quarta-feira, 8 de maio de 2013

Liturgia da 06ª semana da Páscoa

Liturgia da Segunda Feira — 06.05.2013
VI SEMANA DA PÁSCOA 
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não tem mais poder sobre ele, aleluia! (Rm 6,9)
Leitura (Atos 16,11-15)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. 
16 11 Embarcamos em Trôade e fomos diretamente à Samotrácia e no outro dia a Neápolis;
12 e dali a Filipos, que é a cidade principal daquele distrito da Macedônia, uma colônia (romana). Nesta cidade nos detivemos por alguns dias.
13 No sábado, saímos fora da porta para junto do rio, onde pensávamos haver lugar de oração. Aí nos assentamos e falávamos às mulheres que se haviam reunido.
14 Uma mulher, chamada Lídia, da cidade dos tiatirenos, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava. O Senhor abriu-lhe o coração, para atender às coisas que Paulo dizia.
15 Foi batizada juntamente com a sua família e fez-nos este pedido: Se julgais que tenho fé no Senhor, entrai em minha casa e ficai comigo. E obrigou-nos a isso. 
Salmo responsorial 149
O Senhor ama seu povo de verdade.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo
e o seu louvor na assembléia dos fiéis!
Alegre-se Israel em que o fez,
e Sião se rejubile no seu rei!

Com danças glorifiquem o seu nome,
toquem harpa e tambor em sua honra!
Porque, de fato, o Senhor ama seu povo
e coroa com vitória os seus humildes.

Exultem os fiéis por sua glória
e, cantando, se alevantem de seus leitos
com louvores do Senhor em sua boca.
Eis a glória para todos os seus santos.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito Santo, a verdade, dará testemunho de mim; depois, também vós, neste mundo, de mim ireis testemunhar (Jo 15,26s).


EVANGELHO (João 15,26-16,4)
15 26 Disse Jesus: “Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim.
27 Também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio
1 Disse-vos essas coisas para vos preservar de alguma queda.
2 Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus.
3 Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a mim.
4 Disse-vos, porém, essas palavras para que, quando chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo anunciei”.
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. A Essência do Espírito Santo
Dizia-me um aluno da minha classe de Teologia Pastoral para leigos, quando eu falava sobre a História da Igreja e essa tensão entre a Igreja Mistérica e a Igreja institucional: “Nós não podemos fazer a parte que é do Espírito Santo, e Ele também não vai fazer a nossa”.
Achei isso fantástico, não sei como ele deduziu isso, ou ouviu alguém dizer, mas pelo jeito assimilou esse ensinamento como membro de uma comunidade. Fantástico! É isso mesmo... Quando deixamos para o Espírito Santo certas tarefas e incumbências que o Pai nos deu, enquanto missão, não estamos sendo cristãos fervorosos, mas apenas cristãos omissos, e quando queremos e insistimos em fazer algo que compete única e exclusivamente ao Espírito Santo, estamos voltando as origens do Gênesis, tentando ser Deus em sua essência, o mesmo pecado de Adão e Eva.
Talvez o leitor comente consigo mesmo: “ Graças a Deus nunca fiz isso...”. Esse é um pecado que todos nós cometemos. Por exemplo, os irmãos e irmãs da comunidade não são e nunca o serão, do jeito que nós queremos: convertidos, virtuosos, atitudes e pensamentos sempre em harmonia com o que NÓS pensamos e fazemos. Pronto ! Aí estamos nós ,querendo dar uma de Espírito Santo para mudar aquela pessoa.
Por outro lado pensemos: como é difícil conviver com pessoas diferentes de nós, algumas são até irritantes, intransigentes, e até mesmo insuportáveis! Eis aí algo que compete a nós, mas que precisamos do Espírito Santo para nos tornar flexíveis e maleáveis. Nos dois casos é o Espírito que age, porém no segundo, que é a questão da flexibilidade e docilidade para com os outros, temos que fazer a nossa parte, esforçando-nos para controlar nossos instintos egoístas e egocêntristas. No primeiro caso nada temos a fazer, pois  é o Espírito Santo que vai agir, que vai trabalhar no coração e na vida daquele irmão insuportável, e o Espírito Santo tem um jeitinho especial, personalizado, para renovar cada um de nós, pois ele trabalha a partir daquilo que somos, por uma razão bem simples: Deus nos ama desse jeito, não exige que sejamos do jeito dele, diferente do modo como tratamos as pessoas.
Há neste evangelho uma realidade que motiva a nossa reflexão, a comunidade Judaica, que contém em si o Cristianismo enquanto uma seita, está sempre em conflito com essa. Qual a razão desse conflito, que no ano 90 irá culminar com a expulsão dos cristãos das sinagogas? É simples, a referência do Cristão, única e verdadeira é o Cristo Jesus e Deus Pai que o enviou, e que eles conhecem, não porque ouviu dizer, mas porque conviveram com ele.
Todos os cristãos da Era Apostólica, tiveram esse privilégio, que não foi só dos apóstolos, mas devemos lembrar que uma multidão de homens e mulheres tornaram-se discípulos de Jesus. Já os da Comunidade Judaica conhecem apenas o Pai, o Deus da Antiga Aliança, mas não têm o coração fervoroso por causa de Jesus, já que a única referência que têm sobre Deus é a Lei de Moisés.
2. A comunidade dos discípulos sob a ação do Espírito Santo
Nas proximidades da Festa de Pentecostes, a liturgia da palavra vai contribuindo conosco para podermos ir compreendendo a pessoa e a missão do Espírito Santo.
Tanto o Pai (14,26) quanto Jesus (15,26) enviam o Espírito Santo. O texto de hoje diz que é Jesus quem envia o “Espírito da Verdade” que precede do Pai. “Espírito da Verdade” (v. 26) porque “ensina e recorda as palavras de Jesus” (14,26).
O Espírito não fala de si mesmo, mas dá testemunho de Jesus, assim como a comunidade dos discípulos dará testemunho de Jesus pela ação do Espírito Santo: “... permaneçam em Jerusalém até receberdes a força do alto, o Espírito Santo, então sereis minhas testemunhas” (At 1,8). Pensando defender Deus, e o seu nome, a comunidade cristã será perseguida, expulsa da sinagoga pelos judeus, como foi perseguido e morto o Senhor. A razão da perseguição permanece a mesma: falta de conhecimento do Pai e do Filho; imagem equivocada de Deus e de seu projeto; dureza de coração.
Instruindo, assim, a comunidade, Jesus apresenta-se como verdadeiro profeta: “Eu vos falei assim para que vos recordeis do que eu disse, quando chegar a hora” (16,4; ver: Dt 18,21-22).
ORAÇÃO
Pai, que o testemunho do Espírito cale fundo no meu coração e seja acolhido com discernimento e docilidade, de modo a consolidar minha fé no Senhor Jesus.

3. NÃO SE ESCANDALIZAR
O risco maior a que os discípulos poderiam correr seria o de renegar sua própria fé. A isto se refere Jesus, quando falou de escândalo. Para que os discípulos o evitassem, Jesus lhes expusera, com toda a clareza, o destino de ódio e perseguição que lhes estava reservado. Mas também lhes prometeu enviar um Defensor, para estar sempre com eles.
A missão dos discípulos consistiria em dar testemunho do Mestre, sem se deixarem intimidar. Missão dura, ao se virem expulsos da sinagoga, sua comunidade de fé, ou vítimas da sanha assassina dos seus inimigos. Julgando estar prestando um serviço a Deus, banindo-os da face da terra como indivíduos blasfemos, esses não teriam escrúpulos de assassiná-los. 
Então, deveriam ter fé redobrada para, por Jesus e pela causa do Reino, não desistirem da missão abraçada.
Aqui entra em jogo a própria condição de discípulo, provada pelos acontecimentos. Quem se deixou ajudar pelo Paráclito e teve sua fé reforçada por ele, fará frente às investidas dos inimigos, mantendo-se fiel a Jesus. Quem titubear, ou, pior ainda, debandar, demonstrará estar longe de ter compreendido as reais exigências do discipulado, e estar despreparado para ser discípulo.
O discípulo fiel, embora submetido a provações, não se escandaliza. Lembrando-se das palavras do Senhor, ele resiste por saber-se bem protegido pelo Espírito de Verdade, enviado pelo Pai.
Oração
Espírito de firmeza, nos momentos de provação, vem em meu socorro, para que eu não sucumba à tentação de apartar-me de meu Mestre e Senhor.
Liturgia da Terça-Feira
VI SEMANA DA PÁSCOA 
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Alegremo-nos, exultemos e demos glória a Deus, porque o Senhor todo-poderoso tomou posse do seu reino, aleluia! (Ap 19,7.6)
Leitura (Atos 16,22-34)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
16 22 O povo insurgiu-se contra eles. Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas.
23 Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.
24 Este, conforme a ordem recebida, meteu-os na prisão inferior e prendeu-lhes os pés ao cepo.
25 Pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus, e os prisioneiros os escutavam.
26 Subitamente, sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Abriram-se logo todas as portas e soltaram-se as algemas de todos.
27 Acordou o carcereiro e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou da espada e queria matar-se.
28 Mas Paulo bradou em alta voz: “Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui”.
29 Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trêmulo aos pés de Paulo e Silas.
30 Depois os conduziu para fora e perguntou-lhes: “Senhores, que devo fazer para me salvar?”
31 Disseram-lhe: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família”.
32 Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa.
33 Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família.
34 Em seguida, ele os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua casa por haver crido em Deus. 
Salmo responsorial 137/138
Ó Senhor, me estendeis o vosso braço e me ajudais.

Ó Senhor, de coração eu vos dou graças,
porque ouvistes as palavras dos meus lábios1
Perante os vossos anjos vou cantar-vos
e ante o vosso templo vou prostrar-me.

Eu agradeço vosso amor, vossa verdade,
porque fizestes muito mais que prometestes;
naquele dia em que gritei, vós me escutastes
e aumentastes o vigor da minha alma.

Estendereis o vosso braço em meu auxílio
e havereis de me salvar com vossa destra.
Completai em mim a obra começada;
ó Senhor, vossa bondade é para sempre!
eu vos peço: não deixeis inacabada
esta obra que fizeram vossas mãos.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu hei de enviar-vos o Espírito da verdade; ele vos conduzirá a toda a verdade (Jo 16,7.13).

EVANGELHO (João 16,5-11)
16 5 Disse Jesus: “Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’
6 Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração.
7 Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei.
8 E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo.
9 Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim.
10 Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis;
11 ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado”. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Espírito Consolador
Os que se opunham radicalmente a Jesus Cristo, estavam confiantes de que tinham acabado com ele definitivamente e agora os seus seguidores se dispersariam e aos poucos ninguém iria mais se lembrar do tal Jesus de Nazaré. Mas o Poder de Deus é infinitamente maior do que esse pensamento mesquinho do ser humano, quando pensavam que tudo estava acabado, inclusive os discípulos, que ao ouvirem Jesus falar em partida, deixam-se dominar por uma grande tristeza, eis que Jesus faz uma promessa...
Vai enviar o Espírito Paráclito, um Juiz que irá dar o veredicto final sobre Jesus, apontando-o como grande vencedor sobre todas as forças do mal, confirmando seus ensinamentos e obras, atestando que Ele está bem vivo, Glorioso á direita do Pai, e ao mesmo tempo em Espírito caminhando com a sua Igreja.
Entretanto, esse veredicto e esse julgamento teve apenas início, porque se perpetua na Igreja nos cristãos de todos os tempos que são fiéis á Jesus e exatamente no anúncio e nas obras dos discípulos, o Espírito vai confirmando o Bem supremo que é Jesus de Nazaré, e ao mesmo tempo desmascarando e fazendo ruir por terra os planos dos que optaram pelo mal.
Por isso esse Espírito é também chamado de Consolador, mas não uma consolação que faz os discípulos de Jesus se conformarem com a derrota, ao contrário, é uma consolação santa que os impele para a frente, a caminhar e a resistir na luta contra o mal. A comunidade apostólica por primeiro, e depois as primeiras comunidades, experimentaram, perceberam e sentiram essa ação do Espírito Santo, que inaugurou o Kairós, tempo que vive a Igreja até a parusia, quando vier a Plenitude do Reino.
Logicamente que a história é encíclica e hoje como ontem, há os que se opõe radicalmente á Jesus, recusam a sua divindade, rejeitam o Jesus do Evangelho e aderem a um Jesus do Consumismo que não passa de uma grotesca caricatura do nosso Deus. Jesus voltou ao Pai, vencedor da missão que lhe foras confiada, agora caberá á sua Igreja, assistida, orientada e conduzida pelo seu Espírito, percorrer os mesmos caminhos que ele percorreu, na mesma Fidelidade que o levou a nos amar até o fim, entregando á própria vida.
Não há o que temer e os discípulos de hoje podem dizer sem medo "O Espírito do Senhor está sobre nós...."
2. A tristeza fecha o coração
Uma constante do discurso de despedida é a tristeza dos discípulos pela “partida” de Jesus (14,1.26; 16,6).
Com a partida de Jesus tem início outra etapa na vida dos discípulos: a do testemunho: “Se eu não for, o Defensor não virá a vós. Mas, se eu for, eu o enviarei a vós” (v. 7). É na confiança nessa promessa que os discípulos devem viver a sua vida no seguimento de Cristo. A tristeza fecha o coração dos discípulos; o Espírito, ao contrário, abre o coração para a alegria e a fortaleza em Deus.
A vinda do Espírito, que é fogo que purifica, luz que ilumina, vai revelar a verdade sobre o mundo, isto é, sobre tudo o que se opõe e resiste a Deus e a seu projeto.
O pecado do mundo, sua verdade, é revelado pela ação do Espírito; seu pecado foi e continua sendo a incredulidade. Não é Deus quem condena o mundo (cf. 3,17), mas é o mundo que resiste a Deus.
No entanto, como o evangelho é fruto da experiência pascal, o autor pode proclamar: “… o chefe deste mundo já está condenado” (v. 11). É uma forma de proclamar a vitória do Cristo Ressuscitado sobre o mal e todas as suas manifestações.
ORAÇÃO
Pai, concede-me o Espírito que me dá forças para enfrentar e vencer o mundo, e manter-me fiel a teu Filho Jesus.
3. O ENVIO DO PARÁCLITO
O envio do Paráclito estava condicionado à volta de Jesus para junto do Pai. Sua ação, em favor da comunidade dos discípulos, seria a continuação da de Jesus. Por isso, enquanto o Mestre esteve fisicamente junto dos discípulos, a presença do Paráclito não se revelava tão necessária como haveria de acontecer no futuro. 
Um aspecto importante da ação do Paráclito estaria voltado contra o mundo, resumo de tudo quanto se opõe a Jesus e ao Reino anunciado por ele. O Espírito será o executor da sentença divina contra o mundo fechado para Deus. Agindo assim, colocará a salvo os discípulos de Jesus. 
O Paráclito condenará o mundo, por três motivos:
Por ter-se fechado na incredulidade, rejeitando o Filho de Deus. É o pecado por excelência, raiz de toda ação má, por consistir no fechamento para o amor. Mais grave que o ateísmo, enquanto tal, são suas conseqüências sociais.
Por ter-se fechado na injustiça. A volta de Jesus para o Pai teria iria evidenciar os feitos malvados do mundo, para submetê-lo ao juízo divino. 
Por ter-se tornado merecedor de castigo. A opção do mundo leva-o a confrontar-se com o juízo de Deus, o qual não abrandará sua severidade, quando se tratar de punir os que se recusaram a acolher seu Filho enviado.
Oração
Espírito enviado pelo Filho, para condenar rigorosamente o mundo, abre meus olhos para que eu não caia em suas ciladas perversas.
Liturgia da Quarta-Feira
VI SEMANA DA PÁSCOA 
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Senhor, eu vos louvarei entre os povos, anunciarei vosso nome aos meus irmãos, aleluia! (Sl 17,50; 21,23)
Leitura (Atos 17,15.22-18,1)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
17 15 Os que conduziam Paulo levaram-no até Atenas. De lá voltaram e transmitiram para Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível.
22 Paulo, em pé no meio do Areópago, disse: “Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos.
23 Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: ‘A um Deus desconhecido’. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!
24 O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas.
25 Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.
26 Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação.
27 Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós.
28 Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça...
29 Se, pois, somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra lavrada por arte e gênio dos homens.
30 Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, convida agora a todos os homens de todos os lugares a se arrependerem.
31 Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-lo ressuscitado dentre os mortos”.
32 Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: “A respeito disso te ouviremos outra vez”.
33 Assim saiu Paulo do meio deles.
34 Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros.
18 1 Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto.
Salmo responsorial 148
Da vossa glória estão cheios o céu e a terra.

