 Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. 
4 Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. 
5 Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 
6 Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. 
7 Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. 
8 Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "Somos os ramos..."
Esse evangelho onde Jesus usa da parábola da videira, provoca em nós dois olhares diferentes, primeiro um olhar para nós, em torno da nossa Fé como um ato pessoal, e como é que essa nossa Fé é alimentada porque, como um dos ramos da videira, se não for alimentada ela poderá secar. O Documento 94 das DGAE coloca como ponto fundamental e essencial o próprio Jesus Cristo, se Ele não for o nosso ponto de partida nós estamos caminhando do ZERO para lugar nenhum... A oração, os sacramentos, a Palavra e a Eucaristia nos alimentam de maneira eficiente e a nossa paróquia têm tudo isso á nossa disposição, através das pastorais e dos Ministros Sagrados.
E aqui está o nosso segundo olhar, exatamente naquilo que somos e fomos constituídos pelo Batismo: Filhos e Filhas de Deus, membros da Igreja e irmãos e irmãs no Senhor! Aqui a parábola da Videira nos dá uma "sacudida" violenta, lembrando-nos que somos ramos, ligados entre si, alimentados pela mesma Graça Vivificante, e que só frutificamos se assim permanecermos. Talvez uma frase pudesse resumir esse ensinamento de João, sendo isso que ele queria dizer às suas comunidades: Longe dos irmãos e irmãs da comunidade, corremos o sério risco de secar...
A reflexão se aprofunda ainda mais quando pensamos nessa ligação que se chama na verdade comunhão, com os demais ramos. Note-se que em uma árvore, não dá para um ramo cortado manter as aparências e fazer de conta que está ligado aos demais, porque com o passar dos dias vai perder a vivacidade e o verde das folhas e começará o processo de morte daquele ramo. Nossas relações com os irmãos e irmãs deve ser coesa, transparente, sincera, embasada unicamente no amor que respeita, admira, acolhe, tolera, suporta e tem misericórdia. Nenhum ramo pode estar ligado apenas ao tronco, ficando indiferente aos demais ramos.
E nenhum ramo pode querer ocupar na vida do outro ramo, o papel de tronco, somos todos ramos, iguais, formando uma única árvore, alimentados por uma única seiva que é Jesus Cristo, quanto aos frutos e flores que precisamos produzir, quanto mais abertos á seiva e unidos aos demais ramos, mais belos e saborosos eles serão.
2. O discípulo de Jesus é aquele que crê nele
No diálogo após a última ceia, o evangelista João apresenta a última autoproclamação de Jesus, com a alegoria da videira: ele é a verdadeira videira e o Pai é o agricultor. A imagem é rural. O cultivo da videira era uma das bases da economia do Oriente. A imagem da videira, muito usada pelos profetas, pode ser considerada universal, pois é facilmente assimilada em outras culturas, mesmo com outros costumes.
O núcleo da alegoria é o tema já bastante abordado no evangelho de João: o discípulo de Jesus é aquele que crê nele e integra-se na comunidade, comprometendo-se com o projeto de Jesus de libertação e promoção da vida. É o permanecer em Jesus e Jesus, no discípulo. A oração, o pedir, significa a união de vontade entre o discípulo, a comunidade e Jesus.
A glória de Deus é a comunidade unida, missionária, transformando o mundo pelo amor.
Oração
Pai, reforça minha união com teu Filho Jesus, de quem dependo para produzir os frutos que esperas de mim.
3. Os ramos da Videira
A simbologia da videira, cujo cultivo já era comum nas civilizações antigas em vista da produção do vinho, é muito usada no Primeiro Testamento. A poda dos ramos nos quais não brotaram frutos, a fim de fortalecer os ramos carregados, era uma prática usual de cultivo. A íntima inserção dos ramos ao tronco da videira é uma sugestiva imagem da permanência dos discípulos em Jesus. O verbo "permanecer" aparece oito vezes neste texto, e é o núcleo de sua mensagem. Permanecer em Jesus é acolher sua palavra e seu exemplo, e procurar colocá-los em prática. É permanecendo em Jesus que os discípulos produzirão os frutos que são do agrado do Pai. E a seiva do amor que une Jesus e os discípulos criam laços entre as pessoas, leva à fraternidade, à solidariedade e comunica a vida.