Louvai o Senhor Deus nos altos céus,
louvai-o no excelso firmamento!
Louvai-o, anjos seus, todos louvai-o,
louvai-o, legiões celestiais!

Reis da terra, povos todos, bendizei-o,
e vós, príncipes e todos os juízes;
e vós, jovens, e vós moças e rapazes,
anciãos e criancinhas, bendizei-o!

Louvem o nome do Senhor, louvem-no todos,
porque somente o seu nome é excelso!
A majestade e esplendor de sua glória
ultrapassam em grandeza o céu e a terra.

Ele exaltou seu povo eleito em poderio,
ele é o motivo de louvor para os seus santos.
é um hino para os filhos de Israel,
este povo que ele ama e lhe pertence.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Rogarei ao meu Pai e ele há de enviar-vos um outro paráclito, que há de permanecer eternamente convosco (Jo14,16).

Evangelho (João 16,12-15)
16 12 Assim falou Jesus: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.
13 Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.
14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.
15 Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará”. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. A Missão do Espírito
Já imaginaram um site de notícias que só é atualizado de vez em quando ou nunca é atualizado? O segredo para se fazer sucesso é diariamente ter o site atualizado, o internauta entra uma vez, e ao perceber que as notícias são "velhas" nunca mais acessam. Algo parecido ocorre com a Palavra de Deus que Jesus nos trouxe, Ele é o Verbo Encarnado, como afirma São João, entretanto, Jesus de Nazaré viveu em um contexto histórico, religioso, político e social lá do Oriente Médio, diferente da Pós modernidade de 2013, com o mundo globalizado.
Os problemas que enfrentou os desafios que teve de encarar, foram diferentes dos que hoje os cristãos do mundo inteiro enfrentam e além do mais, o Cristianismo naqueles primeiros tempos estava fechado em uma religião, e trazia uma identidade da tradição de Israel. Há muitos cristãos sonhadores que hoje se perguntam "O que será que Jesus faria em meu lugar nos dias de hoje, que ensinamentos daria, que orientações faria aos discípulos, que atitudes iria tomar..."
O evangelho de hoje responde direitinho essa questão, se o Jesus Histórico não está em nosso meio, o seu Espírito Santo, enviado pelo Pai está presente em sua Igreja e na vida dos que creem. Não se trata de um Espírito Mágico, monopólio de uma Religião ou Igreja, aprisionado em uma doutrina, e que de vez em quando faz revelações surpreendentes. Nem é preciso entrar em transe, para atingir o alfa como pensam alguns orientais.
A missão do Espírito é atualizar o Anúncio de Jesus com uma ação evangelizadora eficaz, que tenha força de tocar no coração das pessoas. Trata-se do mesmo Cristo, do mesmo evangelho, da mesma Verdade e da mesma Revelação, porém atualizada para os dias de hoje, pois nosso Deus não é igual aqueles Velhos Resmungões que fica choramingando pelos cantos, dizendo que no seu tempo as coisas eram melhores...
O Espírito renovador, santificador e restaurador, inspira os cristãos a como agir nos dias de hoje. Na comunidade apostólica o Espírito Santo recordou tudo o que Jesus ensinou, hoje ele nos recorda e vai mais longe: define uma autêntica prática cristã, para se fazer o anúncio e dar o testemunho, que é tão eficaz como o testemunho das primeiras comunidades. Porque muitas vezes imaginamos que o fervor cristão vai diminuindo com o passar do tempo, mas é o contrário, o Espírito Santo garante essa ebulição por todo o sempre. E assim, aos cristãos de cada tempo o Espírito se manifesta e atualiza a Santa Palavra anunciada, tornando-se sempre nova e restauradora, não permitindo que se torne uma Velharia do passado, mas algo muito atual, seja qual for o tempo em que se vive...
2. No Espírito Santo Jesus continua falar, ensinar e agir
As palavras de Jesus não se limitam ao tempo de sua vida terrestre. Sentado à direita do Pai e estando presente no meio de nós, o Ressuscitado continua a falar. É no Espírito Santo que ele fala, ensina e continua a agir.
No texto de hoje, o “Espírito da verdade” continua e prolonga na história a missão e a palavra de Jesus. O Espírito guia, isto é, é ele quem revela a verdade de Cristo, e faz vir à luz o sentido de suas palavras. Ele é guia porque remete o discípulo ao seu Senhor. Assim como Jesus, o som do Espírito que ressoa em toda terra é de Deus, fala do que tiver ouvido e abre a pessoa para o futuro (cf. v. 13). O Espírito Santo é fiel. Ele é portador não só da Palavra do Ressuscitado (cf. v. 14), mas também do mistério de Deus. Sua ação em nós conduz-nos ao conhecimento de Deus.
ORAÇÃO
Pai, que o Espírito me ensine toda a verdade e me revele às coisas que hão de vir, para que eu possa enveredar, com toda segurança, pelo caminho que é Jesus.
3. O PARÁCLITO GLORIFICA JESUS
Um dos efeitos positivos da ação do Paráclito seria o de levar os discípulos a descobrirem a verdadeira identidade de Jesus, desfazendo as falsas idéias decorrentes da morte de cruz. Esta reduzira Jesus à extrema fraqueza e impotência, num quadro de humilhação. O Paráclito reverteria este quadro. Como Espírito da Verdade, ajudaria os discípulos a desfazer os equívocos em torno da pessoa de Jesus, revelando-lhes sua glória.
Ele ensinaria aos discípulos toda a verdade, possibilitando-lhes assumir uma postura realista em relação ao Mestre, não mais de desilusão, e sim, de esperança. As palavras deste Espírito ser-lhe-iam sugeridas pelo Pai. Bastava dar-lhe ouvido. Escutando-as, atentamente, os discípulos poderiam conhecer o que o Pai tinha a dizer em favor de Jesus. Aí estava a verdade!
O Paráclito lhes descortinaria, também, as coisas as realidades vindouras. O futuro não deve permanecer oculto para quem tem o Espírito Santo. Nisto ele glorifica Jesus, por mostrar que nem o egoísmo nem a maldade tem a palavra última sobre ser humano algum, muito menos sobre Jesus. 
O discípulo não pode se enganar, quando contempla Jesus apresentado na fraqueza e na humilhação. Ao Paráclito, a tarefa de abrir-lhes os olhos para a verdade escondida no Crucificado, cuja glória esconde-se sob a cruz.
Oração
Espírito da Verdade permite-me reconhecer a glória de Jesus, para além da cruz e do sofrimento, instruindo-me com as palavras de meu Mestre e Senhor.
Liturgia da Quinta-Feira
VI SEMANA DA PÁSCOA 
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Ó Deus, quando saístes à frente do vosso povo, abrindo-lhe o caminho e habitando entre eles, a terra estremeceu, fundiram-se os céus, aleluia! (Sl 67,8s.20)
Leitura (Atos 18,1-8)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
18 1 Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto.
2 Encontrou ali um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, e sua mulher Priscila. Eles pouco antes haviam chegado da Itália, por Cláudio ter decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo uniu-se a eles.
3 Como exercessem o mesmo ofício, morava e trabalhava com eles. (Eram fabricantes de tendas.)
4 Todos os sábados ele falava na sinagoga e procurava convencer os judeus e os gregos.
5 Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à pregação da palavra, dando aos judeus testemunho de que Jesus era o Messias.
6 Mas como esses contradissessem e o injuriassem, ele, sacudindo as vestes, disse-lhes: “O vosso sangue caia sobre a vossa cabeça! Tenho as mãos inocentes. Desde agora vou para o meio dos gentios”.
7 Saindo dali, entrou em casa de um prosélito, chamado Tício Justo, cuja casa era contígua à sinagoga.
8 Entretanto Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com todos os da sua casa. Sabendo disso, muitos dos coríntios, ouvintes de Paulo, acreditaram e foram batizados. 
Salmo responsorial 97/98
O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo
alcançaram-lhe a vitória.

O Senhor fez conhecer a salvação
e, às nações, sua justiça;
recordou o seu amor sempre fiel
pela casa de Israel.

Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor Deus, ó terá inteira,
alegrai-vos e exultai!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu não vos deixarei órfãos: eu irei, mas voltarei, e o vosso coração muito há de se alegrar (Jo 14,18).

EVANGELHO (João 16,16-20)
16 16 Jesus disse: “Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai”.
17 Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: “Que é isso que ele nos diz: ‘Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver?’ E que significa também: ‘Eu vou para o Pai?’”
18 Diziam então: “Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer”.
19 Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: “Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: ‘Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver’.
20 Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria”. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. A Alegria do Discípulo
A vida de todo discípulo de Jesus não é diferente das demais pessoas, ela é cheia de altos e baixos, "Um dia chove, outro dia faz sol", como cantou o poeta Chico Buarque de Holanda, um dia resplandece como uma manhã belíssima, mas logo mais a tarde vêm as nuvens negras com raios e relâmpagos. Na Vida de Fé esse dualismo também está presente, e Jesus está dizendo aos discípulos que será sempre assim: um pouco de tempo e me vereis, mais um pouco e não me vereis, e outro pouco e tornareis a me ver...
A gente queria só luz, alegria, entusiasmo, sucesso, em nossa vida de Fé, na vida em comunidade, mas não é assim, desde o começo Jesus deixou bem claro. Os discípulos não entenderam e nós também não. Então Jesus, que conhece o homem profundamente, todos os pensamentos e sentimentos humanos, vai dizer que ao final, toda a angústia e tristeza dos discípulos vai se transformar em alegria eterna.
Há no mundo uma falsa alegria, que hoje poderíamos dizer, provocada pelo consumismo, pelo sucesso, prestígio e poder, na verdade as alegrias terrenas são legítimas mas não podem substituir na vida dos discípulos aquela que é a Verdadeira alegria e que um dia se tornará plena. A suposta "ausência" de Jesus, a partir da sua Ascensão, é preenchida totalmente pelo Espírito que acompanha a Igreja neste tempo do Kairós até a Parusia.
Em suma, Ver ou não ver Jesus, sentir sua presença em nossa vida ou não, é uma contingência humana por conta das nossas limitações, Deus está sempre presente na ação Trinitária em cuja vida de comunhão somos envolvidos, mas que não nos arrebata desse Vale de Lágrimas, onde é preciso caminhar e Crer, alimentando em nós essa esperança, de que o Senhor caminha conosco, falando e agindo, como fez um dia junto aos seus discípulos.
2. Jesus abre os discípulos para uma esperança nova
O versículo 16 do nosso texto corresponde ao que nos sinóticos se chama de anúncio da paixão, morte e ressurreição do Senhor (Mc 8,31ss; Mc 16,21ss; Lc 9,22). A pergunta dos discípulos (v. 18) declara a incompreensão deles. É o que no v. 12 é dito nestes termos: “Tenho muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de compreender agora”.
Jesus toma a iniciativa de responder às dúvidas dos discípulos (v. 19). Sua resposta abre os discípulos para uma esperança nova, que poderíamos, à luz do v. 20, exprimir deste modo: o que é primeiro (sofrimento dos discípulos; alegria do mundo) não é definitivo; é só aparência, e, como tal, passa. O que num primeiro momento parece vitorioso, será revelado como derrotado. A morte, o sofrimento, a tristeza não são a última palavra da existência humana: “Ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria” (v. 20).
A vida de cada discípulo, e a de toda comunidade cristã, deve ser vivida como uma Páscoa.
ORAÇÃO
Pai, que o meu testemunho de vida cristã seja tal, que as pessoas possam “ver” Jesus nas minhas palavras e nos meus gestos de amor ao próximo.
3. DA TRISTEZA À ALEGRIA
A linguagem enigmática de Jesus deixava confusos os discípulos. Estando para concluir seu ministério, referia-se a um tempo de separação, seguido de um tempo de reencontro. Falava em ir para o Pai. No ar, pairava algo de abandono, de ruptura. Os discípulos não se sentiam preparados para enfrentar esta realidade. Também não estavam em condições de compreender o que se passava com Jesus.
O pano de fundo das palavras de Jesus tem a ver com o destino de morte e de ressurreição que o esperava. O tempo da não-visão corresponderia à experiência de morte a ser enfrentada por ele. Sem o apoio de sua presença, a comunidade ficaria exposta à tristeza, à confusão, e à zombaria do mundo. 
Julgando ter alcançado seu objetivo de eliminar o Filho de Deus, seus inimigos teriam motivos para se alegrar com o desespero dos discípulos.
O tempo da visão correspondia à Páscoa. Momento de reencontro do Senhor com sua comunidade, sem as limitações do tempo e do espaço. E, por isso, motivo de alegria para os discípulos. Pelo contrário, tempo de tristeza para o mundo, que verá frustrados todos seus intentos de eliminar o Filho de Deus. Ver-se-á derrotado, quando pensava ter sido vitorioso.
A alegria sucede à tristeza. Ela é o ponto de chegada para o discípulo que sabe compreender o sentido da morte de Jesus, e se prepara para acolhê-lo na Ressurreição.
Oração
Espírito de júbilo, transforma, em alegria, a tristeza de meu coração, fazendo-me compreender que o Ressuscitado está vivo, no meio de nós.
Liturgia da Sexta-Feira
VI SEMANA DA PÁSCOA 
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Vós nos resgatastes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações e fizestes de nós um reino e sacerdotes para o nosso Deus, aleluia! (Ap 5,9s)
Leitura (Atos 18,9-18)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
18 9 Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: “Não temas! Fala e não te cales.
10 Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade”.
11 Paulo deteve-se ali um ano e seis meses, ensinando a eles a palavra de Deus.
12 Sendo Galião procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo e levaram-no ao tribunal e disseram:
13 Este homem persuade os ouvintes a (adotar) um culto contrário à lei.
14 Paulo ia falar, mas Galião disse aos judeus: “Se fosse, na realidade, uma injustiça ou verdadeiro crime, seria razoável que vos atendesse.
15 Mas se são questões de doutrina, de nomes e da vossa lei, isso é lá convosco. Não quero ser juiz dessas coisas”.
16 E mandou-o sair do tribunal.
17 Então todos pegaram em Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancaram diante do tribunal, sem que Galião fizesse caso algum disso.
18 Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto. 
Salmo responsorial 46/47
O Senhor é o grande rei de toda a terra.
Povos todos do universo, batei palmas,
gritai a Deus aclamações de alegria!
Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo,
o soberano que domina toda a terra.