Liturgia da Quinta-Feira
V SEMANA DA PÁSCOA
Antífona da entrada: Cantemos ao Senhor: ele se cobriu de glória. O Senhor é a minha força e o meu cântico: foi para mim a salvação, aleluia! (Ex 15,1s)
Leitura (Atos 15,7-21)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
15 7 Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: "Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem. 
8 Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. 
9 Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações. 
10 Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? 
11 Nós cremos que pela graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles". 
12 Toda a assembléia o ouviu silenciosamente. Em seguida, ouviram Barnabé e Paulo contar quantos milagres e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios. 
13 Depois de terminarem, Tiago tomou a palavra: "Irmãos, ouvi-me", disse ele. 
14 "Simão narrou como Deus começou a olhar para as nações pagãs para tirar delas um povo que trouxesse o seu nome. 
15 Ora, com isto concordam as palavras dos profetas, como está escrito: 
16 'Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi que caiu. E reedificarei as suas ruínas, e o levantarei 
17 para que o resto dos homens busque o Senhor, e todas as nações, sobre as quais tem sido invocado o meu nome. 
18 Assim fala o Senhor que faz estas coisas, coisas que ele conheceu desde a eternidade'. 19 Por isso, julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus. 
20 Mas que se lhes escreva somente que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, da impureza, das carnes sufocadas e do sangue. 
21 Porque Moisés, desde muitas gerações, tem em cada cidade seus pregadores, pois que ele é lido nas sinagogas todos os sábados". 
Salmo responsorial 95/96
Anunciai as maravilhas do Senhor 
entre todas as nações.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, 
cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! 
Cantai e bendizei seu santo nome!
Dia após dia anunciai sua salvação, 
manifestai a sua glória entre as nações 
e, entre os povos do universo, seus prodígios!
Publicai entre as nações: "Reina o Senhor!" 
Ele firmou o universo inabalável, 
pois os povos ele julga com justiça.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Minhas ovelhas escutam minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar (Jo 10,27).

EVANGELHO (João 15,9-11)
15 9 Disse Jesus: "Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. 
11 Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "O Amor do Pai pelo Filho..."
Estamos habituados a pensar no amor como um sentimento que nos obriga a retribuir de alguma maneira ao amor de quem nos ama, e que tem suas razões de ser. Olhamos para Jesus, o Filho de Deus e poderíamos nos perguntar, que razões Jesus dá para que o Pai o ame...
Mil razões... Jesus merece ser amado pelo Pai, é Filho Fiel, obediente, que prioriza a Vontade do Pai, que se move a partir do Pai, que se aniquila, se rebaixa e se deixa esmagar, para cumprir toda a Vontade Daquele que o enviou... Um Filho assim, que dá todas as razões para ser amado, todo mundo queria ter um que fosse desse jeito. Sendo bom, fiel e justo, santo e perfeito, Jesus pode contar com o Amor do Pai, que é sempre intenso e grandioso. Enfim, podemos concluir com nossa lógica humana, que o Pai o ama porque Ele de fato é bom, o Amor de Deus pelo Filho Jesus é real, concreto, verdadeiro, sem dúvida alguma...
Neste evangelho, ao falar com seus discípulos sobre esse amor, Jesus afirma algo que desnorteia a todos: Assim como o Pai me ama, eu também vos amo! Assim,desse mesmo modo, do mesmo jeito, com a mesma intensidade . Que motivos damos todos os dias para que Deus manifeste todo esse amor por cada um de nós ? Certamente nenhum...
Mas há duas palavras chaves, duas recomendações de Jesus neste evangelho, a seus discípulos de ontem e de hoje. Perseverar e ser constante no amor de Cristo. Só há um modo de ser constante e perseverante neste amor: é guardar os mandamentos que Jesus nos deu... Se antes, a perseverança e a constância para com Deus, dizia respeito á observância da Lei, agora o amor é a Lei...