Os povos sujeitou ao nosso jugo
e colocou muitas nações aos nossos pés.
Foi ele que escolheu a nossa herança,
a glória de Jacó, seu bem-amado.

Por entre aclamações Deus se elevou,
o Senhor subiu ao toque da trombeta.
Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa,
salmodiai, ao som da harpa, ao nosso rei!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Era preciso que Cristo sofresse e ressuscitasse dos mortos para entrar em sua glória (Lc 24,46.26).

EVANGELHO (João 16,20-23)
16 20 Disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria.
21 Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo.
22 Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria.
23 Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará”. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Realidades na vida do Cristão
Neste evangelho, com palavras consoladoras Jesus fala com seus discípulos sobre o “Provisório” e o “Permanente”, sobre o “Mortal” e o  “Eterno”, sobre o “Passageiro” e o “Para sempre”. Realidades distintas mas que estão presentes na Vida do Cristão que professa sua Fé em Jesus Cristo. Vivemos em uma só dessas realidades, que é a terrena, com suas limitações e fragilidades, mas temos a outra em nós, a partir da Encarnação de Jesus e do derramamento do Espírito em Pentecostes, e que de certa forma o conteúdo dos evangelhos desse tempo pascal, nos prepara para essa grande celebração.
A nossa realidade terrena não é descartável, como muitos cristãos imaginam, parece que a Vida de um Cristão consiste em ignorar e desprezar a natureza humana, aspirando somente as coisas da Vida Eterna que virá depois. Mas é ilusão pensarmos desta maneira, também na Vida de Fé não se pode “queimar etapas”, antes de nascermos, habitamos no Útero Materno o qual pensávamos que era permanente, mas um dia o deixamos para sermos inseridos em uma realidade e um mundo mais amplo. Mas o processo de gestação foi necessário e importante ao longo dos nove meses.
A nossa Vida terrena nos prepara para a Vida Eterna, para essa Vida do Espírito que de certa forma já temos. No aprendizado de voo dos pássaros, primeiro os filhotes pulam para alcançar o alto, arriscam-se em pequenos voos próximos ao chão, até que um dia se projetam em um espaço maior, e ao perceber que o aprendizado chegou ao seu final, então mergulham no infinito em alturas inimagináveis, tarefa que conseguiram porque tiveram a paciência de exercitar-se em um aprendizado que custou alguns tombos com certeza.
Os discípulos iniciaram assim o longo aprendizado, logo de início julgaram que tudo havia desmoronado pois ficaram privados da presença física de Jesus que havia morrido na cruz do calvário, entretanto toda aquela dor e tristeza haveria de se transformar em alegria, quando sentem que aquele Jesus morto na cruz estava ali entre eles, caminhando e ensinando-os como antes. A semente colocada nas profundezas da terra havia brotado e agora era deles a missão de cuidar dela com carinho e fazê-la transformar-se em uma grande árvore.
Algo de novo e belo renasce das cinzas, uma Vida Nova e toda a amplidão de um Reino que supera qualquer Reino da Terra. A esperança e a alegria dos discípulos, não vinha de suas convicções ou ideais de Vida, mas do próprio Cristo Ressuscitado e caminhante que os acompanha. Valera a pena esperar, o sonho do Reino anunciado por Jesus se tornara uma realidade nas primeiras comunidades. É dessa Esperança Certeza que nossas comunidades cristãs do Segundo Milênio se alimenta...
2. A irrupção da vida transfigura o sofrimento e dá a alegria, que ninguém pode tirar.
A tristeza do discípulo ocupa um bom espaço no longo discurso de despedida de Jesus. Tristeza causada pela paixão e morte de Jesus, mas também pela perseguição da qual a Igreja de fiéis do primeiro século é vítima. A tristeza que abate e imobiliza não é de Deus. A tristeza que provém de indignação, ao contrário, vem de Deus, pois ela move o coração do ser humano a ser solidário com os que sofrem. A alegria, dom do Ressuscitado, é a que deve fortalecer os discípulos em meio às perseguições e ameaças.
O sofrimento dos discípulos é comparado à mulher que dá à luz (cf. v. 21). A vida para vir à luz passa pelo sofrimento. A irrupção da vida transfigura o sofrimento, enxuga as lágrimas e dá a alegria, que ninguém, nem mesmo o sofrimento causado pela fidelidade a Deus, pode tirar (cf. v. 22).
Para quem vive segundo o Espírito de Deus, é possível manter a alegria e a paz no sofrimento e na perseguição. Isto é um dos efeitos da Ressurreição de Cristo em nossa vida.
ORAÇÃO
Pai, não permitas que jamais a tristeza e o pranto tomem conta do meu coração. E que a fé na Ressurreição seja, para mim, motivo de perene alegria.
3. UMA FELIZ COMPARAÇÃO
A situação de uma mulher em trabalho de parto serviu para ilustrar a situação dos discípulos às voltas com o mistério pascal. Esta imagem, simples de ser entendida, devia levá-los a intuir o sentido das palavras enigmáticas de Jesus. Era mister compreender devidamente as exortações do Mestre, para evitar futuras decepções.
Todo o processo do parto transcorre em meio a dores e sofrimentos. Hoje, a medicina procura aliviar, ao máximo, esses sofrimentos, realizando partos indolores. Isto não significa negar que o parto seja, por si, doloroso. O grau de suportação da mãe torna-se quase infinito, quando ela pensa no desfecho do seu sofrimento: a vinda de um ser humano ao mundo. A expectativa do filho, que está para nascer, leva-a a relativizar sua dor.
Os discípulos passariam por uma experiência parecida com essa. O mistério pascal teria seu componente necessário de sofrimento e de tristeza. Não seria possível prescindir deles, nem abrandá-los. Uma dor cruel esperava-os, ao contemplar o próprio Mestre pendendo de uma cruz. Entretanto, algo de sumamente importante aconteceria no final de tudo isto: o Pai haveria de restituir-lhe a vida. Para os discípulos, a esperança da ressurreição não lhes suavizou a dor de ver o amigo crucificado, mas devolveu-lhes a alegria, e uma alegria tal, que dela ninguém jamais poderá privá-los.
Oração
Espírito de felicidade, que a certeza da ressurreição me ajude a suportar as dores e os sofrimentos, sem desfalecer.
Liturgia do Sábado
VI SEMANA DA PÁSCOA 
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)
Antífona da entrada: Povo resgatado por Deus, proclamai suas maravilhas: ele vos chamou das trevas à sua luz admirável, aleluia! (1Pd 2,9)
Leitura (Atos 18,23-28)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. 
18 23 Paulo se demorou aí apenas por algum tempo, partiu de novo e atravessou sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos.
24 Entrementes, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloqüente e muito versado nas Escrituras, chegou a Éfeso.
25 Era instruído no caminho do Senhor, falava com fervor de espírito e ensinava com precisão a respeito de Jesus, embora conhecesse somente o batismo de João.
26 Começou, pois, a falar na sinagoga com desassombro. Como Priscila e Áquila o ouvissem, levaram-no consigo, e expuseram-lhe mais profundamente o caminho do Senhor.
27 Como ele quisesse ir à Acaia, os irmãos animaram-no e escreveram aos discípulos que o recebessem bem. A sua presença (em Corinto) foi, pela graça de Deus, de muito proveito para os que haviam crido,
28 pois com grande veemência refutava publicamente os judeus, provando, pelas Escrituras, que Jesus era o Messias.
Salmo responsorial 46/47
O Senhor é o grande rei de toda a terra.

Povos todos do universo, batei palmas,
gritai a Deus aclamações de alegria!
Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo,
o soberano que domina toda a terra.

Porque Deus é o grande rei de toda a terra,
ao som da harpa acompanhai os seus louvores!
Deus reina sobre todas as nações,
está sentado no seu trono glorioso.

Os chefes das nações se reuniram
com o povo do Deus santo de Abraão,
pois só Deus é realmente o Altíssimo,
e os poderosos desta terra lhe pertencem!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Saí do Pai e vim ao mundo, eu deixo o mundo e vou ao Pai (Jo 16,28).

Evangelho (João 16,23-28)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16 23 "Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará.
24 Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita.
25 Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas vos falarei abertamente a respeito do Pai.
26 Naquele dia pedireis em meu nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós.
27 Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus.
28 Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai".
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Deus se revela a todos
Uma vez precisei de um favor do Diretor da empresa onde me aposentei, ele era novo na direção e eu não o conhecia, pois já tinha me afastado da empresa. Liguei então para o diretor anterior, que era muito meu amigo e ele pediu-me para falar com o novo diretor em seu nome, daí as coisas ficaram fáceis.
Mais fáceis ainda quando ao falar com ele, para minha alegria ele disse que me conhecia de um evento em que fui representar a minha unidade quando atuava na Comunicação e Assistência Social, da qual ele era um grande incentivador e apoiador. E como o meu pedido estava relacionado em ajudar ume entidade social, a tarefa, tão complicada a princípio, ficou ainda mais fácil, pois além de me conhecer, o Homem também comungava do mesmo desejo de atuar nesse campo social.
É isso que Jesus afirma nesse evangelho, antes da sua encarnação, Deus era alguém distante e misterioso, que se revelou apenas a algumas pessoas, nem todos tinham acesso a Ele.
Com Jesus essa distância que havia entre os homens e Deus, foi quebrada e superada em definitivo pois em Jesus, Deus conheceu na intimidade o Ser Humano, e este conheceu a Deus também na intimidade. O que pedimos ao Pai, em nome de Jesus, ele atenderá, claro que é preciso saber pedir, por isso Jesus ensinou-nos a Oração do Pai Nosso. Em Jesus o Pai nos ama e entra em comunhão conosco e assim já não há mais segredo.
Amar portanto a Jesus, é amar o Pai, pois Ele e o Pai são um e a Salvação nos inseriu nessa relação harmoniosa e amorosa do Pai e do Filho, através do Espírito Santo.
2. As palavras de Jesus revelam o Pai.
É como discípulo de Jesus que se deve pedir ao Pai. É este o significado do v. 23: “... se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará”.
A luz da ressurreição inaugura o tempo da “palavra aberta”, isto é, o tempo em que as palavras de Jesus adquirem sentido e compreensão, e revelam o Pai (cf. v. 25).
No tempo de sua vida terrestre, para muitos suas palavras eram enigmáticas. Com sua ressurreição, suas palavras ganham luz e ganham transparência.
A palavra clara, sem figuras (cf. vv. 25), é esta: “Eu saí do Pai e vim ao mundo. De novo, deixo o mundo e vou para o Pai” (v. 28).
ORAÇÃO
Pai, dá-me um coração que saiba reconhecer e agradecer tudo quanto teu Filho fez para salvar a humanidade pecadora. E que seja ele o meu eterno intercessor junto de ti.
3. O CAMINHO PERCORRIDO
A existência de Jesus desenrolou-se num grande percurso que vai do Pai ao mundo, e do mundo ao Pai. Cada passo nessa trajetória revela uma marca específica em sua vida.
Saí do Pai. Jesus é de origem divina, e seu traço característico é o de ser enviado, na qualidade de Filho. Nesta condição, conhece o pensamento do Pai e seus desígnios em relação à humanidade. Seu testemunho é digno de crédito, por ser de primeiríssima mão. Ele conhece a intimidade do Pai, e se torna seu revelador.
Vim ao mundo. A presença de Jesus, na História, justifica-se pela missão que o Pai lhe confiou: ser portador de salvação para a humanidade. Esta missão consiste na proclamação do Reino, mediante palavras e gestos, constituindo-se num apelo premente à conversão. Tudo quanto Jesus fazia, visava conduzir as pessoas ao Pai, e reconstruir a comunhão rompida pelo pecado.
Deixo o mundo. Nesta afirmação, descobre-se a consciência que Jesus tinha de ter realizado totalmente a tarefa que lhe fora confiada. Agora, podia deixar o mundo, uma vez que nada mais lhe restava para fazer.
Vou para o Pai. Concluída sua missão, Jesus retoma o caminho de volta para o Pai. Seu destino é estar em eterna comunhão com ele, à espera daqueles que, neste mundo, deixaram-se tocar pelo Reino.
Oração
Espírito do Filho, toma-me pela mão e guia-me para a comunhão eterna, onde Jesus me espera, junto do Pai.
Liturgia do Domingo 12.05.2013
Ascensção de Nosso Senhor Jesus Cristo — ANO C
(BRANCO, GLÓRIA, CREIO, PREFÁCIO DA ASCENSÃO – OFÍCIO DA SOLENIDADE)

__ "O destino do Homem Novo: O ressuscitado continua conosco. " __

DIA DAS MÃES
Dia Mundial das Comunicações Sociais
Coleta Arquidiocesana de São Paulo para a Rádio Nove de Julho
Semana preparatória de Pentecostes
Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A solenidade da Ascensão que hoje celebramos está permeada por um grande sentido de alegria: "Fazei- -nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças [...]" A liturgia de hoje não é, portanto, uma saudosa liturgia de adeus a Jesus que deixa a terra e volta ao seu tranquilo paraíso, mas uma liturgia de louvor e exaltação. Descobrir o motivo deste louvor e desta exaltação significa celebrar o verdadeiro mistério do dia de hoje. A festa da Ascensão é uma festa de entronização, pois celebra o Cristo ressuscitado enquanto constituído Senhor pelo Pai, isto é, soberano do mundo. Assentado à direita do Pai, Jesus continua junto à humanidade. Celebramos hoje também o dia mundial das comunicações sociais, com o tema: "Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização". Alegres celebramos também com todas as mães neste dia a elas dedicado.
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: A solenidade da Ascensão que hoje celebramos está permeada por um grande sentido de alegria: "Fazei- -nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças [...]" A liturgia de hoje não é, portanto, uma saudosa liturgia de adeus a Jesus que deixa a terra e volta ao seu tranquilo paraíso, mas uma liturgia de louvor e exaltação. Descobrir o motivo deste louvor e desta exaltação significa celebrar o verdadeiro mistério do dia de hoje. A festa da Ascensão é uma festa de entronização, pois celebra o Cristo ressuscitado enquanto constituído Senhor pelo Pai, isto é, soberano do mundo. Assentado à direita do Pai, Jesus continua junto à humanidade. Celebramos hoje também o dia mundial das comunicações sociais, com o tema: "Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização". Alegres celebramos também com todas as mães neste dia a elas dedicado.
INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Interpretando teologicamente a Ascensão de Jesus, recomendam os anjos que não se fique a olhar para o céu, mas que se espere e prepare a volta gloriosa do Senhor. Esta é, até o fim dos tempos, a missão da Igreja, em tensão entre o visível e o invisível, entre a realidade presente e a futura cidade para a qual caminhamos (cf SC 2).
Sintamos em nossos corações a alegria da Ressurreição e entoemos alegres cânticos ao Senhor!
ASCENSÃO DO SENHOR
Antífona da entrada: Homens da Galiléia, por que estais admirados, olhando para o céu? Este Jesus há de voltar do mesmo modo que o vistes subir, aleluia! (At 1,11)
Comentário das Leituras: A ascensão do Senhor é uma síntese da fé cristã e a culminância do mistério do Cristo, que depois da provação e da humilhação suprema é glorificado e constituído Senhor do universo e cabeça da humanidade e da Igreja. Por isso o Pai, "assenta-o à sua direita no céu"; expressão bíblica que significa plena igualdade de ambos, isto é, plenitude de poder salvífico e cósmico. A ascensão de Jesus e o envio do Espírito Santo nos colocam em perene estado de missão.
Primeira Leitura (Atos 1,1-11)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. 
1 1 Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus,
2 desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu).
3 E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.
4 E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, "que ouvistes", disse ele, "da minha boca;
5 porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias".
6 Assim reunidos, eles o interrogavam: "Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?"
7 Respondeu-lhes ele: "Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder,
8 mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo".
9 Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.
10 Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram:
11 "Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu".
Salmo responsorial 46/47
Por entre aclamações, Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta!