Não somos amados porque somos bons, ou porque, de algum modo damos motivos para que Deus nos ame. Não há razão para que Deus nos ame desse jeito tão apaixonado... E o amor ao próximo, com essa mesma intensidade é a maneira que o discípulo tem, de corresponder a este amor Divino.
2. O amor de Jesus por nós é o mesmo amor do Pai por Jesus
As memórias de Jesus, reunidas em cada um dos evangelhos, trazem as marcas do estilo literário e da teologia de cada evangelista. O evangelho de João, em particular, destaca-se, de modo admirável, pelo realce que dá à filiação divina de Jesus e à sua revelação do Deus de amor que comunica sua vida divina e eterna a todos que permanecem no amor de Jesus. João escreve para suas comunidades e para nós, através dos tempos. Nós somos "o discípulo que Jesus amava", que é mencionado algumas vezes em seu evangelho.
João nos leva a compreender que o amor de Jesus por nós é o mesmo amor do Pai por Jesus. A fonte do amor é o amor entre o Pai e o Filho. É um amor de tal plenitude que transborda, nos sendo comunicado pelo dom do Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho. Permanecer no amor de Jesus é inserir-se nesta dinâmica de amor e vida entre o Pai e o Filho. Jesus permanece no amor do Pai e isto significa que ele observa e cumpre o que o Pai mandou. Não se trata de uma obediência cega, de um inferior a um superior, mas de uma união amorosa de vontades. O amor que gera a vida proporciona a alegria. Esta foi a alegria de Jesus, e ele deseja que também seja nossa.
O amor vivido em nossas comunidades é fruto da nossa permanência em Jesus. É o amor transbordante que envolve a outros, ampliando a comunidade de amor, em comunhão de vida eterna com Jesus e o Pai.
Oração
Pai, completa a alegria que o Espírito Santo faz brotar em mim, pois estou disposto a permanecer unido a ti e a teu Filho, e a ser fiel aos teus mandamentos, apesar das adversidades.
3. FIRMES NO AMOR
O amor que Jesus nutriu por seus discípulos é reflexo do amor que ele mesmo recebeu do Pai. Amor eterno, permanente, total, exclusivo. Amor sem imposição ou pré-requisitos. Amor absolutamente gratuito. Foi assim que Jesus amou os seus, tal como aprendera na escola do Pai.
A exortação que Jesus dirigiu aos seus - "Permaneçam no meu amor!" - tem duas vertentes. A primeira refere-se ao relacionamento Jesus-discípulo, a segunda, ao dos discípulos entre si.
O discípulo ama Jesus com o mesmo amor com que é amado por ele. Aqui não há lugar para relacionamentos interesseiros, como os de muitos cristãos que fazem consistir sua fé na busca contínua de favores divinos. Nem há lugar para atitudes de temor, como acontece com quem se julga estar sempre a ponto de ser punido por Deus. O puro amor a Jesus vai além dessas deturpações.
No relacionamento com os seus semelhantes, o discípulo oferece amor idêntico ao que recebe de Jesus. Não exige nada em troca. Não procura enquadrar o outro em seus esquemas preconcebidos. Não estabelece limites. Pelo contrário, acolhe o outro como ele é, oferecendo-lhe o melhor de si, possibilitando-lhe o crescimento, a fim de que possa realizar-se plenamente.
Liturgia da Sexta-Feira
V SEMANA DA PÁSCOA
Antífona da entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra, aleluia1 (Ap 5,12)
Leitura (Atos 15,22-31)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
15 22 Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos. 
23 Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: "Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde! 
24 Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. 
25 Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, 
26 homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 
27 Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas. 
28 Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: 
29 que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus!" 
30 Tendo-se despedido, a delegação dirigiu-se a Antioquia. Ali reuniram a assembléia e entregaram a carta. 
31 À sua leitura, todos se alegraram com o estímulo que ela trazia. 
Salmo responsorial 56/57
Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos.
Meu coração está pronto, meu Deus, 
está pronto o meu coração! 
Vou cantar e tocar para vós: 
desperta, minha alma, desperta! 
Despertem a harpa e a lira, 
e irei acordar a aurora!
Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos, 
dar-vos graças por entre as nações! 
Vosso amor é mais alto que os céus, 
mais que as nuvens a vossa verdade! 
Elevai-vos, ó Deus, sobre os céus, 
vossa glória refulja na terra!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Eu vos chamo meus amigos, pois vos dei a conhecer o que o Pai me revelou (Jo 15,15)

EVANGELHO (João 15,12-17)
15 12 Disse Jesus: "Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 
13 Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 
14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 
15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 
16 Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. 
17 O que vos mando é que vos ameis uns aos outros". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "Só ama,  aquele que se sente amado..."
João vai dizer em seu evangelho que "Deus é Amor". A Encarnação de Jesus fez com que Deus mergulhasse na Vida do Homem, e possibilitou a este mergulhar na Vida de Deus. Não havia até então, na humanidade, uma expressão de amor tão autêntica e grandiosa.
O amor humano era marcado por limites e tolerâncias e o apóstolo Pedro, quando indaga a Jesus se deve perdoar até sete vezes, mostra bem esse modo limitado que o homem amava...
Por isso somente Jesus nos poderia ter dado um mandamento assim, pois o amor sem medidas, manifestado na gratuidade e incondicionalidade, era visto como uma loucura. É esse exatamente o amor que encontramos em Jesus. "Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amo...". Esse é um mandamento originariamente cristão. Não é um amor segundo os padrões humanos, mas brota de Jesus, do seu coração Sagrado e humano.
A iniciativa é toda de Deus, ainda que o ser humano permaneça na indiferença e na incredulidade, ainda que o ser humano negue ou ignore Jesus, ainda que o Ser humano ridicularize o cristianismo hostilizando os cristãos, apesar de tudo isso, Deus jamais deixará de amar o homem e na Força desse amor sempre terá a iniciativa de se manifestar ao homem, até o derradeiro momento de sua existência.
Um dia, tocado pelo próprio Deus, o homem se abre para esta Graça e se sente amado e querido por Deus, percebe que não se trata de um amor platônico, mas de um amor ágape, totalmente gratuito e incondicional. Um amor desde toda eternidade, que não dá para ser guardado,  mesmo porque não há coração humano que o comporte.
Esse amor cria laços com o próximo, e assim vamos refletindo em nossas relações todo esse amor Divino e sublime e através do homem, esse amor de Deus vai se propagando, formando um grande elo que no final resultará na visibilidade do Reino de Deus que é puro amor.
2. Amar como Jesus nos amou
Após o insistente convite a permanecermos nele, Jesus retoma (cf. Jo 13,34) seu novo mandamento: "Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei...". Este amor consiste em permanecer em Jesus.
Amar como Jesus nos amou. Estas palavras nos impulsionam ao conhecimento e à contemplação de Jesus em toda sua vida: cerca de trinta anos de vida comum, sem nada excepcional que o destacasse, e três anos de ministério, no exercício de uma marcante liderança.
Como Jesus nos amou, com seus gestos, suas palavras, seus compromissos, sua doação, sua humildade, seu serviço, sua libertação, sua alegria de viver. Como Jesus nos amou, inserido na simples condição humana, na plenitude do amor, sempre em comunhão com os empobrecidos, mais carentes e necessitados.
Podemos reconhecer como Jesus nos amou em sua vida comum entre familiares e amigos e em seu ministério. E também, nos testemunhos de amor de todo discípulo, hoje, que, unido em oração à vontade do Pai, permanece em Jesus, fiel a suas palavras: "O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros".
Oração
Pai, seja o amor de Jesus minha única fonte de inspiração para pôr em prática o mandamento do amor mútuo. Que eu me esforce por amar, como tu amas!
3. "Amar como Jesus amou."