Povos todos do universo, batei palmas,
gritai a Deus aclamações de alegria!
Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo,
o soberano que domina toda a terra.

Por entre aclamações, Deus se elevou,
o Senhor subiu ao toque da trombeta.
Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa,
salmodiai, ao som da harpa, ao nosso rei!

Porque Deus é o grande rei de toda a terra,
ao som da harpa acompanhai os seus louvores!
Deus reina sobre todas as nações,
está sentado no seu trono glorioso.
Segunda Leitura (Efésios 1,17-23)
Leitura da carta de São Paulo aos Efésios.
Irmãos, 1 17 "rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele;
18 que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos,
19 e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé. É o mesmo poder extraordinário que
20 ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu,
21 acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro.
22 E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja,
23 que é o seu corpo, o receptáculo daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Ide ao mundo, ensinai aos povos todos; convosco estarei, todos os dias, até o fim dos tempos, diz Jesus (Mt 28,19s).

EVANGELHO (Lucas 24,46-53)
24 46 Disse Jesus: "Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
47 E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
48 Vós sois as testemunhas de tudo isso.
49 Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.
50 Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou.
51 Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu.
52 Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.
53 E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus".
LEITURAS DA SEMANA DE 13 a 19 de maio de 2013:
2ª Br - At 19,1-8; Sl 67; Jo 16,29-33
3ª Br - At 20,17-27; Sl 67; Jo 17,1-11a
4ª Br - At 20,28-38; Sl 67; Jo 17,11b-19
5ª Br - At 22,30; 23,6-11; Sl 15; Jo 17,20-26
6ª Br - At 25,13b-21; Sl 102; Jo 21,15-19
Sb Vm - Gn 11,1-9 ou Ex 19,3-8a.16-20b ou Ez 37,1-14 ou Jl 3,1-5; Sl 103; Rm 8,22-27; Jo 7,37-39
SOLENIDADE DE PENTECOSTES. At 2,1-11; Sl 103 (104),1ab e 24ac. 29bc-30. 31 e 34 (R/ 30); 1Cor 12,3b-7.12-13; Jo 20,19-23 Ou facultativas (para o ano C): Rm 8, 8-17; Jo 14, 15-16.23b-26
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. DE VOLTA PARA O CÉU!
Um leitor que acompanha as nossas reflexões, e que costumeiramente sempre lê o evangelho antes do domingo, me fez uma observação muito interessante, e que na verdade serviu de “gancho” para esta reflexão. “Olha, achei que o evangelho desse domingo, fosse aquele tão bonito, quando Jesus vai subindo ao céu, de volta para o Pai, de onde saiu para realizar a Salvação, mas parece que o autor Lucas, não deu muita atenção para esse detalhe cinematográfico, de Jesus flutuando entre as nuvens”
Em parte o leitor tem razão, pois Ascensão significa a volta de Jesus para o Pai. Entretanto, precisamos entender uma coisa importante: enquanto Verbo Divino, Jesus nunca saiu do lado do Pai, mas como Verbo encarnado, ele esteve em meio a humanidade, e no dia da sua paixão e morte, ressuscitou e voltou para o Pai, isso significa dizer que, um homem subiu ao céu e assentou-se á direita de Deus Pai.
O Evangelista Lucas gosta de nos mostrar em seu evangelho, que Jesus é o Salvador, e nesta narrativa da Ascensão do Senhor, resume em praticamente uma linha, no que consiste esse ato de salvação que Jesus realizou a favor do gênero humano. “Assim está escrito, o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”.Eis aí a Salvação que Deus havia prometido nas Escrituras antigas, e que agora se cumpre plenamente na missão de Jesus: o perdão dos pecados!...
A comunhão de vida que o homem havia perdido por causa do pecado, agora é resgatada, poderíamos dizer em uma linguagem mais simples, que a ascensão significa: o Céu desceu á terra, e esta subiu ao céu! Os anjos Querubins que em Gênesis, após a queda do homem, guardavam a entrada do Paraíso com espadas de fogo, agora saem de cena, o paraíso é destino de toda humanidade, Deus quer e deseja intensamente, que toda a humanidade volte um dia aquele estado de vida de comunhão plena, com ele, no paraíso.
É precisamente essa “Esperança Escatológica”, Dom que Jesus concede, que alimenta a vida de um cristão, dando um sentido totalmente novo á sua vida. Nesse sentido, a vida terrena não é um “Esperar para ver o que vai acontecer no pós-morte”, esperar para ver no que vai dar tudo isso, esperar para ver qual a sorte que está nos reservada, ou pior ainda, esperar, como se a Salvação fosse um jogo de loteria, se dermos sorte, chegaremos na Casa de Deus que fica em algum lugar, longe daqui.
Se Esperança Cristã fosse isso, não teríamos o que celebrar, e nem valeria a pena ter Fé, a Igreja já teria ido à falência nos primeiros séculos do seu nascimento, e Jesus Cristo seria apenas mais um, entre aos homens célebres, que marcaram a História da Humanidade.
Esse “Céu” já está no coração de quem crê não como uma utopia, como um “faz de conta”, como uma imagem alegórica do mundo das idéias, como imaginava Platão, mas como algo real, que reflete o “Pensar Cristão” nas atitudes e nas relações com o próximo, na Vida Verdadeira e na Esperança que se celebra em comunidade, no Louvor e no Bendizer a Deus, pela possibilidade da Salvação que ele nos deu em Cristo, e acima de tudo, nesse amor infinito que permite ao homem tomar decisões no se dia a dia, capaz de refletir o paraíso que já está no meio de nós, mas que ainda não chegou.
Ascensão de Jesus é o reencontro da Humanidade com Deus, e não há e nem haverá por certo, expressão mais acertada do que aquela que escreveu o apóstolo, na carta aos Hebreus, 9,20 “Ele nos abriu um caminho novo e vivo, através da cortina, quer dizer, através da sua humanidade”.
Que em nossa vida de cristãos, não haja lugar para o desânimo, devemos saber que a conquista do céu não depende de nós, mas é dom que em Cristo, Deus Pai nos concedeu, e se a aceitarmos, viveremos como aqueles apóstolos, em nossas comunidades, louvando, agradecendo e testemunhando essa obra, que mudou definitivamente a sorte de toda humanidade, porque a Fé nos leva a crer, que esta realidade invisível e sobrenatural, se tornou visível na Igreja, assembléia dos que crêem e louvam o Senhor Jesus, como o único Deus e Salvador de todos... (Festa da Ascensão do Senhor)
2. Promessa do envio do Espírito Santo
É a ascensão do Senhor que lhes permite afirmar que ele, por sua ressurreição, está junto do Pai, sentado à sua direita. Tanto no Evangelho de Lucas como nos Atos dos Apóstolos, que é a segunda parte da obra lucana, o relato da Ascensão é precedido da promessa do envio do Espírito Santo e da missão confiada aos discípulos de serem testemunhas de Jesus Cristo (Lc 24,47-49; At 1,8).
Se o Evangelho dá uma breve notícia, dizendo simplesmente que “afastou-se deles e foi levado ao céu” (Lc 24,51), os Atos dedicam um espaço maior à ascensão (At 1,9-11).
O Cristo Ressuscitado continua a ter palavra e a ensinar os apóstolos, mas não de viva voz, e sim pelo Espírito Santo, que faz na comunidade dos discípulos a memória de Jesus, atualiza e esclarece suas palavras e move ao testemunho. Pela ação do Espírito, a presença do Senhor podia e pode ser sentida e reconhecida em todos os âmbitos da vida. É no cotidiano da existência humana que o Senhor se deixa encantar. A sua “elevação” é sentida em todos os lugares e em todo tempo.
Os três versículos que narram a ascensão nos Atos têm por finalidade instruir os discípulos. Em primeiro lugar, a ascensão é uma profissão de fé: tendo ressuscitado dos mortos, Jesus Cristo foi elevado ao céu. Nesse sentido, o relato não se oferece ao exercício ótico nem deve aguçar a imaginação, perguntando-se como se deu esta elevação. A imagem apresentada é ajuda para a intelecção da fé.
Em segundo lugar, o relato da ascensão visa responder à pergunta pelo onde e como encontrar o Ressuscitado elevado ao céu. O verbo “elevar” no passivo – “foi elevado” (v. 9.11), chamado de passivo divino, indica que foi Deus, o Pai, quem o elevou. “Uma nuvem o envolveu” (v. 9). A nuvem é, na tradição bíblica, símbolo da presença de Deus (ver: Ex 13,22). Jesus entra no mistério de Deus; no que é seu, antes da criação do mundo.
Os dois mensageiros celestes auxiliam na compreensão do mistério: “Esse Jesus que vocês viram ser elevado ao céu, virá, assim, do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (v. 11). Agora, não depois, o modo da presença de Jesus Ressuscitado é envolto no mistério. Ele se oferece para o reconhecimento na nossa própria humanidade e nas vicissitudes do tempo e da história: “Por que ficais parados, olhando pra o céu?” (v. 11). Neste novo tempo é a fé que permite ver.
Na fé a “elevação” de Jesus não é sentida como ausência, mas como uma forma de presença. O fruto desta presença é a alegria: “Em seguida olharam para Jerusalém, com grande alegria” (Lc 24,52).
ORAÇÃO
Espírito que nos move a ser testemunhas, faze-me sempre mais ativo na missão que o Senhor me confiou: proclamar a salvação a toda a humanidade.
3. EIS  QUE A BOA NOVA SE COMPLETA
Jesus recorda aos seus discípulos a trajetória redendora de sua vida como cumprimento das Escrituras: era necessário que padecesse. O caminho incluiu sofrimento que, na dimensão bíblico-teológica, resultou na ressurreição.
Eis que, agora, os discípulos estão legitimados para a missão: pregar a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações.
A missão visa a conversão e o perdão dos pecados. Dádiva, Graça da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Sob a força do Prometido de seu Pai, os discípulos, entendem a missão, adoram o seu Mestre e Redentor e dirigem-se à Jerusalém, cheios de júbilo.
Oração
Senhor, ajuda-me a crer na Graça do perdão dos pecados e na força do Espírito Santo, a fim de que, renascido pelo batismo desse Espírito Prometido do Pai, eu possa anunciar a boa-nova a todos.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Liturgia da 05ª semana da Páscoa

Liturgia da Segunda Feira — 29.04.2013

SANTA CATARINA DE SENA - VIRGEM E DOUTORA
(BRANCO, PREFÁCIO PASCAL OU DAS VIRGENS – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Antífona da entrada: Esta é uma virgem sábia, uma das jovens prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa.
Leitura (Atos 14,5-18)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
14 5 Mas como se tivesse levantado um motim dos gentios e dos judeus, com os seus chefes, para os ultrajar e apedrejar,
6 ao saberem disso, fugiram para as cidades da Licaônia, Listra e Derbe e suas circunvizinhanças.
7 Ali pregaram o Evangelho.
8 Em Listra vivia um homem aleijado das pernas, coxo de nascença, que nunca tinha andado.
9 Sentado, ele ouvia Paulo pregar. Este, fixando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado,
10 disse em alta voz: “Levanta-te direito sobre os teus pés!” Ele deu um salto e pôs-se a andar.
11 Vendo a multidão o que Paulo fizera, levantou a voz, gritando em língua licaônica: “Deuses em figura de homens baixaram a nós!”
12 Chamavam a Barnabé Zeus e a Paulo Hermes, porque era este quem dirigia a palavra.
13 Um sacerdote de Zeus Propóleos trouxe para as portas touros ornados de grinaldas, querendo, de acordo com todo o povo, sacrificar-lhos.
14 Mas os apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram as suas vestes e saltaram no meio da multidão:
15 “Homens, clamavam eles, por que fazeis isso? Também nós somos homens, da mesma condição que vós, e pregamos justamente para que vos convertais das coisas vãs ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles há.
16 Ele permitiu nos tempos passados que todas as nações seguissem os seus caminhos.
17 Contudo, nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios: dando-vos do céu as chuvas e os tempos férteis, concedendo abundante alimento e enchendo os vossos corações de alegria”.
18 Apesar dessas palavras, não foi sem dificuldade que contiveram a multidão de sacrificar a eles. 
Salmo responsorial 113B/115
Não a nós, ó Senhor, não a nós,
ao vosso nome, porém, seja a glória.

Não a nós, ó Senhor, não a nós,
ao vosso nome, porém, seja a glória,
porque sois todo amor e verdade!
Por que há de dizer os pagãos:
“Onde está o seu Deus, onde está?”

É nos céus que está o nosso Deus,
ele faz tudo aquilo que quer.
São os deuses pagãos ouro e prata,
todos eles são obras humanas.

Abençoados sejais do Senhor,
do Senhor que criou céu e terra!
Os céus são os céus do Senhor,
mas a terra ele deu para os homens.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito Santo, o paráclito, haverá de lembrar-vos de tudo o que tenho falado, aleluia (Jo 14,26).