Esta é nossa vocação! Os antigos mandamentos, "amar o próximo como a si mesmo" e "amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma...", estão plenamente realizados no mandamento: "amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei". Jesus é a fonte deste amor divino e o infunde em nosso coração. Ele possui este amor em plenitude, em sua relação com o Pai, no Espírito Santo. No Evangelho de João, Jesus não manda amar a Deus. Seu mandamento é que permaneçamos no amor. É amar o amor, e Deus é amor. O maior amor está em dar a vida por seus amigos, estar totalmente a seu serviço, a exemplo de Jesus. Somos escolhidos para dar frutos que permaneçam para sempre. O fruto é a prática do amor mútuo originando as comunidades. E sendo o amor comunicativo por natureza, as comunidades transbordam esse amor na missão. As comunidades que vivem o amor de Jesus são as sementes da nova sociedade, já presente em um mundo submisso à injustiça e à manipulação dos adoradores do dinheiro e do poder.
Liturgia do Sábado
V SEMANA DA PÁSCOA *
Antífona da entrada: Sepultados com Cristo na batismo, fostes também ressuscitados com ele, porque crestes no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos, aleluia! (Cl 2,12)
Leitura (Atos 16,1-10)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
16 1 Chegou a Derbe e depois a Listra. Havia ali um discípulo, chamado Timóteo, filho de uma judia cristã, mas de pai grego, 
2 que gozava de ótima reputação junto dos irmãos de Listra e de Icônio. 
3 Paulo quis que ele fosse em sua companhia. Ao tomá-lo consigo, circuncidou-o, por causa dos judeus daqueles lugares, pois todos sabiam que o seu pai era grego. 
4 Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém. 
5 Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia. 
6 Atravessando em seguida a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra de Deus na (província da) Ásia. 
7 Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu. 
8 Depois de haverem atravessado rapidamente a Mísia, desceram a Trôade. 
9 De noite, Paulo teve uma visão: um macedônio, em pé, diante dele, lhe rogava: "Passa à Macedônia, e vem em nosso auxílio!" 
10 Assim que teve essa visão, procuramos partir para a Macedônia, certos de que Deus nos chamava a pregar-lhes o Evangelho. 
Salmo responsorial 99/100
Aclamai o Senhor, ó terra inteira.
Aclamai o Senhor, ó terra inteira, 
servi ao Senhor com alegria, 
ide a ele cantando jubilosos!
Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, 
ele mesmo nos fez e somos seus, 
nós somos seu povo e seu rebanho.
Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, 
sua bondade perdura para sempre, 
seu amor é fiel e eternamente!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Se com Cristo ressurgistes, procurai o que é do alto, onde Cristo está sentando á direita de Deus Pai (Cl 3,1).

Evangelho (João 15,18-21)
15 18 Disse Jesus: "Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. 
19 Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. 
20 Lembrai-vos da palavra que vos disse: 'O servo não é maior do que o seu senhor'. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa. 
21 Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou". 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. "Se o mundo vos odeia..."
A Palavra "mundo" é largamente empregada pelo evangelista João, mas às vezes com sentido diferente, neste evangelho por exemplo, mundo não é o planeta ou a Obra da Criação, mas sim o mundo do mal, dos que deliberadamente se opõe a Verdade que Deus revelou em Jesus. Odiar é o contrário do Amar, o amor quer a Vida do outro e a sua alegria, o Ódio quer a morte e a destruição daquele que é odiado.
O homem quer um Deus forte e poderoso, um ser de moral irrepreensível, seguidor da lei de Moisés, um Deus que privilegie os justos e santos, e que castigue implacavelmente os injustos e pecadores. Um Deus que continue a ter uma raça escolhida, exemplo de pessoas boas, sinceras, e que por isso mesmo são sempre abençoadas com longa vida, e bens materiais. Um Deus que se valorize e que não se misture com os míseros mortais.
O primeiro problema na relação da comunidade judaica tradicional com Jesus, Ele não atende essa expectativa e ainda por cima, se relaciona com pessoas que nem de longe fazem parte da "raça escolhida e Nação Santa". Mas o que provocou o ódio e a rejeição a Jesus por parte dos Judeus tradicionais foi ele ter se apresentado como Filho de Deus, o grande esperado e não havia outro.
Os seguidores autênticos de Jesus o imitam em tudo, ensinam suas palavras, realizam as mesmas obras, ou seja, dão continuidade á Missão de Jesus tornando-se assim a prova inequívoca de que Jesus ressuscitou, está vivo e caminha com eles. Quem odeia a alguém, quer ver esse alguém morto, esmagado e destruído para sempre, e alguém que lembre4 essa presença, só fará aumentar o ódio dos seus opositores.
Na pós-modernidade essa rejeição e esse ódio por Jesus, seu evangelho e seu reino, continua. Muda-se a referência, os Judeus conservadores o odiavam porque ele não correspondia ao modelo de Messias que eles acreditavam, a partir de suas tradições e da escritura, já o homem da pós-modernidade quer um Jesus que seja á sua imagem e semelhança, adequado a um estilo de vida que privilegie a busca de prazer, de realização pessoal, em um egocentrismo exacerbado onde o homem é o deus de si mesmo.
Qualquer postura, pensamento ou atitude que contrarie tudo isso, irá atrair ódio e rejeição. O discípulo de Jesus sempre navega contra a correnteza!
2. O ódio rejeição do amor
Após o tema do amor, João, fazendo um contraste, apresenta, agora, o tema do ódio do mundo. Trata-se do ódio dos poderosos deste mundo. Os discípulos que dão testemunho de amor e da libertação no mundo são odiados por aqueles que, assenhoreando-se do poder, usufruem das estruturas injustas nas quais o amor é abolido.
O amor suscita o ódio daqueles que rejeitam este amor. O primeiro a ser odiado pelos donos do poder foi o próprio Jesus. Em decorrência, os discípulos, escolhidos e identificados com ele, também são odiados. Suas palavras serão vigiadas e os discípulos serão perseguidos. A advertência reflete as perseguições aos cristãos da parte da sinagoga, no fim do primeiro século.
O ódio surge da ambição da acumulação de bens e poder, a qual se faz às custas da liberdade e do sacrifício da maioria do povo. Aqueles que retêm em suas mãos o poder econômico, militar, político ou religioso, para gozarem de privilégios pessoais ou de grupo, odeiam e exterminam aqueles que ameaçam seu status. Porém, os discípulos, em comunhão com Jesus, perseveram destemidamente na construção do mundo novo possível, na justiça, na liberdade e no amor.
Oração
Pai, faze-me forte para enfrentar o ódio e a perseguição do mundo, sem abrir mão de minha fidelidade a ti e a teu Reino, a exemplo de Jesus.
3. VENCENDO O ÓDIO E A OPRESSÃO
Marcado pelo forte contraste do dualismo, o Evangelho de João, após o tema do amor, apresenta-nos, agora, o tema do ódio do mundo. O "mundo" significa a criação de Deus sob o domínio dos poderosos, ricos e opressores. Após a criação, Deus viu que tudo era bom. Contudo, esta criação foi submetida à opressão. Os discípulos que dão testemunho de amor e libertação são odiados por aqueles que, assenhoreando-se do poder, usufruem das estruturas injustas nas quais o amor é abolido. Ser do mundo é inserir-se no sistema opressor que garante os privilégios, as riquezas e o poder de uma minoria, e o relativo bem-estar dos que a ela se submetem. Estes julgam estar salvando suas vidas. Os discípulos foram escolhidos do meio do mundo, e não são do mundo. Não ser do mundo é libertar-se do sistema opressor e desumano que gera miséria e morte. É perder sua vida para encontrá-la na adesão ao projeto de Jesus, instaurador da justiça e restaurador da vida plena. É uma missão que encontrará resistência e adversidades da parte de alguns, mas, em contrapartida, terá acolhida e adesão de muitos.