EVANGELHO (João 14,21-26)
14 21 Disse Jesus: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele”.
22 Pergunta-lhe Judas, não o Iscariotes: “Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?”
23 Respondeu-lhe Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada.
24 Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou.
25 Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco.
26 Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito”. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Guardar a Palavra
Neste evangelho a gente observa uma palavra importante GUARDAR, que se repete por três vezes, nos exortando a guardar a Palavra, como compromisso assumido por quem ama a Deus que se manifestou em Jesus.
Os discípulos tinham dificuldade de entender essas coisas, como poderiam eles guardar todas as palavras de Jesus? Nos dias de hoje podemos fazer arquivo de som e imagem de modo tranquilo, mas naquele tempo não havia essa tecnologia. De mais a mais Jesus não está falando apenas de gravar a sua Palavra, mas sim de guarda-la dentro do coração, nas entranhas do Ser Humano, perpassando a razão e o coração que é a porta da Fé.
No final do evangelho Jesus anuncia o tempo novo que está chegando, quando o Espírito Santo irá reger a Igreja, recordando a cada discípulo todo o ensinamento e todas as palavras de Jesus. Essa ação Divina no Espírito Santo é fácil de ser constatada, decorridos mais de dois milênios de História, a Sagrada Escritura chegou até nós intacta e no Novo Testamento encontramos a experiência das primeiras comunidades, todas surgidas a partir de um único evangelho, de um único testemunho apostólico e passando por tempos e situações diferentes, inclusive períodos nebulosos na história da Igreja, chegou até nós incólume, apesar dos pecados da Igreja e de escândalos que abalaram o mundo, ninguém conseguiu mudar uma vírgula ou uma letra dos evangelhos e dos escritos do Novo Testamento.
Claro que o Espírito Santo não faz isso de forma mágica, mas agindo no coração e na razão daqueles que generosamente, através da Fé se abrem a essa ação. As revelações do Espírito Santo não são novas e inéditas, elas apenas recordam e atualizam tudo o que Jesus ensinou, e a grande novidade: o Espírito Santo mostra-nos o melhor método para evangelizar nos dias de hoje, o que não podemos ser é uma Igreja fechada em si mesma, tentando evangelizar com fórmulas antigas que não mais convencem... Nesse sentido, o Concílio Vaticano II nos alertou sobre a necessidade de uma abertura ao mundo, não para assimilar os seus valores nefastos, mas para transformá-lo, precisamos conhecer cada vez mais e melhor o contexto em que a evangelização vai ser feita.
Logicamente que enquanto membros da Igreja, Batizados e com a missão de sermos discípulos e missionários do Senhor, não precisamos nos preocupar com O QUE FAZER, pois isso nós já sabemos: Ide evangelizar em todas as Nações. Mas COMO EVANGELIZAR nos dias de hoje, aí está o nosso desafio, que exige sempre uma abertura maior ao Espírito Santo que vai nos apontando o caminho, mostrando novos métodos para se fazer com que a Graça Santificante e Operante de Deus, alcance o coração das pessoas.
Esse é portanto o tempo da Igreja, regido pelo Espírito Santo, mas que exatamente como nas primeiras comunidades, Jesus precisa do homem, para dar continuidade á essa Missão neste terceiro milênio da História. A Revelação tem sempre em sua essência a Verdade que todo homem precisa saber: Deus nos ama em Jesus Cristo e deseja e quer que cada ser humano atinja a Plenitude dessa Vida Eterna que em seu amado Filho Ele nos antecipou...
2. O Espírito Santo faz em nós a memória de Jesus
O amor não é uma ideia, nem são palavras. Para Santo Inácio de Loyola, “o amor se põe mais em gestos que em palavras”.
É importante ter presente que na vida cristã o primeiro é o amor ou, melhor ainda, aceitar que se é amado por Deus, pois “Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19). Amar Jesus é acolher e pôr em prática sua palavra (cf. v. 21.23.24).
O “mundo” a que se refere Judas (v. 22) é, aqui, tudo o que se opõe ao projeto salvífico de Deus. É símbolo de fechamento ao Deus revelado em Jesus.
Assim, o “mundo” não é capaz de reconhecer a manifestação de Deus em Jesus em razão do fechamento, da recusa de escutar o Senhor e de pôr em prática suas palavras.
O outro consolador ou defensor, que dará continuidade à obra do primeiro consolador, Jesus Cristo, é o Espírito Santo. O Espírito Santo tem, aqui, uma missão de hermeneuta, de intérprete: “... ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (v. 26). O Espírito Santo faz em nós a memória de Jesus.
ORAÇÃO
Pai, desperta em mim o desejo e a disposição de amar Jesus e de pôr em prática as palavras dele. Assim, estarei seguro de ser amado por ti e de viver em comunhão contigo.
3. UMA REDE DE AMOR
A adesão a Jesus introduz o discípulo numa rede complexa de amor. Nela estão implicados o Filho Jesus, o Pai e o discípulo. 
Guardando os mandamentos do Mestre, o discípulo vive o amor mútuo, cujo ápice consiste em doar a vida pelos outros. Tudo, em sua vida, resume-se no mandamento do amor. O desamor não encontra guarida em seu coração.
No ato de amar o próximo, o discípulo concretiza seu amor a Jesus. O próximo torna-se mediação deste amor maior, impedindo-o de se tornar abstrato. Destarte, o amor ao próximo ganha transcendência, e vai além do que podemos imaginar. Com ele, supera-se os limites do outro, e envolve o próprio Deus.
O Pai intervém nesta dinâmica de amor, amando a quem ama o seu Filho, observando os seus mandamentos. Quem acolhe o Filho, está acolhendo também o Pai. E, assim, o Pai faz-se presente na vida de quem ama o Filho.
Por sua vez, o Filho responde com amor ao amor do discípulo, porque quem ama é também amado. E mais, torna-se habitação do Pai e do Filho.
Esta rede divina de amor é motivo de realização plena para o discípulo.

Oração
Espírito do verdadeiro amor ensina-me a guardar, com fidelidade, o mandamento do amor, a ponto de me tornar tua habitação, do Pai e do Filho.


Liturgia da Terça-Feira

V SEMANA DA PÁSCOA *
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)

Antífona da entrada: Louvai o nosso Deus, todos vós que o temeis, pequenos e grandes; pois manifestou-se a salvação, a vitória e o poder de seu Cristo, aleluia! (Ap 19,5;12-10)
Leitura (Atos 14,19-28)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
19 Sobrevieram, porém, alguns judeus de Antioquia e de Icônio que persuadiram a multidão. Apedrejaram Paulo e, dando-o por morto, arrastaram-no para fora da cidade.
20 Os discípulos o rodearam. Ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe.
21 Depois de ter pregado o Evangelho à cidade de Derbe, onde ganharam muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia (da Pisídia).
22 Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações.
23 Em cada igreja instituíram anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham confiado.
24 Atravessaram a Pisídia e chegaram a Panfília.
25 Depois de ter anunciado a palavra do Senhor em Perge, desceram a Atália.
26 Dali navegaram para Antioquia (da Síria), de onde tinham partido, encomendados à graça de Deus para a obra que estavam a completar.
27 Ali chegados, reuniram a igreja e contaram quão grandes coisas Deus fizera com eles, e como abrira a porta da fé aos gentios.
28 Demoraram-se com os discípulos longo tempo. 
Salmo responsorial 144/145
Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso reino glorioso.

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem,
e os vossos santos, com louvores, vos bendigam!
Narrem a glória e o esplendor do vosso reino
e saibam proclamar vosso poder!

Para espalhar vossos prodígios entre os homens
e o fulgor de vosso reino esplendoroso.
O vosso reino é um reino para sempre,
vosso poder, de geração em geração.

Que a minha boca cante a glória do Senhor
e que bendiga todo ser seu nome santo,
desde agora, para sempre e pelos séculos.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Era preciso que Cristo sofresse e ressuscitasse dos mortos para entrar em sua glória, aleluia! (Lc 24,46.26)

EVANGELHO (João 14,27-31)
14 27 Disse Jesus: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!
28 Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou e volto a vós’. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu.
29 E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que creiais quando acontecerem.
30 Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo; mas ele não tem nada em mim.
31 O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui”. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. A Paz de Jesus
Sempre que leio essa afirmativa de Jesus, no evangelho de João "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como mundo a dá..." me questiono sobre a Paz que o mundo nos oferece...Paz que tem o sinônimo de sossego, ausência de problemas, tranquilidade, despreocupação. Para o mundo, ficar em paz é não ter nenhuma contrariedade ou aborrecimento, portanto, é poder fazer tudo o que se quer, é não ter que ficar esperando...é não depender de ninguém nem de nada, é ter autonomia, é poder quebrar certas normas ou regras, usufruir de exceções, ter regalias e mordomias. É difícil falar de Paz do mundo, sem pensar no poder econômico, em uma riqueza e um patrimônio egocêntrico. Que outra Paz o mundo pode nos oferecer que não seja esta?
Há uma outra paz que inventaram por aí, e que até colocaram nela um rótulo cristão, mas é tão fútil como a Paz do mundo: as vezes a chamam de Paz interior, é a religião que arrebata o homem para o céu, ainda em vida, o alienando de toda e qualquer realidade que o cerca, caindo naquele dualismo sinistro de que, o mundo é mal e cruel, só Deus é bom, resta esperar que Deus supere o mal e restitua esse paraíso que o nosso pecado perdeu. Essa poderíamos chamar de "A Paz dos desiludidos..." E olhe que são muitos....que pensam dessa forma, a gente tendo Fé, lá de vez em quando Deus revela o seu poder em Jesus e nos traz algum benefício.....Um Deus que nos livra de todas as angústias humanas, bem diferente do Deus Pai de Jesus, que foi condenado e morreu em uma cruz.
A Paz de Jesus é a Graça Santificante e Operante que Ele nos comunica a partir do nosso Batismo e que nos possibilita viver com Ele em eterna comunhão, ter a Vida de Deus em nós e permitir que a nossa Vida também esteja Nele. É bom termos consciência de que essa situação de sermos agraciados a partir da Fé, não nos torna imunes as angústias, tribulações e sofrimentos inerentes ao ser humano, como muitos pensam..."Encontrei Jesus e meus problemas acabaram (quando na verdade, apenas começaram...) "
Que atitudes ou que testemunho deve dar um discípulo de Jesus, que vive na Fé pela Graça de Deus? Nada mais além do que o amor e a fidelidade ao Pai, como Jesus resume toda a sua postura no final do evangelho. Amar e ser Fiel a Deus, quando se navega em águas mansas e calmas, não é assim tão difícil, contudo, que ninguém se iluda, pois olhando para Jesus vamos ver que esse itinerário da Fé passa necessariamente pelas tribulações. É nesse sentido que Jesus quer tirar dos seus discípulos a insegurança e o medo diante dos desafios, e por isso os tranqüiliza se fazendo presente, agora na plenitude do Espírito que orienta e conduz á sua Igreja, que somos todos nós...
2. A alegria da confiança na Palavra do Senhor
A perícope é parte do discurso de despedida de Jesus (13,31–14,31).
A paz (v. 27) é dom do Cristo Ressuscitado (ver também: Jo 20,19.26). Não há, da parte do Senhor, ao contrário do “mundo”, nenhuma aparência nem hipocrisia na paz oferecida e dada. Ele mesmo, “príncipe da paz”, se engaja na reconciliação do gênero humano com Deus (cf. Mt 5,9). Daí que a paz não é, como se pensava, bem-estar para Israel.
O fiel deve deixar sua vida ser iluminada pela escatologia: “Eu vou, mas voltarei a vós” (v. 28). Segundo o discurso, não se sentirá a ausência de Jesus Cristo como abandono, já que a sua volta é certa (cf. Mt 28,20).
Para onde ele vai? Para o Pai (cf. v. 28c). Esse movimento de voltar para o Pai deveria ser motivo de alegria para o discípulo, pois a confiança do discípulo deve estar apoiada na palavra do Senhor: “Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós” (14,18).
A paixão e morte de Jesus, consideradas como ação de Satanás, o “chefe deste mundo” (v. 30), não devem afligir a comunidade dos discípulos, pois o Senhor o vencerá (cf. v. 30b). No entanto, a entrega de Cristo é, para o mundo, testemunho de seu amor pela humanidade. Para a teologia joanina, a paixão e morte de Jesus são gestos do amor de Deus por toda a humanidade (cf. Jo 3,16).
ORAÇÃO
Pai, confirma em mim o dom da paz recebida de teu Filho Jesus, de forma que, revestido desta fortaleza, eu possa caminhar, sem medo, ao teu encontro.
3. A ALEGRIA DA PARTIDA
Jesus procurou evitar que sua partida para junto do Pai, a sua morte, fosse motivo de perturbação para os seus discípulos. Na perspectiva deles, isto resultaria na perda de um amigo querido, com quem haviam estabelecido um relacionamento de profunda confiança. 
Não era isso, porém, que preocupava Jesus. No seu horizonte, despontava a ação malévola do Príncipe deste mundo, cuja ação enganadora visaria desviar os discípulos do caminho do Mestre, causando-lhes toda sorte de dificuldades. De fato, a perspectiva de perseguição não deixava de ser preocupante. Se os discípulos tivessem consciência do que isto significava, teriam mais razão ainda para entristecer-se e perturbar-se.
Apesar da incerteza do futuro, os discípulos deveriam alegrar-se. Ao partir, Jesus os precederia no caminho que todos haveriam de trilhar também. E, na casa do Pai, lhes prepararia um lugar. 
A partida de Jesus era inevitável e inadiável. Sua permanência terrena junto aos seus não podia prolongar-se indefinidamente. Uma vez concluída sua missão terrena, era hora de começar sua missão celeste. Aos discípulos caberia levar adiante a missão do Mestre. A compreensão disto deveria afastar deles todo medo e toda tristeza. Embora sendo uma dura experiência, os discípulos tinham motivos para se alegrar com a partida de Jesus.

Oração
Espírito de segurança, que a ausência física de Jesus não me deixe perturbado, e sim, seja motivo de alegria, para mim, porque sei que ele nos precedeu junto do Pai.


Liturgia da Quarta-Feira

V SEMANA DA PÁSCOA
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)

Antífona da entrada: Que o vosso louvor transborde de minha boca; meus lábios exultarão, cantando de alegria, aleluia! (Sl 70,8.23)
Leitura (Atos 15,1-6)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. 
1 Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.
2 Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém.
3 Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria.
4 Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles.
5 Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés.
6 Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão. 
Salmo responsorial 121/122
Que alegria quando ouvi que me disseram:  “Vamos à casa do Senhor!”

Que alegria quando ouvi que me disseram:
“Vamos à casa do Senhor!”
E agora nossos pés já se detêm,
Jerusalém, em tuas portas.

Jerusalém, cidade bem edificada
num conjunto harmonioso;
para lá sobem as tribos de Israel,
as tribos do Senhor.

Para louvar, segundo a lei de Israel,
o nome do Senhor.
A sede da justiça lá está
e o trono de Davi.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Ficai em mim e eu em vós ficarei, diz Jesus; quem em mim permanece há de dar muito fruto (Jo 15,4s).

Evangelho (João 15,1-8)
1 Disse Jesus: Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará;
2 e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto.
3 Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. 
4 Permanecei em mim e eu permanecerei 

em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. 

5 Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
6 Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á.
7 Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito.
8 Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. 

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. São José Operário
No judaísmo a filiação é algo muito importante, ela contém em si uma linhagem e uma marca inconfundível a ponto de se poder afirmar categoricamente "Tal Pai, Tal Filho". Aqui é bom que se diga que para os amigos e a vizinhança toda de Nazaré, Jesus era de fato o Filho de José e de Maria e o caráter adotivo dessa filiação pertencia ao mistério da Fé e do Agir Divino , pois naquele tempo, não se tinha toda uma Teologia prontinha a respeito dos principais acontecimentos na História da Salvação, podemos dizer que, no contexto da humilde cidade de Nazaré, nenhum dos moradores iria "admitir" uma história dessas...
Mas penso que também as comunidades do primeiro século tiveram que abrirem-se muito á graça de Deus e a sabedoria do Espírito, para compreenderem o ensinamento dos apóstolos a esse respeito. Talvez o grande problema naquele tempo, era entender como é que podia um Homem ser Deus e este ser um Homem, ao mesmo tempo, com duas naturezas distintas. Justamente por conhecerem á sua origem, a sua história, a sua genealogia e seus familiares mais próximos, os conterrâneos dali da "Terrinha" de Jesus, até que sentiam orgulhosos por terem entre eles alguém de tão grande conceito em Israel, um grande Profeta, que já estava com uma fama maior do que os maiores profetas da história, pois seus ensinamentos causavam admiração, suas obras enchiam os olhos dos Nazarenos...mas daí, começar a pensar que seria ele o grande e esperado Messias, já seria um exagero. E por que?
Pela sua origem simples, sua vida rotineira igualzinha a vida de qualquer judeu, alimentar-se, ir na catequese, estar submisso ao Pai e Mãe, aprender a profissão do Pai, para sobreviver economicamente. O Messias não precisava de nada dessas coisas, tinha poder e glória, era um enviado de Deus e não estava em nível de um simples ser humano.
Hoje há um pensamento nefasto no cristianismo, que vem contaminando a vida de muitos cristãos, trata-se da Fé da Magia, que crê em um Cristo apenas Divino, que deverá usar seus poderes para socorrer os vis mortais. Um Jesus que está com a gente mais que não é igual a nós, um Jesus que separa Fé e Vida. São José Operário é o mesmo José esposo de Maria e Pai Adotivo do menino Jesus, a Igreja aprendeu a venerá-lo também enquanto trabalhador, um Operário, que sobrevivia e garantia o pão a si , a mãe e ao menino, com o suor do seu trabalho. Um homem a quem Deus confiou a guarda do seu Filho e de sua Mãe, um Homem que nada exigiu de Deus, por ter-lhe confiado essa grande responsabilidade, mas sendo um homem Justo, viveu e sobreviveu igual a todos os outros homens do seu tempo.
Como São José Operário, somos especiais enquanto vocacionados ao Cristianismo, para viver segundo a Fé, mas somos também iguais a todas as demais pessoas, sobrevivendo do nosso trabalho, dos nossos sonhos e projetos, que na vida de São José Operário e de cada um de nós, está sempre em harmonia com o Desígnio Divino.
Que São José Operário seja inspiração para todos os trabalhadores, e ao mesmo tempo desperte no coração dos empregadores , empresariados e governantes, esse anseio pela justiça e igualdade social, que cada homem possa ter sempre o necessário para sua sobrevivência, e que as diferenças sociais comecem a ser amenizadas...
Ó São José Operário... Rogai por todos nós!
2. Jesus apresenta-se como um profeta
O ensinamento de Jesus na sinagoga de Nazaré está presente, com algumas variantes, nos três evangelhos sinóticos (Mt 13,54-58; Mc 6,1-6; Lc 4,16-24).
O evangelista não nos diz acerca do conteúdo do ensinamento de Jesus. O seu interesse é a reação das pessoas e a revelação da identidade de Jesus. O ensinamento de Jesus causa admiração pela sabedoria e pelos milagres que ele realiza (cf. v. 54), ao mesmo tempo que resistência e rejeição (cf. vv. 55.56; cf. vv. 57b-58). Eles mesmos são, em razão da incredulidade, capazes de responder à questão: “De onde, então, lhe vem tudo isso?” (v. 56). A falta de fé não permite ver além do simples olhar; impede ultrapassar a superfície da própria existência humana.
Os concidadãos de Jesus conhecem sua origem modesta e sua parentela (cf. vv. 55-56), mas desconhecem sua verdadeira origem. A incredulidade de muitos nazarenos impediu Jesus de realizar aí muitos milagres. A falta de fé impediu de ver e receber Jesus como dom de Deus.
ORAÇÃO
Pai, livra-me da tentação de querer enquadrar-te em meus mesquinhos esquemas. Que eu saiba reconhecer e respeitar o teu modo de agir.
3. A VIDEIRA E OS RAMOS
A imagem da união dos ramos à videira ilustra o tipo de relacionamento a ser estabelecido entre Jesus e a comunidade dos discípulos, e, ao mesmo tempo, funciona como um alerta para as tentações futuras. 
A parábola sublinha alguns pontos fundamentais. Para os discípulos produzirem frutos de amor e justiça, é mister que permaneçam unidos ao Senhor. Dele é que provém a "seiva" necessária para perseverar no caminho difícil do serviço gratuito ao próximo. Quem, apesar de se proclamar discípulo, for incapaz de fazer frutificar o amor, será rechaçado pelo Pai, o agricultor. Um relacionamento puramente exterior e formal com Jesus não tem sentido. É indigno da condição de discípulo ser infrutífero. Permanecendo unido a Jesus, produzirá os frutos esperados. Então, o Pai trata-lo-á com amor, procedendo à poda, para que produza ainda mais frutos. A expectativa do Pai é ver os discípulos do Filho perseverar no amor, expresso em gestos cada vez mais exigentes e comprometidos. 
A parábola serve, também, de alerta contra a tentação de buscar adesões fora de Jesus. Seriam adesões estéreis, pois só na medida em que permanecerem unidos a Jesus, conseguirão agir conforme o desejo do Pai. Não existe alternativa possível.

Oração
Espírito de adesão ao Senhor, une-me cada vez mais profundamente a Jesus, para que eu possa produzir os frutos que o Pai espera de mim.


Liturgia da Quinta-Feira

V SEMANA DA PÁSCOA
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)

Antífona da entrada: Cantemos ao Senhor: ele se cobriu de glória. O Senhor é a minha força e o meu cântico: foi para mim a salvação, aleluia! (Ex 15,1s)
Leitura (Atos 15,7-21)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. 
7 Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.
8 Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós.
9 Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações.
10 Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?
11 Nós cremos que pela graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles.
12 Toda a assembléia o ouviu silenciosamente. Em seguida, ouviram Barnabé e Paulo contar quantos milagres e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios.
13 Depois de terminarem, Tiago tomou a palavra: Irmãos, ouvi-me, disse ele.
14 Simão narrou como Deus começou a olhar para as nações pagãs para tirar delas um povo que trouxesse o seu nome.
15 Ora, com isto concordam as palavras dos profetas, como está escrito:
16 Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi que caiu. E reedificarei as suas ruínas, e o levantarei
17 para que o resto dos homens busque o Senhor, e todas as nações, sobre as quais tem sido invocado o meu nome.
18 Assim fala o Senhor que faz estas coisas, coisas que ele conheceu desde a eternidade (Am 9,11s.).
19 Por isso, julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus.
20 Mas que se lhes escreva somente que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, da impureza, das carnes sufocadas e do sangue.
21 Porque Moisés, desde muitas gerações, tem em cada cidade seus pregadores, pois que ele é lido nas sinagogas todos os sábados. 
Salmo responsorial 95/96
Anunciai as maravilhas do Senhor
entre todas as nações.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!
Cantai e bendizei seu santo nome!

Dia após dia anunciai sua salvação,
manifestai a sua glória entre as nações
e, entre os povos do universo, seus prodígios!

Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”
Ele firmou o universo inabalável,
pois os povos ele julga com justiça.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar (Jo 10,27).

EVANGELHO (João 15,9-11)
9 Disse Jesus: Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor.
11 Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Amor e Retribuição
Estamos habituados a pensar no amor como um sentimento que nos obriga a retribuir de alguma maneira ao amor de quem nos ama, e que tem suas razões de ser. Olhamos para Jesus, o Filho de Deus e poderíamos nos perguntar, que razões Jesus dá para que o Pai o ame...
Mil razões... Jesus merece ser amado pelo Pai, é Filho Fiel, obediente, que prioriza a Vontade do Pai, que se move a partir do Pai, que se aniquila, se rebaixa e se deixa esmagar, para cumprir toda a Vontade Daquele que o enviou....Um Filho assim, que dá todas as razões para ser amado, todo mundo queria ter um... que fosse desse jeito. Sendo bom, fiel e justo, santo e perfeito, Jesus pode contar com o Amor do Pai, que é sempre intenso e grandioso. Enfim, podemos concluir com nossa lógica humana, que o Pai o ama porque Ele de fato é bom...o Amor de Deus pelo Filho Jesus é real, concreto, verdadeiro, sem dúvida alguma...
Neste evangelho, ao falar com seus discípulos sobre esse amor, Jesus afirma algo que desnorteia a todos: Assim como o Pai me ama, eu também vos amo! Assim... desse mesmo modo... do mesmo jeito, com a mesma intensidade . Que motivos damos todos os dias para que Deus manifeste todo esse amor por cada um de nós? Certamente nenhum...
Mas há duas palavras chaves, duas recomendações de Jesus neste evangelho, a seus discípulos de ontem e de hoje. Perseverar e ser constante no amor de Cristo. Só há um modo de ser constante e perseverante nesse amor: é guardar os mandamentos que Jesus nos deu...Se antes, a perseverança e a constância para com Deus, dizia respeito á observância da Lei, agora o amor é a Lei...
Não somos amados porque somos bons, ou porque, de algum modo damos motivos para que Deus nos ame. Não há razão para que Deus nos ame desse jeito tão apaixonado... E o amor ao próximo, com essa mesma intensidade é a maneira que o discípulo tem, de corresponder a este amor Divino.
2. A fonte do amor é o Pai
Nosso texto é sequência da parábola da vinha (15,1-8). Tal parábola dá o apoio simbólico para a segunda parte do discurso (VV. 11-17), que é, podemos dizer, uma meditação sobre o amor tipicamente cristão. O amor é o fruto esperado de quem permanece unido à videira. A parábola é um apelo à unidade do discípulo com o seu senhor: “... permanecei em mim e eu permanecerei em vós … Aquele que permanece em mim, e eu nele, dá muito fruto” (VV. 4.5b).
A fonte do amor é o Pai (cf. v. 9). O autor da Primeira carta de João diz que “Deus é amor” (1Jo 4,16). O Pai ama criando, gerando a vida, entregando o próprio Filho: “Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho único” (Jo 3,16). É com esse mesmo amor que o Filho, a verdadeira videira, amado pelo Pai, nos ama: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo” (13,1). Uma das características do discípulo é que ele é aquele que “permanece” no/com seu Senhor. “Permanecer” é estar arraigado, profundamente unido, a tal ponto de poder viver o mesmo dinamismo do amor. Já o dissemos mais acima, o amor não é ideia; ele engaja a pessoa amada e a que ama num compromisso profundo: “Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor” (v. 10).
O amor assim entendido é o caminho da verdadeira felicidade. Esta é a finalidade de todo o discurso: “Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (v. 11). Mas não nos esqueçamos de que esta alegria é alegria de Cristo, portanto, dom.
ORAÇÃO
Pai, completa a alegria que o Espírito Santo faz brotar em mim, pois estou disposto a permanecer unido a ti e a teu Filho, e a ser fiel aos teus mandamentos, apesar das adversidades.
3. FIRMES NO AMOR
O amor que Jesus nutriu por seus discípulos é reflexo do amor que ele mesmo recebeu do Pai. Amor eterno, permanente, total, exclusivo. Amor sem imposição ou pré-requisitos. Amor absolutamente gratuito. Foi assim que Jesus amou os seus, tal como aprendera na escola do Pai. 
A exortação que Jesus dirigiu aos seus - "Permaneçam no meu amor!" - tem duas vertentes. A primeira refere-se ao relacionamento Jesus-discípulo, a segunda, ao dos discípulos entre si. 
O discípulo ama Jesus com o mesmo amor com que é amado por ele. Aqui não há lugar para relacionamentos interesseiros, como os de muitos cristãos que fazem consistir sua fé na busca contínua de favores divinos. Nem há lugar para atitudes de temor, como acontece com quem se julga estar sempre a ponto de ser punido por Deus. O puro amor a Jesus vai além dessas deturpações. 
No relacionamento com os seus semelhantes, o discípulo oferece amor idêntico ao que recebe de Jesus. Não exige nada em troca. Não procura enquadrar o outro em seus esquemas preconcebidos. Não estabelece limites. Pelo contrário, acolhe o outro como ele é, oferecendo-lhe o melhor de si, possibilitando-lhe o crescimento, a fim de que possa realizar-se plenamente.

Oração
Espírito de amor fiel, ajuda-me a permanecer na fidelidade ao amor de Jesus, dando o melhor de mim aos meus irmãos e às minhas irmãs.
Liturgia da Sexta-Feira

SANTOS FILIPE E TIAGO - APÓSTOLOS E MÁRTIRES
(VERMELHO, GLÓRIA, PREFÁCIO DOS APÓSTOLOS – OFÍCIO DA FESTA)

Antífona da entrada: Estes são os santos que Deus escolheu no seu amor. Deu-lhes uma glória eterna, aleluia!
Leitura (1 Coríntios 15,1-8)
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios. 
1 Eu vos lembro, irmãos, o Evangelho que vos preguei, e que tendes acolhido, no qual estais firmes.
2 Por ele sereis salvos, se o conservardes como vo-lo preguei. De outra forma, em vão teríeis abraçado a fé.
3 Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;
4 foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras;
5 apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze.
6 Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive (e alguns já são mortos);
7 depois apareceu a Tiago, em seguida a todos os apóstolos.
8 E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo. 
Salmo responsorial 18/19A
Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.
Os céus proclamam a glória do Senhor,
e o firmamento, a obra de suas mãos;
o dia ao dia transmite esta mensagem,
a noite à noite publica esta notícia.

Não são discursos nem frases ou palavras,
nem são vozes que possam ser ouvidas;
seu som ressoa e se espalha em toda a terra,
chega aos confins do universo a sua voz.
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Sou o caminho, a verdade e a vida, diz Jesus; Filipe, quem me vê, igualmente vê meu Pai! (Jo 14,6.9)

EVANGELHO (João 14,6-14)
6 Jesus respondeu a Tomé: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.
7 Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto.
8 Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.
9 Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai...
10 Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras.
11 Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras.
12 Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai.
13 E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
14 Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. SÃO FILIPE E TIAGO, APÓSTOLOS
Hoje é Festa de São Filipe e São Tiago, discípulos e apóstolos de Jesus, ambos tiveram a honra de morrerem martirizados por causa do evangelho. O evangelho de hoje nos mostra o início da experiência que Filipe fez com Jesus. Aqui é importante compreendermos que essa experiência com Jesus não é um momento único em nossa vida, mas é algo que se propaga no decorrer de toda nossa existência.

Entretanto, esse conhecimento de quem é Jesus, essa revelação Divina em nossa vida, não vem já "prontinha" e pronta para consumo, como muitos imaginam....Mas é necessária uma abertura permanente á Graça Divina...abertura onde não podemos ter vergonha de expor diante de Deus as nossas dúvidas exatamente como fez Felipe.

Jesus havia dito "Eu sou o caminho, a verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai senão por mim. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai, desde agora já o conheceis, pois o tendes visto". Para nós leitores deste segundo milênio, longe do contexto em que a reflexão Joanina foi produzida, talvez possamos estranhar, que diante de tal clareza, Filipe ainda não houvesse entendido, fazendo aquele pedido tão estranho "Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta!".

Aqui podemos usar o nosso imaginário, Filipe se inquietava em conhecer o Pai e por isso, ao perceber nas Palavras de Jesus, que havia um Pai, isso é, alguém que lhe era superior, teria afirmado "Queremos falar com quem manda, mostra-nos o Pai e deixa o resto com a gente..." Entretanto Filipe ainda não tinha entendido que nenhum ser humano conseguirá chegar ao Pai se não for pelo Filho, a Trindade é Una, indivisível, um só Deus em três pessoas e três pessoas em um só Deus, não há um canal em separado para se comunicar com o Pai, outro com o Filho e outro com o Espírito Santo, quando atendemos um celular em um círculo restrito de amigos, e quem nos ligou também pertence a este círculo, ligamos o Viva -Voz para que todos ouçam, assim são nossas orações direcionadas a Deus, onde a Trindade Santa nos ouve.

Filipe, influenciado pelas Teofanias do Antigo Testamento, esperava ainda uma revelação espetacular do Pai de Jesus, pois ele estava encantado com Jesus e talvez imaginasse "Se o Filho é assim, imagine o Pai..." Jesus responde e corresponde a todos os nossos anseios e inquietações a respeito de Deus, porque ele é Deus, sem deixar de ser Homem.

E se Jesus nos mostra o Pai, em suas Palavras e atitudes, nós que somos satélites porque temos em nós a sua Luz maravilhosa, temos que refletir ao próximo um pouco dessa luz, para que Jesus seja conhecido por todos. Mostrar esse Jesus ao outro é mostrar a nossa vida, o que pensamos, o que fazemos e como fazemos, afinal, se somos Filhos e Filhas da Luz, não há o que esconder!
2. Jesus é o caminho à vida em plenitude
João menciona o nome de Filipe em vários episódios narrados em seu Evangelho. Nos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), Filipe só aparece na relação dos Doze. Por outro lado, o nome de Tiago aparece várias vezes, mas não há nenhuma menção a ele em João. A um pedido de Filipe a Jesus para mostrar-lhes o Pai, Jesus diz que ele próprio identifica-se com o Pai, em seu amor para com todos e na sua misericórdia salvífica: "Quem me vê, vê o Pai".
A revelação do Pai se faz na humanidade de Jesus, e não através das antigas visões. Jesus é o caminho que nos conduz à vida em plenitude, eterna. Ele é a verdade. Não uma verdade intelectual ou abstrata, mas é a verdade da vida. A vida verdadeira é aquela que é vivida em conformidade com a vontade de Deus.
ORAÇÃO
Pai, que eu saiba reconhecer-te na pessoa de Jesus, expressão consumada de teu amor misericordioso por todos os que desejam estar perto de ti.
3. OS SANTOS DE HOJE
São Filipe 
Filipe nasceu em Betsaida, na Galiléia, e foi um dos primeiros discípulos de Jesus, tendo sido, anteriormente, discípulo de são João Batista. O seu nome ocupa sempre o quinto lugar nas listas dos apóstolos e é mencionado mais de uma vez no Evangelho.

Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas dão-nos, de Filipe, somente o nome e o lugar do nascimento, mas João oferece-nos maiores particularidades sobre a sua personalidade. Os poucos elementos fornecidos pelo Evangelho permitem-nos esboçar o perfil espiritual do apóstolo Filipe, homem simples e aberto, primário e sincero, que gozou da intimidade espontânea com Jesus.

Ele era da mesma cidade de Pedro e André, e talvez fosse também pescador. As Sagradas Escrituras nos contam que Filipe, após ter sido chamado diretamente por Jesus, ao encontrar Natanael, mais tarde chamado de Bartolomeu, com certa euforia lhe comunica a notícia: "Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José" (Jo 1,45-46).

Em outra passagem, João nos conta que foi Filipe quem perguntou a Jesus, no dia do milagre da multiplicação dos pães, como faria para alimentar tanta gente com tão poucos pães. Também, noutra ocasião, quando se aproximaram dos apóstolos, alguns gregos que queriam ver mais de perto Jesus e recorreram diretamente a Filipe. Então, junto com André, transmitiram o pedido a Cristo, que os atendeu com benevolência (Jo 12,21-23).

A última intervenção dele aconteceu durante a última ceia. Os apóstolos escutavam, atentos, as palavras de despedida do Mestre quando Filipe lhe pediu um esclarecimento: "Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta". Jesus respondeu: "Filipe, há tanto tempo que convivo convosco e ainda não me conheceis? Quem me viu, viu o Pai. Não crês que eu estou no Pai e o Pai está em mim?" (Jo 14,8).

Nada sabemos dele depois da ressurreição. Segundo a tradição, ele foi enviado para pregar o Evangelho na Ásia Menor, onde patrocinou um fato prodigioso. Filipe teria sido obrigado a reverenciar o deus Marte, acendendo-lhe um incenso. Naquele instante, surgiu de trás do altar pagão uma cobra, que matou o filho do sacerdote-mor e mais dois comandados seus. Mas o apóstolo, com um gesto, os fez ressuscitar e matou a cobra. Esse e outros milagres de Filipe foram responsáveis pela conversão de muitos pagãos ao cristianismo.

Não se sabe, exatamente, como ou quando Filipe morreu. Mas o mais provável é que tenha sido crucificado em Gerápolis, no tempo do imperador Domiciano, talvez Trajano, aos oitenta e sete anos. Suas relíquias foram transportadas num dia 3 de maio e colocadas na igreja dos Apóstolos, em Roma, junto com as de são Tiago, o Menor. Por isso são Filipe é celebrado neste dia. 
São Tiago
Tiago, filho de Alfeu, é identificado nos evangelhos como "irmão do Senhor", termo usado para designar parentesco de primos. Governou a Igreja de Jerusalém e foi chamado de "o Menor" para não ser confundido com são Tiago, o Maior, que era irmão de são João.

Os evangelhos só falam dele nas listas dos apóstolos. Porém tal falta de informação foi compensada pelas fartas referências à sua ação e personalidade contidas nos Atos dos Apóstolos e na Carta de são Paulo aos Gálatas, que nos permitem saber que Tiago era, com são Pedro, a principal figura da Igreja. São Paulo chega a citar seu nome em primeiro lugar, dizendo: "Tiago, Pedro e João, considerados colunas da Igreja" (Gl 2,9). Foi com ele que Paulo, depois de convertido, se encontrou em Jerusalém.

Dizem as Escrituras que Tiago sempre teve atenção e carinho especiais de Jesus Cristo. Além de considerá-lo um homem de grande elevação espiritual, ainda era seu parente próximo. Tiago foi testemunha da Ressurreição de Jesus; (1Cor 15,7). Antes de subir aos céus, Jesus, numa aparição, deu a ele o dom da ciência como recompensa por sua bondade e santidade.

No Concílio de Jerusalém, onde se discutiu o problema da circuncisão e da lei mosaica a serem impostas ou não aos convertidos do paganismo, Tiago teve um papel importante quando deu sua opinião, aceita por todos (At 15). Ele também escreveu uma epístola.

Devemos a Tiago práticos, sensíveis e prudentes ensinamentos. Como esta advertência, sempre muito atual: "Se alguém pensa ser religioso, mas não freia sua língua e engana seu coração, então é vã sua religião. A religião pura e sem mácula, aos olhos de Deus, nosso Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas em suas aflições e conservar-se puro da corrupção deste mundo" (Tg 1,26-27).

Sobre a morte de Tiago, o Menor, que foi o primeiro apóstolo a dar a vida em nome de Jesus, possuímos informações de antiga data. Entre as mais prováveis estão as do historiador hebreu José Flávio, segundo o qual o apóstolo teria sido apedrejado e pisoteado no ano 61(ou 62), pelo sumo pontífice Anás II, que se aproveitou da morte do íntegro papa Festo para eliminar o bispo de Jerusalém.

São Tiago, o Menor, sempre foi considerado um homem de grande pureza, total dedicação e abnegação, vivendo, desde o nascimento, consagrado a Deus. Sua vida foi santa e de muita austeridade. Converteu muitos judeus à fé cristã antes de receber a coroa do martírio. Suas relíquias foram colocadas na igreja dos Santos Apóstolos, em Roma, e sua festa se celebra no dia 3 de maio.
Liturgia do Sábado

V SEMANA DA PÁSCOA
(BRANCO – OFÍCIO DO DIA)

Antífona da entrada: Sepultados com Cristo no batismo, fostes também ressuscitados com ele, porque crestes no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos, aleluia! (Cl 2,12).
Leitura (Atos 16,1-10)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. 
1 Chegou a Derbe e depois a Listra. Havia ali um discípulo, chamado Timóteo, filho de uma judia cristã, mas de pai grego,
2 que gozava de ótima reputação junto dos irmãos de Listra e de Icônio.
3 Paulo quis que ele fosse em sua companhia. Ao tomá-lo consigo, circuncidou-o, por causa dos judeus daqueles lugares, pois todos sabiam que o seu pai era grego.
4 Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.
5 Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia.
6 Atravessando em seguida a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra de Deus na (província da) Ásia.
7 Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.
8 Depois de haverem atravessado rapidamente a Mísia, desceram a Trôade.
9 De noite, Paulo teve uma visão: um macedônio, em pé, diante dele, lhe rogava: Passa à Macedônia, e vem em nosso auxílio!
10 Assim que teve essa visão, procuramos partir para a Macedônia, certos de que Deus nos chamava a pregar-lhes o Evangelho. 
Salmo responsorial 99/100
Aclamai o Senhor, ó terra inteira.

Aclamai o Senhor, ó terra inteira,
servi ao Senhor com alegria,
ide a ele cantando jubilosos!

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus,
ele mesmo nos fez e somos seus,
nós somos seu povo e seu rebanho.

Sim, é bom o Senhor e nosso Deus,
sua bondade perdura para sempre,
seu amor é fiel eternamente!
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Se com Cristo ressurgiste, procurai o que é do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai (Cl 3,1).

Evangelho (João 15,18-21)
18 Disse Jesus: Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós.
19 Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.
20 Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa.
21 Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. 
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. O Mundo de Deus
A Palavra "mundo" é largamente empregada pelo evangelista João, mas as vêzes com sentido diferente, neste evangelho por exemplo, mundo não é o planeta ou a Obra da Criação, mas sim o mundo do mal, dos que deliberadamente se opõe a Verdade que Deus revelou em Jesus. Odiar é o contrário do Amar, o amor quer a Vida do outro e a sua alegria, o Ódio quer a morte e a destruição daquele que é odiado.
O homem quer um Deus forte e poderoso, um ser de moral irreprensível, seguidor da lei de Moisés, um Deus que privilegie os justos e santos, e que castigue implacavelmente os injustos e pecadores. Um Deus que continue a ter uma raça escolhida, exemplo de pessoas boas, sinceras, e que por isso mesmo são sempre abençoadas com longa vida, e bens materiais. Um Deus que se valorize e que não se misture com os míseros mortais.
O primeiro problema na relação da comunidade judaica tradicional com Jesus, Ele não atende essa expectativa e ainda por cima, se relaciona com pessoas que nem de longe fazem parte da "raça escolhida e Nação Santa". Mas o que provocou o ódio e a rejeição a Jesus por parte dos Judeus tradicionais, foi ele ter se apresentado como Filho de Deus, o grande esperado e não havia outro.
Os seguidores autênticos de Jesus o imitam em tudo, ensinam suas palavras, realizam as mesmas obras, ou seja, dão continuidade á Missão de Jesus tornando-se assim a prova inequívoca de que Jesus ressuscitou, está vivo e caminha com eles. Quem odeia a alguém, quer ver esse alguém morto, esmagado e destruído para sempre, e alguém que lembre essa presença, só fará aumentar o ódio dos seus opositores.
Na pós modernidade essa rejeição e esse ódio por Jesus, seu evangelho e seu reino, continua. Muda-se a referência, os Judeus conservadores o odiavam porque ele não correspondia ao modelo de Messias que eles acreditavam, a partir de suas tradições e da escritura, já o homem da pós modernidade quer um Jesus que seja á sua imagem e semelhança, adequado a um estilo de vida que privilegie a busca de prazer, de realização pessoal, em um egocentrismo exacerbado onde o homem é o deus de si mesmo.
Qualquer postura, pensamento ou atitude que contrarie tudo isso, irá atrair ódio e rejeição. O discípulo de Jesus sempre navega contra a correnteza!
2. A palavra encorajadora de Jesus
O tema principal é a perseguição que os discípulos sofrem e, aqui, muito provavelmente da parte da sinagoga. No relato do envio dos setenta e dois discípulos, Jesus alerta: “Eis que eu vos envio como cordeiro entre lobos” (Lc 10,3). O prólogo do evangelho de João já antecipa o tema da perseguição e da rejeição: “… a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam” (1,5); “ele estava no mundo e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu” (v. 10).
No diálogo catequético-batismal com Nicodemos, o tema da rejeição também aparece: “… a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque as suas obras eram más” (3,19).
Neste pano de fundo, a palavra de encorajamento de Jesus ganha ainda mais força: “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim” (v. 18). O discípulo é chamado a configurar a sua vida à vida do seu Senhor e encontrar nele e por ele a força para enfrentar e não sucumbir diante da perseguição. As razões da perseguição são a ignorância e a falta de fé: não conhecem Aquele que enviou Jesus (cf. v. 21).
ORAÇÃO
Pai, faze-me forte para enfrentar o ódio e a perseguição do mundo, sem abrir mão de minha fidelidade a ti e a teu Reino, a exemplo de Jesus.
3. SEM MEDO DE SER ODIADO
O Mestre Jesus procurou consolar e encorajar os seus discípulos diante da perspectiva do ódio e da perseguição. Sem criar neles o complexo de vítima, levou-os a encarar o futuro, com realismo: assim como o seu testemunho despertou a fúria de seus adversários, o mesmo aconteceria com os seus enviados. 
Que tipo de personalidade pressupõe-se que o discípulo deva ter, se considerarmos as palavras de Jesus? Antes de tudo, o discípulo deve ser alguém inabalavelmente comprometido com o Mestre, colocando-o como centro de sua vida, e com o Reino. Supõe-se que deva possuir uma personalidade destemida, se não audaciosa, alheia às influências negativas e pessimistas, perspicaz para detectar e denunciar as artimanhas do maligno, precavendo-se delas, predisposta a testemunhar a sua fé até o martírio, se for o caso. 
Sem isto, o discípulo não terá a mínima condição de defrontar-se com o mundo, e sair vitorioso. Sua vida será sempre uma batalha, pois foi arrancado do mundo. Por isso, o mundo não o perdoa. Sua missão consistirá em desmontar as estruturas contrárias ao projeto de Deus, saneando-as com o amor e a justiça. Seu destino será, como Jesus: levar adiante esta luta sem tréguas, da qual deverá sair vencedor. 
Basta ao discípulo contemplar a vida do Mestre, e, por ela, pautar a sua.

Oração
Espírito de encorajamento, diante da perspectiva de ser odiado e perseguido, reveste-me de coragem, para eu não permitir que as forças do mal tenham poder sobre mim.
Liturgia do Domingo 05.05.2013
6º Domingo de Páscoa — ANO C

(BRANCO, GLÓRIA, CREIO – II SEMANA DO SALTÉRIO)

__ "Deixo a vocês a paz, dou a vocês a minha paz... Eu vou e voltarei a vocês." __
Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Reunimo-nos para celebrar o memorial da morte e ressurreição de Jesus. Na celebração eucarística escutamos a Palavra de Deus. O Espírito irá nos ensinar tudo o que Jesus disse; irá iluminar nossos desafios pastorais e orientará nossas comunidades, a fim de que transformemos nossa sociedade em Nova Jerusalém, esposa do Cordeiro. Portanto, animados pelo Espírito, teremos força para seguirmos adiante, sem perturbações e temores no coração. Não estamos órfãos, largados à própria sorte, pois temos a assistência de uma força divina enviada pelo Pai.
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Neste domingo muitos dos nossos irmãos se põem a caminho de Aparecida como romeiros da nossa Arquidiocese. É uma romaria que tem seu ponto final no céu, mas que passa pelos Santuários desta terra, sinais visíveis daquele santuário eterno que é o Cristo Bom Pastor reinando à Direita do Pai. Aparecida, a casa da Mãe, nos acolhe e fortalece na fé, para que o romeiro da eternidade persevere até fim em sua grande romaria. Preparemo-nos também para a festa da Ascensão do Senhor, no próximo domingo. A ascensão de Jesus é a motivação teológica para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Por isso, no próximo domingo, venhamos preparados para a coleta generosa em prol da Rádio Nove de Junho, um dos principais meios arquidiocesanos de comunicação social e precioso meio comunicação católica.
INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Na Nova Jerusalém não há templo, porque o Senhor e o Cordeiro são o seu templo. Afirmação surpreendente. Fala-se do mundo novo já presente como início na Igreja terrena, mas que se realizará em plenitude na Igreja celeste. A realidade futura não terá mais necessidade daquilo que na terra é sinal e instrumento. Mas já neste mundo é preciso fazer a passagem dos sinais visíveis para os invisíveis mistérios que naqueles Deus faz conhecer e comunica. Isto implica num processo de espiritualização e de personalização que ultrapassas as perspectivas dos profetas.
Sintamos em nossos corações a alegria da Ressurreição e entoemos alegres cânticos ao Senhor!

VI DOMINGO DA PÁSCOA

Antífona da entrada: Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia! (Is 48,20)
Comentário das Leituras: A promessa do Mestre exige dos discípulos uma fé consistente. Nos momentos de provação, recorrendo a ela, são capazes de dar razão ao Mestre e reconhecer que o Espírito Defensor age em seu favor. O Espírito Santo nos garante, por meio da Igreja, a comunhão com o Ressuscitado. Ouçamos com atenção.
Primeira Leitura (Atos 15,1-2.22-29)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. 
1 Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.
2 Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém.
22 Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos.
23 Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: "Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde!
24 Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência.
25 Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo,
26 homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
27 Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas.
28 Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável:
29 que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus! 
Salmo responsorial 66/67
Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem!

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção,
e sua face resplandeça sobre nós!
Que na terra se conheça o seu caminho
e a sua salvação por entre os povos.

Exulte de alegria a terra inteira,
pois julgais o universo com justiça;
os povos governais com retidão
e guiais, em toda a terra, as nações.

Que as nações vos glorifiquem!
Que todas as nações vos glorifiquem!
Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe
e o respeitem os confins de toda a terra!
Segunda Leitura (Apocalipse 21,10-14.22-23)
Leitura do livro do Apocalipse.
10 Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus,
11 revestida da glória de Deus. Assemelhava-se seu esplendor a uma pedra muito preciosa, tal como o jaspe cristalino.
12 Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas por doze anjos. Nas portas estavam gravados os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
13 Ao oriente havia três portas, ao setentrião três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas.
14 A muralha da cidade tinha doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
22 Não vi nela, porém, templo algum, porque o Senhor Deus Dominador é o seu templo, assim como o Cordeiro.
23 A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro. 
Aclamação do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Quem me ama realmente guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,23).

EVANGELHO (João 14,23-29)
23 Disse Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada.
24 Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou.
25 Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco.
26 Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.
27 Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!
28 Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto a vós. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu.
29 E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que creiais quando acontecerem. 
TEXTOS BÍBLICOS PARA A SEMANA:
2ª Br - At 16,11-15; Sl 149; Jo 15,26-16,4a
3ª Br - At 16,22-34; Sl 137 (138); Jo 16,5-11
4ª Br - At 17,15.22-18,1; Sl 148; Jo 16,12-15
5ª Br - At 18,1-8; Sl 97 (98); Jo 16,16-20
6ª Vm - At 1,15-17.20-26; Sl 112 (113); Jo 15,9-17
Sb Br - At 18,23-28; Sl 46 (47); Jo 16,23b-28
Domingo. ASCENSÃO DO SENHOR, At 1,1-11; Sl 46 (47),2-3. 6-7. 8-9 (R/ 6); Ef 1,17-23; Lc 24,46-53 Ou 2ª leitura facultativa: Hb 9,24-28; 10,19-23
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. O ESPÍRITO QUE ENSINA!
Tive um amigo que era “fera” em ciências exatas, conhecia e sabia de cor conceitos e fórmulas de matemática, física e química, que assombrava os professores e a todos nós da sua classe, que morríamos de inveja quando o víamos tirar notas altas nessas matérias, sem nunca ser preciso fazer a prova final porque bem antes de encerrar o ano letivo, já tinha fechado todas essas matérias. Findo o segundo grau, prestou vestibular para engenharia sem fazer nenhum cursinho e de maneira brilhante obteve classificação para cursar engenharia. Em certa ocasião encontrei-o na empresa, prestando serviço como auxiliar administrativo em uma renomada empreiteira de montagens industriais e ao perguntar-lhe por que trabalhava como auxiliar se já era engenheiro formado, respondeu-me que queria especializar-se nessa área e que este aprimoramento profissional só era possível se tivesse a prática e daí sim, estaria habilitado para exercer aquela profissão “Na teoria é uma coisa, na prática é outra”, disse-me sorrindo, ao concluir a nossa conversa.
É este precisamente o ensinamento do evangelho desse Sexto domingo da Páscoa: passarmos da teoria à prática da verdadeira religião, que nada mais é do que o amor na relação com Deus e com o próximo, porque parece que as nossas comunidades cristãs, algumas um pouco mais, outras um pouco menos, são todas bem parecidas com o meu amigo dos tempos de escola, vive-se muito uma religião teórica, um amor teórico, nossos conceitos de religião e de amor, segundo o evangelho que aprendemos na catequese e que ouvimos em cada celebração, são os mais belos e verdadeiros, tanto é verdade que Jesus Cristo é conhecido e admirado por milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro, dentro e fora das igrejas.
E essa praticidade seria impossível se não fosse à ação do Espírito Santo, que de maneira ininterrupta, 24 horas nos ensina e nos recorda as palavras de Jesus, sem essa ação do Espírito Santo, a Sagrada Escritura e particularmente o Novo Testamento, não passaria de belos conceitos e fórmulas de “Como se Viver Bem” com a gente mesmo, com os outros e com Deus, uma espécie de manual com instruções práticas sobre um eletro doméstico, desses que deixamos empoeirar, esquecido no fundo de uma gaveta. O Espírito Santo não nos ensina algo novo e diferente do que Jesus nos ensinou, mas ele atualiza a palavra em nossa vida, dando-nos a resposta que precisamos diante de certos acontecimentos ou situações, que o Jesus Histórico não viveu, pois naquele tempo não tinha TV, Celular, Internet, avião, naves espaciais, tecnologia avançada, aborto, divórcio, violência, corrupção, tráfico de drogas, globalização, essas e outras coisas são realidades do nosso tempo, diante das quais, o ensinamento de Jesus tem sempre uma resposta que é atual e verdadeira, pela ação do Espírito Santo.
Mas o Espírito Santo só age em nossa vida se já tivermos ouvido e guardado a Palavra de Jesus, que é a Palavra do Pai, mesmo porque, as três pessoas da Santíssima Trindade nunca agem isoladamente, mas sempre juntas, em perfeita comunhão. O Espírito Santo não é apenas um lado de Deus, mas é Deus por inteiro e, portanto, não faz mágica, mas sua ação está intimamente ligada ao Pai e ao Filho. E o amor a Deus e ao próximo, é o sinal de que guardamos a Palavra de Jesus, é por isso mesmo que o evangelho coloca a prática desse amor como “Carro Chefe de Tudo”, porque todo o ensinamento de Jesus, suas palavras e obras, revelam ao homem essa Verdade absoluta que é o amor de Deus, e para estar nele com ele e com o Pai, não há outro caminho que não seja o do amor.
A presença de Deus em nós não está condicionada às práticas religiosas, grandiosas liturgias e arrebatamentos celestiais, mas a vivência do amor, porque a liturgia eucarística nada mais é do que a celebração do Amor que se encarnou no meio dos homens e quem faz do cristianismo, apenas o cumprimento de preceitos e práticas religiosas, fica apenas na teoria, sabe tudo, conhece tudo, mas não vive a principal verdade revelada por Jesus, que é o amor. Isso é tão claro para o evangelista João, que ele irá dizer para sua comunidade, que “Deus é Amor”. A Paz que Jesus dá ao mundo, a partir dessa verdade, não é a paz do comodismo, da ausência dos problemas, das dificuldades e desafios. Não existe uma comunidade assim, mas a Paz significa essa presença de Deus em nossa vida por isso o nosso coração não deve se perturbar nem ter medo.
Trata-se, portanto, de uma paz inquietante, que questiona e que busca algo de belo, na plenitude que só Jesus pode nos dar, é dom, mas também conquista ao mesmo tempo, está sujeita aos conflitos na relação com o mundo porque busca algo que o mundo não pode nos dar. O mundo quer nos convencer do contrário, mas quando amamos e guardamos no coração a Palavra de Jesus, podemos contar com o melhor de todos os advogados: o Espírito Santo, que nos transforma em evangelho vivo! (VI domingo da Páscoa)
2. O Sopro de Deus em nós
O trecho do evangelho deste domingo é parte do discurso de despedida de Jesus (13,31–14,31). Trata-se, aqui, de encorajar os discípulos para que não desanimem ante as perseguições, paixão e morte de Jesus. A paz que o Senhor oferece para a missão e a constância dos discípulos é a sua própria vida, pois ele é o “fazedor de paz” (Mt 5,9), o “príncipe da paz” que, entrando em sua cidade, Jerusalém, reconciliou pela sua entrega a humanidade com Deus.
A paz é um dos primeiro dons do Cristo Ressuscitado. O Senhor promete a sua volta: “Voltarei a vós” (Jo 14,28). Não se trata de retorno à vida terrestre. A missão do Espírito Santo é tornar o Cristo presente a nós e sua palavra viva em nós. No Espírito Santo, a partida de Jesus não é sentida como ausência, pois ele estará conosco “todos os dias até os fins dos tempos” (Mt 28,20). O Espírito Santo, dom de Deus, não permite que a palavra de Jesus fique sem sentido ou caia no esquecimento; o Sopro de Deus em nós ensina e recorda tudo o que Jesus disse.
A fé é necessária para manter viva em nós a Palavra do Senhor e não sucumbirmos diante das dificuldades na realização da missão, que é participação na missão daquele que, enviado pelo Pai, passou por este mundo fazendo o bem, sofreu a paixão e morreu crucificado, mas ressuscitou ao terceiro dia.
O Apocalipse, livro escrito em fins do primeiro século, busca encorajar os cristãos a permanecerem firmes na fé e a guardarem a palavra de Cristo em meio à perseguição. A Igreja, lugar da habitação de Deus, é iluminada pelo Senhor: “A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21,23). A Igreja, fiel ao Senhor, não tem o que temer, pois o Senhor está no seu meio qual uma luz. Sob essa luz nenhum mal pode se esconder, e não há o que possa levá-la a tropeçar. A luz de Deus e do Cordeiro desvela as armadilhas do mal, as falsas doutrinas que buscam se impor como verdadeiras e necessárias.
A questão sobre a circuncisão dos pagãos, como, queriam alguns, necessária para a salvação, leva os apóstolos a darem uma resposta apostolicamente criativa e teologicamente brilhante. É um duplo problema que está presente na questão apresentada: o da unidade da Igreja e o da salvação. Para a unidade da Igreja é fundamental a aceitação da diferença – a unidade só é possível por causa da diferença. Em segundo lugar, não é a Lei que salva, mas a fé em Jesus Cristo.
Que neste dia, o primeiro da semana, sejamos iluminados para que todos os demais dias sejam vividos neste mesmo clarão.
ORAÇÃO
Espírito de iluminação, ensina-me e recorda-me todos os ensinamentos do Mestre Jesus, para que eu possa vivê-los com mais fidelidade.
3. SOB A GUIA DO PARÁCLITO
Pensando em sua ausência futura, Jesus tomou providências para que os seus discípulos não se sentissem abandonados, ao se verem entregues à missão, sem a presença física de seu Mestre. Esta sua falta, no entanto, haveria de ser compensada com a presença do Paráclito - o Defensor - que daria continuidade ao papel desempenhado por Jesus, junto aos discípulos.
O Paráclito iria ensinar-lhes todas as coisas, outrora transmitidas por Jesus, e recordar-lhes todas as orientações transmitidas. Ou seja, assumiria a função magisterial, antes desempenhada pelo Mestre. Os discípulos não teriam necessidade escolher um dos membros do grupo como mestre dos demais. Todos continuariam a ser discípulos do Mestre Jesus, pela mediação do Paráclito.
Por conseguinte, não deveriam esperar novidades por parte do Paráclito. Sua missão consistiria em fazê-los compreender, sempre mais e melhor, o que já havia sido transmitido por Jesus, mas, quiçá mal assimilado. O Espírito Santo iluminaria, aprofundaria e atualizaria as palavras do Filho de Deus, nos contextos plurais de desempenho da missão. Em cada circunstância concreta, as palavras do Senhor haveriam de revestir-se de apelos novos, pela luz oferecida pelo Paráclito.
O discípulo não pode dispensar o auxílio do Paráclito se deseja conservar sua fidelidade ao Senhor.

Oração
Espírito de iluminação, ensina-me e recorda-me todos os ensinamentos do Mestre Jesus, para que eu possa vivê-los com mais fidelidade.